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domingo, julho 10, 2011


Programa de Governo – Política Externa


PVI.
A seguir se transcreve na íntegra o capítulo do programa de Governo relativo à política externa, que iremos comentar em futuros posts:

POLÍTICA EXTERNA, DESENVOLVIMENTO E DEFESA NACIONAL

Negócios Estrangeiros
Portugal tem uma diplomacia competente e segura, com provas dadas nos organismos internacionais, sendo a política externa assente em opções europeias, atlânticas e lusófonas que reúnem largo consenso e têm merecido acordo político consistente.

Sucede que, na situação em que Portugal se encontra, é preciso ir além dos consensos tradicionais; devemos ter a coragem de inovar, procurar consenso e adoptar uma nova prioridade estratégica nacional: uma fortíssima diplomacia económica, desafio inexorável e inadiável para a recuperação da nossa credibilidade externa, para a atracção de investimento e para a promoção das empresas, produtos e marcas portuguesas no exterior. A promoção da diplomacia económica deve estar no centro de uma profissão altamente qualificada no Estado e do Estado. Nos termos anteriormente previstos, os instrumentos existentes na rede do Ministério dos Negócios Estrangeiros serão envolvidos no novo modelo de promoção e atracção do investimento e da internacionalização da economia portuguesa.
A política externa deve orientar-se para a recuperação da reputação financeira, do prestígio internacional e para o fomento da actividade económica com o exterior, potenciando as nossas exportações, apoiando a internacionalização das nossas empresas e a captação de mais investimento directo estrangeiro.

Objectivos estratégicos
Esta visão do que deve ser o Ministério dos Negócios Estrangeiros não dispensa outras competências que tradicionalmente lhe estão atribuídas, e que neste cenário de dificuldades ganham uma nova importância:

- Uma política europeia competente e credível, que na situação nacional actual e num cenário de desafios comuns e de soberania partilhada, é o espaço de acção essencial;
- Redobrar a importância do relacionamento com os países de expressão portuguesa, tendo sempre presente a relevância da língua que nos une, que no quadro da CPLP se revela estratégica e economicamente relevante;
- Afirmar a nossa lealdade à aliança atlântica, no compromisso pela segurança e estabilidade internacional, assim como a defesa perante as novas ameaças;
- Ter em especial atenção o exercício do mandato no Conselho de Segurança das Nações Unidas, reforçando a imagem do País como um Estado empenhado na paz e na resolução dos conflitos internacionais;
- Acompanhar de forma empenhada as mudanças no Magrebe, o processo de paz do Médio Oriente e o esforço de diálogo e cooperação na região do mediterrâneo;
- Revalorizar as comunidades de portugueses, residentes no estrangeiro, tanto as tradicionais como as mais recentes, que representam um valor estratégico da maior importância para Portugal, nas componentes financeira, económica, cultural, social e política.

Medidas

Reforçar a Diplomacia Económica
Nesse sentido, um dos principais eixos de acção da política externa portuguesa deve ser a criação de condições favoráveis para o crescimento e desenvolvimento económico do País, ligando o mais estreitamente possível a política externa com a política interna, especialmente no que diz respeito aos objectivos de internacionalização da economia, promoção das exportações e da “Marca Portugal” e captação de investimento estrangeiro.
Nesse sentido, queremos:
- Reafectar recursos para os países com maior potencial de incremento das exportações e atracção de investimento directo estrangeiro;
- Contribuir para reforçar a internacionalização e a competitividade das empresas, assegurando uma acção coordenada com as estruturas empresariais privadas nos mercados externos; desburocratizar a vida das empresas que actuam no exterior e dos investidores estrangeiros em Portugal;
-Intervir no sentido de eliminar os casos de dupla tributação que ainda se verificam.
- Estimular as grandes empresas portuguesas no sentido de envolverem PME portuguesas -na sua internacionalização;
-Apoiar a formação de consórcios de empresas e de redes integradas de cadeia de valor;
- Relançar a “Marca Portugal” enquanto símbolo de qualidade, das empresas, marcas e produtos portugueses no estrangeiro;
- Fomentar e reforçar as parcerias entre empresários portugueses residentes e não residentes, nomeadamente na reforma do programa Netinvest; e também o
investimento dos não residentes no país;
- Promover a acção de câmaras de comércio portuguesas e outras estruturas empresariais nos países de residência e a sua articulação nacional.

Evoluir nas Relações Bilaterais e Multilaterais
Para reforçar a afirmação de Portugal no contexto europeu e no relacionamento da Europa com os seus espaços de cooperação natural, o Governo irá:
- Defender e restabelecer a credibilidade e a reputação de Portugal no quadro europeu;
- Assegurar a participação de Portugal na linha da frente da construção europeia e procurar que os princípios da coesão e da solidariedade entre Estados-membros sejam espelhados nas políticas comunitárias;
- Contribuir para a implementação da Estratégia Europa 2020 e o aprofundamento da integração nas áreas do mercado interno, com destaque para o mercado da energia;
- Promover um maior envolvimento de Portugal no combate ao crime transnacional;
- Assumir o nosso país como pivô de alianças privilegiadas com países e comunidades regionais com forte presença da língua portuguesa;
- Ter um papel mais interventivo na Política Marítima Europeia.
- Apoiar as políticas europeias de boa vizinhança e gestão dos fluxos migratórios.
- Desenvolver uma política de recrutamento diplomático e apoio activo a candidaturas a postos internacionais relevantes para o interesse nacional e o prestígio de Portugal no Mundo.
A Comunidade de Países de Língua Portuguesa funda-se no património comum, particularmente na afinidade linguística e cultural. Portugal deve investir na consolidação e aprofundamento da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, aprofundando as relações comerciais, de serviços e de investimentos tendentes à construção de um grande espaço económico.
Como língua global, o português tem potencialidades em cada um dos outros membros da CPLP, na respectiva região e nas organizações internacionais. Neste âmbito, o Governo irá executar as seguintes medidas:
- Dar prioridade às relações bilaterais e multilaterais no espaço lusófono, bem como nos países na sua vizinhança;
- Melhorar a coordenação e eficácia da ajuda externa ao desenvolvimento,
reformando e projectando o IPAD;
- Promover uma política de cooperação estruturante nos países língua oficial portuguesa, que deve incluir o desenvolvimento empresarial e um maior
envolvimento das Organizações Não Governamentais.

