quinta-feira, junho 30, 2011

Escravatura no Sudão




A escravatura prossegue em África (designadamente, na Mauritânia e no Sudão) e igualmente noutros pontos do globo (Arábia Saudita, por exemplo). Estamos a falar de situações de escravatura reais e objectivas e não de escravatura encapotada que existe em vários pontos do nosso planeta, numa escala muito maior.
Os tímidos protestos ocidentais dificilmente chegam a Cartum e outras capitais africanas. Nobody really cares! A maior parte são oriundos de ONG’s e, de quando em quando, lá aparecem umas denúncias desgarradas de países europeus
O Governo islamista do Sudão do Norte, liderado por Omar al-Bashir (acusado pelo TPI de crimes contra a humanidade, crimes de guerra, violações graves dos direitos humanos e  genocídio),  detém um recorde da racismo desmesurado e violento contra a população não-islamizada do seu território. Uma das formas de perseguição consiste na escravização dos não-crentes, que continua igualmente a ser uma prática corrente em muitas partes do continente africano. Cerca de 35.000 africanos continuam a ser sujeitos à prática ignóbil da escravatura no Norte do Sudão.
Hoje em dia, a população Nuba, um povo autóctone da região, confronta-se com uma campanha de genocídio às mãos dos líderes extremistas do Norte. Muitos observadores temem que esta violência pode reacender a guerra civil de 22 anos, em que cerca de 2 milhões de pessoas foram mortas e dezenas de milhares forma levadas para o Norte como escravos.
Os relatos sobre a escravatura no Sudão podem ser consultados aqui  (Freeing the  black Jihad slaves).
O vídeo infra apesar de conter apenas fotografias  e áudio ilustra bem o que se refere.




Líbia – a Guerra perdida

Os ocidentais estão em vias de perder a guerra na Líbia e confrontar-se com uma situação em que Muammar Kadhafi se vai enquistar firmemente no poder na região Oeste do país enquanto  a rebelião irá presumivelmente passar para as mãos dos islamistas. Trata-se de um cenário apocalíptico que assume foros de verosimilhança, a julgar pelo extenso artigo do antigo embaixador dos EUA, na ONU e ex-sub-secretário de Estado, John Bolton, da era Bush e publicado em  "The Daily Beast".
Trata-se de um pessimismo acentuado que podemos também encontrar nas páginas do "Los Angeles Times",  que frisa, por seu turno, que os mandados de captura do TPI contra Ladhafi por “crimdes contra a Humanidade”, mais não farão que “may also increase his determination to fight on rather than relinquish power or seek sanctuary outside the country.”
 John Bolton atribui, acima de tudo à «incompetência 
presidencial» (leia-se  de Barack Obama) o que qualifica como o “impasse líbio”. Retomando muitas das criticas correntes nos EUA contra a intervenção na Líbia. Escreve Blton: “Obama’s rationale for intervening--protecting Libyan civilians--tugs at the heart strings, but conveys no strategic U.S. interest. In fact, Obama undercut his own logic last week, saying in his Afghanistan speech that it was now time to focus on nation building here at home.” Going forward, I’m certain he will rue that cheap and irresponsible line, which his opponents will surely use against him in the lead up to the 2012 election.”
John Bolton acrescenta que  o erro inicial de Obama foi de não ter procurado obter a autorização do Congresso (numa interpretação tosca e ridícula do War Powers Act) para obter uma autorização clara do Congresso no sentido de utilizar a força e levar a efeito uma verdadeira guerra e de pelo contrário tentar obter timidamente o aval da Liga Árabe e do Conselho de Segurança da ONU que, ao fim e ao cabo,  são inúteis ou quase.
Bolton considera que Obama fixou restrições de carácter operacional demasiado grandes e, por conseguinte, logo na fase inicial, a operação militar jamais teve o peso e a duração necessárias para reduzir drasticamente as capacidades militares do coronel líbio. O que deveria ter sido uma intervenção brutal e poderosa tornou-se, maxime por questões de multilateralismo, uma operação muito dilatada, que hoje ultrapssa já os 100 dias, lenta e totalmente ineficaz.
Ora, perante este cenário, Kadhafi tirou as conclusões que se impunham: “That our resolve is weak, our commitment is uncertain, and our willingness to establish a pro-Western regime is minimal.”
Obama pecou pelas suas confusões, pelas suas contradições e, last but not least, pelas suas hesitações.
Em suma, isto significa que Kadhafi quer se bater no terreno e a NATO se quer sair deste imbróglio vai ter que negociar, ou seja,  pelo menos, deixará ao ditador o controlo de uma parte do país.
Em conclusão e numa perspectiva mais vasta, afirma Bolton: “There is simply no reason for optimism here. Without a new president, America’s international position, especially in the Middle East, will only grow worse.
Hugo Chávez estava em Portugal, em Outubro de 2010,  para dar "as duas mãos" a José Sócrates. What did really happen?


