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sábado, maio 07, 2011


Crise económico-financeira: o problema britânico



A propósito do possível resgate financeiro pela “troika” de Portugal, o “Daily Telegraph” de Londres (http://www.telegraph.co.uk/finance/comment/jeremy-warner/8493209/UK-is-not-Portugal-but-it-could-become-so.html), refere, em sínteses que não há duas sem três. Todavia, na análise do caso vertente, trata-se de um aviso sério e que deve ser devidamente ponderado pelo Reino Unido quanto aos perigos da dívida pública descontrolada. Segundo o mesmo jornal, Portugal junta-se, agora, à Grécia e à Irlanda na escravatura económica aos burocratas sem rosto da Europa e do Fundo Monetário Internacional. 
De registar que a Grã-Bretanha é particularmente sensível a uma crise fiscal devido à dimensão do respectivo sector financeiro com ramificações um pouco por toda a parte e com garantias que excedem várias vezes o PIB. Nesta perspectiva, o RU é tão vulnerável como a Irlanda. Muito embora tenha lidado com o problema bancário com eficiência acrescida, o certo é que ao menor sinal de perigo iminente, os investidores podem retirar-se do mercado e a confiança desvanecer-se, na medida em que a capacidade para pagar as respectivas dívidas poderá ser posta em causa.
Subsiste o duplo risco de contágio do RU às crises da dívida soberana e dos mercados financeiros. O conjunto da dívida britânica (pública, privada, das empresas e do sector financeiro) supera o de qualquer outro país europeu.
Com uma economia debilitada, qualquer subida nas taxas de juro seria um verdadeiro desastre para o RU, muito pior que as medidas de austeridade que estão na forja. A dívida britânica encontra-se hiper-dimensionada e não se vislumbra qualquer luz ao fundo do túnel.
O RU encontra um ponto de comparação não com a Grécia, Irlanda ou Portugal, mas, sim, com a Espanha que pode descarrilar a qualquer momento, maxime se as taxas de juro aumentarem, por exemplo 2 pontos percentuais. A Espanha pode estar muito mais próxima de cair no precipício do que normalmente se pensa. 

sexta-feira, abril 29, 2011


Irão: Guerra aos cães.

Os legisladores no Irão apresentaram um projecto de lei em que propõem criminalizar a propriedade de cães.  O projecto de lei em questão estipula que a posse de um cão “suscita um problema cultural” e que é “uma imitação cega da cultura ordinária do Ocidente”.  Muitos crêem que o objectivo desta “Guerra aos canídeos” visa distrair os iranianos dos magnos problemas que o país enfrenta. O governo de Teerão recebe biliões de petro-dólares anualmente e utiliza esse dinheiro para se armar e para adquirir ADM’s (armas de destruição maciça) em vez de o utilizar  para melhorar a vida dos seus concidadãos. E, agora, o regime considera a eliminação dos cães uma prioridade em vez da eliminação do desemprego e da pobreza.
Há cerca de  duas semanas, companhias de cerca de 30 países, incluindo a Alemanha, Reino Unido e França participaram  no “Iran Oil Show” em Teerão, apesar das sanções vigentes dos EUA e da U.E.
Ao continuarem a negociar com o regime iraniano – na óptica do  business as usual – as companhias ocidentais, no fundo, criam as condições objectivas para que prossiga sem restrições  o desrespeito pelos direitos humanos.

segunda-feira, abril 25, 2011


EUA – Orçamento, Obrigações do Tesouro, Dólar as 3 crises norte-americanas que estarão na origem da quebra do sistema global, económico, financeiro e monetário

Segundo alguns analistas europeus e norte-americanos, a próxima fase da crise consistirá efectivamente na quebra irreversível do sistema económico, financeiro e monetário mundial no Outono de 2011. As consequências a todos os níveis desta situação serão de proporções históricas e demonstrarão sem quaisquer equívocos que a crise de 2008 (ou seja, a tão decantada crise do  subprime e o consequente meltdown) é o que sempre foi: um simples aviso à navegação para o tsunami que se avizinha.

Esta degradação histórica tem também obviamente que ver com a crise nuclear no Japão, com as decisões chinesas em matéria de política económica e com o problema da dívida soberana na Europa. Neste particular, a questão das dívdas públicas dos países periféricos da Eurolândia (os PIGS) já não constituem um preponderante factor de risco europeu, uma vez que o Reino Unido virá assumir o papel de “the sick man of Europe” (o doente da Europa). A Eurozona implementou todos os dispoisitivos necessários para solucionar estes problemas e continua, a bom ritmo, em vias de encontrar as soluções adequadas para as questões ainda pendentes ou potenciais. A gestão dos problemas gregos, portugueses e irlandeses (e presumivelmente, amanhã, dos problemas espanhóis e/ou belgas e, mesmo italianos) está ser feita de uma forma eficiente e organizada.  Serão os investidores privados a pagar a factura – é inegável - , mas não estaremos perante riscos sistémicos, o que desagrada sobremaneira ao Financial Times, ao Wall Street Journal aos peritos da rua novaiorquina do mesmo nome e à City de Londres, que periodicamente e com as habituais lágrimas de crocodilo pretendem “refazer-se da comoção” provocada pela crise da Eurozona de primórdios de 2010.  
O Reino Unido falha completamente a chamada “amputação preventiva orçamental”, fracassa na política social, designadamente no campo da saúde, envolve-se na aventura militar líbia e não consegue cercear as necessidades de financiamento público. A economia britânica que já se encontra em recessão vai acelerar a queda, correndo fortes riscos de fazer implodir a coligação no Poder, sobretudo depois do referendo sobre as reformas eleitorais. O  verdadeiro problema está, pois, em Londres e não nas capitais periféricas.