Valorizar as Comunidades Portuguesas
É necessário dar um novo impulso à ligação efectiva entre Portugal e os cidadãos residentes no estrangeiro, apostando simultaneamente no valor estratégico das comunidades portuguesas no estrangeiro. Neste âmbito, o Governo irá:
- Eleger o ensino do português como âncora da política da diáspora;
- Desburocratizar os procedimentos administrativos e simplificar os actos consulares e melhorar a ligação directa, rápida e fácil aos serviços centrais do Estado;
- Promover a constituição de uma rede de políticos de origem portuguesa no estrangeiro;
- Reconhecer o papel do Conselho das Comunidades Portuguesas enquanto órgão consultivo do Governo para as políticas de emigração e comunidades portuguesas.

quinta-feira, junho 30, 2011

Hugo Chávez estava em Portugal, em Outubro de 2010,  para dar "as duas mãos" a José Sócrates. What did really happen?


Em relação ao post imediatamente anterior, em Outubro de 2010, Hugo Chávez, desembarcava no Porto, para uma visita a Portugal, a convite de J. Sócrates, num périplo que incluía alguns países bizarros como o Irão, a Bielo-rússia Rússia, Ucrânia e a Síria, num pacote tutti-frutti que dava um pouco para todos os gostos.
Hugo Chávez, não revelando quem lhe encomendou o sermão e tratando com algum paternalismo o país anfitrião, explicava, no Porto, estar em Portugal para ajudar o primeiro-ministro "num momento difícil,” ou seja, vinha dar "as duas mãos" a José Sócrates.
O relacionamento bilateral Portugal-Venezuela ia de vento em popa. Creio que foram 6 as visitas bilaterais ao longo do mandato socrático, colocando em termos de contactos bilaterais, a Venezuela em paridade coma Espanha e suplantando o Brasil. Os acordos e protocolos bilaterais foram assinados às dezenas, sem falar nas múltiplas declarações de intenções. Portugal e a Venezuela eram grandes amigos e estabeleciam “sólidas” parcerias de mútuo e inegável (?) interesse.
Na Invicta, logo à chegada, o chefe de Estado venezuelano adiantou que ia procurar reforçar a cooperação com Portugal, garantindo que "a Venezuela vai enviar mais petróleo" e reafirmou o seu propósito de criar uma Marinha. "Até agora, não tínhamos nem um barco de papel", referiu.
Sócrates sublinhou, então, à  chegada aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, a importância dos contratos que seriam assinados, na ocasião, entre Portugal e a Venezuela.
"São da maior importância para o país e para os estaleiros navais de Viana do Castelo", disse José Sócrates, considerando este um "grande dia para a cooperação entre Portugal e a Venezuela", referindo-se aos acordos nas áreas da construção naval e ao fornecimento de 1,5 milhões de computadores "Magalhães" que seriam subscritos no decurso da visita.
Os números hiperbólicos, como sempre, do comércio externo (Sócrates y sus muchachos encarregavam-se de os empolar) faziam sonhar toda a gente – só que bem exprimidinhos não davam para nada, mas enfim...

Chávez, mostrou-se "muito interessado" na compra aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo do navio “Atlântida”, que tinha sido encomendado pelo governo regional dos Açores e posteriormente rejeitado, porque não andava à velocidade que César queria (a César sempre o que é de César).
"Disseram-me que é um barco bom, bonito e barato. Estamos muito interessados", disse Chávez.

