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domingo, julho 17, 2011

Império Financeiro/Financial empire








Vejam o vídeo/ Watch the video


A brief depiction on how the bankers were able to enslave us and how the money is sucked up into the state, corporations, banks and owners.Understand why a financial collapse is eminent. These facts are real and searchable. Type New World Order".

Welcome to the Intellectual Revolution


Uma breve descrição  em como os banqueiros nos conseguiram escravizar e o modo como o dinheiro é sugado dos produtores de riqueza para o governo, corporações, bancos e donos. Percebe-se porque é que o colapso financeiro está iminente.Estes facto são reais e pesquisáveis. Digite "Nova Ordem Mundial"

Bem vindos à Revolução Intelectual.






sábado, maio 07, 2011


Crise económico-financeira: o problema britânico



A propósito do possível resgate financeiro pela “troika” de Portugal, o “Daily Telegraph” de Londres (http://www.telegraph.co.uk/finance/comment/jeremy-warner/8493209/UK-is-not-Portugal-but-it-could-become-so.html), refere, em sínteses que não há duas sem três. Todavia, na análise do caso vertente, trata-se de um aviso sério e que deve ser devidamente ponderado pelo Reino Unido quanto aos perigos da dívida pública descontrolada. Segundo o mesmo jornal, Portugal junta-se, agora, à Grécia e à Irlanda na escravatura económica aos burocratas sem rosto da Europa e do Fundo Monetário Internacional. 
De registar que a Grã-Bretanha é particularmente sensível a uma crise fiscal devido à dimensão do respectivo sector financeiro com ramificações um pouco por toda a parte e com garantias que excedem várias vezes o PIB. Nesta perspectiva, o RU é tão vulnerável como a Irlanda. Muito embora tenha lidado com o problema bancário com eficiência acrescida, o certo é que ao menor sinal de perigo iminente, os investidores podem retirar-se do mercado e a confiança desvanecer-se, na medida em que a capacidade para pagar as respectivas dívidas poderá ser posta em causa.
Subsiste o duplo risco de contágio do RU às crises da dívida soberana e dos mercados financeiros. O conjunto da dívida britânica (pública, privada, das empresas e do sector financeiro) supera o de qualquer outro país europeu.
Com uma economia debilitada, qualquer subida nas taxas de juro seria um verdadeiro desastre para o RU, muito pior que as medidas de austeridade que estão na forja. A dívida britânica encontra-se hiper-dimensionada e não se vislumbra qualquer luz ao fundo do túnel.
O RU encontra um ponto de comparação não com a Grécia, Irlanda ou Portugal, mas, sim, com a Espanha que pode descarrilar a qualquer momento, maxime se as taxas de juro aumentarem, por exemplo 2 pontos percentuais. A Espanha pode estar muito mais próxima de cair no precipício do que normalmente se pensa. 

segunda-feira, abril 25, 2011


EUA – Orçamento, Obrigações do Tesouro, Dólar as 3 crises norte-americanas que estarão na origem da quebra do sistema global, económico, financeiro e monetário

Segundo alguns analistas europeus e norte-americanos, a próxima fase da crise consistirá efectivamente na quebra irreversível do sistema económico, financeiro e monetário mundial no Outono de 2011. As consequências a todos os níveis desta situação serão de proporções históricas e demonstrarão sem quaisquer equívocos que a crise de 2008 (ou seja, a tão decantada crise do  subprime e o consequente meltdown) é o que sempre foi: um simples aviso à navegação para o tsunami que se avizinha.