Em relação ao post imediatamente anterior, em Outubro de 2010, Hugo Chávez, desembarcava no Porto, para uma visita a Portugal, a convite de J. Sócrates, num périplo que incluía alguns países bizarros como o Irão, a Bielo-rússia Rússia, Ucrânia e a Síria, num pacote tutti-frutti que dava um pouco para todos os gostos.
Hugo Chávez, não revelando quem lhe encomendou o sermão e tratando com algum paternalismo o país anfitrião, explicava, no Porto, estar em Portugal para ajudar o primeiro-ministro "num momento difícil,” ou seja, vinha dar "as duas mãos" a José Sócrates.
O relacionamento bilateral Portugal-Venezuela ia de vento em popa. Creio que foram 6 as visitas bilaterais ao longo do mandato socrático, colocando em termos de contactos bilaterais, a Venezuela em paridade coma Espanha e suplantando o Brasil. Os acordos e protocolos bilaterais foram assinados às dezenas, sem falar nas múltiplas declarações de intenções. Portugal e a Venezuela eram grandes amigos e estabeleciam “sólidas” parcerias de mútuo e inegável (?) interesse.
Na Invicta, logo à chegada, o chefe de Estado venezuelano adiantou que ia procurar reforçar a cooperação com Portugal, garantindo que "a Venezuela vai enviar mais petróleo" e reafirmou o seu propósito de criar uma Marinha. "Até agora, não tínhamos nem um barco de papel", referiu.
Sócrates sublinhou, então, à  chegada aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, a importância dos contratos que seriam assinados, na ocasião, entre Portugal e a Venezuela.
"São da maior importância para o país e para os estaleiros navais de Viana do Castelo", disse José Sócrates, considerando este um "grande dia para a cooperação entre Portugal e a Venezuela", referindo-se aos acordos nas áreas da construção naval e ao fornecimento de 1,5 milhões de computadores "Magalhães" que seriam subscritos no decurso da visita.
Os números hiperbólicos, como sempre, do comércio externo (Sócrates y sus muchachos encarregavam-se de os empolar) faziam sonhar toda a gente – só que bem exprimidinhos não davam para nada, mas enfim...

Chávez, mostrou-se "muito interessado" na compra aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo do navio “Atlântida”, que tinha sido encomendado pelo governo regional dos Açores e posteriormente rejeitado, porque não andava à velocidade que César queria (a César sempre o que é de César).
"Disseram-me que é um barco bom, bonito e barato. Estamos muito interessados", disse Chávez.

O chefe de Estado da Venezuela admitiu, ainda, que poderia também comprar o navio “Anticiclone”, que tinha igualmente sido encomendado pelo Governo regional dos Açores.
Já em 2008, quando da visita de Sócrates a Caracas tinha sido também assinada uma resma de acordos bilaterais – creio que 9 - , com as referencias extrovertidas e apalhaçadas de Chávez no seu programa dominical “Alô Presidente”, dizendo mais ou menos isto: “Somos um mercado, compramos porque somos consumidores e oferecemos-lhe petróleo”. Tudo muito simples e lógico.
O presidente venezuelano sublinhou que os acordos assinados em 24 e 25 de Outubro de 2010 com Portugal,  eram legítimos, transparentes e beneficiavam todos.
«Ninguém pode dizer, repito, que estamos a oferecer nada, nem uma gota de petróleo. São acordos legítimos, transparentes e claros que beneficiam todos, mas há que explicar ao povo», disse Chávez.
«...Com Portugal, estamos a enviar petróleo, derivados de petróleo e faz-se um fundo com uma percentagem da factura petrolífera. Eles (Lisboa) pagam uma percentagem, a outra percentagem que é 20 por cento passa para o fundo através do qual vamos financiar muitas coisas», afirmou.
Como exemplo do financiamento através do fundo, Hugo Chávez, citou a compra de um grande ferry a Portugal. O chefe de Estado venezuelano explicou que a rota prevista para o novo ferry é do porto de La Guaira até às ilhas de Orchila, Los Roques e Margarita.
«Eu quero meter todos esses meninos pobres de La Guaira, as famílias mais pobres, no tremendo ferry, a classe média também. São 800 pessoas. Aí está um modelo do ferry que já pronto está a partir de Portugal, (será) uma linha de ferry, turismo popular, turismo venezuelano», frisou.
Feitas as contas. O primeiro-ministro, José Sócrates, e o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, assinaram em Viana do Castelo acordos nas áreas da construção naval e para o fornecimento de 1,5 milhões de computadores Magalhães. Portugal recuperaria também um anterior compromisso para que o Grupo Lena construísse na Venezuela 2500 vivendas pré-fabricadas, um negócio calculado em 682 milhões de euros, e, ainda, um acordo na área das energias renováveis.
Só na área da construção naval, a Venezuela assinou um conjunto de acordos com os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), sendo um dos mais emblemáticos o da adaptação do ferry “Atlântida” para o transporte de passageiros e viaturas - uma encomenda avaliada em 35 milhões de euros.
Ainda na área da construção naval, os ENVC vão receber da Venezuela a encomenda para a construção de dois navios de transporte de asfalto, no valor de 130 milhões de euros.
"Serão encomendas importantes para assegurar o futuro dos Estaleiros de Viana do Castelo", disse à agência Lusa uma fonte diplomática