O chefe de Estado da Venezuela admitiu, ainda, que poderia também comprar o navio “Anticiclone”, que tinha igualmente sido encomendado pelo Governo regional dos Açores.
Já em 2008, quando da visita de Sócrates a Caracas tinha sido também assinada uma resma de acordos bilaterais – creio que 9 - , com as referencias extrovertidas e apalhaçadas de Chávez no seu programa dominical “Alô Presidente”, dizendo mais ou menos isto: “Somos um mercado, compramos porque somos consumidores e oferecemos-lhe petróleo”. Tudo muito simples e lógico.
O presidente venezuelano sublinhou que os acordos assinados em 24 e 25 de Outubro de 2010 com Portugal,  eram legítimos, transparentes e beneficiavam todos.
«Ninguém pode dizer, repito, que estamos a oferecer nada, nem uma gota de petróleo. São acordos legítimos, transparentes e claros que beneficiam todos, mas há que explicar ao povo», disse Chávez.
«...Com Portugal, estamos a enviar petróleo, derivados de petróleo e faz-se um fundo com uma percentagem da factura petrolífera. Eles (Lisboa) pagam uma percentagem, a outra percentagem que é 20 por cento passa para o fundo através do qual vamos financiar muitas coisas», afirmou.
Como exemplo do financiamento através do fundo, Hugo Chávez, citou a compra de um grande ferry a Portugal. O chefe de Estado venezuelano explicou que a rota prevista para o novo ferry é do porto de La Guaira até às ilhas de Orchila, Los Roques e Margarita.
«Eu quero meter todos esses meninos pobres de La Guaira, as famílias mais pobres, no tremendo ferry, a classe média também. São 800 pessoas. Aí está um modelo do ferry que já pronto está a partir de Portugal, (será) uma linha de ferry, turismo popular, turismo venezuelano», frisou.
Feitas as contas. O primeiro-ministro, José Sócrates, e o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, assinaram em Viana do Castelo acordos nas áreas da construção naval e para o fornecimento de 1,5 milhões de computadores Magalhães. Portugal recuperaria também um anterior compromisso para que o Grupo Lena construísse na Venezuela 2500 vivendas pré-fabricadas, um negócio calculado em 682 milhões de euros, e, ainda, um acordo na área das energias renováveis.
Só na área da construção naval, a Venezuela assinou um conjunto de acordos com os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), sendo um dos mais emblemáticos o da adaptação do ferry “Atlântida” para o transporte de passageiros e viaturas - uma encomenda avaliada em 35 milhões de euros.
Ainda na área da construção naval, os ENVC vão receber da Venezuela a encomenda para a construção de dois navios de transporte de asfalto, no valor de 130 milhões de euros.
"Serão encomendas importantes para assegurar o futuro dos Estaleiros de Viana do Castelo", disse à agência Lusa uma fonte diplomática

Qual foi o resultado de tudo isto?
Os estaleiros navais de Viana do Castelo estão em risco de fechar as portas e cerca de 380 trabalhadores vão ser dispensados (leia-se, despedidos). Ninguém atende os telefones em Caracas. O contrato para o “Atlântida” nem sequer foi assinado e o navio continua à espera, na doca, a ganhar ferrugem.
E os computadores Magalhães da firma J.P. Sá Couto?
E as 2.500 vivendas pré-fabricadas?
E as energias alternativas?
E, por fim, os navios  de transporte de asfalto?
Isto da diplomacia económica tem muito que se lhe diga. Fazer negócios com gente pouco séria ou mafiosa dá nisto. É por estas e por outras que fazer negócios com Chávez ou com Khadafi não são propriamente recomendáveis, excepto para personagens bizarras como D. Martín de la Cruz (que por sua vontade ia à todas) e José Sócrates (que apesar das habituais aldrabices foi engrolado à grande e à francesa pelo ditador venzuelano). Será que, agora, nos deixam também fazer negociatas com o cartel de Medellín ou com o de Tijuana? É que é capaz de dar dinheiro?

terça-feira, junho 21, 2011


Crise sistémica global – Outono de 2011 – O aguardado estoiro dos EUA (2/2)



O mecanismo do detonador das dívidas públicas europeias
Os operadores financeiros anglo-saxões decidiram desempenhar o papel, não só de sábios conselheiros, mas, principalmente,  de aprendizes de feiticeiros  isto há cerca de ano e meio, a julgar, por exemplo, pelos primeiros títulos do Financial Times em Dezembro de 2009 sobre a crise grega convertida rapidamente numa suposta « crise do Euro». Não vale a pena perdermos muito tempo com os diferentes episódios desta telenovela imaginada (um exemplo típico e bem concertado de manipulação da informação), que pelos vistos continua, orquestrada que está pela City de Londres e por Wall Street. Entretanto, e apesar de tudo, o Euro continua a valorizar-se em relação ao dólar, mantendo-se a uma mais que saudável paridade (1 Euro=1,435 USD). As agências de rating anglo-saxónicas alertam para o descarrilar da dívida soberana europeia, mas, contraditória  e cinicamente, recomendam que os EUA criem um ainda maior buraco financeiro aumentando de 14 para 17 biliões de USD o “tecto” do endividamento externo de Washington. Todos os que apostaram no colapso da zona Euro devem seguramente ter perdido já muito, mas muito dinheiro.
Como já se tinha oportunamente antecipado, a crise irá favorecer o aparecimento de um novo soberano – a Eurolândia -, que irá permitir à Eurozona estar melhor preparada, que os EUA, Reino Unido e Japão - para o inevitável choque do próximo Outono, ainda que lhe caiba o ingrato papel de detonador, o que não será propriamente  do seu agrado. O « bombardeamento » (dos media e dos peritos anglo-saxões, porque têm de se chamar os bois pelos nomes) à Eurozona foi interrompido durante algumas semanas porque resultou em 3 importantes consequências, duas delas bem longe dos resultados aguardados por Wall Street e pela City, a saber:

1. Num primeiro momento, (Dezembro de 2009 a Maio de 2010), fez  desaparecer o sentimento de invulnerabilidade da divisa europeia tal como se tinha constituído em 2007/2008, suscitando a dúvida sobre a respectiva sustentabilidade e sobretudo relativizando a ideia de que o Euro era a alternativa natural ao USD (ou seja, inclusive o seu sucessor natural).

2. Logo, num segundo tempo (Junho de 2010 a Março de 2011), obrigou os dirigentes da Eurolândia a implementar « muito rapidamente » todas as medidas de salvaguarda, de protecção e de fortalecimento da moeda única (medidas que deveriam ter tomado há já muitos anos). Ao fazê-lo, revitalizarão a integração europeia, repondo o projecto europeu ao núcleo fundador e  marginalizando o Reino Unido. Entretanto, estimulou-se o apoio cada vez mais sustentado da moeda europeia por parte dos BRICS, principalmente da China, que após um momento de flutuação se consciencializou de duas coisas fundamentais: por um lado, que os europeus actuavam seriamente para confrontar os problemas; e por outro, tendo em conta o encarniçamento anglo-saxónico, que o Euro era sem sombra de dúvidas  um instrumento essencial para qualquer tentativa de saída do «mundo do dólar».

