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domingo, julho 17, 2011

Império Financeiro/Financial empire








Vejam o vídeo/ Watch the video


A brief depiction on how the bankers were able to enslave us and how the money is sucked up into the state, corporations, banks and owners.Understand why a financial collapse is eminent. These facts are real and searchable. Type New World Order".

Welcome to the Intellectual Revolution


Uma breve descrição  em como os banqueiros nos conseguiram escravizar e o modo como o dinheiro é sugado dos produtores de riqueza para o governo, corporações, bancos e donos. Percebe-se porque é que o colapso financeiro está iminente.Estes facto são reais e pesquisáveis. Digite "Nova Ordem Mundial"

Bem vindos à Revolução Intelectual.






quinta-feira, junho 23, 2011


Nova crise global


Não que concorde integralmente com o texto que passo a reproduzir mais abaixo – até porque, como posição de princípio, discordo em termos ideológicos do autor - , todavia algumas observações são muito pertinentes e as ideias expressas no texto merecem ser ponderadas. O autor Joseph Halevi é um conhecido professor de economia, marxista, do corpo docente da Universidade de Sydney e professor convidado de várias universidades norte-americanas, francesas e italianas,  investigador do CNRS e colaborador regular da publicação italiana de extrema-esquerda Il Manifesto.

Tradução da minha autoria.

Avizinha-se uma nova crise global


Uma nova onda da crise mundial, diferente dessa disputa absurda sobre a Grécia, que está a afundar a UE em areias movediças, afigura-se-nos cada vez mais provável. O foco da crise radica, por um lado, na relação entre os preços das matérias primas e os produtos alimentares; por outro, no crescimento da Índia e da China, e como se integram esses dois fenómenos nas decisões especulativas dos mercados financeiros.
Em meados de Abril, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, referindo-se ao aumento de preços dos produtos alimentares, afirmou que dezenas de milhões de pessoas nos países em desenvolvimento estavam a um passo do abismo. A inflação estimula bolhas especulativas nos mercados de produtos alimentares, quer dizer, especulações actuais sobre colheitas futuras. O crescimento da China, e em menor grau  da Índia, constitui o principal factor da expansão da procura de produtos alimentares e de matérias primas. Não obstante, os preços não estão a seguir a dinâmica da procura real dos produtos em questão, mas antes  crescem de acordo com as expectativas de lucro que derivam da compra de produtos financeiros derivados emitidos sobre matérias primas. Uma componente crescente da procura provem  das sociedades financeiras ocidentais que colocam em produtos derivados fundos que obtém do Estado. Isto também  se aplica aos campos de cultivo. 

Uma recente investigação da BBC  revelou que o preço de um hectare  de terra cultivada com trigo no Kansas, cuja produção se destina na sua maior parte à exportação, passou em pouquíssimo tempo de 750 USD  a cerca de 1300 USD. Os agricultores alegam  que quem compra um terreno a esse preço não pode esperar qualquer benefício. No entanto, o aumento do valor da terra não se deve à  entrada de novos produtores, mas sim de investidores financeiros que aguardam uma ulterior inflação dos preços dos cereais, devido ao crescimento da China e  da Índia.

Concentrando-nos na China, observamos que a subida dos preços das matérias primas industriais importadas reduz as margens de lucro das empresas, enquanto que a dos preços agrícolas tem um efeito redutor dos salários num contexto em que o factor alimentar representa uma grande proporção do gastos familiares, amiúde superior à percentagem ocidental. Por conseguinte, a inflação de produtos alimentares cria na China uma ruptura social perigosíssima, já que em muitas partes do país se dão situações de revolta. Acresce que a inflação geral está cada vez mais enchendo a espantosa bolha imobiliária, que ultrapassa já a que se verificava  há quatro anos nos EUA.
Esta conjuntura acelera a necessidade de reorientar todo o processo de acumulação na China, o que é extremamente difícil de levar a cabo; tanto assim é que Beijing não parece ser capaz de mudar esse regime de crescimento sem passar por uma crise. Em qualquer caso, a China só pode mitigar o impacto inflacionário dos preços dos produtos alimentares e das matérias primas reduzindo substancialmente a respectiva taxa de crescimento económico, caso contrário reforçaria as expectativas especulativas referentes a um excesso de procura estrutural de bens de primeira necessidade.
Voltemos agora de Beijing para Chicago e Nova Iorque, mas  também para Londres, Zurique e Frankfurt. Desde que os preços das matérias primas e dos bens alimentares começaram a subir sistematicamente, emitiu-se uma grande quantidade de produtos derivados que incidem sobre eles. As operações nos mercados de futuros são globais e não podem controlar-se facilmente mediante o regulamento implementado no Basileia 3. Escapam a qualquer supervisão. A especulação nos mercados de futuros e, por extensão, nos campos de trigo de Kansas, resulta hoje possível graças quer à ampla liquidez proporcionada pelos Estados aos bancos a taxas de juro quase nulas, como ao facto do mercado imobiliário ocidental carecer já de impulso, para não falar do esgotamento do investimento industrial. As sociedades financeiras que investem em produtos financeiros derivados sobre o cacau e o trigo do Kansas fazem-no  porque a revalorização da terra pode financiar dividendos, inclusive fundos de pensões, e conferir capacidade para efectuar pagamentos, o que é importante nos EUA.
Se a China conseguir controlar a inflação, todo o mecanismo dos mercados de futuros manifestaria uma tendência para a baixa com uma deflação nos preços das matérias primas, produtos alimentares, campos de trigo, entre outros. Os fundos de pensões ver-se-iam descobertos como no caso dos créditos subprime, mas à escala global (leia-se, planetária) da Austrália ao Brasil passando por outros países da América Latina. O peso da China nos preços e nos mercados de futuros de matérias primas e de  produtos alimentares é tal que inclusive a ideia de uma pequena redução na sua taxa de crescimento envolve uma grave diminuição dos preços dos produtos básicos, o que esvaziaria de novo os derivados do valor potencial em que assentam, hoje mais do que nunca, nas finanças globais. A outra alternativa é a continuação da bolha dos mercados de futuros e dos campos de Kansas que conduziria rapidamente à consumação da previsão de Zoellick.