Qual foi o resultado de tudo isto?
Os estaleiros navais de Viana do Castelo estão em risco de fechar as portas e cerca de 380 trabalhadores vão ser dispensados (leia-se, despedidos). Ninguém atende os telefones em Caracas. O contrato para o “Atlântida” nem sequer foi assinado e o navio continua à espera, na doca, a ganhar ferrugem.
E os computadores Magalhães da firma J.P. Sá Couto?
E as 2.500 vivendas pré-fabricadas?
E as energias alternativas?
E, por fim, os navios  de transporte de asfalto?
Isto da diplomacia económica tem muito que se lhe diga. Fazer negócios com gente pouco séria ou mafiosa dá nisto. É por estas e por outras que fazer negócios com Chávez ou com Khadafi não são propriamente recomendáveis, excepto para personagens bizarras como D. Martín de la Cruz (que por sua vontade ia à todas) e José Sócrates (que apesar das habituais aldrabices foi engrolado à grande e à francesa pelo ditador venzuelano). Será que, agora, nos deixam também fazer negociatas com o cartel de Medellín ou com o de Tijuana? É que é capaz de dar dinheiro?

quarta-feira, junho 29, 2011


Venezuela: a saúde de Chávez e a luta interna pelo poder


Consta em Caracas que o irmão mais velho do Presidente Hugo Chávez, Adan Chávez, está a preparar-se para tomar as rédeas do Poder, enquanto o Chefe de Estado continua a recuperar de um estado de saúde alegadamente muito melindroso. Jogando nas divisões entre diferentes facções do regime e na ameaça pendente de ascensão ao Poder de uma milícia armada, o Presidente tem utilizado todas estas tendências para se manter à tona de água e com pleno controlo da situação. Enquanto permanecer hospitalizado em Cuba, essas facções podem começar a posicionar-se para tentarem assumir o domínio da situação, muito embora um insuficiente respaldo popular poderá constituir um empecilho real para um eventual golpe de estado.
Com efeito, circulam boatos que Adan Chávez, irmão mais velho do Presidente e Governador de Barinas, o estado natal do Chefe de Estado, está a posicionar-se para assumir o Poder e a continuidade do regime, enquanto Chávez recupera das intervenções cirúrgicas a que foi submetido em Cuba.
Adan Chávez chamou a atenção quando, durante uma prece colectiva em Barinas em prol das melhoras da saúde do presidente, citou o revolucionário latino-americano Ernesto “Che” Guevara, afirmando: “Seria indesculpável limitarmo-nos apenas ao aspecto eleitoral e não contemplarmos outras formas de luta, incluindo a luta armada”.  Por outras palavras, Adan Chávez está a lembrar os apoiantes do presidente que pegar em armas pode ser a solução para manter o poder (e o regime) caso as eleições se revelem a este respeito insuficientes. Para bom entendedor…
Chávez foi hospitalizado em 10 de Junho em Cuba tendo sido submetido a uma primeira intervenção cirúrgica para extracção de um abcesso na região pélvica, todavia surgiram complicações suplementares com um traumatismo num joelho que afectou o presidente quando fazia jogging em Maio. Não obstante, segundo algumas fontes, o presidente terá sido submetido a uma primeira intervenção em Maio, quando inesperadamente cancelou uma visita oficial ao Brasil. Embora a razão oficial para o adiamento da visita tenha sido o traumatismo no joelho, as mesmas fontes adiantam que se tratava de um tumor na próstata, provavelmente maligno. Um mês depois o Presidente sentiu dores agudas no abdómen quando efectuava visitas ao Equador e ao Brasil. Foi então que decidiu ir para Cuba, onde a respectiva equipa médica descobriu que o tumor se tinha espalhado pela região pélvica.
Tanto quanto se sabe depois da sua segunda cirurgia em 10 de Junho último, Chávez tem sido fortemente medicado e foi acometido de dores muito intensas. Isto explica a razão pela qual o Presidente, que tanto gosta de contactar e interagir com os meios de comunicação social, tenha decidido afastar-se das câmaras nos últimos 20 dias. Para além de uma mensagem que passou no Twitter anunciando que as suas filha, ex-mulher e netos o iam visitar a Havana, a única intervenção televisiva  consistiu numa entrevista (apenas em aúdio) na cadeia Telesur, sediada em Caracas, a 12 do corrente venezuelana, na qual pretendeu sossegar os observadores e os seus concidadãos que recuperaria rapidamente e que, dentro em breve, regressaria à Venezuela. Hugo Chávez também apareceu em 4 fotografias com os irmãos Castros publicadas no jornal oficial cubano “Granma” e no sítio Web Cubadebate  em que aparece num quarto de hospital. Hoje, as televisões de todo o mundo divulgaram a imagem do presidente bem disposto e com a extroversão de sempre a conversar animadamente com “El comandante” em Havana.
Consta que o Presidente pretende regressar a Caracas a 5 de Julho, a tempo de celebrar o segundo centenário da independência do país e participar no desfile militar, o que para Chávez seria de importância capital. Sem prejuízo das equipas médicas considerarem que o Chefe de Estado venezuelano não corre, por ora,  perigo de vida, não aconselham a que regresse rapidamente a Caracas.
