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sexta-feira, junho 10, 2011

A Islândia e a Tugalândia



Ali à beirinha do Círculo Polar Árctico, entre os vulcões e as focas, encontra-se a minúscula Islândia, com uma população um pouco maior que a ilha de Malta e um pouco inferior à do Luxemburgo, ou seja, em números redondos qualquer coisa como 320.000 habitantes. Os islandeses, como se sabe, estiveram a um passo da bancarrota em 2008, com a quebra dos 3 principais bancos comerciais (Kauthing, Glitnir e Landsbanki), na sequência das dificuldades que experimentaram em refinanciar as respectivas dívidas a curto prazo e com uma corrida aos depósitos no Reino Unido.
Para além de desalojarem o executivo então em funções por responsabilidades na gestão da crise – até aqui as semelhanças com a crise lusitana são evidentes -, os islandeses foram bem mais longe atribuindo culpas ao Primeiro-ministro Geeir H. Haarde e aos banqueiros, entre eles Sigurdur Einarsson, CEO do Kauthing, o maior banco comercial do país. A Procuradoria Geral da República da Islândia, com base num relatório de uma comissão parlamentar, considerou que o Chefe do Governo actuou com “extrema negligência” no dealbar da crise e respectivas sequelas e que, pior do que isso, ocultou informação aos  cidadãos e aos membros do seu próprio gabinete sobre a gravidade da situação na base das informações de que dispunha. O certo é que um tribunal especial encetou, há dias um procedimento criminal contra Haarde que dispõe de relativamente pouco tempo para preparar a sua defesa. Pensa-se que o julgamento terá início pouco depois do Verão.
            As instituições de Bretton Woods, designadamente o FMI, adiantam que a crise islandesa está a chegar ao fim e que a recuperação já se iniciou. Não obstante, a imagem do país degradou-se de uma forma acentuada e presumivelmente para sempre. Trata-se, pois, de um dado estrutural e não meramente conjuntural.
            De salientar que  a Islândia optou por uma fórmula algo inédita de lidar com a crise, não injectando dinheiro nas instituições financeiras locais e levando tranquilamente a banca à glória e demandando em justiça os banqueiros, os especuladores e alguns políticos, acusados de terem arruinado o país. O facto de Einarsson ter sido detido e que se tenha aberto um processo contra Haarde parece demonstrar inequivocamente de que não se está perante um “show” para inglês ver mas antes de um processo sério que os islandeses querem levar até ao fim.
            Os islandeses sofrem na pele, como todos os demais, as agruras da crise, com o seu cortejo de misérias de sobrecargas de impostos, de cortes salariais, de redução das pensões, de desemprego, etc., mas têm pelo menos o supremo gozo de verem os principais responsáveis responderem perante a justiça.
            Como refere Paul Krugman no “New York Times” de 30.05.2010: And in the process of building short-lived financial empires, a handful of operators built up enormous debts that their fellow citizens are now expected to repay. É este o cerne da questão.
            Com grandes dificuldades, obviamente, a Islândia está a superar a crise, o que constitui uma lição para nós e para os demais países periféricos a braços com a crise da dívida soberana.
Todas as crises são diferentes mas têm muitos pontos de convergência.  A Islândia não caucionou a irresponsabilidade e o crime e fez sentar no banco dos réus tutti quanti. A diferença fundamental está precisamente aqui.
Será que um dia teremos a coragem para fazer o mesmo? E quem serão os arguidos, para além, obviamente de Sócrates y sus muchachos. Alguém está em condições de apresentar uma lista?


sexta-feira, junho 03, 2011


De volta à Pátria-mãe


Pois, eis-me de volta à Pátria lusitana para cumprir uma velha promessa, mais do que isso, um dever. Bem sei que se trata de um convite...digamos...desportivo...mas, mesmo assim, e vindo de quem vem, não podia, por forma alguma, faltar a esta prova no próximo domingo


segunda-feira, maio 30, 2011

Teste para as eleições



Para a solução do problema que toda a gente tem em mente, ou seja  "em quem vamos votar?",  proponho-vos um pequeno teste:

Responda sinceramente

1. Está de acordo ou aceita como inevitável o MOU troika-Portugal ou recusa o dito acordo liminarmente?

2. Se recusa, vota BE ou CDU, pode mesmo ser em estilo moeda ao ar. Vamos lá por partes: mais "prá frentex", bloco; mais conservador, estilo classe operária da Baixa da Banheira, então vota PC e fellow travellers.
No fundo, votar Bloco ou CDU é relativamente inconsequente, porque nem um nem outro têm qualquer hipótese de chegar ao Poder. Todavia, se se pretende dar alguma expressão a vozes de discordância no Parlamento, com repercussão (limitada) nos media é um caminho a escolher..
 A meu ver, se quer dar um murro na mesa e mandar tudo às urtigas, na lógica do quanto pior melhor, as opções são estas e neste caso será até  preferível votar no Bloco de Esquerda. Não se perde nada com o quiosque e marca-se uma posição clara.

 3. Se, de algum modo aceita o MOU da troika - independentemente das razões que o levam a isso: então tem 3 opções: ou o Sócrates y sus muchachos ou o Pedrinho de Massamá ou o Paulinho das feiras. As diferenças ideológicas entre eles são praticamente nulas. Existem diferenças de estilos e de personalidades. That's all folks! What did you expect? 

4. Se opta pelo Sócrates e xuxas, está a premiar o verdadeiro fautor da crise – embora, não seja o único -  e, além disso, a incompetência, a corrupção, a aldrabice e blá-blá-blá-blá e ainda blá, ou seja está a beneficiar o infractor, que nunca se sentará, como devia, no banco dos réus. Creio bem que seria a última das hipóteses, neste segundo leque de alternativas. De qualquer forma, existe, mesmo assim, uma ténue hipótese de ganhar e, nesse caso, teria de governar em coligação. Todavia, se isso vier a acontecer - cruzes, canhoto! -, Sócrates seria forçado a passar a bola para outro comparsa dentro do partido, porque PSD e CDS decididamente não alinham com ele. Logo, as coisas começariam mal, muito mal, mesmo, e o país correria o risco sério de se tornar ingovernável. Votar Sócrates é o pior de todos os cenários concebíveis!.