3. Por último, actualmente (Abril de 2011 a Setembro de 2011), a Eurozona propõe-se orientar (ou se se quiser, “forçar”) os sacrossantos investidores privados para que contribuam na resolução do problema grego, quer por haircuts, quer muito particularmente pela via das dilações «voluntárias » dos prazos de reembolso (ou qualquer outra fórmula de redução dos benefícios esperados – é melhor perder alguma coisa, a perder tudo).

Como se pode imaginar, se o primeiro impacto era um dos objectivos prosseguidos por Wall Street e pela  City (além  de, muito naturalmente, desviar a atenção dos grandes problemas reais do Reino Unido  e dos Estados Unidos), os dois restantes traduzem-se em  efeitos totalmente contrários ao objectivo inicial: debilitar o Euro e reduzir o seu atractivo mundial.

Além disso, prepara-se a quarta  sequência que terá, em princípio, lugar em 2012, ou seja: o lançamento de um mecanismo de Eurobonds, para distribuir quer uma parte das  emissões de dívidas dos países da Eurolândia, como a inevitável pressão política que é cada vez maior, na medida em que aumenta a participação  contributiva privada neste vasto processo de reestruturação da dívida dos países periféricos da Eurozona .

Com esta quarta sequência, entramos no coração do processo de contágio que facilitará a explosão da bomba da dívida federal dos Estados Unidos. Por um lado, criando um contexto mundial mediático e financeiro ultra-sensível no que toca aos problemas de dívida pública; Wall Street e a City tornaram visível a amplitude insustentável dos défices públicos norte-americano, britânico e japonês. O  que até obrigou as agências de rating, os fiéis cães de guarda de ambas as praças financeiras, que se lançassem numa corrida louca de degradações das classificações dos Estados. É por esta razão que os EUA se encontram, sob ameaça, aliás perfeitamente previsível de desqualificação, o que se afigurava altamente improvável à maioria dos peritos há apenas alguns meses. E paralelamente o Reino Unido, a França, Japão, … também voltam a estar na mira das agências.

Recordemos que as agencias de notação, apesar de toda a fama de que gozam, jamais previram algo que fosse realmente importante (nem a crise do subprime, nem a crise mundial, nem a crise grega, nem a Primavera árabe...). A futurologia não é pois o seu forte. Se degradam a seu bel prazer é porque são forçadas a fazê-lo pelo seu próprio jogo. Por outras palavras, não é possível degradar mais A, sem tocar na classificação de B, se B não está em melhor situação. As “suposições” de que tal ou tal Estado deixe de pagar a sua dívida não resistiram a 3 anos de crise: e foi aqui mesmo que Wall Street e a City caíram na armadilha  que recai sobre todos os aprendizes de feiticeiros. Com efeito, não perceberam minimamente que lhes seria impossível controlar a histeria, mantendo-a circunscrita à dívida grega (registe-se que a esta é, no fundo, uma brincadeira de crianças ao pé da dívida dos EUA – com efeito são 300 mil milhões contra 15 biliões, ou seja uma relação de 1 para 50!). É assim que hoje o Congresso norte-americano, com o violento debate sobre o tecto da dívida e os grandes cortes orçamentais , que se desenvolvem as consequências dos artigos manipuladores destes últimos meses sobre a Grécia, Portugal, a Irlanda  e a Eurozona. Uma vez mais,  só se pode insistir num ponto e num ponto apenas: se a História tem algum sentido é inegavelmente o sentido da ironia.





Crise sistémica global – Outono de 2011 – O aguardado estoiro dos EUA (1/2)


Vários peritos mundiais anteciparam já a explosão das dívidas públicas ocidentais no segundo semestre de 2011, previsão de que oportunamente demos conta, nestas mesmas páginas (ver o que oportunamente referimos  aqui  http://pipiroom.blogspot.com/2011/06/previsivel-crise-global-no-outono-de_05.html e também aqui http://pipiroom.blogspot.com/2011/06/previsivel-crise-global-no-outono-de.html e em posts anteriores)

O processo deverá desenrolar-se sensivelmente com base na crise das dívidas soberanas europeias para em seguida passar ao epicentro do sistema financeiro mundial, ou seja  à dívida federal dos EUA, sem esquecer as dívidas estaduais, regionais e locais pendentes daquele país. Ao entrarmos no segundo semestre, depararemos com a economia mundial num caos total, um sistema monetário global cada vez mais instável, com as praças financeiras em situação desesperada, sem prejuízo dos biliões e biliões de dinheiro público investido precisamente para obviar a esta situação.
A recessão reinicia-se realmente com os EUA, a Europa, a China e a Índia irão na mesma esteira, todavia a um ritmo mais lento. A retoma, como parece estar mais do que provado, é totalmente ilusória e as empresas vão acumular capital para fazer face a dificuldades de tesouraria futuras para que não se repita o pesadelo de 2008, com os bancos falidos ou em vias de o serem.
A insolvência do sistema financeiro mundial, e antes de tudo do sistema financeiro ocidental, sobe à ribalta após um ano de politicas meramente cosméticas que pretendiam escamotear o problema de fundo inundando o mercado com liquidez artificial.