A prolongada ausência do Presidente está muito naturalmente a suscitar toda uma série de rumores nos meios afectos ao regime e no seio das forças armadas relativamente a supostos golpes contra o líder venezuelano. Para já são detectáveis rupturas visíveis no próprio regime. Em primeiro lugar, está Adan Chávez, que mantém uma relação muito próxima com o presidente e que foi um dos primeiros a visitar Chávez no hospital em Cuba. Adan tornou-se governador do estado de Barinas em 2008 – um cargo que foi anteriormente ocupado pelo seu pai – e foi também embaixador em Cuba. Com efeito, o irmão do presidente é um dos principais obreiros da aproximação Cuba-Venezuela, como meio de evitar possíveis dissensões e mudanças de rumo do regime. Todavia, Adan, muito embora beneficie da confiança do presidente, teria dificuldade em constituir uma ampla base social de apoio.
 Depois, está o Vice-presidente Elias Jaua, que o Chefe de Estado evitou que assumisse interinamente as funções presidenciais durante a sua ausência. Ideologicamente, Jaua pertence à linha “dura” chavista que preconiza uma maior aproximação a Cuba, obtendo apoios principalmente do estado de Miranda, mas conta com inúmeros focos de resistência principalmente nos meios militares.
Do outro lado da linha de fractura, está o número dois do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) e vice-presidente do leste do país, Diosdado Cabello, antigo chefe de gabinete de Chávez e vice-presidente. Cabello conta com o apoio do General Henry Rangel Silva, Ministro da Defesa e ex-chefe do Comando Estratégico Operacional das Forças Armadas Venezuelanas. O Director da Intelligence  Militar Hugo Carvajal e Rámon Rodríguez Chacín, antigo Ministro do Interior e da Justiça e principal elemento de ligação com as FARC da Colombia também estão no campo de Cabello. Esta facção beneficia de um apoio substancial dentro das Forças Armadas e manifesta-se receosa de uma significativa presença no establishment militar e no sistema de informações (concebido em larga medida para controlar os dissidentes do regime). Este grupo tem estado muito envolvido no tráfico de droga e nos esquemas de lavagem de dinheiro locais que enfraqueceram inúmeras empresas estatais venezuelanas. No meio deste cocktail bizarro encontra-se o Ministro da Electricidade, Ali Rodríguez, um ex-Ministro da Energia e ex-Ministro das Finanças, antigo presidente da poderosíssima Petroleos de Venezuela (PDVSA) e um “histórico” apoiante incondicional do regime.  Rodríguez e o actual presidente da da PVDSA Rafael Ramirez estão entre os membros da nomenklatura que querem operar tão autonomamente quanto possível e são já demasiado pujantes para o gosto – e, sublinhe-se bem o termo, para o  conforto - do Presidente da República.
Pelo desígnio deste, nenhum pessoa individualmente considerada, atento o intrincado labirinto da vida politica e da sociedade castrense venezuelana, poderá ascender ao Poder e aí se manter, sem uma luta muito dura e de grandes proporções com as diferentes facções. Hugo Chávez poderá olhar para o seu irmão mais velho ou para aliados ideológicos, como Jaua, para o substituírem, mas, aparentemente, nenhum deles detém o carisma ou a complexa rede de dependências que o Presidente criou ao longo de 11 anos e que o têm mantido no Poder. Além disso, quem quer que tente uma intervenção no governo a expensas do Presidente terá de  confrontar-se com a Milícia Nacional Bolivariana – um tropa fandanga composta por trabalhadores e gente das classes populares da Venezuela, que muito embora não disponha de grandes aptidões  preparação é motivada pela ideologia chavista e pode mobilizar as massas   em apoio ao presidente, complicando por conseguinte qualquer tentativa de golpe de estado. Esta é uma lição que Hugo Chávez compreende  perfeitamente, porque o seu golpe falhado em 1992 e o golpe dos seus rivais de 2002, igualmente falhado, fracassaram em parte por falta de apoio popular.
Os militares têm, de algum modo, tentado controlar a Milícia, exigindo especificamente controlo sobre os arsenais e paióis que poderiam ser utilizados pelos milicianos. Contudo, o presidente e os membros proeminentes do regime, como Jaua têm trabalhado cuidadosamente para consolidar a autonomia da milícia em detrimento das Forças Armadas e não é claro o respectivo envolvimento em armar a Milícia (trata-se de uma área de claros-escuros). É plausível que Adan Chávez conte  com os seus laços familiares e o seu compromisso ideológico de longa data com o marxismo e fervor chavista dos milicianos para emergir perante a elite militar do país, se o seu irmão lhe pedir para avançar.
Chávez criou múltiplas camadas de isolamento à volta do respectivo “trono” propulsando a competição entre as diferentes facções  no seu núcleo duro, dividindo a oposição e armando os cidadãos em apoio do regime, caso os militares sejam tentados a levar a cabo um pronunciamento ou qualquer outro movimento militar de força.  Dito isto, o presidente venezuelano também não estava propriamente à espera que surgissem complicações acrescidas com o respectivo estado de saúde que lhe cerceassem a acção.  Muito embora exista a possibilidade real de um retorno em força, quanto mais tempo permanecer fora do palco (entenda-se, no estrangeiro), tanto lhe será mais difícil controlar esta longa luta pelo poder dentro do regime e, last but not least, suscitar-se-ão novas incertezas sobre o futuro politico da Venezuela nos mercados energéticos.
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terça-feira, junho 28, 2011


