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domingo, junho 05, 2011


A previsível crise global no Outono de 2011(2/2)




Barreiras, protecções, embargos à exportação, diversificação das reservas, frenesim  em torno das matérias primas, inflação em espiral ascendente, o mundo prepara-se para um novo choque  económico, social e geopolítico
A China anunciou há dias  a sua intenção de interromper todas as exportações de gasóleo para tentar suster o aumento do preço do combustível, o que provocou recentemente uma série de greves dos transportadores rodoviários. Bom, os países asiáticos que dependiam destas exportações chinesas que se amanhem, para mais quando o Japão actuou da mesma forma como resposta às consequências da catástrofe do pretérito mês de Março!

A Rússia vai também deixar de exportar certos produtos petrolíferos para limitar a escassez e a alta dos preços internos. À interrupção da exportação junta-se a de cereais, decretada há já vários meses.

Em todo o mundo árabe, a instabilidade continua prevalecendo num contexto de encarecimento dos produtos básicos, enquanto se suscitam interrogações legítimas e prementes quanto à dimensão das reservas de petróleo e quanto à capacidade de produção da Arábia Saudita.

Nos Estados Unidos, o menor acontecimento climático que se desvie do padrão ou que não se quadre nas previsões provoca de imediato riscos de penúria devido à ausência de uma «almofada» de segurança no sistema de abastecimento norte-americano, excepto o deitar mão às reservas estratégicas (como ocorreu recentemente com as cheias do Mississípi). Entretanto, a população reduz os seus gastos alimentares para poder encher o depósito dos seus carros, com o galão de gasolina a mais de 4 dólares!

Na Europa, a redução do Estado Social e a diminuição clara da cobertura das despesas de saúde, pensões, subsídios de desemprego e encargos com a educação, bem assim, como as medidas de austeridade de uma extrema dureza, já em execução ou a implementar, no Reino Unido, Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda... aumentam exponencial e explosivamente o número de pobres.


 A  União Europeia acaba de reforçar de uma forma, mais ou menos sub-reptícia o seu arsenal aduaneiro, em particular para resistir às importações vindas da Ásia. Por um lado, passa em revista os seus instrumentos de medidas preferencialmente pautais para eliminar todos os países emergentes, a China, a Índia e o Brasil,  à cabeça. Por outro,  passou discretamente, nos finais  de 2010 uma medida que facilitava a implementação de medidas antidumping e cláusulas de salvaguarda já que uma maioria simples será suficiente para aprovar uma tal proposta da Comissão, enquanto que  antes fazia falta uma maioria qualificada, difícil de  conseguir.

Paralelamente, os bancos centrais continuam comprando ouro, anunciando de uma forma, mais ou menos clara, que estão a diversificar as suas reservas, concomitantemente tomam medidas cada vez mais incoerentes e perigosas, aumentando as taxas para travar a inflação num quadro de economias débeis ou em recessão, com o fito de contrariar o fluxo de liquidez gerado pela política da Federal Reserve. O resultado é dar com os burrinhos na água, bem entendido!

E do lado estado-unidense, vive-se um ambiente de surrealismo absoluto: enquanto o país alcançou níveis de endividamento insuportáveis, os dirigentes de Washington fizeram desta temática uma questão eleitoralista, como é ilustrada pela questão do tecto de endividamento federal que terá já sido atingido no passado dia 16 de Maio (!). A esquizofrenia é total e sem cura! Na imprensa financeira especializada dos EUA e internacional prevalecem  as comparações com os anos de Clinton ,quando se havia colocado um problema similar sem grandes consequências. Visivelmente uma parte importante das elites estado-unidenses e as financeiras não se capacitaram ainda do facto que, diferentemente, dos anos 90, os Estados Unidos assumem hoje o papel de the sick man of the planet, que, com cada sinal de debilidade ou de incoerência grave, pode despoletar pânicos incontrolados. Só não vê quem não quer ver!

Em suma, os banqueiros centrais submergidos na loucura, os líderes mundiais sem bússola ou mapa, as economias cada vez mais ameaçadas, a inflação crescente, as divisas em decadência acentuada, as matérias primas frenéticas, o  endividamento ocidental totalmente descontrolado, o desemprego no seu nível mais elevado, as sociedade stressadas até ao limite ...ninguém duvidará, certamente, que a fusão explosiva de todos estes fenómenos será inequivocamente o acontecimento que nos aguarda no segundo semestre, em particular na chamada rentrée (Setembro e Outubro). Deus queira que me engane. A ver vamos!