5. Se escolhe o Pedrinho de Massamá, está a dar um tiro no desconhecido, senão um tiro no pé, o que, em ambos os casos de figura,  pode ser perigoso. O homem não tem grandes ideias quanto à governação do país, jamais se refere ao MOU da troika – ou seja, ao verdadeiro programa de governo (Tem medo, respeita algum tabu ou não o quer aplicar? Decida-se lá uma vez por todas. Vamos!), não é credível, não inspira confiança, não tem experiência, nem estofo, nem, quiçá, equipa para lidar com os problemas da magnitude que se põem a Portugal nos próximos tempos. Acresce que tem todo o baronato novo e velho contra. Até pode ganhar o pleito, mas só poderá governar em coligação, a pé-coxinho e sem alma.

6. Resta o Paulinho. Não abono muito em favor do candidato, sobretudo pelo seu perfil moral e pela sua trajectória política. Não me esqueço quando era director do falecido “Independente” e deitava abaixo o Cavaco, sem qualquer sentido, semana sim, semana sim, para permitir a entrada triunfal do Guterres. Pois, então! Não está acima de qualquer suspeita. Não, senhor, não está! Tem, porém, experiência governativa e algumas figuras de certa valia no seu grupo. Possui também algumas ideias (sobretudo na área social, agrícola, de segurança, etc.), o que, obviamente, não chega para conquistar S. Bento e as respectivas subidas nas sondagens demonstram de modo inequívoco  que as suas perspectivas eleitorais são por ora mais do que  insuficientes para o alcandorar a esse grande voo.  Ah, mas pode, porém, ser o "pivot" da situação pós-eleitoral e terá que dispor de algum peso para o efeito. Vai ser o factor decisivo e muito provavelmente irá para o Poder, ou, antes, irá partilhá-lo com alguém, numa segunda posição com algum músculo e voz grossa.  Por conseguinte, trata-se de uma hipótese a ponderar, com muitas, mas, mesmo, muitas  reservas, bem entendido.     

7. Votar em branco, nulo ou nos partidos de cácaracá é um voto totalmente inútil e para tal não é preciso ir às urnas. Não tem qualquer influência no resultado final, a não ser que alimente convicções estilo José Saramago, seja amigo dos animais, da extrema-direita skin  ou dos madeirenses frustrados e queira actuar em solidariedade  com estas nobres ideias. O país, porem, não vai nessas cantigas e a opção por essa bambochata não serve rigorosamente para coisa alguma, a não ser para folclore.



8. Resumindo e concluindo, na lógica do vai ou racha:
- Se vai, então voto útil no Portas.
- Se racha (que não é para já, entenda-se), voto útil no BE.

9. É claro que, como já o disse, inúmeras vezes,  não me sinto identificado com o sistema - que não é credível, nem representativo - e entendo, com todas as minhas forças,  que o regime tem de mudar, mas, por ora, não estão reunidas as condições para tal. Logo há que dar tempo ao tempo e aguardar que  o próximo governo atire a Tugalândia para a inevitável e inescapável insolvência (com ou sem MOU) ou para o fundo do caixote de lixo da História e depois construiremos alguma coisa. Do caos há-de um dia nascer a luz. É de novo o Big bang!

sexta-feira, maio 27, 2011

Em quem votar?  1/2



Os portugueses estão perante eleições decisivas em que, a bem dizer, não dispõem de grandes opções:
-       de um lado, têm um trio com um programa comum – O chamado Memorando de Entendimento com a troika (Portugal: Memorandum of Understanding on Specific Economic Policy Conditionality de 3 de Maio de 2011)
-       e do outro 2 partidos ditos de esquerda, com programas e ideias inexequíveis que se opõem ao trio, global e individualmente, ou seja de per si.
As diferenças entre os três partidos do trio com o dito programa comum (os programas próprios de cada um não interessam a ninguém e não são verdadeiros programas – são apenas folhas de papel, para uma leitura em diagonal, desatenta e bocejante) são apenas detectáveis em função das personalidades que dirigem e integram os diferentes partidos, de estilos e de alguns pormenores e matizes de governação futura. Portanto, na da de verdadeiramente relevante.
O Memorando traça um programa para os próximos anos que o trio assume e a que não pode fugir. Quanto ao mais, nenhum dos elementos do trio tem ideias e muito menos quaisquer luzes para o médio e longo prazos. É deixar correr o marfim. Ponto final.
Quanto às duas pequenas forças de oposição (comunistas e bloquistas) podem dizer o que lhes vier à cabeça, pois, com mais demagogia ou menos demagogia, mais protesto ou menos protesto, jamais se sentarão na cadeira do poder e sabem-no. Quem quiser jogar no desconhecido, emitir um voto de contestação ou de sanção, ou pura e simplesmente desperdiçar  o seu voto pode votar no bloco ou na CDU. Se votar nas pequenas formações partidárias, nulo ou em branco é quase a mesma coisa. A diferença – pequena diferença - é que no bloco ou na CDU terá representantes na Assembleia, nos outros, nem isso. Logo, não servem rigorosamente para nada.
Votar no PS – e aparentemente 30 e não sei quantos por cento parece que tencionam votar neles (!) – é avalizar 15 anos quase contínuos de desgovernação – apenas interrompidos por 2 anos e meio de  executivos PSD – e ipso facto passar a Sócrates y a sus muchachos um atestado de satisfação, contentamento e de esperança. Para trás ficam os optimismos bacocos, as mentiras, as trafulhices, a corrupção, o nepotismo e a má fé e... não vos vou maçar com mais palavreado. Nas suas várias metamorfoses, José Sócrates passou de Dr. Pangloss, a Pinóquio para terminar no XVII Congresso do PS em digno émulo de  Kim Il Sung (com 95% de votos favoráveis). Como dizia, António Barreto “José Sócrates tem de ser punido. Tem de ser severamente punido”. Logo, em princípio e em condições normais, não deveria beneficiar de um terço das intenções de voto, mas de 5 ou 8%, quando muito. Infelizmente, não é isso que sucede.
Votar no PSD? Trata-se de um partido de senhores feudais e de grandes interesses, amiúde divergentes. O actual líder para além de inexperiente – muito embora e contrariamente ao que se pensa, isto é capaz de não ser muito importante: quantos políticos de sucesso há por esse mundo fora, sem terem tido experiência prévia? – tem, porém, uma tendência natural para a asneira, para a falta de senso, apesar da pretensa postura de “homem de estado, ponderado e tranquilo”. Não consegue transmitir uma imagem de confiança e de credibilidade o que é extremamente grave para as suas pretensões à liderança do partido e do país, impedindo-o, em termos objectivos, de chegar aonde quer. Depois, preconiza a liberalização irrestrita, o que se afigura muito perigoso e pode pôr em causa, irremediavelmente, o Estado Social.
A terceira opção consiste no CDS de Paulo Portas. As designações e a própria tradição portuguesa que o “arruma” num desvão de escada qualquer da chamada “direita” são enganosas. Trata-se de um partido com bem mais preocupações sociais que o PSD e com algumas (poucas) ideias para certos sectores específicos (agricultura, pensões dos antigos combatentes, por exemplo). Paulo Portas é um político bem estruturado, com a cabeça arrumada, mas perigoso e mauzinho. Quando era director do “Independente”, semana após semana, a long, long time ago in a galaxy, far, far away, entreteve-se a atacar Cavaco Silva até que o deitou abaixo with a little help from his friends . Ou seja, fez bem o trabalho de sapa e facilitou, então, a vida ao PS. Ninguém se lembra? Mas será, mesmo, que ninguém se lembra?
Escolher um dos três terá que ser na lógica da opção pelo mal menor: o PS de Sócrates seria hipótese a excluir à partida (não se pode beneficiar o infractor e premiar o aldrabão), Coelho não me parece uma opção válida, nem me inspira qualquer confiança (além disso, não tem capacidade para segurar os “barões)”, Portas, muito embora ponha em causa o seu carácter, seria, talvez, um caso a ponderar e apenas isso. Não me perguntem mais nada. Todavia, jamais será Primeiro-Ministro por razões óbvias.    
            Olhem, que venha o diabo e escolha!