Situação grega e a TVI



Estou siderado, literalmente siderado! Vi na Web, o noticiário de ontem à noite  da TVI, mas infelizmente não o gravei e foi pena, parece que uma nova locutora de serviço, uma tal Judite de Sousa se deslocou a Atenas – não sei se de férias se em serviço (?), se num misto das duas coisas e que reproduz quase ipsis verbis o que aqui escrevi (consulte-se http://pipiroom.blogspot.com/2011/06/grecia-um-jardim-no-merditerraneo-bom.html) sobre  a situação grega, que, no fundo, era uma tradução livre, adaptada e comentada, de um artigo publicado na página on-line do jornal espanhol “El Mundo”, na sua edição de 19 do corrente (consulte-se aqui http://www.elmundo.es/elmundo/2011/06/19/internacional/1308472242.html). Curiosamente, tentei, hoje, ir à página da TVI na Web, mas o vídeo em questão já tinha sido retirado.
Mas que grande lata  para quem se bate com mais de 20.000 dólares por mês! Que profissionalismo! Podem bem limpar as mãos à parede!

segunda-feira, junho 27, 2011


Porque foi preso DSK? Uma nova tese



Os serviços secretos russos alegam que o ex-Director do FMI, Dominique Strauss-Kahn, foi preso por ter descoberto que todo  o ouro norte-americano que se encontra em Fort Knox desapareceu.

As teorias da conspiração valem o que valem. Desconheço até que ponto o texto infra é verdadeiro e preciso. Com as devidas reservas retransmito-o a quem me lê.  Vendo o peixe ao preço a que o comprei.
A notícia foi publicada em finais de Maio na EU Times que pode ser consultada.
Em resumo: num relatório preparado pela “secreta” russa para o PM Putin, DSK foi acusado e detido por alegados crimes sexuais praticados num hotel de Nova Iorque contra uma empregada de quartos, após ter descoberto que o ouro norte-americano depositado em Fort Knox, no estado de Kentucky - onde estão armazenadas todas as reservas de ouro norte-americanas - havia desaparecido ou deixara de estar contabilizado como tal. Apaprentemente, DSK cometeu um erro crasso que lhe foi fatal ao solicitar ao hotel em que esteve hospedado que lhe enviasse o telemóvel, o que facilitou as suas imediatas detecção e detenção.

“Russia says IMF chief jailed for-discovering all us gold is gone

A new report prepared for Prime Minister Putin by the Federal Security Service (FSB) says that former International Monetary Fund (IMF) Chief Dominique Strauss-Kahn was charged and jailed in the US for sex crimes on May 14th after his discovery that all of the gold held in the United States Bullion Depository located at Fort Knox was ‘missing and/or unaccounted’ for.
According to this FSB secret report, Strauss-Kahn had become “increasingly concerned” earlier this month after the United States began “stalling” its pledged delivery to the IMF of 191.3 tons of gold agreed to under the Second Amendment of the Articles of Agreement signed by the Executive Board in April 1978 that were to be sold to fund what are called Special Drawing Rights (SDRs) as an alternative to what are called reserve currencies.
This FSB report further states that upon Strauss-Kahn raising his concerns with American government officials close to President Obama he was ‘contacted’ by ‘rogue elements’ within the Central Intelligence Agency (CIA) who provided him ‘firm evidence’ that all of the gold reported to be held by the US ‘was gone’.
Upon Strauss-Kahn receiving the CIA evidence, this report continues, he made immediate arrangements to leave the US for Paris, but when contacted by agents working for France’s General Directorate for External Security (DGSE) that American authorities were seeking his capture he fled to New York City’s JFK airport following these agents directive not to take his cell-phone because US police could track his exact location.

Once Strauss-Kahn was safely boarded on an Air France flight to Paris, however, this FSB report says he made a ‘fatal mistake’ by calling the hotel from a phone on the plane and asking them to forwarded the cell-phone he had been told to leave behind to his French residence, after which US agents were able to track and apprehend him.
Within the past fortnight, this report continues, Strauss-Kahn reached out to his close friend and top Egyptian banker Mahmoud Abdel Salam Omar to retrieve from the US the evidence given to him by the CIA. Omar, however, and exactly like Strauss-Kahn before him, was charged yesterday by the US with a sex crime against a luxury hotel maid, a charge the FSB labels as ‘beyond belief’ due to Omar being 74-years-old and a devout Muslim.
In an astounding move puzzling many in Moscow, Putin after reading this secret FSB report today ordered posted to the Kremlin’s official website a defense of Strauss-Khan becoming the first world leader to state that the former IMF chief was a victim of a US conspiracy. Putin further stated, “It’s hard for me to evaluate the hidden political motives but I cannot believe that it looks the way it was initially introduced. It doesn’t sit right in my head.”
Interesting to note about all of these events is that one of the United States top Congressman, and 2012 Presidential candidate, Ron Paul has long stated his belief that the US government has lied about its gold reserves held at Fort Knox. So concerned had Congressman Paul become about the US government and the Federal Reserve hiding the truth about American gold reserves he put forward a bill in late 2010 to force an audit of them, but which was subsequently defeated by Obama regime forces.
When directly asked by reporters if he believed there was no gold in Fort Knox or the Federal Reserve, Congressman Paul gave the incredible reply, “I think it is a possibility.”
Also interesting to note is that barely 3 days after the arrest of Strauss-Kahn, Congressman Paul made a new call for the US to sell its gold reserves by stating, “Given the high price it is now, and the tremendous debt problem we now have, by all means, sell at the peak.”
Bizarre reports emanating from the US for years, however, suggest there is no gold to sell, and as we can read as posted in 2009 on the ViewZone.Com news site:
“In October of 2009 the Chinese received a shipment of gold bars. Gold is regularly exchanges between countries to pay debts and to settle the so-called balance of trade. Most gold is exchanged and stored in vaults under the supervision of a special organization based in London, the London Bullion Market Association (or LBMA). When the shipment was received, the Chinese government asked that special tests be performed to guarantee the purity and weight of the gold bars. In this test, four small holed are drilled into the gold bars and the metal is then analyzed.
Officials were shocked to learn that the bars were fake. They contained cores of tungsten with only a outer coating of real gold. What’s more, these gold bars, containing serial numbers for tracking, originated in the US and had been stored in Fort Knox for years. There were reportedly between 5,600 to 5,700 bars, weighing 400 oz. each, in the shipment!”
To the final fate of Strauss-Kahn it is not in our knowing, but new reports coming from the United States show his determination not to go down without a fight as he has hired what is described as a ‘crack team’ of former CIA spies, private investigators and media advisers to defend him.
To the practical effects on the global economy should it be proved that the US, indeed, has been lying about its gold reserves, Russia’s Central Bank yesterday ordered the interest rate raised from 0.25 to 3.5 percent and Putin ordered the export ban on wheat and grain crops lifted by July 1st in a move designed to fill the Motherlands coffers with money that normally would have flowed to the US.
The American peoples ability to know the truth of these things, and as always, has been shouted out by their propaganda media organs leaving them in danger of not being prepared for the horrific economic collapse of their nation now believed will much sooner than later.”