terça-feira, junho 21, 2011


Crise sistémica global – Outono de 2011 – O aguardado estoiro dos EUA (2/2)



O mecanismo do detonador das dívidas públicas europeias
Os operadores financeiros anglo-saxões decidiram desempenhar o papel, não só de sábios conselheiros, mas, principalmente,  de aprendizes de feiticeiros  isto há cerca de ano e meio, a julgar, por exemplo, pelos primeiros títulos do Financial Times em Dezembro de 2009 sobre a crise grega convertida rapidamente numa suposta « crise do Euro». Não vale a pena perdermos muito tempo com os diferentes episódios desta telenovela imaginada (um exemplo típico e bem concertado de manipulação da informação), que pelos vistos continua, orquestrada que está pela City de Londres e por Wall Street. Entretanto, e apesar de tudo, o Euro continua a valorizar-se em relação ao dólar, mantendo-se a uma mais que saudável paridade (1 Euro=1,435 USD). As agências de rating anglo-saxónicas alertam para o descarrilar da dívida soberana europeia, mas, contraditória  e cinicamente, recomendam que os EUA criem um ainda maior buraco financeiro aumentando de 14 para 17 biliões de USD o “tecto” do endividamento externo de Washington. Todos os que apostaram no colapso da zona Euro devem seguramente ter perdido já muito, mas muito dinheiro.
Como já se tinha oportunamente antecipado, a crise irá favorecer o aparecimento de um novo soberano – a Eurolândia -, que irá permitir à Eurozona estar melhor preparada, que os EUA, Reino Unido e Japão - para o inevitável choque do próximo Outono, ainda que lhe caiba o ingrato papel de detonador, o que não será propriamente  do seu agrado. O « bombardeamento » (dos media e dos peritos anglo-saxões, porque têm de se chamar os bois pelos nomes) à Eurozona foi interrompido durante algumas semanas porque resultou em 3 importantes consequências, duas delas bem longe dos resultados aguardados por Wall Street e pela City, a saber:

1. Num primeiro momento, (Dezembro de 2009 a Maio de 2010), fez  desaparecer o sentimento de invulnerabilidade da divisa europeia tal como se tinha constituído em 2007/2008, suscitando a dúvida sobre a respectiva sustentabilidade e sobretudo relativizando a ideia de que o Euro era a alternativa natural ao USD (ou seja, inclusive o seu sucessor natural).

2. Logo, num segundo tempo (Junho de 2010 a Março de 2011), obrigou os dirigentes da Eurolândia a implementar « muito rapidamente » todas as medidas de salvaguarda, de protecção e de fortalecimento da moeda única (medidas que deveriam ter tomado há já muitos anos). Ao fazê-lo, revitalizarão a integração europeia, repondo o projecto europeu ao núcleo fundador e  marginalizando o Reino Unido. Entretanto, estimulou-se o apoio cada vez mais sustentado da moeda europeia por parte dos BRICS, principalmente da China, que após um momento de flutuação se consciencializou de duas coisas fundamentais: por um lado, que os europeus actuavam seriamente para confrontar os problemas; e por outro, tendo em conta o encarniçamento anglo-saxónico, que o Euro era sem sombra de dúvidas  um instrumento essencial para qualquer tentativa de saída do «mundo do dólar».

3. Por último, actualmente (Abril de 2011 a Setembro de 2011), a Eurozona propõe-se orientar (ou se se quiser, “forçar”) os sacrossantos investidores privados para que contribuam na resolução do problema grego, quer por haircuts, quer muito particularmente pela via das dilações «voluntárias » dos prazos de reembolso (ou qualquer outra fórmula de redução dos benefícios esperados – é melhor perder alguma coisa, a perder tudo).

Como se pode imaginar, se o primeiro impacto era um dos objectivos prosseguidos por Wall Street e pela  City (além  de, muito naturalmente, desviar a atenção dos grandes problemas reais do Reino Unido  e dos Estados Unidos), os dois restantes traduzem-se em  efeitos totalmente contrários ao objectivo inicial: debilitar o Euro e reduzir o seu atractivo mundial.

Além disso, prepara-se a quarta  sequência que terá, em princípio, lugar em 2012, ou seja: o lançamento de um mecanismo de Eurobonds, para distribuir quer uma parte das  emissões de dívidas dos países da Eurolândia, como a inevitável pressão política que é cada vez maior, na medida em que aumenta a participação  contributiva privada neste vasto processo de reestruturação da dívida dos países periféricos da Eurozona .