quinta-feira, abril 21, 2011

Um Governo de Merda, num país de Caca, numa situação infecta (2/3)


Creio que me assiste o direito inalienável de me indignar - e do qual jamais abdicarei -, após, verificar, durante anos e anos, com as governações do PS (em quem não voto) e do PSD (com quem não me identifico),  a inevitável queda no abismo, que impediu e impedirá, objectivamente e por inúmeras, gerações, o nosso país de saír do atoleiro em que se encontra. Foi com inconsciência, com incompetência, com ineficiência, com mentiras, com os fogos fátuos destas governações bacocas e primárias que estamos onde estamos.  Afundaram Portugal, continuamente, alegremente, irresponsavelmente, não só com obras faraónicas, num modelo de desenvolvimento irrealista e demente, num keynesianismo mal estudado e colado com cuspo, sem qualquer vislumbre de viabilidade, construindo loucamente Expos-98 para alimentar o ego, estádios de futebol sem espectadores e auto-estradas sem tráfego, concomitantemente, distraindo o Povão com temas importantíssimos tais como os direitos dos homossexuais, o casamento gay ou o aborto. Para tais mentecaptos, o país real sempre lhes passou ao lado. Portugal viveu, no curto ou no curtíssimo prazos, sem estratégia, sem rumo e, sobretudo, sem esperança.  Não, não vou por aí, como dizia o José Régio. Jamais irei, acrescento eu.
Como português e patriota não posso assistir impassível ao supremo vexame a que o nosso país está a ser submetido. E que ninguém me venha dizer que há mais culpas de a, de b ou c, pois todos somos culpados, incluindo você, internauta e leitor amigo e eu, muito naturalmente, claro,  uns mais do que outros. O meu grito é um grito da alma, um clamor de revolta sentido, por tudo aquilo que estamos a sofrer e por todas os tormentos a que iremos ser sujeitos, a curto, médio e longo prazos.
Penso que chegámos ao termo de um ciclo económico e, igualmente, ao termo de um ciclo político. Crescentemente, os sintomas emergem um pouco por toda a parte, uns mais significativos, outros não. Estou certo de que a prazo, tudo terá de mudar. É possível que não assista a nada disso, mas as gerações mais novas irão testemunhar a grande mudança e, podem crer, que ela virá.
Todos nós temos os nossos ideais, mas não podemos votar clubisticamente em X, Y ou Z, porque somos mais para um lado do que para o outro. Temos de analisar o balanço do que fizeram e o que, agora, propõem. Temos de votar, muito à maneira anglo-saxónica, por temas, por assuntos, por posicionamentos em relação às diferentes matérias em discussão e não pelo "clube" do bairro ou da nossa juventude. Temos também de votar em gente incorrupta, que não minta, que não se contradiga e que não hesite. Esse é que se me afigura ser um voto responsável e não serão os partidos tradicionais (os "clubes") a monopolizarem o nosso sentido de voto. Somos livres e não nos submetemos. 
Acresce que o sistema tem ser reformulado de alto a baixo, garantindo uma maior voz à cidadania, às organizações não governamentais, aos núcleos de base, ao homem da rua (isto não é demagogia, é a democracia real e é possível!). Não podemos estar sujeitos à partidocracia dominante e que tantos prejuízos nos tem trazido. Se eu sou, por exemplo, candidato deputado pelo PS por Viana do Castelo (escolhido pela máquina partidária, sem qualquer consentimento dos meus concidadãos), uma vez eleito mando Viana do Castelo às urtigas. Não respondo perante o eleitorado, mas, sim, perante, o Largo do Rato. Será isto democrático?
Estamos atascados em merda, da mais pura e da mais genuína!
Assunto a ser seguido!