Em 2009, calculava-se que o planeta dispunha de 30 biliões de dólares (leia-se bem esta cifra à nossa maneira, sem quaisquer americanices de permeio) em activos-fantasmas. Cerca de metade evaporou-se em seis meses, ou seja entre Setembro de 2008 e Março de 2009. Resta, pois, a outra metade (15 biliões de activos-fantasma) e que irá presumivelmente desaparecer entre Julho de 2011 e Janeiro de 2012, deixando a conta a zero. E desta feita é a dívida pública que está sobre a mesa, porque contrariamente ao meltdown de 2008/2009 os principais actores foram os privados. Nesta ordem de ideias e a fim de melhor nos consciencializarmos do choque que se avizinha, atente-se que os bancos americanos começaram já a diminuir a utilização das obrigações do tesouro (T-bonds) para garantir as respectivas transacções, temendo os riscos crescentes de exposição à dívida pública dos EUA. A este respeito, registe-se que o Financial Times de hoje dá-nos conta que  a China, nos primeiros 4 meses do ano, começou a diversificar os seus investimentos afastando-se dos activos em dólares e presumivelmente comprando títulos da dívida soberna europeia (Grécia, Portugal, Espanha, Itália, entre outros), de acordo com estimativas do fStandard Chartered Bank. Assim e Segundo o mesmo jornal, “China’s foreign exchange reserves expanded by around $200bn in the first four months of the year, with three-quarters of the new inflow invested abroad in non-US dollar assets, the bank estimated.” Assiste-se, por conseguinte, a uma alteração importante em que se passa dos investimentos em dólares, designadamente em T-bonds  para os investimentos em títulos de dívida da Euro  zona.
Prevalece também uma certa atmosfera de “fim de festa” com o termo da QE2 (quantitative easing) e com a reentrada acelerada da economia em recessão.
O impacto do Outono de 2011, gerará aos agentes financeiros a nítida sensação de que o chão lhes foge debaixo dos pés, uma vez que os T-bonds, sustentáculos do sistema financeiro dos EUA e mundial, se afundarão abruptamente.
O problema não é de falta de confiança nas economias dos países ditos periféricos mas de falta de confiança no próprio coração do sistema.

Os dois aspectos mais perigosos da grande alteração prevista para o Outono de 2011, são os seguintes:
. o mecanismo detonador das dívidas públicas europeias
. o processo de  explosão da bomba das dívidas públicas dos EUA

Paralelamente, neste contexto de aceleração do reequilíbrio das relações de força à escala planetária, pode-se avançar com a previsão de um processo geopolítico fundamental relacionado com a realização de uma cimeira Euro-BRICS antes de finais de 2014.

Finalmente, temos de centrar as nossas recomendações no modo como evitar ser contaminados por estes 15 biliões de activos-fantasmas que serão derretidos nos  próximos meses, com uma menção especial no que toca à evolução do tandem bens imobiliários/taxas de juro na Europa.

segunda-feira, maio 30, 2011

Teste para as eleições



Para a solução do problema que toda a gente tem em mente, ou seja  "em quem vamos votar?",  proponho-vos um pequeno teste:

Responda sinceramente

1. Está de acordo ou aceita como inevitável o MOU troika-Portugal ou recusa o dito acordo liminarmente?

2. Se recusa, vota BE ou CDU, pode mesmo ser em estilo moeda ao ar. Vamos lá por partes: mais "prá frentex", bloco; mais conservador, estilo classe operária da Baixa da Banheira, então vota PC e fellow travellers.
No fundo, votar Bloco ou CDU é relativamente inconsequente, porque nem um nem outro têm qualquer hipótese de chegar ao Poder. Todavia, se se pretende dar alguma expressão a vozes de discordância no Parlamento, com repercussão (limitada) nos media é um caminho a escolher..
 A meu ver, se quer dar um murro na mesa e mandar tudo às urtigas, na lógica do quanto pior melhor, as opções são estas e neste caso será até  preferível votar no Bloco de Esquerda. Não se perde nada com o quiosque e marca-se uma posição clara.

 3. Se, de algum modo aceita o MOU da troika - independentemente das razões que o levam a isso: então tem 3 opções: ou o Sócrates y sus muchachos ou o Pedrinho de Massamá ou o Paulinho das feiras. As diferenças ideológicas entre eles são praticamente nulas. Existem diferenças de estilos e de personalidades. That's all folks! What did you expect? 

4. Se opta pelo Sócrates e xuxas, está a premiar o verdadeiro fautor da crise – embora, não seja o único -  e, além disso, a incompetência, a corrupção, a aldrabice e blá-blá-blá-blá e ainda blá, ou seja está a beneficiar o infractor, que nunca se sentará, como devia, no banco dos réus. Creio bem que seria a última das hipóteses, neste segundo leque de alternativas. De qualquer forma, existe, mesmo assim, uma ténue hipótese de ganhar e, nesse caso, teria de governar em coligação. Todavia, se isso vier a acontecer - cruzes, canhoto! -, Sócrates seria forçado a passar a bola para outro comparsa dentro do partido, porque PSD e CDS decididamente não alinham com ele. Logo, as coisas começariam mal, muito mal, mesmo, e o país correria o risco sério de se tornar ingovernável. Votar Sócrates é o pior de todos os cenários concebíveis!.

5. Se escolhe o Pedrinho de Massamá, está a dar um tiro no desconhecido, senão um tiro no pé, o que, em ambos os casos de figura,  pode ser perigoso. O homem não tem grandes ideias quanto à governação do país, jamais se refere ao MOU da troika – ou seja, ao verdadeiro programa de governo (Tem medo, respeita algum tabu ou não o quer aplicar? Decida-se lá uma vez por todas. Vamos!), não é credível, não inspira confiança, não tem experiência, nem estofo, nem, quiçá, equipa para lidar com os problemas da magnitude que se põem a Portugal nos próximos tempos. Acresce que tem todo o baronato novo e velho contra. Até pode ganhar o pleito, mas só poderá governar em coligação, a pé-coxinho e sem alma.