Todavia, o grande factor a tomar em linha de conta é a entrada dos EUA em austeridade e isto, sim, terá efeitos devastadores, à escala planetária.
Vejamos em breve síntese os 3 grandes pontos críticos:

* A crise orçamental, ou o modo como os Estados Unidos mergulham voluntariamente  ou a contragosto nesta austeridade necessária e sem precedentes que arrastará sectores inteiros da economia e das finanças mundiais.

* A crise dos “T-bonds”, ou seja das obrigações do Tesouro norte-americano, ou como o FED chega ao “fim do caminho” encetado em 1913 e deve, agora, confrontar-se com um krach, independentemente da camuflagem ou da manipulação contabilística escolhida.

* A crise do dólar, ou a forma como os sobressaltos da divisa dos EUA vão determinar a interrupção da Quantitative Easing 2, no segundo trimestre de 2011, será o começo de uma grande desvalorização (da ordem dos 30%, no espaço de algumas semanas).

O tsunami está à porta. Ninguém está seguro.

domingo, março 27, 2011

Londres - Manif. contra os "cortes": 66 feridos e mais de 200 detidos


Ah, grande democracia britânica que dá sempre cartas a toda a gente! Na manif. de sábado, em Londres (anti-cuts rally), 250.000 pessoas (tantas como a dos à rascas em Portugal), que se saldou por 66 feridos e 214 detenções, foi interessante ver o "civismo" dos soberbos ingleses. Gostei de observar aquelas investidas contra os bancos e as companhias de seguros em que tudo se partia à paulada e à pedrada. Gostei de ver a passividade da polícia. Assim é que é, não há cães, nem cassetetes, nem carros de água, nem nada disso, é fartar vilanagem. Querem quebrar a loiça, pois que quebrem que o contribuinte paga!
Aqui, neste país periférico, pobre, endividado e desgraçadinho foi - e é - uma sensaboria: a manif. dos rascas e dos à rasca, com jovens, criancinhas de colo e velhinhos, não deu nada, apesar de ter estado para lá uma salada monumental (extrema-esquerda e extrema-direita, gajos que queriam a legalização da marijuana, maricada q.b., feministas, reformados à beira de um ataque de nervos, enfim de tudo um pouco...); depois a dos professores no mesmo dia (não se passou nada!); na semana a seguir, a da CGTP (nada houve!); tem havido greves numa base diária (nada a registar, excepto atrasos e outros pequenos inconvenientes). Somos, de facto, uns tristes, uns fadistas pindéricos. Devíamos era aprender com os ingleses. Que diabo, não temos tomates ou o que é isto? Então,  ninguém, mas mesmo ninguém partiu uma montrazinha sequer? Não há montras para escavacar? É por estas e por outras que não temos o verdadeiro espírito europeu. Os ingleses foi o que agora se viu. Os gregos estão fartos de fazer das suas e outro dia até iam queimando polícias vivos. Os franceses pintam a manta à menor coisinha. Não, os tugas são mesmo uns terceiro-mundistas. Não sabem fazer as coisas à europeia.
Dizia-me um inglês, meu amigo, a propósito da manif. de Londres: "That was an un-english atitude". Ao que lhe respondi: "No my friend,  correct me if I am wrong, it was very, very English-like".    

sexta-feira, março 18, 2011

Líbia – Europa claramente dividida quanto à“No-flight Zone”. Brasil abstém-se.

Foi aprovada ontem em Nova Iorque uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas estabelecendo a Zona de Exclusão Aérea (“No-flight Zone”) na Líbia, autorizando "todas as medidas necessárias" para a protecção de civis e áreas civis povoadas sob ameaça, referindo explicitamente a cidade de Bengazi. Leia-se, para impedir o massacre de civis pelas tropas do ditador Muamar Kadhaffi.O texto exclui explicitamente "qualquer tipo de ocupação estrangeira em qualquer parte do território líbio".
A resolução, em que a França e o Reino Unido (com o decidido apoio do lado árabe por parte do Líbano) foram instrumentais para as respectivas negociação e aprovação, obteve os votos favoráveis de 10 países (os três referenciados, mais os EUA, África do Sul, Nigéria, Portugal, Líbano, Bósnia e Herzegovina, Colômbia e Gabão) e cinco abstenções (curiosamente os BRICs – Brasil, China, Rússia Índia e – pasmem-se, oh! Gentes!  - a Alemanha!!!).
Tropas americanas, francesas, britânicas e de dois países árabes devem participar da ação militar. 
A abstenção do Brasil
O Brasil da ex-revolucionária e agora “presidenta” Dilma Rousseff, ao arrepio do sentimento generalizado dos ocidentais, africanos e árabes, ao justificar a abstenção, afirmou que a posição brasileira "não significa uma aceitação do comportamento do governo líbio". De acordo com a embaixadora Maria Luiza Viotti, "o problema está no texto da resolução" (o Brasil está de acordo quanto ao fundo e em descaordo quanto à forma? Fraca desculpa…). Para a diplomata brasileira, "as medidas adotadas podem gerar mais danos do que benefícios" (Quais? Menos gente no paraíso de Alá?). Além disso, segundo a representante brasileira junto à ONU, os movimentos no mundo árabe "têm crescido internamente. Uma intervenção externa alteraria esta narrativa, tendo repercussões na Líbia e em outros países" (mas como, se os próprios árabes vão participar na força de interdição aérea?). O império da  asneira encontra múltiplas justificações, em especial no Brasil de Dilma.