Um Governo de Merda, num país de caca, numa situação infecta (1/3)


Este governo, que levou o país ao limiar da insolvência e ao vexame supremo de ver Portugal ser governado por um “troika” de interesses estrangeiros, beneficia de 30 e não sei quantos por cento de intenções de voto e, segundo sondagens recentíssimas, poderá mesmo ultrapassar o PSD, repetindo a dose de 2009: i.e., maioria relativa. Em qualquer outro rincão do mundo, o PS de Sócrates não obteria nem 7% dos sufrágios, isto, bem entendido, com vento a favor e em plano inclinado. O PSD pelas asneiras cometidas, contradições, mentirolas, hesitações, desnorte também não teria um grande “score” e, logicamente, pouco mais teria, mas Portugal é assim mesmo. Seria expectável uma subida espectacular do CDS-PP, à direita e da esquerda radical (PCP, PEV,  BE). Mas, não. Nada disto sucede. Tudo como dantes, Quartel-general em Abrantes. Poderia surgir uma outra força, a emergir da cidadania autêntica que pugnasse por uma outra visão da democracia e que desse a voz a quem nunca a teve.
Estou convicto que teremos de fazer uns estágios rápidos de democracia à pressão na Somália ou na Birmânia.
Seria boa ocasião para verem e ouvirem o que Rómulo Machado, militante socialista, disse no XVII Congresso do seu partido. Tem coragem e tem-nos no sítio.
Meus amigos, temos de nos juntar para uma mudança do sistema e acabar com a partidocracia, que nos tem (des)governado, e com  os falsos independentes (Fernando Nobre, entre outros) que pactuam com o "establishment".
Temos de dar a volta a isto. O regime esgotou-se.  

Ainda o Congresso das Múmias



Falámos em tanta coisa, mas esquecemo-nos de uma: a grande múmia, a mais provecta, a mais sinistra e a que ainda nos provoca calafrios. Referimo-nos a Almeida Santos (lembram-se dos seus tempos de Moçambique? E quando foi Ministro da Administração Territorial? E quando foi Presidente da AR? E da Maçonaria? Pois, o homem ainda existe, mumificado, mas existe)
Como nota final sobre o Congresso, gostámos do New Look de Sócrates, passou muito rapidamente de Dr. Pangloss a Pinóquio e agora a Kim Il Sung. Eleito por aclamação por 95% dos delegados, é obra, nem na Albânia de Enver Hoxha.  
Viva o nosso querido e bem amado líder!

domingo, abril 10, 2011

Congresso das Múmias


Foi interessante ver o cortejo de múmias no magno comício...perdão, Congresso...do PS. Sócrates, nesta reunião, a lembrar muito as do Partido Comunista da União Soviética de outrora, foi reeleito na qualidade de candidato único, com programa único e com discursos não diria únicos, mas todos a afinarem pelo mesmo diapasão. A crise não foi mencionada (ou foi-o raramente), por conseguinte não existe ou é quase irrelevante. Sócrates  y sus muchachos, de bandeira nacional em riste (nada de flâmulas rosas - muito curioso!) são vítimas de uma terrível maquinação. Coitadinhos! Foram buscar múmias que estavam longe (Ferro Rodrigues) ou que têm andado distantes do Sr. Pinto de Sousa (Manuel Alegre) para compôr o quadro. Será que isto faz ganhar votos? Mas será que acreditam mesmo nisto?
 Como nota final, como é que é possível que Sócrates e o PS ainda consigam 30 e pico % das intenções de  voto nas sondagens de opinião? O País delira, é inconsciente ou está distraído? Em qualquer outro país europeu e depois de tudo o que se passou, nem 10% teriam...A Irlanda é um bom exemplo...mas, infelizmente, estamos na Tugalândia.

Crise? Qual crise? Ou a crise chama-se Sócrates?


Em termos meramente conjunturais,  analisando, a situação actual, é mais do que óbvio que o pedido de ajuda externa já devia ter sido feito, há muito tempo. Isto para evitar que o país entrasse em bancarrota que, agora, à beira do precipício e sob a ameaça de ser empurrado para o vazio pelos banqueiros, Sócrates atirou com a toalha para o ringue e, contrariando tudo o que disse e redisse, desistiu, mas desculpou-se, sempre, com os outros. Lembra os meus colegas da escola primária. Perguntava, então, a professora: Quem é que fez xixi atrás da escada? Não fui eu, foi aquele menino...Eu, não, senhora professora...Pueril! Simplesmente, pueril!
E agora? O que é que se vai passar? Em linguagem chã e corrente: é manifesto que vamos mais uma vez tapar buracos e atamancar as coisas, o que nos permite respirar um pouco, durante quanto tempo não se sabe bem ao certo, mas não nos resolve coisa alguma, ou seja não nos resolve nenhum dos problemas de fundo.
Enfermamos de várias questões verdadeiramente angustiantes: no que respeita às grandes opções: deveríamos ter entrado, como entrámos,  na U.E., no mercado único, na Eurozona? Seríamos capazes de respeitar os critérios de coesão e convergência? Enfim, cada um que responda como sabe e quer a estas perguntas, mas é a altura de as fazer.
Para clarificar as coisas, vamos apontar os dedos a alguns culpados, essencialmente  a dois: ao Governo cessante e aos banqueiros. Não, desta feita, não vamos perder tempo com a crise do sub-prime e o meltdown de 2008, assunto mais que explicado, reexplicado e repisado. Não nos vamos referir à fraca resposta da Europa à crise, idem, idem, aspas, aspas. Nem tão-pouco aferir da responsabilidade colectiva do “bom Povo Português” nestas andanças, porque a tem. Mas, não, não vamos por aí.
Li algures em mensagem que me enviaram que "o endividamento desenfreado, irresponsável e criminoso foi a regra de ouro dos governos que por aqui passaram nos últimos tempos. " Com efeito, um Governo que gastou desregrada e despudoramente, durante décadas (a questão já vem de longe, como a fama do velho brandy “Constantino”), que não impôs regras, que não deu o exemplo, que permitiu todas as corrupções e mais alguma, que não agiu como árbitro e que não se impôs em situações em que tinha de o fazer, que não é, nem foi, credível, cuja inépcia é notória e  a incapacidade consabida, jamais soube facultar resposta adequada  à questão de fundo:  ou seja,  a sua total falta de estratégia de governação. Um Executivo que não sabe o que significa a expressão "longo prazo", patenteando a sua total incompetência e o mais completo desnorte. Vamos de PEC em PEC sem solução à vista. É o Pec 1, é o PEC 2, depois é o 3 e segue-se o 4. Quando é que se acaba com esta "pequeria" toda?
Os governantes deviam tomar as medidas que se impunham de uma vez por todas e deixarem-se de saltar de plano de contingência, para plano de emergência, deste para plano de urgência e daqui para plano de sobrevivência  porque os cidadãos não vêem luz ao fundo do túnel, mas, antes,  um mar de mentiras e de aldrabices.
Por outro lado, nesta crise não se fala (ou fala-se pouco) na responsabilidade da banca e dos banqueiros. Neste paricular,  o que se passou foi o desregramento total, numa cultura de irresponsabilidade e de impunidade . Facilitou-se o crédito a proporções inimagináveis sem qualquer controlo. Fomentou-se o regabofe, numa base diária, permanente e universal, desde o crédito para a casa, ao automóvel, às  férias e ao cartão Visa. Mas os banqueiros e a banca não são de cá...não têm nada que ver com o assunto. São todos meninos de coro!. Quem é que os chama à pedra? Quem é que os responsabiliza? A banca nada fez e o Governo ainda menos.
Depois a banca beneficiou largamente com a crise. Pede emprestado ao BCE a 1% e  empresta ao Estado a 5 ou a 6. Daí os lucros fabulosos que aufere.