Esta degradação histórica tem também obviamente que ver com a crise nuclear no Japão, com as decisões chinesas em matéria de política económica e com o problema da dívida soberana na Europa. Neste particular, a questão das dívdas públicas dos países periféricos da Eurolândia (os PIGS) já não constituem um preponderante factor de risco europeu, uma vez que o Reino Unido virá assumir o papel de “the sick man of Europe” (o doente da Europa). A Eurozona implementou todos os dispoisitivos necessários para solucionar estes problemas e continua, a bom ritmo, em vias de encontrar as soluções adequadas para as questões ainda pendentes ou potenciais. A gestão dos problemas gregos, portugueses e irlandeses (e presumivelmente, amanhã, dos problemas espanhóis e/ou belgas e, mesmo italianos) está ser feita de uma forma eficiente e organizada.  Serão os investidores privados a pagar a factura – é inegável - , mas não estaremos perante riscos sistémicos, o que desagrada sobremaneira ao Financial Times, ao Wall Street Journal aos peritos da rua novaiorquina do mesmo nome e à City de Londres, que periodicamente e com as habituais lágrimas de crocodilo pretendem “refazer-se da comoção” provocada pela crise da Eurozona de primórdios de 2010.  
O Reino Unido falha completamente a chamada “amputação preventiva orçamental”, fracassa na política social, designadamente no campo da saúde, envolve-se na aventura militar líbia e não consegue cercear as necessidades de financiamento público. A economia britânica que já se encontra em recessão vai acelerar a queda, correndo fortes riscos de fazer implodir a coligação no Poder, sobretudo depois do referendo sobre as reformas eleitorais. O  verdadeiro problema está, pois, em Londres e não nas capitais periféricas.

Todavia, o grande factor a tomar em linha de conta é a entrada dos EUA em austeridade e isto, sim, terá efeitos devastadores, à escala planetária.
Vejamos em breve síntese os 3 grandes pontos críticos:

* A crise orçamental, ou o modo como os Estados Unidos mergulham voluntariamente  ou a contragosto nesta austeridade necessária e sem precedentes que arrastará sectores inteiros da economia e das finanças mundiais.

* A crise dos “T-bonds”, ou seja das obrigações do Tesouro norte-americano, ou como o FED chega ao “fim do caminho” encetado em 1913 e deve, agora, confrontar-se com um krach, independentemente da camuflagem ou da manipulação contabilística escolhida.

* A crise do dólar, ou a forma como os sobressaltos da divisa dos EUA vão determinar a interrupção da Quantitative Easing 2, no segundo trimestre de 2011, será o começo de uma grande desvalorização (da ordem dos 30%, no espaço de algumas semanas).

O tsunami está à porta. Ninguém está seguro.

domingo, fevereiro 27, 2011

Brasil, Tiririca, a Educação e a Cultura







Segundo o Estadão (Estado de São Paulo), edição de 25 do corrente, "O deputado federal Tiririca (PR-SP) vai integrar a Comissão de Educação e Cultura da Câmara. A informação foi confirmada pelo líder do partido na Casa, Lincoln Portela (MG). A indicação será oficializada na terça-feira, segundo o PR. Foi o próprio Tiririca que pediu para entrar na comissão, por ela tratar da área em que ele atua, a cultura.
Tiririca foi o deputado federal mais votado nas eleições de 2010, recebendo mais de 1,3 milhão de votos. Antes de assumir, ele teve de provar à Justiça eleitoral que não era analfabeto, sendo submetido a um teste de leitura e escrita. "
Tiririca conseguiu a (muito) custo passar no teste de literacia, provando que é, de facto um analfabeto funcional. Sabe tanto de política como eu de física quântica. Todavia, foi votado por 1,3 milhões de eleitores brasileiros, o que não é uma quantidade de votos desprezível, ou que se possa de algum modo ignorar. O Brasil é um BRIC, portanto um país que emerge como grande potência de futuro e que emparceira com a Rússia, Índia e China, que rivaliza com a Europa, com o Japão e com os Estados Unidos. Independentemente de outros considerandos, quando olhamos para a América Latina se há um país que se destaca, em todos os sentidos e dimensões,  é precisamente o Brasil. Os BRIC's beneficiam, hoje, de um prestígio que os PIIGS não têm, nem poderão ter. O Brasil candidata-se a um lugar de membro permanente no Conselho de Segurança da ONU. 
E sem mais argumentos e comentários de fundo, o Brasil vai estragar tudo escolhendo o palhaço Tiririca para a Comissão parlamentar de Educação e Cultura? Está tudo de boa saúde mental ou sou eu que estou delirante? Que exemplo está a dar o Brasil ao mundo? O que é que se pretende com isto? Não estarão os nossos irmãos do outro lado do Atlântico fartos de palhaçada e de circo? Precisam disto...? Sério?
Por favor...mandem o Tiririca para casa e sejam responsáveis, pois é isso que o mundo espera do Brasil e dos brasileiros!   
Já basta terem a "presidenta-terrorista" que têm!