A Alemanha manda a Europa ir dar uma curva.
É o fim claro e sem ambiguidades da Política Externa e de Segurança Comum, agora que a Alemanha, como anunciámos repetidamente neste blogue, começa a namorar a Rússia e já está a entrar na fase da paixoneta, que evoluirá para paixão. A ligação a Leste é, pois, um dado incontornável, muito embora tudo se justifique, mesmo o injustificável. A Alemanha não queria participar em operações militares, dizem eles, mas a tal ninguém os obrigou…. Portugal votou a favor e não se vai envolver em operações militares. O que é que quer Angela Merkel?
E, já agora, o que é  que faz Catherine Ashton no meio de tudo isto?  É só blá-blá? Fim definitivo da PESC ou será possível repescá-la?
Para terminar, 
Quando é que Luis Amado vai comer mais umas tâmaras à tenda do beduíno?

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Quo vadis, Portugal? E já agora Europa (já não sei que parte é esta, mas não faz mal...há tantas) 





Da crise e sempre da crise – Diz a imprensa do dia: “A proposta ítalo-luxemburguesa para a emissão de uma dívida europeia conjunta por países da zona Euro foi novamente rejeitada pelo governo alemão.” Assim funciona a solidariedade europeia. Meus amigos, isto de “união”, nem sequer vale como símbolo: só tem o nome e palavras leva-as o vento. Em suma, a Alemanha e um grupo de escolhidos mandam à fava um conjunto heterogéneo de países ditos periféricos que onde estão bem é na pocilga (ptqtp+ab;  a primeira parte não necessita de tradução, a segunda reza: mais à burra). O núcleo duro de meninos bens comportados, que não gastaram a mais, que se portaram sempre bem, merecem, os outros não. Não é o contribuinte alemão que vai pagar por essa gente suja e desgrenhada, que não tem disciplina, não trabalha e vive de mão estendida. Já chega! Ponto final
Ah, na década de 80 era fácil, cómodo e interessante dar dinheiro a esses “untermenschen” meridionais que acabariam por comprar mais BMW’s e máquinas Bosch alemãs. Tás a topar? Porreiro, pá!  Depois há o retorno com dividendos, pois então. O pior é quando o dinheiro começa outra vez a fluir no ciclo inverso isto é do centro para a periferia, mas agora sem compensação.   Nem mais um tuste para essa cabrada! Eh, pá mas os gajos estão a viver a crédito e depois não compram Mercedes e bolas de Berlim. Pois, pois, eu quero é que esses gajos se lixem, senão quem bate a porta sou eu e mando isto tudo àquela parte. Eu vou pagar a pensão aos 50 anos dos gregos? As dívidas dos portugueses? A crise da banca irlandesa? O preço absurdo dos imóveis espanhóis? Eu dou-lhes o arroz! Vou mas é olhar para as economias emergentes. Até têm um  nome mais bonito: não são PIGS, mas BRIC’s (tijolos – e, como sabes, com tijolos constrói-se o nosso prédio). Na Rússia, na China, na Índia e no Brasil é que é bom. É o que está a dar. Eh, pá mas pertencemos à mesma família, à mesma união e o que é que quer dizer união? Deixa-te de tretas que eu tenho mais que fazer que estar pr’aqui a discutir semântica contigo. Eh, pá, mas tu, arvorado agora em chefe da família europeia, nem conseguiste unificar decentemente o teu próprio pais, não é verdade? Vê lá tu que até levantaste um imposto de solidariedade, no tempo do Kohl, para se pagar a reunificação que os teus anafados patrícios do lado de cá, não queriam compensar. Muitos perguntaram, então: solidariedade? O que é isso? Ora se não o conseguiste fazer na tua própria casa, que imbecilidade foi a nossa em pensar que serias capaz de o fazer na famelga europeia, cada vez mais vasta, como, aliás, tu querias (lá vendias umas coisas para o Leste...). Foi ou não como tu pediste?
            Não, isto não é um contrato que não funciona e que vai ser denunciado unilateralmente. Isto não é um casamento a que se põe termo porque queremos ter as mãos livres para outras uniões. Mais. Não nos sentimos encornados, nem  estamos tristes por isso ou sequer com a hipótese de um dia o virmos a ser. Atemo-nos a um compromisso solene e por demais importante na História da Europa. A  Alemanha, que de um modo irracional e maléfico nos envolveu na pior guerra da história da humanidade,  ainda não pagou tudo o que nos deve. Pensem nisto. É bom que as coisas sejam ditas, de uma vez por todas,  para que não subsistam dúvidas.
            Se querem sair do euro que o digam claramente, se querem acabar com a União Europeia que o assumam, se querem voltar aos desvarios do passado que o digam, aqui e agora. Vamos lá ver se nos entendemos:  temos de tomar medidas e com urgência, por conseguinte deixem-se de merdas.
            No fundo a pergunta impõe-se: Quo vadis, Europa? Com os bifes a quererem sair de qualquer maneira e com hiper-abundância de argumentos (deles, entenda-se), com os franciús sem rumo, comandados por essa aventesma sem ideias, nem carisma, chamado Sarkozy , com os italianos na cóboiada e no bródio tão ao gosto de  Berlusconi. Os outros...Bom, os outros ou estão em crise, ou não existem ou são irrelevantes. A Europa necessita de liderança e com esta gente não vamos a parte alguma. Esta é que é a verdadeira crise, o resto é conversa.  
    Em suma: todas as crises são iguais só que nuns casos são mais crises do que noutros.

sábado, novembro 27, 2010

Reino Unido fora da UE! Já!