Alterações no MNE?



Recomendo, mais uma vez, a leitura do blogue Albino Zeferino, cujo último post (REVOLUÇÃO NO MNE) contem alguns comentários e reflexões relativas ao assunto em epígrafe que suscitaram a nossa atenção.
Até que ponto é que as mudanças, que parecem estar a ser introduzidas nas Necessidades por Paulo Portas constituem ou não uma revolução  é por ora matéria especulativa. Mas, muito provavelmente, o novo titular vai bulir com a rotina e com o corporativismo da “Casa”, a que o cinzentão Amado e os socialistas que por lá passaram sempre se curvaram, com mesuras e os habituais discursos redondos, ou, no mínimo, deixaram correr o marfim.
O novel titular de facto quer marcar bem que quem “manda é ele e que não vai precisar da máquina para nada a não ser para protocoladas e liturgias diplomáticas” – 100% de acordo. Se assim for, bravo – não podemos deixar de aplaudir. Por outro lado, o líder do CDS tem de se desembaraçar rapidamente da corja de socialistas e maçons que por lá andam e que se eternizam nos grandes postos e esta é, de facto, uma questão de fundo, da maior relevância. Desfazer o que levou décadas aos xuxas e demais compagnons de route a concretizar não será, porém, tarefa fácil, antes pelo contrário.
Divergimos de Zeferino num ponto relevante, a que já nos referimos em correspondência anterior: não podemos dar de barato que, como orientação estratégica, Paulo Portas vá privilegiar a Europa e o comércio externo, pelo menos na forma que alguns concebem uma e outro. Afigura-se-nos que, por um lado, é demasiado cedo para se avançar por este tipo de previsões (o que não quer dizer que sejam desprovidas de lógica e de coerência) – o Ministro ainda não se pronunciou clara e publicamente nesse sentido, ou, se se quiser, em qualquer sentido -  e, além disso, o PM e o PSD têm, como é óbvio, uma palavra a dizer em matéria de prioridades de politica externa. Mais. Também não pensamos que se vá assistir a uma subalternização da política relativa às comunidades portuguesas no estrangeiro e, igualmente, na que toca à cooperação com África, o que toca particularmente ao partido maioritário e ao seu líder.
É muito provável, isso sim, que Portas venha a dar uma importância acrescida às relações com os BRICs, com a América Latina e com o mundo árabe, no sentido da diversificação,  para não se manter esta subordinação absurda aos interesses da “velha Europa” e da Senhora Merkel, cujos resultados nefastos estão à vista. Para mal dos nossos pecados, 80% do nosso comércio externo é com a chamada Europa comunitária. Chegou a altura, embora tardia, de mudar de agulha e esta é uma necessidade imperativa. Todavia, noutros capítulos deverão manter-se as orientações tradicionais.
Crucial é o Ministro e os Secretários de Estado verem-se livres da escumalha roso-maçónica e oportunista que prepondera nos corredores das Necessidades e nos postos e missões no estrangeiro, sobretudo os da linha Revlon e os de primeiro plano, em termos politico-económicos, entenda-se.
Voltando à gestão da Casa e da rede diplomática, antes do mais, o CDS tem uma fraca implantação no MNE, como refere a justo título Zeferino. O PS pelo contrário dispõe de uma ampla margem de apoio e de um bem dimensionado terreno de manobra  – Zeferino menciona que contou  “16 embaixadores amigalhaços de Soares ao mesmo tempo em Embaixadas”, pois, meus caros leitores, eu já contei bastante mais.
O que é que Portas pode e deve fazer?
A)   Antes do mais – trata-se  da questão que supera todas as outras -, mudar a Cova da Moura e a Reper, colocando nesses lugares  gente da sua confiança, isto não só a nível da respectiva chefia politica, portanto do  Secretário de Estado, tendo já sido indigitado Miguel Morais Leitão, mas do próprio Director-geral, que tem de sair. Depois terá de retirar o homem da REPER, ou seja o ex-Secretário de Estado socialista, Manuel Lobo Antunes (foi Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Defesa e depois S.E. dos Assuntos Europeus – querem mais?), que só ocupou o lugar por mérito da sua fidelidade rosa. Há quem insinue que, há uns anos atrás, M. Lobo Antunes esteve na origem do escândalo que obrigou Martin de la Croix a demitir-se. Dizem...não tenho, nem ninguém tem provas...mas lá dizer, dizem.
B)    Em seguida (2ª grande prioridade) tem de correr com o Secretário-geral, Vasco Valente e com o Director-geral Político. São lugares de confiança política absoluta do Ministro: o Secretário-geral é o gestor da “Casa”, detendo um poder desorbitado dentro do MNE e o Director Politico é o responsável pela implementação da politica externa. O primeiro navega, como se sabe, em águas socialistas; o segundo afirma ser neutro, mas anda por lá perto.
C)  Nos postos é que se esperam grandes modificações, umas no imediato e outras a médio e longo prazos. Quase todos os postos da linha Revlon ou de primeira grandeza para a politica externa lusitana e estão ocupados por gente da era amado-socrática. Ora vejamos, em breve síntese:
-       ONU, Nova Iorque – ocupada por um assumido militante de esquerda que só recebeu amplas benesses dos diferentes poderes socialistas (designadamente de Sampaio, Gama e Amado,  e que até o idiota do António Monteiro curvou  a  espinha), mas, como afirma a justo título Zeferino, presumivelmente só depois de Portugal deixar o Conselho de Segurança, pois haveria inconvenientes se isso fosse feito de imediato.
-       Delegação junto da NATO – é chefiada por um ex-Secretário de Estado da Defesa do executivo socialista. Apesar do lugar estar preenchido há pouco tempo, a cabeça tem de rolar.
-       Representação junto da UNESCO -  socialista de cartão: tem de saltar.
-       Paris e Roma – ex-Secretários de Estado de Governos socialistas. Estão ambos em fim de carreira, provavelmente por aí ficarão até ao fim. É pena!
-       Luanda – posto muito importante para os interesses portugueses e agora mais do que nunca. Quem lá está, está de facto por lá há muito tempo. Trata-se do ex-Chefe de Gabinete de Jaime Gama. É um dos postos porque Paulo Portas tem de começar, sem quaisquer problemas e sem rebates de consciência.
-       Nos feudos do Barroso (Londres, Washington, Berlim) é melhor por ora não mexer. Aliás, Berlim vaga já em Fevereiro próximo.
-        Existem postos menos importantes (ou se se quiser de segunda grandeza) ocupados por socialistas (bolas! São mais que às mães), como, entre, outros, Viena, Atenas e Nova Deli. O louco de Viena devia ir para casa tratar-se, questão que se arrasta há anos. Por outro lado, se Portas quer dar um novo impulso ao relacionamento com os BRICs devia mudar o embaixador na Índia, ex-assessor de Sócrates. Antecipamos, o argumento: não se pode fazer tudo, nem estamos em época de caça às bruxas, mas esta gentalha tem de pagar, ou a justiça já passou a ver alguma coisa?