quarta-feira, janeiro 19, 2011

A Alemanha e a Eurozona

Podemos discordar de algumas ideias constantes do texto, mas, no âmbito da crise que estamos a viver, os elementos de análise e reflexão abaixo transcritos são muito relevantes.

www.stratfor.com.gif

January 19, 2011 | 2132 GMT

Analyst Marko Papic examines German Chancellor Angela Merkel’s statements about Germany’s commitment to the eurozone, which come despite public discontent with Berlin’s bailout policies.
Editor’s NoteTranscripts are generated using speech-recognition technology. Therefore, STRATFOR cannot guarantee their complete accuracy.
German Chancellor Angela Merkel has come out in support of the eurozone in a major interview on Wednesday; however, support for eurozone bailouts remains very low amongst the German populace.
Chancellor Angela Merkel stressed on Wednesday that Germany would not return to the Deutchmark under her watch. She also made it clear that Germans support for eurozone was complete and that Berlin would do whatever it takes to continue to support the Kurds union. Merkel also dismissed the notion of a split between fiscally prudent Northern economies and peripheral economies in the south in the Mediterranean. She also rejected the notion that the eurozone would have to be restructured anytime soon.
Supporting peripheral European economies to bailouts is however extremely unpopular with the German populace. Survey showed that about 50% of German population would prefer a return to the Deautchmark from Germans perspective, Germany had undergone austerity measures of its own before a crisis even started back in early 2000s. There is therefore resentment towards the idea that Germany would now be supporting peripheral eurozone countries with bailouts in order to encourage them to enact austerity measures the Germans did on their own. There is no doubt that the eurozone is beneficial for Germany. About 43% of all Germany’s exports go to it’s Eurozone partners. It’s extremely beneficial to be able to tie down its eurozone neighbors into the single currency union, thus making it impossible for them to devalue their domestic currencies and gain a competitive advantage against Germany. Furthermore the current economic crisis is enhancing Germany’s political power because it has afforded Germany the opportunity to force its economic and fiscal reforms on the rest of its eurozone member states.
The problem however is that Angela Merkel cannot explain these benefits fully to her own population. If she went into the specifics of how exactly it is the Berlin has benefited from the crisis and has enhanced its political control of Europe, the eurozone neighbors would obviously hear that.  And this would create a political problem in the relationship Berlin has with the other eurozone member states. But at the same time, if she was to go into specifics of how exactly Germany will continue to support the eurozone beyond the rather vague rhetoric of Berlin doing whatever it takes, then she would have a problem with her own domestic constituents who don’t want to really see Berlin continuing to support the eurozone, especially not monetarily through the bailouts.
Unfortunately for Merkel and the German government, they don’t have much time to decide how to best speak to these multiple audiences. There are four state elections in Germany between Feb. 20 and March 27 and then three more later in 2011. Merkel’s essentially going to have to start campaigning for the state election races and really keep competing throughout 2011, which will only diminish the ability of Berlin to speak to multiple audiences.

This report is republished duly authorized by   www.stratfor.com

domingo, dezembro 26, 2010


Quo vadis Europa (parte tantas de não sei quantas)? - brevíssimos comentários -




 O estudo da Stratfor  é omisso quanto ao impacto estrutural dos CDS (Credit default swaps), a nível europeu e global.