O "Daily Expres" continua com a sua cruzada. Leiam, leiam, para não alegarem ignorância sobre o assunto. Ah, e já agora, leiam também as cartas dos leitores, que esclarecem de uma forma ainda mais clara o conteúdo dos artigos e a mente dos ilhéus.
Quando eu era miúdo existia uma musiquinha com a seguinte letra:

If you wanna go
It's alright
If you wanna go
Go now, or else, you gonna stay all night.

Cumpra-se como nele se contém!

Leiam esta pérola:


Esta foi a primeira página de ontem (dia 26), a de hoje, cuja transcrição segue é igualmente interessante:


IT'S SO EASY TO GET US OUT OF EUROPE, JUST A CASE OF SAYING: WE QUIT


Pressure is mounting for Britain to break free from Brussels.

Saturday November 27,2010
By Daily Express Reporter

BRITAIN could quit the European Union virtually overnight to herald a new era of independence and freedom, campaigners declared yesterday.
Supporters of the fast-growing Daily Express crusade for an exit from EU control insisted that a simple parliamentary vote at Westminster would be enough to end nearly four decades of Brussels meddling.

They poured scorn on Britain is now so tied in, departure is impossible. Tory MP Douglas Carswell said: “It would be relatively straightforward. The idea it would be a hugely complex process is just not true.”

New rules attempting to stop nations quitting the EU were introduced three years ago under the controversial Lisbon Treaty. A new two-year departure process was introduced in a bid to discourage any bolt for the exit door as support for the union sank across Europe.

But leading British Euro-sceptics told the Daily Express that a straight decision by MPs and peers to scrap the legislation that established the country’s membership in the first place would be enough to set us free.

Parliament could repeal the 1972 European Communities Act and then defy any attempt by Eurocrats to block the walkout. Mr Carswell said: “There has been lots of secondary legislation passed over the years but that would be swept away by getting rid of the original act.”

Repealing the 1972 Act, introduced under former Tory prime minister Edward Heath, would require a series of votes in the Commons and the Lords, and the Royal Assent.

 But once the parliamentary procedure was complete, EU bosses could do little to stand in Britain’s way. Britain could then negotiate new relations with countries in Europe and around the rest of the world.
Mr Carswell said: “My view is that we should have a bilateral agreement with the EU to ensure freedom of movement of goods and services. “We could also establish new free trade agreements with other nations.”

Under Britain’s unwritten constitution there is no legal requirement for a referendum. But many campaigners believe a nationwide poll would help overcome an inevitable rearguard action by Euro supporters.

Mr Carswell added: “The Foreign Office would be bound to be against,as would much of the judiciary and many corporate interests. A referendum would make it much easier to overcome those vested interests.”

But Edward Spalton, vice-chairman of the Campaign for an Independent Britain, feared any referendum could be manipulated by opponents. Until Lisbon in 2007 there was no official procedure for withdrawal. In a rare example, the Danish territory Greenland quit the EU in 1985 by simply declaring its intention to go.

Mr Spalton said: “There is now a procedure for leaving but it is designed to be so humiliating and disadvantageous few countries would choose it.”

quinta-feira, novembro 25, 2010

RU fora da U.E.?





Pois se querem sair que saiam. A porta esteve sempre aberta. Fazem tanta falta como a viola num enterro. Vale a pena ler esta pérola da arrogância típica dos bifes, publicada hoje pelo "Daily Express".  Trata-se, como o próprio jornal afirma, de uma cruzada. Razão tinha De Gaulle em nunca os ter deixado entrar. Agora, temos de os deixar sair. Vão depressa e não batam com a porta, mas só um pequeno favor:  nunca mais peçam para entrar! Há parágrafos mais abaixo que são autênticos hinos à insularidade bacoca desta gentinha. Leiam, leiam, que não perdem tempo. Como é que construíram  o império? Incrível, mas verdadeiro.
Detenham-se no quarto parágrafo antes do final, em que o articulista se refere à excepcionalidade da Grã-Bretanha. Tamanha vaidade nunca pensei que existisse. É extraordinário!



UK NEWS
GET BRITAIN OUT OF EUROPE

Those on board the European gravy train have mounted one power grab after another
Thursday November 25,2010
By The Daily Express

THE Daily Express today becomes the first national newspaper to call for Britain to leave the European Union.