         Outras questões merecem atenção mais detalhada (designadamente a integração ou não do AICEP e quem será a personagem para ocupar o lugar do “vira-casacas” – mais um, entre muitos - , Basílio Horta), o que faremos proximamente.

sexta-feira, junho 24, 2011

Embaixada de Portugal em Copenhaga - “Something is rotten in the state of Denmark!, William Shakespeare "Hamlet." Act I, Scene 4.


De acordo com um post divulgado há já algum tempo no facebook “Podemos observar que há um descontentamento geral em relação ao funcionamento da embaixada/ consulado de Portugal em Copenhaga.” De facto, é, pelo menos,  interessante verificar o vendaval de críticas sobre o funcionamento da embaixada de Portugal em Copenhaga e em especial sobre as atitudes do respectivo embaixador, João Pedro Silveira de Carvalho. No ano passado, excluiu deliberadamente as crianças portuguesas ou luso-descendentes da festa nacional, alegando que a festa era dele e paga do seu próprio bolso.
Com efeito, segundo um outro post, esta incompreensível exclusão das crianças e menores da festa nacional não só esteve na origem de decepção, mas também de mágoa dos portugueses: “Sinto-me decepcionada com a decisão que o Senhor Embaixador tomou de excluir as crianças e jovens abaixo dos 21 anos. Parece que uns são mais portugueses do que outros. Na minha opinião a sua atitude é condescendente, recorrendo a um certo abuso do seu estatuto e função diplomática não deixando espaço para discussão e uma eventual revisão da sua decisão. Atitude contrária aos valores da democracia e igualdade social valores altamente estimados na sociedade e cultura dinamarquesa que o Senhor Embaixador igualmente deveria acomodar no seu encontro e tratamento dos residentes portugueses. Indigna-me o facto de não haver espaço para as nossas crianças no nosso território português e existir espaço para elas na Dinamarca…
As queixas superam os elogios, que também os há, mas são escassos e pouco significativos: “Eu cheguei há pouco tempo á Dinamarca, mas as queixas aqui deixadas em relação á embaixada portuguesa não me surpreendem. Para mudar a embaixada é preciso mudar o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o que é o mesmo que dizer, mudar a atitude diplomática portuguesa e a cultura prevalecente em Portugal. 