Com esta quarta sequência, entramos no coração do processo de contágio que facilitará a explosão da bomba da dívida federal dos Estados Unidos. Por um lado, criando um contexto mundial mediático e financeiro ultra-sensível no que toca aos problemas de dívida pública; Wall Street e a City tornaram visível a amplitude insustentável dos défices públicos norte-americano, britânico e japonês. O  que até obrigou as agências de rating, os fiéis cães de guarda de ambas as praças financeiras, que se lançassem numa corrida louca de degradações das classificações dos Estados. É por esta razão que os EUA se encontram, sob ameaça, aliás perfeitamente previsível de desqualificação, o que se afigurava altamente improvável à maioria dos peritos há apenas alguns meses. E paralelamente o Reino Unido, a França, Japão, … também voltam a estar na mira das agências.

Recordemos que as agencias de notação, apesar de toda a fama de que gozam, jamais previram algo que fosse realmente importante (nem a crise do subprime, nem a crise mundial, nem a crise grega, nem a Primavera árabe...). A futurologia não é pois o seu forte. Se degradam a seu bel prazer é porque são forçadas a fazê-lo pelo seu próprio jogo. Por outras palavras, não é possível degradar mais A, sem tocar na classificação de B, se B não está em melhor situação. As “suposições” de que tal ou tal Estado deixe de pagar a sua dívida não resistiram a 3 anos de crise: e foi aqui mesmo que Wall Street e a City caíram na armadilha  que recai sobre todos os aprendizes de feiticeiros. Com efeito, não perceberam minimamente que lhes seria impossível controlar a histeria, mantendo-a circunscrita à dívida grega (registe-se que a esta é, no fundo, uma brincadeira de crianças ao pé da dívida dos EUA – com efeito são 300 mil milhões contra 15 biliões, ou seja uma relação de 1 para 50!). É assim que hoje o Congresso norte-americano, com o violento debate sobre o tecto da dívida e os grandes cortes orçamentais , que se desenvolvem as consequências dos artigos manipuladores destes últimos meses sobre a Grécia, Portugal, a Irlanda  e a Eurozona. Uma vez mais,  só se pode insistir num ponto e num ponto apenas: se a História tem algum sentido é inegavelmente o sentido da ironia.





Crise sistémica global – Outono de 2011 – O aguardado estoiro dos EUA (1/2)


Vários peritos mundiais anteciparam já a explosão das dívidas públicas ocidentais no segundo semestre de 2011, previsão de que oportunamente demos conta, nestas mesmas páginas (ver o que oportunamente referimos  aqui  http://pipiroom.blogspot.com/2011/06/previsivel-crise-global-no-outono-de_05.html e também aqui http://pipiroom.blogspot.com/2011/06/previsivel-crise-global-no-outono-de.html e em posts anteriores)

O processo deverá desenrolar-se sensivelmente com base na crise das dívidas soberanas europeias para em seguida passar ao epicentro do sistema financeiro mundial, ou seja  à dívida federal dos EUA, sem esquecer as dívidas estaduais, regionais e locais pendentes daquele país. Ao entrarmos no segundo semestre, depararemos com a economia mundial num caos total, um sistema monetário global cada vez mais instável, com as praças financeiras em situação desesperada, sem prejuízo dos biliões e biliões de dinheiro público investido precisamente para obviar a esta situação.
A recessão reinicia-se realmente com os EUA, a Europa, a China e a Índia irão na mesma esteira, todavia a um ritmo mais lento. A retoma, como parece estar mais do que provado, é totalmente ilusória e as empresas vão acumular capital para fazer face a dificuldades de tesouraria futuras para que não se repita o pesadelo de 2008, com os bancos falidos ou em vias de o serem.
A insolvência do sistema financeiro mundial, e antes de tudo do sistema financeiro ocidental, sobe à ribalta após um ano de politicas meramente cosméticas que pretendiam escamotear o problema de fundo inundando o mercado com liquidez artificial.

Em 2009, calculava-se que o planeta dispunha de 30 biliões de dólares (leia-se bem esta cifra à nossa maneira, sem quaisquer americanices de permeio) em activos-fantasmas. Cerca de metade evaporou-se em seis meses, ou seja entre Setembro de 2008 e Março de 2009. Resta, pois, a outra metade (15 biliões de activos-fantasma) e que irá presumivelmente desaparecer entre Julho de 2011 e Janeiro de 2012, deixando a conta a zero. E desta feita é a dívida pública que está sobre a mesa, porque contrariamente ao meltdown de 2008/2009 os principais actores foram os privados. Nesta ordem de ideias e a fim de melhor nos consciencializarmos do choque que se avizinha, atente-se que os bancos americanos começaram já a diminuir a utilização das obrigações do tesouro (T-bonds) para garantir as respectivas transacções, temendo os riscos crescentes de exposição à dívida pública dos EUA. A este respeito, registe-se que o Financial Times de hoje dá-nos conta que  a China, nos primeiros 4 meses do ano, começou a diversificar os seus investimentos afastando-se dos activos em dólares e presumivelmente comprando títulos da dívida soberna europeia (Grécia, Portugal, Espanha, Itália, entre outros), de acordo com estimativas do fStandard Chartered Bank. Assim e Segundo o mesmo jornal, “China’s foreign exchange reserves expanded by around $200bn in the first four months of the year, with three-quarters of the new inflow invested abroad in non-US dollar assets, the bank estimated.” Assiste-se, por conseguinte, a uma alteração importante em que se passa dos investimentos em dólares, designadamente em T-bonds  para os investimentos em títulos de dívida da Euro  zona.
Prevalece também uma certa atmosfera de “fim de festa” com o termo da QE2 (quantitative easing) e com a reentrada acelerada da economia em recessão.
O impacto do Outono de 2011, gerará aos agentes financeiros a nítida sensação de que o chão lhes foge debaixo dos pés, uma vez que os T-bonds, sustentáculos do sistema financeiro dos EUA e mundial, se afundarão abruptamente.
O problema não é de falta de confiança nas economias dos países ditos periféricos mas de falta de confiança no próprio coração do sistema.