A crise pode ter vários nomes, mas a crise chama-se Sócrates. Assunto a seguir.

sexta-feira, abril 01, 2011

Afinal o Brasil não ajuda, valha-nos Deus!




Perante os comentários mal educados de Sócrates, a que nós já estamos habituados mas a mídia brasileira não, Dilma deu a entender em Coimbra que o Brasil encarava a hipótese de ajudar Portugal. Eis senão quando, a "Presidenta" seguiu abruptamente para latitudes tropicais devido ao falecimento do ex-Vice de Lula, José de Alencar,  deixando Sócrates a mastigar em seco...Não tendo conversado coisa alguma e negociado o que quer que seja, o responsável pelas finanças do Brasil, disse muito rapidamente e para desfazer quaisquer equívocos, que, ni hablar, o Brasil não compra qualquer dívida portuguesa. Roeram a corda ao Sócrates, coitadinho! Mas leiam, leiam, os comentários dos leitores brasileiros no "Estadão"(http://economia.estadao.com.br/noticias/economia%20brasil,dilma-sinaliza-em-coimbra-ajuda-a-portugal,60478,0.htm): Portugal que se amanhe como quiser e puder que o Brasil está-se totalmente nas tintas.
Grande solidariedade, mas é assim.
Ay Portugal porque te quiero tanto!

quarta-feira, março 30, 2011


Dilma: Brasil pode comprar dívida portuguesa, mas 'com garantia'

Segundo a edição on-line da revista brasileira "Exame", de ontem, para a presidente, a única alternativa seria comprar títulos que não são AAA e levar algum ativo como garantia

Coimbra, Portugal - A presidente Dilma Rousseff mostrou-se nesta terça-feira disposta a comprar títulos da dívida portuguesa caso seja oferecida "uma garantia" que supra sua baixa qualificação, que foi colocada hoje a só um passo do "bônus lixo".
"A única alternativa que nós vemos para esse caso (a baixa classificação dos bônus portugueses) é comprar títulos que não são triplo AAA com uma garantia", afirmou Dilma.
A presidente iniciou nesta terça-feira na cidade de Coimbra, a 200 quilômetros ao norte de Lisboa, uma visita de dois dias a Portugal para assistir a uma homenagem a seu antecessor, Luiz Inácio Lula de Silva, e realizar contatos "políticos" com as autoridades do país.
Sem fornecer mais detalhes sobre a possibilidade de aquisição da dívida portuguesa, Dilma apontou em declarações aos jornalistas que a operação demandaria "uma garantia" ou "algum ativo que suprisse essa deficiência".
A chefe de Estado lembrou as "regras estritas" que existem para utilizar os fundos brasileiros e destacou que é "uma questão de negociação".
No entanto, expressou a intenção do Brasil de "ajudar" Portugal, porque "não é um parceiro qualquer".
Nesta terça-feira, Dilma fez uma visita privada em Coimbra e esteve na universidade da cidade, uma das mais antigas da Europa e na qual Lula receberá nesta quarta-feira o título "doutor honoris causa".

Comentário: Dilma quer garantias. Quais, exatamente? Ou quer levar lixo para casa. Não tem lá bastante no morro da Rocinha? Mas quem é que no seu perfeito juízo quer comprar lixo? Em questões financeiras não se fazem favores. Que os tugas não esperem jeitinhos dos nossos amigos brasileiros, porque não há nada para ninguém...
Um lusitano campeão mundial do salto à vara

Vejam este prodígio do atletismo indígena!
Deu o salto da Tugalândia até Moçambique....











Supomos que este assunto, pela sua relevância para a vida nacional, para a diplomacia económica, designadamente para as relações com o Brasil e com Moçambique e, last not least, para o círculo íntimo das amizades de Sócrates, agora que está  a fazer as malas para ir à vida, também terá sido abordado com Dilma Rousseff em tête-à-tête.

quinta-feira, março 24, 2011

God save Europe's gracious Queen! Viva a sereníssima  rainha da Europa!