From this day forth our energies will be directed to furthering the cause of those who believe Britain is Better Off Out.
The famous and symbolic Crusader who adorns our masthead will become the figurehead of the struggle to repatriate British sovereignty from a political project that has comprehensively failed.
After far too many years as the victims of Brussels larceny, bullying, over-regulation and all-round interference, the time has come for the British people to win back their country and restore legitimacy and accountability to their political process.
Following the debacle of the Lisbon Treaty – disgracefully imposed upon the public without the referendum they were promised by the three main political parties – many had expected matters European to take a lower profile in British politics.
But the opposite has been true as those on board the European gravy train have mounted one power grab after another.
At a time of austerity throughout Europe they have expanded their bloated budgets, pushing Britain’s disproportionate contributions even higher.
And despite not being part of the failing eurozone, British taxpayers have learned that under Brussels rules agreed to by Labour after it had lost the election they are liable to help bail out economies wrecked by the single currency.
A payment of up to £10billion for Ireland is apparently just the start, with speculators now starting to target the embattled economy of Portugal
Despite unemployment across Europe averaging more than 10 per cent, Brussels continues to propose new job-destroying regulations and conspire to turn the whole EU into a zone of high taxation.
It is also seeking to take an ever more dominant role in border control issues, leaving its member states powerless to control migrant flows not only from other EU countries but from Asia and Africa too.
The European Court of Human Rights has continued to trample on British justice, preventing the deportation of terror suspects and demanding that convicted prisoners are given the vote.
Withdrawal from the EU should be accompanied by a withdrawal from the jurisdiction of this alien, pan-European tribunal so that matters of British justice are decided once again in British courts.
Ever since the British people were bounced into ratifying membership of the Common Market in 1975, after the political class had taken us in with no direct mandate, that institution has been stealing our rights to self-determination, remodelling itself in turn as the European Economic Community, the European Community and lately as the European Union.
Upon a wafer-thin permission for economic cooperation has been built a blueprint for the United States of Europe.
Almost nothing the EU has proposed or enacted has benefited Britain – our trawler fleet has been devastated by the Common Fisheries Policy while our taxpayers have found themselves massively subsidising inefficient French and Polish farmers under the Common Agricultural Policy.
The European Exchange Rate Mechanism – the forerunner to the single currency – caused a deep recession in Britain that was only ended by the removal of Sterling from its deadening grip.
This newspaper has always been hostile to the dilution of national sovereignty that EU membership entailed, but it has also always acknowledged that economic arguments were key. So long as there was a case to be made that leaving the EU would risk jobs and investment in Britain there was a powerful brake on thoughts of leaving altogether.
But since the ERM disaster 20 years ago that economic case has utterly collapsed.
We were told that staying out of the eurozone would be a financial disaster yet it is now clear beyond doubt that the opposite was true.
Joining it would have been catastrophic, removing Britain’s ability to vary its interest and exchange rates to suit economic circumstances and plunging us into a depression. The past two decades of European integration have turned mainland Europe’s economies from some of the world’s industrial powerhouses into also-rans, stuck in the global slow lane.
Only Germany has prospered in the euro – thanks to the single currency locking its neighbours into exchange rates at which they are unable to compete.
And now the price of belonging to the EU, in terms of surrendered sovereignty, is to be further raised with countries like Ireland effectively having their public spending and borrowing decisions made by the European Central Bank in Frankfurt rather than by their electorates.
While the EU has spread economic sclerosis through its member states the two richest countries in Europe have remained outside: Norway and Switzerland have stayed as the lynch-pins of the European Free Trade Area – able to import from and export to the EU freely without being subjected to its federalist ambitions.
Were Britain to break free of Brussels there is no doubt that such a happy status would be open to us.
A s a heavy net importer from the EU we are simply too important a market for the EU nations to risk cutting their ties with us.
Taking Britain out of the EU should not be seen as a move to “Little Englandism”. On the contrary, ours is a great trading nation with markets all over the world.
The time has come to develop our neglected trading links with the new global powerhouses such as China and India.
The creation of the EU is explained by the perfectly understandable desire to avoid further conflict on a continent that had been the scene of two world wars.
But Britain is a land apart: A precious stone set in the silver sea, as Shakespeare so evocatively put it; a realm with a glorious island story stretching back a thousand years, with links to every continent and a language taken up throughout the world.
Our political class bought into the European experiment after losing confidence in our nation and accepting the inevitability of decline.
They viewed Europe as a life raft and clambered on board. The British people never took that view.
Now it is Europe that is in decline and Britain that is being held back. It is time to break free.

terça-feira, maio 18, 2010


Construção da Europa e egoísmo nacionalista 4/5

Existirá uma verdadeira  solidariedade intra-europeia? Isto é serão os povos da Europa, porque integrando um espaço comum e porque pertencendo ao mesmo “clube” (que nos perdoem a falta de rigor terminológico) solidários uns com os outros?  Se na Alemanha – e tratava-se do mesmo pais -, esta questão suscitou problemas complexos quando da reunificação, após a queda do muro de Berlim em 1989, não a nível da classe politica, obviamente, mas da população oeste-alemã, que não queria pagar mais impostos, nem sequer pela  unidade nacional, o que foi sintomático de um certo estado de espírito – é um tema  que está na ordem do dia e que a actual crise veio demonstrar que não tem solução, i.e. conjunturalmente podem, talvez, ser aplicados paliativos, mas não se resolve, estruturalmente,  a questão de fundo. Não obstante, em termos políticos, prevalece a percepção clara de que o destino da Alemanha,  enquanto país de novo reunificado, era o destino da Nação
Este raciocínio aplica-se mutatis mutandis aos restantes países  da Europa, em que os cidadãos identificam o seu destino e os seus objectivos comuns com o destino da Nação.
Para um português ou um sueco, o destino do seu pais é parte do seu próprio destino. Mas um português não é um sueco e vice-versa. Podem partilhar interesses comuns, mas não destinos, isto é não integram a mesma comunidade de destino. A Nação é a sede da tradição, dos usos, dos costumes, da língua e da cultura, da história comum, tudo o que, em suma, define, para o bem e para o mal, o que somos. A nação é o lugar onde uma crise económica é inevitavelmente parte da vida dos seus cidadãos..
Quando a crise financeira grega emergiu, os outros europeus formularam uma questão muito simples: “O que é que eu tenho a ver com tudo isto?” Na sua perspectiva própria, os gregos eram estrangeiros. Falavam uma língua diferente, tinham uma cultura diferente, partilhavam uma história diferente. Os alemães poderiam ser afectados pela crise – uma vez que os bancos germânicos detinham uma parte do passivo grego – mas os alemães não eram gregos e, por conseguinte, não partilhavam o destino grego. E esta visão, friso bem, não se limitava de modo algum à Alemanha, o motor económico da Europa.
 Resumindo e concluindo, o contributo para a solvência da Grécia não tem por desígnio a circunstância da Grécia ser parte da Europa, mas porque é no interesse da Europa solucionar a dívida grega. Logo, a pretensa solidariedade intra-europeu não é mais que uma mera ficção, porque a Grécia é um país estrangeiro.   
Construção da Europa e egoísmo nacionalista 2/5