A previsível crise global no Outono de 2011 (1/2)



O segundo semestre deste ano constituirá uma etapa decisiva na evolução da crise sistémica global. À semelhança da crise do sub-prime de Setembro de 2008, afigura-se que se reúnem agora todas as condições para que em Setembro-Outubro deste ano a economia dos EUA seja afectada por um abalo telúrico de grande magnitude, ou seja, aquele contexto e momento, seráo o cenário para a fusão explosiva de duas tendências fundamentais  subjacentes à crise sistémica global, a saber: a desarticulação geopolítica e a crise económica e financeira planetária.
Estabelecendo um termo de comparação com o krach de 1929 que está na origem da Grande Depressão da década de 30 e de uma crise profunda que só viu o seu termo em 1954, Setembro de 2008 é, pois, o despoletar da crise, para que foram à pressa encontrados uns paliativos mal amanhados e assistimos agora à evolução, digamos, natural, de todo o processo, que, sublinhamos, não tem qualquer solução à vista.
Desde há vários meses que o mundo sofre, quase ininterruptamente uma sucessão de choques geopolíticos, económicos e financeiros que constituem, por assim dizer, os precursores de um grande acontecimento traumático cujos contornos começam, no nosso entender, a divisar-se com mais nitidez.
   Simultaneamente o sistema internacional já ultrapassou o estádio de debilidade estrutural para entrar numa fase de ruína completa em que as antigas alianças se desmoronam enquanto emergem muito rapidamente novas comunidades de interesses e novos rumos em direcções, no mínimo problemáticas.

Finalmente, desvaneceram-se todas as esperanças de uma recuperação significativa e sustentável da economia mundial enquanto o endividamento do pilar ocidental, em particular os Estados Unidos, alcança um limiar crítico sem precedentes na História moderna

O catalisador desta fusão explosiva será, desde logo, o sistema monetário internacional, ou melhor dizendo o caos monetário internacional que se agravou ainda mais desde o desastre nuclear de Fukushima que afectou o Japão no passado mês de Fevereiro e perante a manifesta incapacidade dos Estados Unidos em  confrontar-se com a exigência imperativa de redução imediata e significativa dos seus défices incomensuráveis.

O fim da QE2 (Quantitative Easing 2), símbolo e factor da fusão explosiva em incubação, representa o fim de uma época, em que o «dólar era a divisa dos Estados Unidos e o problema do resto do mundo »: a partir de Julho de 2011, o dólar constitui-se abertamente como a principal ameaça para o mundo e o problema crucial dos Estados Unidos.

Durante o Verão que se aproxima confirmar-se-á que a Reserva Federal perdeu a sua aposta: a economia norte-americana jamais saiu da «Enormíssima Depressão» em  que entrou em Setembro de 2008, sem embargo da injecção artificial de milhares de milhões de USD no mercado, sobretudo por via electrónica,  como, aliás, não o desconhece a esmagadora maioria dos cidadãos estado-unidenses. Registe-se que a crise no sector imobiliário, por exemplo nos EUA, mas não só, é sintomática do carácter estruturante da recessão que, como tudo leva a crer, está para ficar. Sem poder lançar o QE3 (ainda que o possa fazer oficiosamente, através dos chamados Primary Dealers, como na realidade o fazia, no passado recente, quando o mundo ainda não seguia de perto o mercado dos T-Bonds – ou seja, das obrigações do Tesouro –, como o faz hoje), a Reserva Federal será uma testemunha passiva, impotente e incapaz perante a subida vertiginosa das taxas de juro, a explosão do custo dos défices públicos norte-americanos, a imersão numa recessão económica agravada, o afundamento dos títulos cotados em bolsa e o comportamento errático da sua divisa, a curto prazo, seguindo um processo, numa fase inicial, oscilante com altos e baixos, consoante a influência maior ou menor destes diferentes fenómenos, antes de deixar cair o dólar brusca e desamparadamente para 30 % (ou mais)  do seu valor.

Entretanto, a Eurolândia, os BRICS e os produtores de matérias primas reforçarão rapidamente a sua cooperação  numa última tentativa para lançarem uma bóia de salvação a fim de preservarem as instituições de Bretton Woods (FMI e BM) e do mundo dominado pelo tandem  EUA/RU. Será a derradeira tentativa, já que é quimérico imaginar Barack Obama, que, até agora não patenteando as menores estatura e nível internacionais, surja, out of the blue, arvorado em estadista, que não é, e consequentemente a assumir importantes riscos políticos a um ano do sufrágio presidencial. Ninguém no seu perfieto juízo acredita em histórias da carochinha!