Manifestando-se "grata" ao primeiro-ministro português pelo trabalho feito na consolidação das contas públicas, Angela Merkel  lamentou que as novas medidas de austeridade não tenham sido viabilizadas pelo Parlamento, criticando implicitamente os partidos da Oposição lusitana
Segundo os relatos dos media, a chanceler alemã em declarações à agência de informação financeira Bloomberg, disse estar "grata a Sócrates" por tomar a responsabilidade das contas públicas do seu país.  A líder alemã lembrou que as novas medidas tomadas pelo Governo português para reduzir o défice orçamental foram de "longo alcance" e apoiadas pelo Banco Central Europeu (BCE) e pela União Europeia.
Ora bem, o PEC 4 foi chumbado por 5 dos 6 partidos com assento parlamentar, que vão da direita à esquerda, com todos os matizes de permeio. Quem não percebeu isto, não percebeu mesmo nada e de democracia sabe ainda menos. Está-se perante uma rejeição quase unânime de uma austeridade imposta por erros deste governo e dos que o precederam e o Povão tem de pagar uma pesadíssima factura verdadeiramente insuportável e de injustiça flagrante. Mais. Temos diante de nós um Primeiro-Ministro que necessitava de apoios como do pão para boca  e que tudo fez para os não ter, ou seja e sejamos claros: consciente, deliberada e malevolamente Sócrates provocou a crise, para não ter que assumir as suas culpas nesta situação, que é em larga medida uma criação sua. Não se trata de uma birra ou de um amuo dos partidos da Oposição, mas de uma posição séria. É todo um país que quer mandar Sócrates e o seus grupo de cafagestes, como por aqui se diz, you know where.
É claro - e perdoe-se-me o aparte - temos de mudar de sistema. Temos de mudar tudo. Temos de ir para a rua e fazer a revolução, mas até lá - e ainda falta percorrer the extra mile - pelo menos temos que dar um chuto nesta cambada. É um primeiro passo, muito insuficiente, é certo, mas necessário.
Voltando à vaca fria:
A Europa é composta por 27 países  e que se saiba não é uma quinta alemã da Baviera ou do Bad-Wuertemberg. Os países da zona Euro não adoptaram o marco como sua moeda, muito embora o Euro, seja uma sua reencarnação, o último avatar germânico. Quem é Merkel para dar recadinhos na Tugalândia? Já sabemos que vivemos num regime de soberania limitada, mas isto vai muito claramente para além das marcas.
Para a chanceler, tudo estava a correr bem e Sócrates obedecia fielmente às suas ordens, complementando-as com o arranjinho estabelecido com a Comissão Europeia e com o Banco Central Europeu, portanto, eis senão quando  somos, subitamente, confrontados com uma atitude de total  irresponsabilidade por parte dos parlamentares lusos, uns rústicos e uns tótós.
Será que o embaixador alemão em Lisboa não informou Berlim do que se estava a passar? Então está aqui a fazer o quê?
É preciso que Merkel e outros se convençam que Sócrates não é o Conde D. Henrique, que Portugal não é o Condado Portucalense, ou um qualquer feudo no sudoeste da Europa e que não  deve vassalagem à Sacra-Imperatriz Romano-Germânica.     
Deixem-se de merdas!

Dilma Rousseff  à SIC – “Mas o presidente não vai poder me receber?”

Numa entrevista concedida, ontem, a Miguel Sousa Tavares da emissora de televisão portuguesa SIC, Dilma mostrou-se surpresa com a informação dada pelo entrevistador, de que o Primeiro-ministro José Sócrates poderia renunciar, depois de o parlamento ter rejeitado novas medidas de austeridade. “Mas o presidente não vai poder me receber?”, perguntou ingenuamente Dilma. Apesar de surpresa, a “Presidenta” confirmou a sua viagem a Coimbra e Lisboa, e demonstrou que não estava informada de que Sócrates estava prestes a deixar o governo, noticiou, hoje, o  “Estadão” (jornal “Estado de São Paulo”).
Depois de Miguel Sousa Tavares ter esclarecido que o Presidente Cavaco Silva a receberia e que o Primeiro-ministro demissionário também, Dilma sossegou um pouco, mas confessou: "Eu não tinha conhecimento do que estava acontecendo. Foi, agora, n'é?" 
Ao inteirar-se da situação de Sócrates, a “Presidenta” afirmou: "Seja quem for o primeiro-ministro, ele vai me receber", segundo o relato publicado pelo jornal Folha de São Paulo.
A Chefe de Estado brasileira disse à SIC que iria obter informações adicionais junto do seu Ministro de Relações Exteriores.
Dilma visitará Portugal, entre 29 e 31 de Março, para prestigiar o ex-Presidente Lula da Silva que receberá o título de doutor honoris causa da Universidade de Coimbra. Trata-se da primeira viagem internacional da Presidente brasileira, em funções desde o início de Janeiro, a um país europeu.

Como se sabe, o primeiro-ministro, José Sócrates, apresentou quarta-feira a demissão ao Presidente da República por considerar que ficou sem condições para governar, depois de o Parlamento ter aprovado resoluções de rejeição de toda a Oposição ao chamado PEC 4 proposto pelo Governo.
O pedido de demissão de José Sócrates foi anunciado pela Presidência da República que, contudo, salienta que o Governo se mantém "na plenitude de funções até à aceitação daquele pedido". Cavaco Silva irá promover sexta-feira audiências com os partidos com assento parlamentar.


Três ou quatro comentários muito curtos:
  1.  Então a “Presidenta” vem a Portugal é entrevistada para um canal de televisão português e  não está minimamente informada do que passa no país que vai visitar, designadamente da crise iminente? Bom, das duas uma: ou é completamente ignorante ou é burra.
  2. A "ex-terrorista" não tem assessores diplomáticos, não conferencia com o seu Ministro dos Exteriores, não lê a mídia? O que é isto? O quê? Vai se informar depois e diz isso em público?
  3. E o que é que faz a Universidade de Coimbra? Vai atribuir um doutoramento honoris causa a um quase analfabeto funcional, que não dispõe dos mínimos rudimentos de educação básica? E amanhã vai doutorar quem? O Chávez, o Khadaffi ou o Ahmeddinejad?
  4. Mas é com gente deste calibre que o Brasil se quer impor como grande economia emergente e como país líder, à escala planetária? E nós damos cobertura  a isso, com esses pseudo-doutoramentos? O Povo brasileiro não merece essa gente, nem nós merecemos esses académicos de Coimbra ..Haja um mínimo de senso comum!