6. Resta o Paulinho. Não abono muito em favor do candidato, sobretudo pelo seu perfil moral e pela sua trajectória política. Não me esqueço quando era director do falecido “Independente” e deitava abaixo o Cavaco, sem qualquer sentido, semana sim, semana sim, para permitir a entrada triunfal do Guterres. Pois, então! Não está acima de qualquer suspeita. Não, senhor, não está! Tem, porém, experiência governativa e algumas figuras de certa valia no seu grupo. Possui também algumas ideias (sobretudo na área social, agrícola, de segurança, etc.), o que, obviamente, não chega para conquistar S. Bento e as respectivas subidas nas sondagens demonstram de modo inequívoco  que as suas perspectivas eleitorais são por ora mais do que  insuficientes para o alcandorar a esse grande voo.  Ah, mas pode, porém, ser o "pivot" da situação pós-eleitoral e terá que dispor de algum peso para o efeito. Vai ser o factor decisivo e muito provavelmente irá para o Poder, ou, antes, irá partilhá-lo com alguém, numa segunda posição com algum músculo e voz grossa.  Por conseguinte, trata-se de uma hipótese a ponderar, com muitas, mas, mesmo, muitas  reservas, bem entendido.     

7. Votar em branco, nulo ou nos partidos de cácaracá é um voto totalmente inútil e para tal não é preciso ir às urnas. Não tem qualquer influência no resultado final, a não ser que alimente convicções estilo José Saramago, seja amigo dos animais, da extrema-direita skin  ou dos madeirenses frustrados e queira actuar em solidariedade  com estas nobres ideias. O país, porem, não vai nessas cantigas e a opção por essa bambochata não serve rigorosamente para coisa alguma, a não ser para folclore.



8. Resumindo e concluindo, na lógica do vai ou racha:
- Se vai, então voto útil no Portas.
- Se racha (que não é para já, entenda-se), voto útil no BE.

9. É claro que, como já o disse, inúmeras vezes,  não me sinto identificado com o sistema - que não é credível, nem representativo - e entendo, com todas as minhas forças,  que o regime tem de mudar, mas, por ora, não estão reunidas as condições para tal. Logo há que dar tempo ao tempo e aguardar que  o próximo governo atire a Tugalândia para a inevitável e inescapável insolvência (com ou sem MOU) ou para o fundo do caixote de lixo da História e depois construiremos alguma coisa. Do caos há-de um dia nascer a luz. É de novo o Big bang!

sexta-feira, maio 27, 2011


Em quem votar?  2/2



Como muito boa gente ainda se orienta por essas noções algo primárias de esquerda e direita – e sem embargo da minha falta de fé nesses dogmas -, penso que me situo num estreitíssimo quadrante de “centro” (para facilitar a vossa leitura e reflexão), considerando-me mesmo um “radical de centro”, que me seja relevado o paradoxo. Por outras palavras, não me reconheço nem na esquerda, nem na direita tradicionais, que para mim não fazem qualquer sentido. Sou totalmente agnóstico em relação à partidocracia dominante, exclusiva, abrangente, sufocante e oligárquica.

·      Acredito, isso sim, que a cidadania tem de estar plenamente representada no sistema político e não está.
·      Acredito e defendo, contra ventos e marés, o Estado Social, muito embora tenha de ser adaptado ao nosso tempo e às condições objectivas da nossa sociedade.
·      Acredito, com todas as minhas forças,  na imprescindível moralização da nossa vida pública e que os prevaricadores têm de ser punidos.
·      Acredito, pois, que tem  de haver um grau mínimo de honestidade na política, ou seja que certas verdades têm de ser ditas doa a quem doer. É no fundo o discurso Churchilliano do “sangue, suor e lágrimas” – não ganha  votos, mas é imprescindível num momento de crise grave. Nesta encruzilhada, o povo chegou a um ponto tal, em que está farto de mentiras e aceita as verdades, por mais duras que elas sejam. Mentir é pior. Revela-se totalmente contraproducente. Resta convencer Sócrates, os seus amiguitos e fellow travellers  desta evidência.
·      Acredito que o sistema tem ser reformulado de alto a baixo, garantindo uma maior voz à cidadania, às organizações não governamentais, aos núcleos de base, ao homem da rua (isto não é demagogia, é a democracia real e é possível!). Não podemos estar sujeitos à partidocracia dominante e que tantos prejuízos nos tem trazido. É difícil, mas é possível. Esta classe política tem de ser erradicada de vez. À direita, ao centro e à esquerda, é uma gente gasta, irreciclável e sem possibilidade de recuperação.
·      Finalmente, acredito que atingimos uma encruzilhada a que o Poder político (leia-se, toda a classe política conhecida, sem excepções), que dispõe de pouca (ou nenhuma) credibilidade, é incapaz de responder. A questão principal é o próprio regime. É este que está em causa e sem qualquer possibilidade de redenção. Podemos afirmar, sem grandes hesitações, que o ciclo se esgotou. Nesta conformidade, temos de construir nós próprios o nosso futuro, o dos nosso filhos e dos nossos netos.  