sábado, maio 14, 2011


Obama - Osama

Carlos Fuentes
9 May. 11





La minoría extrema de la derecha en EE.UU., el Tea Party, quiere enjuiciarlo y expulsarlo de la presidencia. La mayoría del Partido Republicano busca mil maneras de dificultarle el ejercicio del poder. Donald Trump, peinado por la ley de la gravedad, duda de que Obama sea ciudadano de los EE.UU. Las reformas del presidente a las leyes de salud son disputadas por los intereses favorables a una medicina des-regulada, que sirva a compañías de seguros, negándoles seguridad a los ancianos y a los enfermos irremediables. Las leyes que han salvado a la industria automotriz ni se discuten. Pero las leyes para la banca son burladas por los salarios estratosféricos que los banqueros se atribuyen a sí mismos.

La derecha critica sistemáticamente a Barack Obama y algunos lo consideran "comunista". La extrema izquierda, asimismo, siente que sus políticas son demasiado tímidas. Y un periodista, hace un par de semanas, le espetó en la reunión del presidente con la prensa: "¿Por qué tolera usted el terrorismo y no hace nada al respecto?".

Como es su costumbre, Obama mantiene la calma, sonríe y luego actúa. Tiene que vérselas con un Congreso que no le da todo lo que quiere. Debe negociar, sin ceder ante el Tea Party pero arrebatándole a esa facción legisladores republicanos por gracia del acuerdo moderado.

Todo ello sitúa a Obama en el centro del espectro político, a veces más a la derecha pero sólo en virtud de negociaciones que inevitablemente conceden, a veces más a la izquierda donde está el corazón del profesor de Harvard que prefirió ser consejero de causas sociales y combatir a la pobreza en Chicago, que abogado de grandes compañías en Nueva York.

Pero en el centro-centro, en el corazón de corazones, está un hombre tranquilo, lejano a la "gracia" exigida al político del norte, reservado y dispuesto, llegado el caso, a actuar con todo el poder a su alcance para obtener resultados precisos, aunque peligrosos y a veces hasta imprevisibles.

Este es el Barack Obama que ordenó el asalto a la fortaleza invisible por su visibilidad, del terrorista Osama Bin-laden en Pakistán. Operación unilateral y silenciosa: el gobierno de Pakistán no es confiable y hace fortuna con su duplicidad. Operación encargada a los Seals, equipo sin compasión o dilación que en cuarenta minutos descabezó a Al-Qaeda diez años después de los ataques suicidas del 9/11 a Nueva York, Pennsylvania y Washington y los veintidós -veintidós- ataques de Al-Qaeda a hoteles, sinagogas, consulados, automóviles, trenes, refinerías, embajadas, de Túnez a Madrid, de Londres a Riyadh, de Filipinas a Marruecos, con más de ochocientos muertos, aparte de los tres mil asesinados en los ataques a las Torres Gemelas en septiembre de 2001.

¿Merecía compasión este asesino en serie, Osama Bin-laden? ¿Merecía llegar vivo a un tribunal para ser juzgado y sentenciado por sus crímenes? Esto se debate hoy. Lo indebatible es la vida perdida por tantos inocentes en todo el mundo por la saña ideológica de Bin-laden. No lo excusa su fe, como no excusó la fe a la Santa Inquisición ni la falta de fe al emperador romano Nerón. La creencia -en el nazismo, el comunismo, el nacionalismo, el imperialismo- no excusa una sola muerte inocente. Invocando a Alá, Osama Bin-laden actuaba en nombre del Diablo, un diablo, es cierto, que muchos seres humanos llevamos dentro pero al que no le damos rienda suelta por una sola y profunda razón: el respeto a las vidas ajenas.

Osama Bin-laden carecía de ese respeto a los demás. Todos eran carne de su cañón ideológico-religioso. Osama tiñó a la religión de Mahoma de un color -el de la muerte- que no es el de Islam. Muchos ciudadanos de su cultura religiosa se dieron cuenta de la falsedad y lo abandonaron. Al morir Bin-laden, el Yihadismo era ya una bandera rasgada, casi el cruel capricho de un árabe multimillonario decidido a seguir jugando a la guerra.

Destaco, con alegría, que la muerte de Bin-laden, por más que su cadáver siga provocando sobresaltos, coincide con el despertar democrático del norte de África, de Siria y Yemen. Una gran fortuna: estos movimientos de libertad no han sido auspiciados por el Occidente. No podían serlo: Europa y los EE.UU., en proporciones distintas, apoyaron a los dictadores de Túnez y Egipto y aún al lunático Gadafi en Libia. Mubarak, en Egipto, aceptó esta anomalía para negarle vida a la Palestina libre que, ahora, la Asamblea General de la ONU proclamará el venidero septiembre, dándole serios dolores de cabeza a Benjamin Netanyahu y proponiendo dos grandes cambios: que el centro-izquierda vuelva al poder en Israel y que la facción palestina Hamas reconozca al estado judío.