Bueno, como dicen en Latino-América, no pasa nada, no pasa nada.

terça-feira, março 15, 2011


Sócrates criou deliberadamente a crise

Valerá a pena governar, na actual conjuntura? Talvez não. O Poder pelo Poder já não será apetecível. Com efeito as circunstâncias não ajudam nada, mesmo nada. Vai daí e sem dar cavaco a ninguém, nem ao próprio Cavaco e lança-se o PEC 4. Vamos lá ver como reagem, sabendo-se, de antemão, que vão reagir mal. What did you expect? O dever de informar urbi et orbi passou a segundo plano, quando é uma questão essencial, em democracia e muito especialmente para um Governo minoritário, como é o caso. José Sócrates pode ter obtido uma licenciatura por caminhos ínvios, mas não é tonto: sabia exactamente o que ia acontecer. E aconteceu. Assim sendo, a crise é artificial. Foi provocada, para mais uma vez, num golpe de teatro duvidoso e reles, Sócrates dramatizar tudo e armar-se em vítima, no estilo eu-bem-queria-mas-estes-senhores-é-que-apostaram-no-caos, então vão à vida que eu vou à minha.
Nesta matéria, tanto quanto em apercebo, existem 3 teses:
(i)             a crise foi intencional e provocada pelo PM;
(ii)            a crise foi involuntária, mas deve-se à inabilidade do Chefe do Governo e, em parte, às suas mudanças de humor;
(iii)          a crise resulta de uma “combine” entre PR e Passos Coelho, em que o primeiro provoca e o segundo pega na “deixa”.
Para mim é evidente que a primeira tese é a que corresponde à verdade. A sociedade portuguesa chegou já ao ponto de ruptura. Muitos (entre os quais este vosso criado) anseiam não por um mudança de governantes, mas por um verdadeiro câmbio de regime, uma vez que este decididamente se esgotou e, por conseguinte não serve. A mega-manif. de Sábado ilustra isto mesmo e Sócrates sabe-o (aliás, já o sabia). Não informar PR, parceiros sociais, parlamento, os próprios Governo e partido. É deliberado ou involuntário? É involuntário quando pelo alínea c) do nr. 1 do artigo 201.º da Constituição da República
“(Competência dos membros do Governo)
1. Compete ao Primeiro-Ministro:
 c) Informar o Presidente da República acerca dos assuntos respeitantes à condução da política interna e externa do país»?
É involuntário quando a Oposição unanimemente condenou nos termos mais veementes o procedimento e o PM disse que submeteria o pacote ao Parlamento, sabendo antecipadamente e de fonte mais do que limpa que será chumbado?
Sócrates terá feito apenas um telefonema informativo para Passos Coelho, mas matéria desta importância e gravidade não teria de ser discutida e negociada antes?

A tese da inabilidade e das mudanças de humor (“amuos”) de Sócrates, bem como as suas vontadezinhas de pretenso régulo ibérico,  te-lo-ão levado involuntariamente a criar a crise, tese que é defendida por alguns, em especial por Marcelo Rebelo de Sousa, mas que, a meu ver, não pega. Este está, no fundo, a menorizar Sócrates fazendo-o mais burro do que realmente é. Ou seja, chega às seguintes conclusões: isto está tudo feito. Eu já combinei com o Barroso, com o Trichet e com a Merkel. Quem manda sou eu. Não tenho que dar satisfações a ninguém e muito menos a esse gajo que andou para aí a chatear-me. Eu não quero criar crises nenhumas, mas, porra, sou o PM da Tugalândia. Coelho que vá para a toca. Digam-me se isto tem alguma consistência ou se Sócrates é, de facto, estúpido?
A terceira tese é a do maquiavelismo político, de um pretenso “complot” à direita entre o PR e o Presidente do PSD. Cavaco desencadeia as hostilidades com o seu discurso de posse com uma mensagem subliminar bastante clara para toda a gente: tem a faca e o queijo na mão. Tudo isto vai mal. O Governo pode ir para a casa na primeira curva do caminho. Logo, atenção, muita atenção, ao que se segue. Passos Coelho aproveita a deixa,  é informado em cima da hora. Nada disto foi acertado, nem sequer falado. Bom, eis o pretexto: mata aí que eu esfolo depois. A tese é demasiado rebuscada para ser crível e os personagens são demasiado florentinos para serem verídicos.
Bom, resumindo e concluindo, a crise está criada, mas a solução não está à vista. Os velhos e obsoletos partidos políticos  vão movimentar-se, mas a sociedade civil, se estiver atenta, não deve perder esta oportunidade única. Isto agora tem de mudar a sério, chegou a hora. Yes, we can! Yes, we can! Yes, we can

domingo, março 13, 2011

Protesto da "geração à rasca" num país rasca


Pelas notícias a que tive acesso, a mega-manif. terá sido um sucesso. Rima e aparentemente é verdade. Não terão estado 300.000 pessoas em todas as cidades do país, como afirmam os organizadores/motivadores/animadores, mas, sem dúvida alguma, muitas dezenas de milhares de manifestantes, sobretudo em Lisboa e Porto – a este respeito, as fotos e os vídeos são eloquentes. Pelos relatos que me chegaram, terão estado umas 60 a 70.000 pessoas em Lisboa e umas 30 a 40.000 no Porto, o que bem feitas as contas, sem exageros, é muito bom, excedendo largamente as expectativas inicias, mesmo as mais optimistas.
De acordo com as notícias que me chegam, a  manif. possuiu duas outras características importantes e que contrariam algumas das minhas teses anteriormente expostas (reconheço-o, sem complexos, não me chamo José Sócrates Pinto de Sousa, nem sou político): (i) foi intergeneracional; (ii) a temida “colagem” dos partidos e das forças politicas não terá resultado inteiramente (mas há que acautelar o futuro e, nesta matéria, os perigos são mais que muitos).
Com efeito disse, aqui, mesmo, neste blogue, que se tratava “de uma manifestação de uma geração, portanto de um grupo social identificado e específico, e não da sociedade portuguesa no seu todo – por conseguinte, era uma manifestação circunscrita”. Não bem foi assim, na medida em que a participação se revelou mais abrangente do que se pensava, todavia o grosso da coluna foi constituído pelos jovens da dita “geração à rasca.” Essa participação inclusiva de outros sectores da nossa sociedade explica-se, creio eu, principalmente pelo cansaço, pelo desencanto e pela irritação e pelo sentimento revolta permanente em que vivemos todos. Como escrevi em post anterior e esta asserção afigura-se-me bem verdadeira: Vivemos num país rasca e em que quase todos vivem à rasca. Esta é que é a verdade dos factos e todos nós sabemos disso.”
Foi, pois, esta a razão primordial para várias gerações se terem congregado  nas praças das nossas principais cidades numa rejeição unânime da situação em que vivemos e da classe política que a tal nos conduziu.
Outros factores terão contribuído para essa participação expressiva de vários sectores e gerações da sociedade portuguesa: antes do mais, o desastrado e surpreendente anúncio de mais medidas de austeridade na véspera, i.e. na 6ª feira de manhã, o que terá induzido uma dinâmica de mobilização acrescida sobretudo por parte das geralções menos jovens; a solidariedade com os jovens, a curiosidade e a novidade do fenómeno, a ânsia de mudança e a divulgação enorme que a manif. beneficiou nos meios de comunicação electrónicos e convencionais (no fundo factores que, de um modo ou de outro, acabam por estar inscritos na razão principal  ou que dela derivam).
Pena foi que os organizadores/motivadores/animadores tivessem definido a manif. como o fizeram. Se a tivessem aberto, à partida, irrestritamente, à participação de toda a sociedade, não teriam surgido as dúvidas que surgiram e que o Facebook e outros meios deram eco, porque eram as dúvidas de muito boa gente, incluindo o autor destas linhas. É certo que a “geração à rasca” era o sector-alvo, mas, repito-o, mais uma vez, é todo um pais rasca que está e continua a estar à rasca.
Por outro lado, a “colagem” dos partidos e de certas figuras e forças politicas foi tentada. Foi, de certo modo, detectável (ou seja, visível e audível, ma non troppo), sem embargo houve o bom senso (excepto no pequeno grupo da extrema-direita), de não aparecerem com as bandeiras e as palavras de ordem dos mandatários da partidocracia. Ainda bem. Também aqui me enganei. Dou a mão à palmatória. Resta saber qual será o aproveitamento político posterior deste imenso descontentamento popular, sabendo-se que PCP, BE, extrema-direita, Presidente da República e mesmo alguns sectores dos principais partidos, directa ou indirectamente,  apoiaram o comício.