A geografia, ou seja os rios, as planícies, os climas, etc. justificam, de facto, diferenças entre as economias da união e, deste modo, os PIGS deveriam pagar 4/5% e não os 2% da Alemanha, mas se vão pagar 10%, isso  já nada tem a ver com questões estruturais de competitividade mas, sim, com puros movimentos especulativos.

Nesta conformidade, a análise serve para explicar 40% do problema, mas não o explica na íntegra. De facto,  os países meridionais têm que ter mais cabeça. A Alemanha protege legitimamente os seus interesses egoístas, como aliás todos o fazem (o problema é que quem lidera tem responsabilidades acrescidas), e à falta de melhor sistema (tudo isto deveria, obviamente, ser repensado e redesenhado) acabamos por seguir a Alemanha porque é a única que se encontra em condições de impor regras aos demais. Não nos encontramos perante a situação ideal, longe disso, talvez esta peque por ser intrinsecamente injusta, mas num exercício mental de prós e contras acabamos por aceitar o status quo porque a alternativa é pior.

Agora os restantes 60%  explicam-se porque a interligacao das economias e a desregulamentacao dos mercados permite que o círculo restrito, mas com peso, da alta finança de Nova Iorque  ganhe muito à custa de muitos. É claro que questionar o capitalismo - para os seus defensores, um sistema que se auto-regenera e que se auto-regula - constitui  uma heresia para a Stratfor, que faz parte do grupo. Assim sendo, o capitalismo gera o ponto mais eficiente e esse deve consistir  no ponto de partida. Em seguida, a sociedade deve escolher se quer sacrificar a eficiência (output) para ter mais equidade. Quando poucos ganham muito e muitos perdem pouco a decisão acaba sempre por favorecer os primeiros que são os únicos com incentivo para se mobilizarem/lobbiarem.  E os factos provam-no: crise após crise, no seguimento  das consequentes cimeiras e reuniões do G20, os poucos que ganham muito continuam alegremente a brincar aos CDS e equiparados. Ponham-se restrições aos derivados e demais produtos tóxicos e o problema não teria, seguramente, estas dimensões, talvez fosse 60% mais pequeno ...

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Irlanda 

A propósito do bail out da banca irlandesa, eis a frase do dia a reter:  “Digamo-lo claramente. Deixar que países que se enriqueceram graças ao comércio intra-europeu absorvam em seguida a base fiscal dos seus vizinhos, isto não tem rigorosamente nada a ver com os princípios da economia de mercado ou com o liberalismo. Isto só tem um nome e chama-se: roubo. E ir emprestar dinheiro às pessoas que nos roubaram, sem nada exigir em troca para que isso não se reproduza, a isto chama-se estupidez”. Thomas Piketty

terça-feira, novembro 30, 2010

Um cartão de Boas Festas da U.E. 
Mantemos essa estúpida mania de mandar cartões de Boas Festas a toda a gente. Este, porém, reflecte bem o espírito da época, não a natalícia, mas a que vivemos. Está-se tudo a cagar e há quem cague de muito alto. Não são PIGS ou PIIGS, são passarinhos e passarões. Pata que os pôs!

terça-feira, novembro 23, 2010


Quo vadis Portugal? (parte V de muitas e  tantas partes que já lhes perdi a conta)