Os dois aspectos mais perigosos da grande alteração prevista para o Outono de 2011, são os seguintes:
. o mecanismo detonador das dívidas públicas europeias
. o processo de  explosão da bomba das dívidas públicas dos EUA

Paralelamente, neste contexto de aceleração do reequilíbrio das relações de força à escala planetária, pode-se avançar com a previsão de um processo geopolítico fundamental relacionado com a realização de uma cimeira Euro-BRICS antes de finais de 2014.

Finalmente, temos de centrar as nossas recomendações no modo como evitar ser contaminados por estes 15 biliões de activos-fantasmas que serão derretidos nos  próximos meses, com uma menção especial no que toca à evolução do tandem bens imobiliários/taxas de juro na Europa.

domingo, junho 05, 2011


A previsível crise global no Outono de 2011(2/2)




Barreiras, protecções, embargos à exportação, diversificação das reservas, frenesim  em torno das matérias primas, inflação em espiral ascendente, o mundo prepara-se para um novo choque  económico, social e geopolítico
A China anunciou há dias  a sua intenção de interromper todas as exportações de gasóleo para tentar suster o aumento do preço do combustível, o que provocou recentemente uma série de greves dos transportadores rodoviários. Bom, os países asiáticos que dependiam destas exportações chinesas que se amanhem, para mais quando o Japão actuou da mesma forma como resposta às consequências da catástrofe do pretérito mês de Março!

A Rússia vai também deixar de exportar certos produtos petrolíferos para limitar a escassez e a alta dos preços internos. À interrupção da exportação junta-se a de cereais, decretada há já vários meses.

Em todo o mundo árabe, a instabilidade continua prevalecendo num contexto de encarecimento dos produtos básicos, enquanto se suscitam interrogações legítimas e prementes quanto à dimensão das reservas de petróleo e quanto à capacidade de produção da Arábia Saudita.

Nos Estados Unidos, o menor acontecimento climático que se desvie do padrão ou que não se quadre nas previsões provoca de imediato riscos de penúria devido à ausência de uma «almofada» de segurança no sistema de abastecimento norte-americano, excepto o deitar mão às reservas estratégicas (como ocorreu recentemente com as cheias do Mississípi). Entretanto, a população reduz os seus gastos alimentares para poder encher o depósito dos seus carros, com o galão de gasolina a mais de 4 dólares!

Na Europa, a redução do Estado Social e a diminuição clara da cobertura das despesas de saúde, pensões, subsídios de desemprego e encargos com a educação, bem assim, como as medidas de austeridade de uma extrema dureza, já em execução ou a implementar, no Reino Unido, Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda... aumentam exponencial e explosivamente o número de pobres.


 A  União Europeia acaba de reforçar de uma forma, mais ou menos sub-reptícia o seu arsenal aduaneiro, em particular para resistir às importações vindas da Ásia. Por um lado, passa em revista os seus instrumentos de medidas preferencialmente pautais para eliminar todos os países emergentes, a China, a Índia e o Brasil,  à cabeça. Por outro,  passou discretamente, nos finais  de 2010 uma medida que facilitava a implementação de medidas antidumping e cláusulas de salvaguarda já que uma maioria simples será suficiente para aprovar uma tal proposta da Comissão, enquanto que  antes fazia falta uma maioria qualificada, difícil de  conseguir.

Paralelamente, os bancos centrais continuam comprando ouro, anunciando de uma forma, mais ou menos clara, que estão a diversificar as suas reservas, concomitantemente tomam medidas cada vez mais incoerentes e perigosas, aumentando as taxas para travar a inflação num quadro de economias débeis ou em recessão, com o fito de contrariar o fluxo de liquidez gerado pela política da Federal Reserve. O resultado é dar com os burrinhos na água, bem entendido!

E do lado estado-unidense, vive-se um ambiente de surrealismo absoluto: enquanto o país alcançou níveis de endividamento insuportáveis, os dirigentes de Washington fizeram desta temática uma questão eleitoralista, como é ilustrada pela questão do tecto de endividamento federal que terá já sido atingido no passado dia 16 de Maio (!). A esquizofrenia é total e sem cura! Na imprensa financeira especializada dos EUA e internacional prevalecem  as comparações com os anos de Clinton ,quando se havia colocado um problema similar sem grandes consequências. Visivelmente uma parte importante das elites estado-unidenses e as financeiras não se capacitaram ainda do facto que, diferentemente, dos anos 90, os Estados Unidos assumem hoje o papel de the sick man of the planet, que, com cada sinal de debilidade ou de incoerência grave, pode despoletar pânicos incontrolados. Só não vê quem não quer ver!

Em suma, os banqueiros centrais submergidos na loucura, os líderes mundiais sem bússola ou mapa, as economias cada vez mais ameaçadas, a inflação crescente, as divisas em decadência acentuada, as matérias primas frenéticas, o  endividamento ocidental totalmente descontrolado, o desemprego no seu nível mais elevado, as sociedade stressadas até ao limite ...ninguém duvidará, certamente, que a fusão explosiva de todos estes fenómenos será inequivocamente o acontecimento que nos aguarda no segundo semestre, em particular na chamada rentrée (Setembro e Outubro). Deus queira que me engane. A ver vamos!