El Occidente tiene graves culpas que purgar en el área mediterránea. Ahora, le toca reconocer y apoyar a los movimientos democráticos de Egipto y Túnez, de Marruecos y Yemen, de Siria y Argelia. Apoyarlos mas no encabezarlos. La singularidad de lo ocurrido en calles y plazas de El Cairo y Damasco y Túnez y Marrakech es que ocurre sin manipulación externa, europea o norteamericana. Son movimientos locales, propios de cada sociedad y a cada sociedad le corresponde trazarse su propio porvenir y saldar su propio pasado. Jóvenes, estudiantes, clase media, trabajadores, amas de casa: son visibles, allí están. Con ellos está la esperanza de países norafricanos libres, de un Mediterráneo sur sin ninguna obligación con el Mediterráneo norte que la de la relación normal en democracia.

Faltan muchas batallas. Habrá muchos retrocesos. Pero la realidad está clara y está alli.

Nota: Carlos Fuentes é um dos mais conhecidos escritores e ensaístas mexicanos e uma referência das letras e cultura ibero-americanas. 

terça-feira, maio 03, 2011


Morte de Osama Bin Laden


Não vamos  relatar factos, deixando essa divulgação para as agências noticiosas, televisões, rádios e imprensa escrita, mas apenas fazer alguns comentários e umas tantas perguntas.
Apesar de todas as vicissitudes recentes, sobretudo no que toca à aprovação do Orçamento de Estado e às relações com os republicanos, maioritários no Congresso, Barack Obama, com esta operação bem sucedida,  parece ter garantida a reeleição para as presidenciais de 2012. Todavia, registe-se que George Bush pai, não obstante a meia-vitória na guerra do Golfo, não conseguiu a mesma proeza, que, no dizer de muitos, estaria ao seu alcance. Não há, pois, favas contadas, quando se extinguir o fogo de artifício e se secar o champanhe!
Porque mataram OBL, quando a ordem presidencial era “bring him to justice”? Então os Navy Seals, altamente treinados e adestrados, não seriam capazes de neutralizar 5 homens no interior do compound? Quem deu a ordem para matar? Quem a executou? Porquê? Mais. Segundo todas as informações disponíveis, note-se bem, de fontes oficiais norte-americanas,  Bin Laden estava desarmado. Logo que resistência podia opor a comandos super-preparados e armados até aos dentes? Por outro lado, presume-se que a comparência de OBL em tribunal, e, bem assim, as suas presumíveis declarações e acusações, seriam demasiado incómodas para os serviços secretos dos EUA (todas as agências confundidas, mas, principalmente, a CIA e a NSA)?
Soube-se que os EUA não terão informado o Paquistão das suas intenções com receio de eventuais fugas de informação para Osama Bin Laden, o que prova muito claramente o grau de confiança que se pode ter nesse país e nos seus dirigentes.
As responsabilidades do Paquistão, dos respectivos serviços secretos (designadamente o temível ISI – Inter-services Intelligence) na protecção a OBL e à Al-Qaeda, são iniludíveis. O jogo duplo sempre foi um apanágio do regime de Islamabad, para proteger o estado-pária (rogue state) instalado e os seus interesses obscuros. Como é que Washington permitiu que o jogo fosse permanentemente jogado desta forma, jamais interveio e impôs regras?  
Num país miserável, numa pequena cidade como Abbottabad, a menos de um quilómetro de uma academia militar, OBL constrói, há meia dúzia de anos, um complexo de edifícios e bunkers monstruoso e ninguém dá por nada. Are you pulling my leg?
Tudo leva a crer que OBL e os seus sequazes mantinham uma relação triangular com a insurgência afegã (talibãs) e com os militares de Islamabad. É preciso que essa relação seja devidamente identificada e desfeita, até às suas últimas consequências a não ser que Washington prefira ocultar qualquer coisa.

segunda-feira, abril 25, 2011


EUA – Sacrifícios fiscais, o défice e o inexorável afundamento dos Estados Unidos

Eis os comentários de um conhecido comentarista argentino pouco antes da publicação de um artigo sob o tema no jornal “El Pais”, abaixo transcrito.