De/acerca da grande crise de globalização do capitalismo 2/2 (Europa e Portugal)
            Para além de ter deixado de ser um centro decisório do poder financeiro e de ter posto fim (ou quase) ao “sonho europeu” (portanto, ao Estado social), a Europa deixou-se dominar pelo ideário dominante alemão em matéria económico-financeira que aliado ao neo-liberalismo introduziu um conjunto de elementos novos e perniciosos com os quais os europeus têm hoje de viver.
            A crise que enfrentamos desde 2007-2008 (com efeito, podemos situá-la antes do meltdown, em que este é apenas uma consequência do que estava já a ser cozinhado a lume brando) é, sem dúvida alguma, uma crise mundial derivada da globalização do capitalismo. Todavia, como já o referimos em post anterior, a crise traduziu-se para a Europa no fim do modelo social, que, a bem dizer, constituiu uma excepção invulgar, uma verdadeira raridade, em toda a História da Humanidade. Registe-se que o modelo foi engendrado num momento anterior, mas depois verdadeiramente criado e aperfeiçoado no decurso das trente glorieuses, ou seja, o Estado Social só foi possível, com base num crescimento consistente da economia a 5% ao ano, como ocorreu no decurso desse período. Esse crescimento, indispensável para a vida do projecto europeu, é posto em causa, essencialmente, pela globalização. A Europa não cresce, ou quando  cresce fá-lo de forma timorata, o resto do mundo (leia-se as grandes e médias economias emergentes) sim. Logo, a Europa tem de se adaptar porque os dados da equação são irreversíveis. Outros factores entrariam em linha de conta, como o demográfico, os fluxos migratórios, a própria cultura, etc.
            A globalização é sempre apresentada acrítica e acefalamente como um bem, muito embora ninguém saiba explicar porquê ou a explicação é claramente insuficiente. Raros põem em causa o fenómeno da globalização. E quem o faz é acusado de conservadorismo, de proteccionismo e de outros “ismos”, menos simpáticos. O que interessa é comércio e mais comércio, fronteiras abertas, sem entraves alfandegários ou de qualquer outra natureza. Isso é que é bom. O desenvolvimento assenta, no essencial, nisto. “Free trade” era - e é - a palavra de ordem, poucos falavam em “fair trade”. O Bangla Desh, por exemplo, precisava de se desenvolver, pouco importava que as criancinhas andassem a dar pontapés nas máquinas 18 horas por dia, que não se respeitassem os direitos humanos, as regras da OIT, as questões basilares de higiene e de saúde pública ou qualquer regra minimalista de protecção social. Free trade? Free trade, my eye! O sentimento geral – que ainda hoje predomina – e que era a chave do progresso da humanidade resumia-se numa só palavra utilizável em todos os contextos imaginávdeis:  desregulamentação. Quem advertia para os riscos de tudo isto era de imediato acusado de “profeta da desgraça” e de “reaccionário” (no sentido que deram ao termo).
            Entretanto, a Europa cria mais um mito que não  resolve nada, nem prova coisa alguma: o Euro. Trata-se de uma moeda baseada no marco alemão e que segue exactamente os mesmos critérios. Logo, a Europa tinha de submeter-se ao diktat germânico, até porque sem a Alemanha não haveria Euro (verdade de La Palice). Todos teriam de seguir os chamados critérios de convergência, através dos Pactos de Estabilidade e Crescimento. Tudo isto cozinhado em Berlim ou em Frankfurt, sem quaisquer temperos de fora, porque podiam ser gastronomicamente incorrectos. Seria o Euro necessário? Mais um mito. Era necessário, ninguém sabia explicar porquê, esgrimindo-se apenas o estafado argumento da unidade e coesão europeias, de utilização, no contexto em apreço, mais do que duvidosa. Misturavam-se alhos com bugalhos. Mas era assim e ninguém contestava. 
            Com a adopção do Euro, voluntariamente, vários países europeus abandonavam uma parcela importante da sua soberania para a entregarem de mão beijada à Alemanha.
            Esta sentiu-se, muito naturalmente, dona e senhora da situação, mas debatendo-se, porém, com dois problemas graves e interligados: (i) uma questão de constitucionalidade (o Tribunal Constitucional germânico levantou, como se sabe fundadas dúvidas quanto à ratificação do Tratado de Lisboa e a uma maior integração europeia, mais o TL traçaria, no fundo, a fronteira em matéria de união europeia, não se podendo avançar nem mais um milímetro) e (ii) uma opinião pública hostil, porque a Alemanha não está para pagar com os seus impostos o alegado regabofe dos outros.
Entretanto, por efeito da crise, por pura irresponsabilidade ou por ambos os factores, alguns governos deixaram derrapar as respectivas contas  públicas atingindo patamares insustentáveis. Resumindo telegraficamente: a Grécia por aldrabice na contabilidade e por endividamento excessivo; a Irlanda por disfunções graves e sistémicas da banca, aliadas a uma “bolha” imobiliária de grandes proporções; a Espanha, por desemprego galopante, crescimento anémico e também “bolha” imobiliária e Portugal por endividamento público incontrolado, crescimento mais do que anémico e todos os outros factores conhecidos que de uma maneira ou de outra acabam por pesar na balança.
Para os investidores e para as agências de “rating”, apesar das diferenças, todos os PIGS estão mal. É igual ao litro. Logo, muito democraticamente tratam-se todos, mais ou menos,  por igual, o que é uma simplificação abusiva e injusta, mas não se pode fugir a isto.
Depois a Alemanha quis assustar o pagode, dizendo que os investidores tinham de ser responsabilizados e tinham de pagar a crise. A ideia, por ora, não vingou, mas fará  o seu caminho, até porque Merkel falou para o eleitorado alemão e não para a plateia mundial.
A machadada final ao Euro não será dada por nenhum dos leitõezinhos, obrigados a sair da pocilga, mas pela própria Alemanha que presumivelmente vai decidir ela própria, a prazo, abandonar o barco. Em termos estratégicos, para Berlim fará mas sentido uma aliança mais a Leste do que esta para o Ocidente e para o Sul.
A ver vamos.
Para Portugal, teríamos ficado melhor fora do Euro? Talvez. Pelo menos podíamos manipular a moeda e ser mais competitivos. Mas na História os “ses” não têm lugar. As coisas são como são, não há volta a dar-lhe.
Muitos temas ficaram por tratar e mais ainda por esclarecer.     
Voltaremos ao assunto. 