No seio da U.E., analisando a situação de cada pais de per se ou de cada sub-região individualmente considerada,  constata-se a existência de diferentes graus de desenvolvimento e de diferentes conceitos, não só acerca da Europa, em geral, como da própria U.E., em termos dos respectivos modelo, potencial e devir. Assim, em termos de desenvolvimento, os países meridionais contrastam com os países setentrionais e os do Oeste com os da Europa Central e Oriental.  Por outro lado, enquanto que o núcleo fundador (i.e., os 6 países que subscreveram  o Tratado de Roma), até há pouco, concebia, pelo menos a nível das elites, uma Europa “que caminhava para uma união cada vez mais estreita”, o R.U. e alguns países nórdicos não partilhavam de tal conceito ou, quando muito, aceitavam-no a contragosto. O conceito do “núcleo fundador” era aceite por um bom número de outros países. A questão principal residia no modo como transpor  tal conceito para o papel e fazê-lo aceitar pacificamente pelos demais. O RU e os seus aliados de circunstância sempre conceberam a União como uma vasta zona de comércio  livre e não mais do que isso. Ponto final.

As alterações estruturais porque passaram os países do Sul, nas últimas décadas, designadamente em termos do respectivo desenvolvimento económico e o próprio ritmo da mudança, conduziram a tensões de grau variável, situação substancialmente diferente da verificada na Europa Setentrional, em que esse processo teve lugar décadas antes  e em que a super-estrutura politica andou sensivelmente a par da evolução económica.
O mesmo processo está também a ter lugar na Europa Central e Oriental, ainda numa fase embrionária. Atente-se que os graus de desenvolvimento são muito diferentes (compare-se a Rep. Checa com a Roménia, por exemplo) e os problemas políticos revestem-se de grande  complexidade. Por um lado, algumas das tensões experimentadas a Sul são aqui idênticas; por outro, uma crispação permanente derivada dos velhos problemas das minorias étnicas, do anti-semitismo, do nacionalismo exacerbado e da contra-reacção de tipo fascista ou para-fascista, por outro, ainda, todo um processo de recuperação mal assimilado e amiúde incipiente de décadas de domínio soviético e das marcas, na prática, indeléveis do “socialismo real”.

Tradução: A Hungria não está à venda!
A diversidade de situações políticas, económicas e sociais na Europa dificulta, senão mesmo impossibilita, o projecto europeu, conducente a uma  “união mais estreita e mais íntima” , no entendimento (utópico) de que todas as nações poderiam ser integradas num único regime económico e que esse regime económico, num determinado estágio do respectivo desenvolvimento, conduzir-nos-ia  a uma entidade politica unificada, coerente e una. Em linhas gerais, este é o conceito fundamental do projecto europeu tal como foi delineado nos seus primórdios e como tem sido concebido, reponderado e reiterado ao longo dos últimos anos.
Genericamente falando, os europeus não se identificam como pertencendo a uma determinada região geográfica (Europa mediterrânica, Europa do Norte ou Europa Central), mas, sim, à sua própria nacionalidade (independentemente de outros considerandos,  esta é a referência primordial): afirma-se como sendo  espanhóis, gregos, polacos ou holandeses. Muitos vão mais longe e reconhecem que a nação a que pertencem não coincide com o estado em que se integram e neste caso: são catalães, bascos, lombardos, escoceses ou bretões. Este posicionamento tem que ver com a própria história europeia.
Antes do mais, os europeus tentaram sempre separar as suas próprias nações dos estados transnacionais, multi-étnicos e multi-religiosos, quer fossem opressivos (a maioria), benignos ou indiferentes, como foram os casos dos impérios austro-húngaro, otomano, russo, espanhol, numa primeira fase, ou nazi e soviético numa fase posterior, mais próxima de nós.
O estado-nação emerge com renovado vigor na sequência da Revolução Francesa e do romantismo até aos dias de hoje.
Não obstante, após as duas guerras mundiais que assolaram o continente europeu, os europeus, paradoxalmente, patentearam uma profunda desconfiança em relação aos sentimentos nacionais, porque estiveram nas causas profundas  dos grandes conflitos. Por outro lado, o nacionalismo era, igualmente, objecto de suspeição pelas guerras localizadas a que dava azo em que um determinado estado-nação se tentava impor aos demais e diluir as respectivas identidades nacionais.