A previsível crise global no Outono de 2011 (1/2)



O segundo semestre deste ano constituirá uma etapa decisiva na evolução da crise sistémica global. À semelhança da crise do sub-prime de Setembro de 2008, afigura-se que se reúnem agora todas as condições para que em Setembro-Outubro deste ano a economia dos EUA seja afectada por um abalo telúrico de grande magnitude, ou seja, aquele contexto e momento, seráo o cenário para a fusão explosiva de duas tendências fundamentais  subjacentes à crise sistémica global, a saber: a desarticulação geopolítica e a crise económica e financeira planetária.
Estabelecendo um termo de comparação com o krach de 1929 que está na origem da Grande Depressão da década de 30 e de uma crise profunda que só viu o seu termo em 1954, Setembro de 2008 é, pois, o despoletar da crise, para que foram à pressa encontrados uns paliativos mal amanhados e assistimos agora à evolução, digamos, natural, de todo o processo, que, sublinhamos, não tem qualquer solução à vista.
Desde há vários meses que o mundo sofre, quase ininterruptamente uma sucessão de choques geopolíticos, económicos e financeiros que constituem, por assim dizer, os precursores de um grande acontecimento traumático cujos contornos começam, no nosso entender, a divisar-se com mais nitidez.
   Simultaneamente o sistema internacional já ultrapassou o estádio de debilidade estrutural para entrar numa fase de ruína completa em que as antigas alianças se desmoronam enquanto emergem muito rapidamente novas comunidades de interesses e novos rumos em direcções, no mínimo problemáticas.

Finalmente, desvaneceram-se todas as esperanças de uma recuperação significativa e sustentável da economia mundial enquanto o endividamento do pilar ocidental, em particular os Estados Unidos, alcança um limiar crítico sem precedentes na História moderna

O catalisador desta fusão explosiva será, desde logo, o sistema monetário internacional, ou melhor dizendo o caos monetário internacional que se agravou ainda mais desde o desastre nuclear de Fukushima que afectou o Japão no passado mês de Fevereiro e perante a manifesta incapacidade dos Estados Unidos em  confrontar-se com a exigência imperativa de redução imediata e significativa dos seus défices incomensuráveis.

O fim da QE2 (Quantitative Easing 2), símbolo e factor da fusão explosiva em incubação, representa o fim de uma época, em que o «dólar era a divisa dos Estados Unidos e o problema do resto do mundo »: a partir de Julho de 2011, o dólar constitui-se abertamente como a principal ameaça para o mundo e o problema crucial dos Estados Unidos.

Durante o Verão que se aproxima confirmar-se-á que a Reserva Federal perdeu a sua aposta: a economia norte-americana jamais saiu da «Enormíssima Depressão» em  que entrou em Setembro de 2008, sem embargo da injecção artificial de milhares de milhões de USD no mercado, sobretudo por via electrónica,  como, aliás, não o desconhece a esmagadora maioria dos cidadãos estado-unidenses. Registe-se que a crise no sector imobiliário, por exemplo nos EUA, mas não só, é sintomática do carácter estruturante da recessão que, como tudo leva a crer, está para ficar. Sem poder lançar o QE3 (ainda que o possa fazer oficiosamente, através dos chamados Primary Dealers, como na realidade o fazia, no passado recente, quando o mundo ainda não seguia de perto o mercado dos T-Bonds – ou seja, das obrigações do Tesouro –, como o faz hoje), a Reserva Federal será uma testemunha passiva, impotente e incapaz perante a subida vertiginosa das taxas de juro, a explosão do custo dos défices públicos norte-americanos, a imersão numa recessão económica agravada, o afundamento dos títulos cotados em bolsa e o comportamento errático da sua divisa, a curto prazo, seguindo um processo, numa fase inicial, oscilante com altos e baixos, consoante a influência maior ou menor destes diferentes fenómenos, antes de deixar cair o dólar brusca e desamparadamente para 30 % (ou mais)  do seu valor.

Entretanto, a Eurolândia, os BRICS e os produtores de matérias primas reforçarão rapidamente a sua cooperação  numa última tentativa para lançarem uma bóia de salvação a fim de preservarem as instituições de Bretton Woods (FMI e BM) e do mundo dominado pelo tandem  EUA/RU. Será a derradeira tentativa, já que é quimérico imaginar Barack Obama, que, até agora não patenteando as menores estatura e nível internacionais, surja, out of the blue, arvorado em estadista, que não é, e consequentemente a assumir importantes riscos políticos a um ano do sufrágio presidencial. Ninguém no seu perfieto juízo acredita em histórias da carochinha!