quarta-feira, julho 14, 2010

PIGS, SWINE and other not so clean animals 

Mais uma vez o “FinancialTimes” (edição de anteontem) publica um artigo de fundo, que pretende ser objectivo, minimamente simpático, escrito até por um indivíduo da “espécie porcina” (neste caso, um espanhol), sobre os PIGS. Assim, sob o título
Spain’s World Cup shows that Pigs can fly” José Ignacio Torreblanca, na edição do FT de 12 de Julho (http://www.ft.com/cms/s/0/eda5d418-8de3-11df-9153-00144feab49a.html), fala da justa vitória da Espanha no campeonato do mundo, para se referir aos problemas políticos, económicos e sociais que o país vizinho atravessa e que não são poucos. Pena é que o grupo a que a Espanha pertence seja o dos “porcos”, uma designação estúpida, pejorativa, injuriosa e mesmo aviltante, mas ninguém chama aos anglo-saxões, germânicos, nórdicos e quejandos, “suínos”. A propósito se os habitantes de Marrocos são marroquinos, porque é que os suecos não hão-de chamar-se suínos? Estas designações depreciativas e imbecis tão ao gosto dos povos bárbaros do Norte, que não têm espelhos em casa, têm de acabar. Aliás, foram eles  que inventaram o “politicamente incorrecto”. Não é verdade?
Os porcos na pocilga (“Pigs in the muck” como há tempos escrevia o mesmo FT, expressão que obteve grande êxito entre os seus leitores setentrionais) é uma designação típica desses racistas que tudo o que não for branquinho (de preferência louro e de olhos azuis), protestante e de boa estirpe (germano-nórdica-anglo-saxona) não se deve sentar à mesa mas ir chafurdar para a lama.
Foi para isto que ingressámos na Europa que não nos quer?
Se quem está arrependido da porta que nos abriu
Bem pode ir depressa para a puta que o pariu