Será isto que realmente queremos? Quanto mais tempo teremos de suportar esta canga?

quinta-feira, abril 28, 2011

Finlândia - Populismo 



O êxito eleitoral dos "Verdadeiros finlandeses", o único partido que progrediu nas eleições legislativas finlandesas de 17 do corrente, marca uma nova etapa no avanço dos partidos populistas na Europa.  Trata-se de uma maré  que atinge todos os países da União Europeia, com excepção, por ora, da Alemanha, da Espanha e de Portugal. Esta subida imparável dos extremos suscita, ao mesmo tempo, questões aos Estados-membros e à própria construção europeia. A crise económica será a própria razão de ser desta espiral que muitos não hesitam em qualificar de nacional-populista? Ou então a imigração será a causa do problema, uma vez que a Europa se tornou, apesar de tudo,  o primeiro continente de acolhimento? 

sábado, abril 23, 2011

Portugal delirante 



Enviaram-me esta da Tugalândia, de autoria desconhecida ao que parece colectiva. Não resisto em publicá-la, com a devida vénia, obviamente:


Se soubesse o que sei hoje, não teria feito o 25 de Abril. Teria feito antes um bolo de laranja.
 - Otelo Saraiva de Carvalho.

É preciso nascer duas vezes para gostar mais do facebook do que eu.
 - Aníbal Cavaco Silva.

Não, categoricamente não.
 - Fernando Nobre, surripiando duas gelatinas de morango numa cantina do Burundi, quando perguntado se desejaria sobremesa.

Está tudo tudo bem, só tenho aqui uma dorzinha no ombro.
 - José Sócrates.


Fico melhor assim ou assim?
- Passos Coelho, treinando a pose de estado.

Assim.
 - Miguel Relvas.

Assim.
 - Marco António.


Portugal, o medo de existir fora da liga europa.
 - Título do próximo livro de José Gil, com prefácio redondo de Rui Santos (um dos 25 pensadores mais importantes da actualidade, segundo a revista «France Football») e caixa arquivadora.

Ainda há iscas de bacalhau com arroz de feijão?
- Pessoa do FMI, à hora de almoço.

Não confio nas agências de Ray Ting. Marco sempre viagens pela net.
- Eurodeputado, em geral desiludido.

Quando apago a luz, sinto uma imensa paz. Como se nada se tivesse passado. Comigo resulta.
 - Adepto do Sport Lisboa e Benfica.

Para mim, não há coisa melhor do que submarinos. Em águas profundas, é como se estivesse na feira de Espinho, num videoclip da Dina ou na Irlanda dos anos 90.
- Paulo Portas.

Se exceptuarmos uma dorzinha no ombro do sr. primeiro-ministro, penso que está tudo bem.
 - Pedro da Silva Pereira.

Em princípio, vou votar no Bloco A.
 - Vera Roquete.

Esta semana, nas palavras cruzadas do Finantial Times (sobretudo nas verticais), percebe-se com clareza que Portugal, os Bancos, e toda essa gente, como eu tenho vindo a dizer.
 - Clara Ferreira Alves.


Amorzinho?
- Yannick Djaló.

Sim, amor.

 - Luciana Abreu.

sexta-feira, abril 08, 2011


Portugal - Crisis, what crisis?
Interessa saber o que os outros pensam e dizem de nós, sobretudo neste momento crítico da vida lusitana. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, no mundo em que vivemos, de facto ninguém nos trata com particular simpatia. Do "Pravda" de Moscovo, edição de  26.03.2011, apesar de não concordarmos com tudo, com a devida vénia, transcrevemos o artigo de opinião em questão: 