sexta-feira, maio 07, 2010

Resultado das eleições britânicas: o limbo -  o Reino Unido prepara-se para entrar num limbo político, após as eleições gerais de ontem, em que os os Conservadores de David Cameron, obtiveram uma maioria relativa, mas  não conseguiram lograr o tão desejado K.O. a Gordon Brown. Por outro lado, o sistema eleitoral britânico não permitiu que os democratas-liberais, apesar do brilhante desempenho mediático de Nick Clegg, das sondagens de opinião favoráveis e de  uma votação expressiva, obtenham uma representação parlamentar  mais sólida. Pelo contrário, perdem 5 lugares em relação à câmara precedente. C'est la vie!  Todavia, a chave do problema pode estar precisamente nos democratas-liberais, que, apesar de terceira força política do R.U., aparentemente,têm o poder de desencravar a situação. A fase seguinte pode passar (i) ou por uma coligação Con-lib (conservadores-liberais), a este respeito, David Cameron já piscou o olho ao partido de Nick Clegg: I want to make a big, open and comprehensive offer to the Liberal Democrats - muito embora Gordon Brown tenha tentado fazer o mesmo, ou (ii) como em 1974, por uma nova ida às urnas, e nesse caso ASAP (as soon as possible), tão depressa quanto possível.  E a partir daí... Enfim, voltaremos ao assunto!

sábado, maio 01, 2010

Crise? Qual crise? A never-ending story - 



Crise, uma pequena contribuição para o debate de ideias: - Em resposta a correspondência recente que recebemos, vamos entrar num diálogo aberto, ao estilo de apontamentos dispersos. Antecipadamente, pedimos que nos perdoem por alguma falta de estruturação neste debate.
Começo por  dizer que sou um dos mais acérrimos críticos da situação portuguesa  (política, finaceira, económia e social) e do estado a que isto chegou. Não defendo nada, nem ninguém, apenas as minhas ideias das quais não abdico.
Neste jogo de futebol em estamos a perder por 5 a 0 e em que o árbitro invalidou um golo nosso por um fora de jogo inextistente, revelaria falta de honestidade o dizermos  que perdemos o jogo por culpa do árbitro. Além disso, seria uma tontice que nos descredibilizaria. Se perdemos por 5 a 0, tenho de aceitar a derrota e se perdessemos por 5 a 1, perdíamos na mesma e bem. Não me considero mau perdedor. Só que existe um movimento especulativo contra Portugal, um ambiente negativo e malsão (é certo que nos pusémos a jeito para apanhar no toutiço) , complementado por uma tentativa insidiosa de arrastamento para o mesmo buraco da Grécia, quando se sabe - e os factos são indesmentíveis - que as situações são diferentes.
A teoria da conspiração, isto é de que há um complot liderado pelos EUA e acolitado pelos BRICs contra o Euro e contra a Europa,  não é paranóia, assenta em certos pontos que começam a emergir com nitidez. Para mim é uma questão intuitiva, mas, por ora, não o consigo demonstrar. Só o tempo me dará ou não razão. O certo é que as agências de rating têm tido um comportamento ostensivamente negativo sem distinguirem situações: por exemplo, o problema do desemprego espanhol é uma questão estrutural da economia espanhola e não dos demais países, as falcatruas gregas são falcatruas gregas e não portuguesas ou eslovacas, as propostas obras faraónicas são lusitanas, etc. etc. Ora, na sua actuação as agências de rating aceleram as movimentações do mercado em determinados sentidos, sem cuidarem se esses caminhos estão certos, se não vão agravar situações já de si difíceis e se prevalece alguma moralidade na respectiva actuação. Poder-se-á argumentar que o sistema não tem espaço para estas coisas. A minha opinião política sobre o assunto é exactamente a oposta: temos de actuar, temos de reformar as agências de alto a baixo, criando entidades sérias e credíveis. Mais. Como sempre pensei e continuo a pensar, tem de existir algum controlo por parte do estado sobre o sector bancário, essencialmente, porque a Europa, para além de um projecto politico em construção é um vasto espaço social e não pode ficar á mercê das constantes variações de humor do capitalismo e das leis inexoráveis do mercado. Entendo que o capitalismo  na sua forma selvagem tem de ser banido. Aliás, a grande crise que ainda estamos a viver deriva de uma ausência de Estado que impeça as manobras especulativas da bolsa e as manipulações com os chamados produtos tóxicos. Foi esta ausência de Estado, de Controlo e de Poder arbitral que conduziu à presente situação. o Estado demitiu-se das funções. Porque é que Washington actuou (ainda que tardiamente) e da forma em que o fez?
Quanto à Alemanha, discordo que seja apontada como o único “mau da fita”, ela peca sobretudo, por indiferença e por egoísmo “nacionalista”. A  meu ver, os verdadeiros “maus da fita” são "actores" europeus que fazem, sempre fizeram e continuarão a fazer,  o jogo do outro lado (britânicos e outros parceiros menores) e, claro está, o "Outro Lado", no seu magnífico esplendor. Sejamos meridianamente claros: Não interessa ao mundo anglo-saxónico a existência da Europa como uma entidade própria, com a sua personalidade jurídica bem definida, o seu poder político e militar e a sua pujança económica e financeira. Isso está fora de questão. Paranóia? Mania da perseguição? Julguem pelos factos, passados, actuais e, sobretudo,  vindouros.
Em toda esta problemática, a Alemanha, por miopia,  está a cuidar dos seus interesses e apenas isso. É precisamente esta questão  que se pretende alterar em nome da construção da Europa. Se os gregos se portaram mal é chamá-los ao bom caminho. O projecto político tem de ser o primeiro objectivo e o somatório de egoísmos nacionais (de que a Alemanha, França, RU, Itália, etc. são exemplos) tem de ser combatido. 
Quanto à solidariedade intra-europeia que deve existir, antes do mais tem de se delinear num primeiro palco nacional. A melhor prova disso foi a solidariedade que todo o Povo português patenteou de forma claríssima em relação à Madeira e que ainda continua, nos supermercados, nas lojas, nas ruas, etc. Há países artificiais em que pode não haver  solidariedade interna: neste particular, os exemplos catalão ou lombardo são relevantes, porque estes povos se consideram a si mesmos como não integrando o respectivo pais mas sim outra nação. A  meu ver são excepções precisamente porque a Espanha e a Itália são países em que a verdadeira unidade nacional ou nunca existiu (Espanha) ou são de formação recente e nunca se formou (Itália).  A queda do muro de Berlim e a consequente reunificação alemã foi o acontecimento mais marcante dos finais do século XX. A solidariedade intra-nacional era -e é - imperativa, absoluta, categórica, indiscutível. Não o foi. É uma chaga que para mim ficou sempre a manchar uma das páginas mais belas e exaltantes da minha época. Pergunte-se ao homem da rua em Bremen ou em Frankfurt  porque é que na altura não queria pagar mais impostos, à semelhança de muitos outros alemães, pela reunificação...Agora e independentemente de outros considerandos (alguns válidos) , se os alemães não são solidários entre si, como poderão sê-lo com os outros? 
Em conclusão, sou categórico: a solidariedade europeia tem de ser um objectivo a alcançar no imediato.  
Se o Euro não tem condições para continuar - e pelos vistos talvez não tenha - então temos de mudar de rumo e mandar à fava o projecto europeu
Finalmente, tenho que dar a mão à palmatória, nesta crise e no caso português,  80 ou  90% do problema é nosso, mas existem 20 ou 10% que merecem uma análise mais aprofundada. Foi o que pretendi fazer, sem complexos e com perfeita abertura e  espírito construtivo, mas crítico.
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terça-feira, março 09, 2010