quarta-feira, maio 18, 2011


A crise iminente do dólar norte-americano 2/2



O problema de fundo
Nas últimas décadas, os EUA beneficiaram de uma posição histórica única. Como nação dominante, num mundo unipolar, crescentemente globalizado, a respectiva moeda – o dólar – é muito procurada como valor refúgio. Por outras palavras, os investidores e os bancos centrais dos outros países procuram alternativas às suas próprias moedas, presumivelmente menos estáveis e mais débeis. Este apetite insaciável pelo dólar à escala planetária deu de mão beijada aos governantes e aos consumidores norte-americanos um cartão de crédito praticamente sem limite, de que têm usufruído largamente nas última duas décadas.
Consequentemente, hoje, os EUA são a nação do globo mais endividada e a expansão económica corrente só é possível porque o Japão, a China e a Europa estão dispostos a financiar o défice comercial norte-americano, concedendo efectivamente cerca de 800 mil milhões de dólares anualmente. Isso processa-se através dos dólares com que os cidadãos estado-unidenses  adquirem Toyotas, perfumes franceses e gadgets electrónicos “made in China” e os utilizam para comprar obrigações do tesouro dos EUA e outros produtos financeiros norte-americanos.
Em suma, para que as coisas fiquem claras a dívida dos Estados Unidos ascende a 60 biliões de dólares ou 800.000 por cada família de 4 pessoas, um fardo claramente insustentável. Quando os parceiros comerciais dos EUA constatarem que Washington se encontra numa situação real de insolvência (o que no meu entender, é, de facto, iminente – só não vê quem não quer ver), deixarão de lhe emprestar dinheiro (por outras palavras, utilizarão os seus dólares para comprar  euros, ienes, francos suíços ou ouro em vez de obrigações do tesouro norte-americano) e o valor do dólar vem por aí abaixo. O processo, com efeito já começou, com a marcada rarefacção da procura  por dólares, o que se traduziu numa redução do valor do dólar em relação a um cabaz das principais moedas em mais de um terço, na última década. Mas isto é apenas o começo. O dólar deteve durante décadas o monopólio incontestado da moeda do comércio internacional. Hoje uma parte considerável das transacções são já estipuladas em euros, ienes e francos suíços. Os sinais de mudança vêm-nos, precisamente, na China, Médio Oriente e países da OPEP, tradicionais detentores de dólares. Com efeito, a posição dominante está a ser atacada, especialmente, no cenário pós-2008 (crise do subprime)
Mas o que é que sucederá realmente quando o dólar colapsar?
O cenário será globalmente negativo. Quando os investidores estrangeiros e os bancos centrais deixarem de querer dólares, os preços das obrigações do tesouro cairão, que é, no fundo uma outra forma de dizer que os juros dos EUA irão subir. As taxas de juro para as hipotecas e para o  crédito ao consumo crescerão exponencialmente, forçando a economia norte-americana a entrar em recessão. O Governo dos EUA reagirá abrindo a comporta monetária, imprimindo irrestritamente papel moeda à medida das necessidades para evitar que a sua economia entre em colapso total. Este disparar do aumento dos fundos monetários artificialmente disponíveis, por acção politica deliberada, vai atirar o dólar ao tapete e os preços deixarão de ter qualquer controlo. Nesta ordem de ideias, as poupanças dos cidadãos comuns deixarão de possuir qualquer valor, bem como os títulos, fundos e outros produtos financeiros que eventualmente disponham. Por outras palavras, o dinheiro deixará de ter valor, com o consequente vendaval de falências que se avizinha. Os problemas sociais serão bem entendidos incomensuráveis e sem qualquer solução viável à vista
Depois a “doença do dólar” tornar-se-á global e é inevitável que isso assim aconteça. Vivemos numa economia global e ninguém conseguirá evitar o contágio. O actual crescimento anémico da Europa e do Japão, ou mais sólido da China e dos demais BRICs, só tem sido possível pela disponibilidade dos consumidores norte-americanos em comprarem Suzukis, Mercedes, brinquedos e DVDs chineses. O rápido afundamento do dólar será acompanhado por uma valorização acentuada das moedas europeias e asiáticas tornando os respectivos produtos incomportáveis para as bolsas norte-americanas que reagirão por comprar produtos alternativos nos EUA (se é que ainda existem...) ou, pura e simplesmente, por não comprar nada.  Ao interpretarem correctamente esta mudança estrutural nos padrões de aquisição dos EUA como constituindo uma ameaça aos sectores vitais de exportação, os líderes europeus e asiáticos responderão com a única arma que têm à sua disposição: a inflação monetária. Reduzirão drasticamente as taxas de juro e comprarão dólares com as suas moedas, inundando o mundo com euros, ienes e yuans, tal como hoje os EUA inundam o globo com dólares. O resultado destas “desvalorizações competitivas” constituirá numa espiral de morte para as chamadas divisas fortes, em que as obrigações europeias e asiáticas terão o mesmo destino das obrigações dos EUA.
O tsunami está pois à porta.
Recomendo a leitura dos meus posts anteriores.

quinta-feira, março 24, 2011

Dilma Rousseff  à SIC – “Mas o presidente não vai poder me receber?”

Numa entrevista concedida, ontem, a Miguel Sousa Tavares da emissora de televisão portuguesa SIC, Dilma mostrou-se surpresa com a informação dada pelo entrevistador, de que o Primeiro-ministro José Sócrates poderia renunciar, depois de o parlamento ter rejeitado novas medidas de austeridade. “Mas o presidente não vai poder me receber?”, perguntou ingenuamente Dilma. Apesar de surpresa, a “Presidenta” confirmou a sua viagem a Coimbra e Lisboa, e demonstrou que não estava informada de que Sócrates estava prestes a deixar o governo, noticiou, hoje, o  “Estadão” (jornal “Estado de São Paulo”).
Depois de Miguel Sousa Tavares ter esclarecido que o Presidente Cavaco Silva a receberia e que o Primeiro-ministro demissionário também, Dilma sossegou um pouco, mas confessou: "Eu não tinha conhecimento do que estava acontecendo. Foi, agora, n'é?" 
Ao inteirar-se da situação de Sócrates, a “Presidenta” afirmou: "Seja quem for o primeiro-ministro, ele vai me receber", segundo o relato publicado pelo jornal Folha de São Paulo.
A Chefe de Estado brasileira disse à SIC que iria obter informações adicionais junto do seu Ministro de Relações Exteriores.
Dilma visitará Portugal, entre 29 e 31 de Março, para prestigiar o ex-Presidente Lula da Silva que receberá o título de doutor honoris causa da Universidade de Coimbra. Trata-se da primeira viagem internacional da Presidente brasileira, em funções desde o início de Janeiro, a um país europeu.