"After Prime Minister José Sócrates presented his resignation to President Anibal Silva on Wednesday, the Portuguese mass media indicates a new legislative election at the end of May. However, this is not the only option open to the President. After decades of mismanagement, reality slams Portugal square in the face. What happens now?
If you build a house of cardboard on the sand and without solid foundations, then throw away the few stones anchoring the structure to the ground, it is natural that it will collapse with the first gust of wind, the first drops of rain, the slightest pressure from within. Quite how Portugal's cardboard house survived the 37 years since the 1974 Revolution is maybe a comment on the resilience of this people who seem to perform miracles getting things done with last-minute panic measures. In Portuguese it is called "desenrascar" (get out of trouble, somehow). This time, however, not even Houdini would escape.
Today, reality strikes Portugal and the Portuguese square in the face. Quite whose fault it is, is patently obvious: for a start, those political forces in positions of control since 1974 (namely the PSD - Social Democrats and PS - Socialist Party, both centre-right these days, sometimes in coalition with CDS-PP - Christian Democrats - Conservatives) and principally, the team of then Prime Minister and now President, Aníbal Silva, through whose hands billions and billions poured and who demonstrated neither the capacity nor the vision to invest that money adequately to make sure Portugal rose to the challenge.
Whether or not it was entirely his fault is another question. Was Portugal really prepared to enter the European Community back in 1986? Was Portugal really prepared to enter the Eurozone in 1999? Was Portugal ready to face the challenges imposed by the Convergence Criteria in the ensuing years? Does the EU actually work?
Over the years, successive Portuguese Governments received rivers of money which, it is now patently obvious, was abominably badly managed. EU membership saw the cities receive a facelift and in a few years bridged the decades which had separated Portugal from the rest of Europe. Thirty years ago, the Portuguese would describe themselves as "fifty years behind". Today, Lisbon is a modern capital city with as many modern facilities, or more, than its peers.
But the same Governments sold Portuguese industry down the river, destroyed Portuguese agriculture and lost fishing rights. Portugal, with one of the largest Exclusive Economic Zones in the world, has not taken advantage of its resources, mainly because they have been sold off... or simply lost. It is therefore hardly surprising that the young people of today feel there are no jobs to go to.
They are right. They have been destroyed. The massive demonstration a couple of weeks ago across Portugal by the Young Generation (and older members of society) was a wave of revolt not necessarily against the Government of José Sócrates but a tsunami of frustration against abominable governance since 1974.
Where did Sócrates go wrong?
As Minister of the Environment (1999-2002), José Sócrates wrote his CV as a candidate for the office of future Prime Minister. He showed competence, determination, vision and intelligence. Yet this determination was soon to be taken as arrogance and lack of transparency as a growing cloud gathered over his head and people who levelled accusations against him (none of which have reached the Courts) felt threatened. Some were even driven from their jobs for daring to criticise him. True, his Government had to face the financial and economic crisis as the market oriented capitalist model lurched from disaster to catastrophe and true, there have been forces at work in the international community snapping at Portugal's heels for over a year now.
For some, the idea of a Portuguese bail-out is very attractive. Next stop, Spain and pop! goes the Euro.
In politics, it is not necessarily what you do but how you are perceived to do it, which writes your epitaph. The recent decision to reduce VAT on golf when the family budget to eat is pushing even the middle class to breaking point - and if the interest rates rise, there will be a public calamity in Portugal - was perhaps the symptom rather than the cause. The fact that the Government of José Sócrates had had to push through three special austerity budgets (Stability and Growth Programme, PEC in Portuguese) in recent months, each one more punishing than the last, before presenting PEC IV to Parliament on Wednesday, gave off signals that neither the Prime Minister, nor the Government, knew what it was doing, amid real contestation on the streets and a continuation of dismal socio-economic indicators which have seen Portugal slide down the development classification to near the foot of the EU table.
In each austerity package, the Government had claimed that the measures would be enough to reach the objectives - yet the measures themselves were also extremely unfair socially and reflected policies which could only prove negative to the development of the economy. If we compare the socially progressive policies put forward by real Socialist Governments in Latin America, which avoided the economic crisis with the reactionary and repressive policies adopted in Europe (including by the Government of José Sócrates) and the tremendous social impact they incurred, then we have the answer to the questions.
The future
Strange though it may appear, not many media outlets in Portugal are yet postulating a real possibility - namely that instead of calling another general election (the last was 2009), President Silva has the power to nominate a Government of National Unity. The first option would no doubt bring another hung Parliament, with José Sócrates again leading the Socialist Party claiming that the Opposition was irresponsible in failing his emergency package at such a delicate time and exploiting the inexperience of Pedro Coelho, the leader of the largest opposition party, PSD.
The smaller parties with seats in Parliament (CDS-PP, CDU - Communists and Greens and Left Block) and others without representation, might manage to captivate more votes but the outcome would be once more the Portuguese banging their heads against the same two walls hoping that finally something might happen. If it hasn't for 37 years...
The second would work better if President Silva had the emotional intelligence to appoint a Government and more importantly, a figure, around whom a national consensus could be formed. He would be more likely to choose a figure from the past and with firm connections with his party, PSD. Let us however follow the lead of the Portuguese media and place this option in the background.
As for what happens next, whatever the case, nothing is going to make any difference at all until Portugal faces up to its weak points and does something about them.
Unity, humility, responsibility, transparency - and end the lobbies
What the Portuguese need to do, and until now have been incapable of, is the capacity to sit together and draw up a national plan in the short- and medium-term at least, which goes above and beyond the cosmetic whims of petty party politics. What Portugal needs is to establish benchmarks after broad consultation with all players involved and then to follow up and make sure they are being followed.
What Portugal needs is to sweep aside those thousands of leeches who suck the country dry, gravitating around the positions of power and control - an army of invisible, opaque and grey barons who make a living at the expense of the rest of the country. These are the lobbies, these are the boys for whom the jobs are reserved.
What Portugal needs is to show more humility, and this comes with accepting responsibility. This in turn passes by the need for properly drawn up job descriptions so that not only do people know what they are supposed to do, but can be held accountable if they do not fulfil their obligations. This also means that if some poor kid presses a button and gets his brains fried in a public street, the system does not push the poor parents around from court to court, then file the case as void, because the time to act has elapsed - and would eliminate the "Portuguese ping-pong scenario" whereby one tries to legalise something and spends days, weeks or months being sent from department to department to department, each one saying "it isn't here where you should be".
Responsibility and job descriptions also mean a different work ethic, in which the innate productivity of the Portuguese (who prove themselves to be excellent workers abroad but unproductive at home) could flourish - greater responsibility, more freedom, as per fulfilling the job description within the timetable stipulated, leaving work at the proper time, like in other countries, and having something called "a life" away from the office. This implies having a family/home life and enjoying leisure time, in turn creating jobs, not hanging around at work until midnight because "it is expected" by some failure/control freak without a private life to go home to.
Transparency is the last quality lacking in Portugal. What is the real state of the public finances? Why does nobody explain them clearly to the people? Why does nobody adopt the stance of a teacher with a blackboard and piece of chalk and say clearly where they are and where they need to go? Transparency means knowing the curriculum of those in public office, those leading the institutions - who they are and what their competences are.
Traditionally, Portugal has proven incapable of facing up to these shortcomings - the reaction to criticism, especially from foreigners, is aggressive and protective and there is even a phrase in Portuguese, quem não está bem, que se  mude - if you don't like it, clear off; basically this is an excuse to carry on making the same old mistakes and making the minimum effort.
The time for sweeping the dirt under the carpet is over. Time to listen and to act. The cardboard house is rotten. And the storm is coming. Portugal - it's now or never.
Timothy Bancroft-Hinchey
Pravda.Ru"