Crise económico-financeira - Desde o início do ano que a crise alastra e cria raízes. Têm de ser encontradas soluções. O Euro,demasiado forte para países como a Grécia, Itália, Irlanda, Portugal e Espanha, impedem-os de prosseguir a via de um desenvolvimento harmonioso e que ingenuamente pensavam estar garantido. O problema não é apenas grego, muito embora as coisas nesse país tenham assumido maiores proporções, devido à desonestidade dos governantes e à falta de rigor das contas helénicas. Mas os outros casos têm de ser devidamente ponderados: a dívida da Irlanda atinge neste momento 10 vezes o PIB! No comments!  A Espanha vê a  situação deteriorar-se numa base diária e enquanto nos queixamos dos nossos 10 por cento de desemprego, Madrid tem quase o dobro. As medidas que tomámos no âmbito do PEC são meros paliativos que não indo ao fundo da questão não convencem ninguém e menos ainda as agências de "rating". A Itália segue-se na lista e aqui o caso pia mais fino, porque será o desmoronar de toda a construção europeia. Membro fundador da CEE, economia de grandes dimensões, quando rebentar fará cair todo o sistema. Livre de tudo isto está a "pérfida Albion" que, muito embora não esteja de boa saúde financeira,  pôde desvalorizar a seu bel-prazer a libra esterlina, uma vez que não integra a zona euro. Será, porém, sol de pouca dura e a City de Londres não é um bastião inexpugnável. Bom, bom, ou vamos criar o Fundo Monetário Europeu ou outro mecanismo qualquer do tipo bóia de salvação ou bem podemos fechar a porta da Europa de uma vez por todas. Fini! Finished! Terminado!

segunda-feira, março 08, 2010

"Secreta" britânica envolvida em tortura de prisioneiros - Está ser travada uma autêntica batalha  legal nos tribunais londrinos, que opõe de um lado as agências  de intelligence britânicas (MI5 e MI6) e o Governo de S. M. e do outro 6 ex-detidos da prisão de Guantánamo que foram alegadamente vítimas de torturas e maus tratos, sob custódia, uma vez que foram acusados de terem perpetrados actos de terrorismo ou de terem sido cúmplices de acções terroristas. Trata-se, por ora, de uma acção cível. Não obstante, as autoridades de Londres estão a procurar por todos os meios evitar que a maioria das provas venha a público, uma vez que são consideradas "segredos de estado". 
Dívida - principais países devedores em função do PIB - Dívida por cada mil dólares do PIB;
1. Iraque - 7.454,88 (2003)
2. Irlanda - 6.251,87 (2006)
3. Liberia - 439,81 (2005)
4. Guiné-Bissau - 4.369,81 (2000)
5. Reino Unido - 3.350,89 (2006)
Portugal figura na 20ª posição com 1.413,5.
Não estamos bem, mas quem tanto fala contra nós está bem pior. E é lá que estão as agências de "rating".
Ora, batatas!