Como se sabe, o primeiro-ministro, José Sócrates, apresentou quarta-feira a demissão ao Presidente da República por considerar que ficou sem condições para governar, depois de o Parlamento ter aprovado resoluções de rejeição de toda a Oposição ao chamado PEC 4 proposto pelo Governo.
O pedido de demissão de José Sócrates foi anunciado pela Presidência da República que, contudo, salienta que o Governo se mantém "na plenitude de funções até à aceitação daquele pedido". Cavaco Silva irá promover sexta-feira audiências com os partidos com assento parlamentar.


Três ou quatro comentários muito curtos:
  1.  Então a “Presidenta” vem a Portugal é entrevistada para um canal de televisão português e  não está minimamente informada do que passa no país que vai visitar, designadamente da crise iminente? Bom, das duas uma: ou é completamente ignorante ou é burra.
  2. A "ex-terrorista" não tem assessores diplomáticos, não conferencia com o seu Ministro dos Exteriores, não lê a mídia? O que é isto? O quê? Vai se informar depois e diz isso em público?
  3. E o que é que faz a Universidade de Coimbra? Vai atribuir um doutoramento honoris causa a um quase analfabeto funcional, que não dispõe dos mínimos rudimentos de educação básica? E amanhã vai doutorar quem? O Chávez, o Khadaffi ou o Ahmeddinejad?
  4. Mas é com gente deste calibre que o Brasil se quer impor como grande economia emergente e como país líder, à escala planetária? E nós damos cobertura  a isso, com esses pseudo-doutoramentos? O Povo brasileiro não merece essa gente, nem nós merecemos esses académicos de Coimbra ..Haja um mínimo de senso comum!


Bueno, como dicen en Latino-América, no pasa nada, no pasa nada.

sexta-feira, março 18, 2011

Líbia – Europa claramente dividida quanto à“No-flight Zone”. Brasil abstém-se.

Foi aprovada ontem em Nova Iorque uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas estabelecendo a Zona de Exclusão Aérea (“No-flight Zone”) na Líbia, autorizando "todas as medidas necessárias" para a protecção de civis e áreas civis povoadas sob ameaça, referindo explicitamente a cidade de Bengazi. Leia-se, para impedir o massacre de civis pelas tropas do ditador Muamar Kadhaffi.O texto exclui explicitamente "qualquer tipo de ocupação estrangeira em qualquer parte do território líbio".
A resolução, em que a França e o Reino Unido (com o decidido apoio do lado árabe por parte do Líbano) foram instrumentais para as respectivas negociação e aprovação, obteve os votos favoráveis de 10 países (os três referenciados, mais os EUA, África do Sul, Nigéria, Portugal, Líbano, Bósnia e Herzegovina, Colômbia e Gabão) e cinco abstenções (curiosamente os BRICs – Brasil, China, Rússia Índia e – pasmem-se, oh! Gentes!  - a Alemanha!!!).
Tropas americanas, francesas, britânicas e de dois países árabes devem participar da ação militar. 
A abstenção do Brasil
O Brasil da ex-revolucionária e agora “presidenta” Dilma Rousseff, ao arrepio do sentimento generalizado dos ocidentais, africanos e árabes, ao justificar a abstenção, afirmou que a posição brasileira "não significa uma aceitação do comportamento do governo líbio". De acordo com a embaixadora Maria Luiza Viotti, "o problema está no texto da resolução" (o Brasil está de acordo quanto ao fundo e em descaordo quanto à forma? Fraca desculpa…). Para a diplomata brasileira, "as medidas adotadas podem gerar mais danos do que benefícios" (Quais? Menos gente no paraíso de Alá?). Além disso, segundo a representante brasileira junto à ONU, os movimentos no mundo árabe "têm crescido internamente. Uma intervenção externa alteraria esta narrativa, tendo repercussões na Líbia e em outros países" (mas como, se os próprios árabes vão participar na força de interdição aérea?). O império da  asneira encontra múltiplas justificações, em especial no Brasil de Dilma.

A Alemanha manda a Europa ir dar uma curva.
É o fim claro e sem ambiguidades da Política Externa e de Segurança Comum, agora que a Alemanha, como anunciámos repetidamente neste blogue, começa a namorar a Rússia e já está a entrar na fase da paixoneta, que evoluirá para paixão. A ligação a Leste é, pois, um dado incontornável, muito embora tudo se justifique, mesmo o injustificável. A Alemanha não queria participar em operações militares, dizem eles, mas a tal ninguém os obrigou…. Portugal votou a favor e não se vai envolver em operações militares. O que é que quer Angela Merkel?
E, já agora, o que é  que faz Catherine Ashton no meio de tudo isto?  É só blá-blá? Fim definitivo da PESC ou será possível repescá-la?
Para terminar, 
Quando é que Luis Amado vai comer mais umas tâmaras à tenda do beduíno?