Vivi em vários países (Europa e Norte de África) e esta situação repetiu-se em todos. As embaixadas são microcosmos da sociedade portuguesa de compadrios, influências, incompetência e desinteresse.


O governo português peca na promoção da cultura portuguesa em países lusófonos, quanto mais num país escandinavo!”
Todavia, o curioso da história da recepção do dia de Portugal  é que este ano não houve nada para ninguém, dando o embaixador praticamente a entender – o que não é verdade, tenha-se em atenção o que o próprio disse antes – que não haveria recepção devido a restrições orçamentais, subentendendo-se, pois, que a celebração seria custeada pelo Estado português. Que eu saiba cada chefe de missão ou de posto costuma pagá-la do seu bolso...é para isso que serve o chamado subsídio de representação que os diplomatas recebem todos os meses.
Mas leia-se o comunicado oficial de S.Exa o embaixador que vale a pena: 

"Recepção pelo dia nacional


Por imperativo das restrições orçamentais decretadas pelo Governo Português, não se realizará este ano a recepção comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas na Residência do Embaixador de Portugal, no dia 10 de Junho de 2011.

Copenhaga, 05 de Junho de 2011"

Mas que vergonha, estas figuras de sendeiro, meu Deus!
O que é que o cós tem a ver com as calças?

João Pedro Silveira de Carvalho, mais conhecido nas Necessidades pela alcunha do “Pirilau”, já tinha feito das suas no Canadá, onde esteve antes, não sendo particularmente estimado pela comunidade portuguesa local . Silveira de Carvalho foi um antigo protégé do famigerado Martin of the Cross, tendo sido promovido à má fila, sem qualquer critério ou mérito discerníveis, à frente de 40 e tal colegas.
Quem quiser consultar as páginas do facebook com as referências a este assunto ou à comunidade lusa na Dinamarca, pode fazê-lo, aqui (http://www.facebook.com/topic.php?uid=58022141136&topic=15165#topic_top) e também aqui (http://www.facebook.com/pages/Portugueses-na-Dinamarca/168690956522537?sk=wall)

quinta-feira, junho 23, 2011

A Apple e a China: condições laborais



É bom que os utilizadores do Ipad vejam o vídeo abaixo referenciado. É assim que a Apple ganha dinheiro e a China se torna uma grande potência, à custa do sacrifício humano.

O respeito pelos direitos laborais não é apanágio do Poder politico chinês. Segundo consta, a Foxconn, que fabrica em Chengdu, Provincia de Sichuan, componentes para a Apple, mas também para a Microsoft, Dell, HP e Motorola viola ostensiva e sistematicamente aqueles direitos, com horas excessivas de trabalho, recusa de intervalos para refeições, exposição a materiais químicos perigosos, incluindo o pó de alumínio, sob um regime militarizado de “caserna”. A Apple tem conhecimento destas violações na medida em que monitoriza o fabrico dos seus produtos para ulterior venda no mercado mundial.
Em 2010, a Foxconn esteve sob a luz dos holofotes mediáticos, porquanto 18 trabalhadores atentaram contra a própria vida, dos quais sobreviveram apenas 3.
É assim que a China se vai tornar, dentro de alguns anos, a primeira economia do mundo, com a conivência das empresas ocidentais.


A estória de António C., segundo a revista “Sábado”



É um segredo de Polichinelo a identidade de um misterioso embaixador português (?!) colocado, há uns anos atrás,  num país de Leste. Também não o vamos identificar completamente, mas apenas dar mais umas dicas e  uns comentários sobre o assunto.
Tudo o que vem na “Sábado” é, segundo as minhas fontes, verdadeiro, mas incompleto. Faltam elementos relativos a determinados anos que constam do processo e que a reportagem da revista é a esse respeito omissa. 
Para alem da suspensão o  diplomata, que aguardava colocação no estrangeiro, foi, após as averiguações preliminares, posto na prateleira, tendo jurado vingar-se dos seus acusadores. Terá dito que uma vez  ascendendo o CDS (ou se se quiser a “Direita”) ao Poder voltaria à tona de água e seria limpo de toda e qualquer mácula, sendo-lhe dado um posto de eleição. E, claro está, vingar-se-ia então dos seus acusadores. Meus amigos, vendo o peixe pelo preço que o comprei.
A publicação do artigo da “Sábado”, neste preciso momento e atenta a conjuntura vigente no país, visa, objectivamente, impedir que o processo inverta o rumo normal a que está destinado e “entalar” Paulo Portas, que não poderá alegar desconhecimento do assunto, nem passar uma esponja sobre o mesmo, nem tão-pouco assobiar para o lado. Tem de actuar.
Esta manobra foi urdida por quem está nas Necessidades e sabe bem da poda, quem sabe se com “a little help from highly placed friends” ou pelo menos de um (sim, esse!).
Uma vez que o processo se encontra sub judice, seria prematuro e, além do mais, ilegítimo concluir-se pela culpabilidade do visado. Aliás, o MNE invariavelmente perde quase todas os pleitos em que é parte. Não seria este que iria ganhar. Assim, pretende apenas conquistar pontos na comunicação social e na opinião pública, antecipando-se a qualquer veredicto do tribunal, em regra aleatório.
Esta é uma visão realista do caso.