Resta adivinhar-se o que se segue. Em post anterior referimos, com a devida ênfase o seguinte: “Atingimos uma encruzilhada a que o Poder político (leia-se, toda a classe política conhecida, sem excepções), que dispõe de pouca (ou nenhuma) credibilidade, é incapaz de responder. A questão principal é o próprio regime. É este que está em causa e sem qualquer possibilidade de redenção.”
Se o movimento se esgotou em 12 de Março, para pouco ou nada serviu e daqui a meia-dúzia de dias ninguém se lembrará do que se passou (aliás, o próprio Governo está muito mais preocupado com a greve das empresas de camionagem do que com a “geração à rasca”). Se, pelo contrário, o movimento pretende avançar por novas vias e por novas formas de luta, tem de organizar-se e preparar-se para o combate no terreno (protestar por protestar, já se ouviu, mas não chega). Ora, como o dissemos, isto pode ser o fervilhar, o cozinhar em lume brando de uma nova situação, mas por esta via atabalhoada e meio-anárquica não se chega lá. Alem disso, os oportunistas de meia-tijela vão tentar tirar o maior proveito possível da situação. Existem riscos sérios se nos armamos em aprendizes de feiticeiros.
Quanto aos Sábios governantes que temos, o  aviso à navegação está dado. Desconhece-se em rigor o que é que o poder político conta fazer. Provavelmente coisa alguma. Como já é habitual, espera que a tempestade passe e depois logo se vê. Mas também as coisas podem evoluir de modo diverso. 
Os passos seguintes podem consistir (o elenco de acções é meramente indicativo):
num movimento estruturado de contestação ao regime 
-    na moralização da vida política;
-       no combate à corrupção, ao nepotismo, ao clientelismo, ao poder dos lóbis;
-       no fim do despesismo do Estado, no seu emagrecimento consequente e na sua gestão rigorosa;
-       na redução drástica do sector empresarial do Estado
-       no termo definitivo dos políticos-gestores
-       na participação dos movimentos cívicos e das organizações de base no processo político
-       no fim da partidocracia, como a conhecemos;
-       na responsabilização dos deputados e de todos os corpos eleitos perante o eleitorado nacional e local (p. ex., ninguém poderá representar Viana do Castelo no parlamento e não ser responsável perante os vianenses);
-       na meritocracia, provida de regras transparentes e consequentes;
-       na criação de um grande movimento popular que congregue todas estas acções e outras tidas por adequadas, visando implantar a III República.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011


Líbia e Portugal


Rezam os media: “O regime de Kadhafi é "anacrónico", está bloqueado pelo movimento de protesto e deve adaptar-se imediatamente, defendeu hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros português, que voltou a condenar a violência contra os manifestantes.”
Todavia em 1 de Setembro de 2009, Luis Amado lá foi à Líbia, para  à sombra da grande tenda do querido líder para comemorar os 40 anos da revolução local e para le runs excertos do livro verde.
O jonal “Público” de então (31 de Agosto de 2009) esclarecia: “De um pária na região visto como um louco e uma ameaça, o líder líbio passou entretanto a ser, após renunciar ao programa de armas de destruição em massa, um aliado do ocidente na luta anti-terrorista – e também um fornecedor de petróleo, especialmente para a Europa.” Pois, não há nada  como ser respeitável. Em suma, Lockerbie nunca existiu! 

 Dizia então Ana Gomes (do mesmo partido do Sr. Amado) à TVI: “«Revolta-me como portuguesa e diplomata portuguesa. Não advogo que se cortassem os laços, mas teria sido importante haver um maior envolvimento para apoiar a sociedade civil, que queria abertura da Líbia ao exterior».
O Bloco de Esquerda pela voz de José Manuel Pureza, líder parlamentar do BE, assumiu  hoje uma posição coerente sobre o assunto "Que os nossos governantes declarem a sua admiração pelos tiranos, que façam de figurantes nas suas operações de relações públicas, que enviem Forças Armadas para abrilhantarem o cerimonial do regime, que contribuam para ocultar a realidade da pobreza que é imposta a estas populações, isso é totalmente insuportável", afirmou Pureza,  frisando que o primeiro-ministro José Sócrates disse que o líder da Líbia era "carismático". 
Extraordinário! Para o governo de Sócrates, que visitou a Líbia 4 vezes,  em menos meia dúzia de meses, o regime passou a ser anacrónico e a não respeitar os direitos humanos. 
Quanto mais tempo é que temos de aturar estes mentecaptos? Digam-me, por favor