domingo, fevereiro 27, 2011

Brasil, Tiririca, a Educação e a Cultura







Segundo o Estadão (Estado de São Paulo), edição de 25 do corrente, "O deputado federal Tiririca (PR-SP) vai integrar a Comissão de Educação e Cultura da Câmara. A informação foi confirmada pelo líder do partido na Casa, Lincoln Portela (MG). A indicação será oficializada na terça-feira, segundo o PR. Foi o próprio Tiririca que pediu para entrar na comissão, por ela tratar da área em que ele atua, a cultura.
Tiririca foi o deputado federal mais votado nas eleições de 2010, recebendo mais de 1,3 milhão de votos. Antes de assumir, ele teve de provar à Justiça eleitoral que não era analfabeto, sendo submetido a um teste de leitura e escrita. "
Tiririca conseguiu a (muito) custo passar no teste de literacia, provando que é, de facto um analfabeto funcional. Sabe tanto de política como eu de física quântica. Todavia, foi votado por 1,3 milhões de eleitores brasileiros, o que não é uma quantidade de votos desprezível, ou que se possa de algum modo ignorar. O Brasil é um BRIC, portanto um país que emerge como grande potência de futuro e que emparceira com a Rússia, Índia e China, que rivaliza com a Europa, com o Japão e com os Estados Unidos. Independentemente de outros considerandos, quando olhamos para a América Latina se há um país que se destaca, em todos os sentidos e dimensões,  é precisamente o Brasil. Os BRIC's beneficiam, hoje, de um prestígio que os PIIGS não têm, nem poderão ter. O Brasil candidata-se a um lugar de membro permanente no Conselho de Segurança da ONU. 
E sem mais argumentos e comentários de fundo, o Brasil vai estragar tudo escolhendo o palhaço Tiririca para a Comissão parlamentar de Educação e Cultura? Está tudo de boa saúde mental ou sou eu que estou delirante? Que exemplo está a dar o Brasil ao mundo? O que é que se pretende com isto? Não estarão os nossos irmãos do outro lado do Atlântico fartos de palhaçada e de circo? Precisam disto...? Sério?
Por favor...mandem o Tiririca para casa e sejam responsáveis, pois é isso que o mundo espera do Brasil e dos brasileiros!   
Já basta terem a "presidenta-terrorista" que têm!

sábado, janeiro 22, 2011


Pré-crise, crise e pós-crise

A crise económica e financeira global com que o mundo se confronta de há dois anos a esta parte marca o fim da ordem planetária estabelecida desde 1945. Em 1989, o “pilar soviético” colapsou e agora assistimos à decomposição acelerada do “pilar occidental” com os Estados Unidos bem no núcleo central do processo de desintegração e a Europa já numa fase adiantada do mesmo, condenada que foi à marginalização e à irrelevância, há algum tempo, em grande parte por culpa própria e em parte também por culpa alheia.
Durante duas décadas vivemos o mito do alegado “fim da história”, em que os nossos ideário, cultura e civilização ocidentais seriam impostos à escala universal. Essa quimera, inventada por Francis Fukuyama, foi-nos extremamente prejudicial porque nos levou por caminhos ínvios e, sobretudo, à convicção de que essa fantasia era uma verdade absoluta e irrefutável. Com  efeito, seria quase impossível imaginar  um “mundo pós-crise” cujas tendências não fossem definidas em Washington ou em Wall Street,  que o adjectivo “anglo-americano” não fosse sinónimo de  “moderno” ou  que o dólar não fosse senhor e rei.
Tal como na Europa Oriental, antes de 1989 – a situação actual não difere  da verificada nessa altura e nesse espaço - , nem os nossos meios de comunicação social, nem os nosso líderes políticos foram capazes de nos “fazer imaginar o inimaginável”, porque estão demasiado concentrados no curto prazo, demasiado preocupados em fazer-nos “esquecer o inesquecível”, designadamente as consequências sócio-económicas da crise através do mundo e, antes do mais, dentro das nossas próprias fronteiras. Esta rejeição da futurologia, mesmo a mais evidente, esta falta de antecipação, esta incapacidade real de previsão da nossa débil liderança e das nossas elites decadentes e provincianas, impede-nos lamentavelmente de ver o que nos espera no horizonte não muito longínquo de 2020. A verdade é que ninguém se preocupou com o longo prazo, nem sequer com o médio.
         Que conflitos é que o “mundo pós-crise” nos reserva? Como é que nos devemos preparar para as turbulências monetárias e económicas dos próximos anos? Como é que podemos adaptar-nos à nova situação como europeus ou como norte-americanos? Antes do mais, como vamos interagir com os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) e as demais potências emergentes? Quais serão as novas regras do jogo? Que dificuldades e obstáculos se deparam a esses países na sua ascensão à primeira linha? Como é que os  nossos filhos e netos se vão posicionar para enfrentar os desafios do “mundo pós-crise”, como cidadãos e como profissionais?
Estas são algumas das muitas perguntas que podemos e devemos formular aos nossos dirigentes, intelligentsia e media porque requerem reflexão e, consequentemente, acção, quer a nível individual, quer colectivo. Porque a presente crise económico-financeira, política, cultural  e de valores morais, que estamos a viver, consiste não só no termo definitivo de um “mundo pré-crise”, mas, principalmente, o dealbar da construção de um “mundo pós-crise”, por conseguinte uma baliza histórica, que se situa, grosso modo, entre 2010 e 2014, para dar lugar a uma nova situação, a partir de 2015. Consequentemente, o período de transição em que nos encontramos corresponde a uma fase terminal, na perspectiva do advento da nova era que se lhe seguirá. Temos de ter pistas e orientações para seguir em frente e não podemos cometer demasiados erros, temos igualmente de enfrentar os desafios e de não desperdiçar as oportunidades que se nos apresentam.