“Esta historia del sacrificio fiscal la hemos escuchado en Argentina desde 1982. El sacrificio se ha dado sacrificando los salarios y estrechando el mercado nacional, en tanto nos volvíamos dependientes de importaciones básicas y salvadores de bancos y otros negocios privados.
Tarde llegó Obama a darse cuenta que sólo tuvo una oportunidad para poner de pie una vez más a Estados unidos, y la desperdicio. Hoy la declinación de ese imperio es evidente para los legos, tal como la pronosticó Paul Kennedy desde mediados de los 80’s.
Dos son los pilares de un imperio, su fortaleza económica y su fortaleza armada. La primera, desde la mitad de los 80’s estaba en USA siendo erosionada. La segunda, la derecha en sus apetitos de negocios, la ha puesto en duda.
Como un causa circular, la guerra ha agudizado la deuda pública y ésta la crisis económica, que ha afectado los ingresos fiscales –por menores impuestos- afectando aún más al alza la deuda pública, y así la crisis económica. No hay free lunch, sólo los ingenuos, como Obama, tarde se dan cuenta.
Cuando se quiere gobernar con todos, como en el bien común, se termina por generar un desgobierno. Se gobierna para todos, pero no con todos."


EL PAÍS 19/04/2011
Obama advierte que el déficit puede causar "serios daños" a EE UU y pide sacrificios fiscales. El presidente inicia una gira para defender sus medidas de recorte del gasto frente a las que proponen los republicanos y dice que confía en que ambos partidos lleguen a un acuerdo.- China pide "medidas responsables" al país norteamericano tras el aviso de S&P de rebajar su nota de solvencia

Barack Obama pide ayuda y comprensión a los ciudadanos frente a los recortes que vienen. En su primera parada de la gira que ha emprendido para explicar sus propuestas de reducción del déficit, el presidente de EE UU ha dicho que este desequilibrio en las cuentas públicas puede causar "serios daños" a la economía nortemericana. Ante una multitud de jóvenes en un colegio de Virgina del Norte, Obama ha dicho que habrá que hacer "pequeños sacrificios" fiscales y ha defendido sus medidas frente a las que proponen los republicanos, si bien confía en que ambos partidos lleguen finalmente a un acuerdo.

"Soy optimista. Nos hemos puesto de acuerdo otras veces. Creo que podemos hacerlo una vez más", ha afirmado el líder demócrata, después de criticar la propuestas republicanas y asegurar que su partido reducirá el gasto sin frenar las ayudas a la educación, la energía y la ciencia.

Obama viajará esta semana alrededor del país con el mensaje de que el Gobierno debe reducir su deuda y para ello tendrá que recortar gastos en Defensa y asistencia sanitaria, además de incrementar algunos impuestos. "Todos tendrán que hacer pequeños sacrificios", ha dicho el presidente, "también se los podemos pedir a los millonarios".

El presidente ha defendido su plan frente al de los republicanos, que a su juicio recortaría la misma cantidad de gasto pero de forma más dura, afectando a los programas estatales de asistencia sanitaria para mayores de 65 años (Medicare) y para las personas con bajos ingresos (Medicaid). "Voy a necesitar vuestra ayuda. No puedo permitirme teneros a todos como simples espectadores en este debate", ha dicho Obama a los jóvenes. "Hay un camino para resolver este problema de déficit de forma inteligente, que es compartiendo los sacrificios. Pero no puedo hacerlo si vuestras voces no son escuchadas", ha concluido, después de insistir en que los republicanos se niegan a que se compartan dichos sacrificios.

La gira del mandatario estadounidense comienza el mismo día que China, el mayor acreedor del país norteamericano, ha instado a Washington a adoptar "medidas responsables" para proteger a los inversores después de que la agencia de calificación de riesgos Standard & Poor's amenazase ayer con rebajar la nota de solvencia de la deuda de la primera potencia mundial por los problemas políticos para cerrar un acuerdo sobre cómo reducir el déficit público. Desde la Administración estadounidense, su presidente, Barack Obama, se ha mostrado confiado en que Demócratas y Republicanos lleguen "pronto" a un acuerdo, "aunque no será fácil y habrá fuertes desacuerdos", ha añadido.

"Esperamos que el gobierno de Estados Unidos se tome en serio las medidas políticas necesarias para proteger los intereses de los inversores", ha advertido el portavoz del Ministerio de Exteriores de Pekín, Hong Lei, en referencia a las actuaciones anunciadas por la Casa Blanca para reducir el déficit. China ha sido, en los últimos meses, blanco de las críticas de Estados Unidos por, según los argumentos de la Casa Blanca, mantener artificialmente devaluada su moneda, con lo que hoy el Gobierno de Pekín, que tiene cerca de 870.000 millones de dólares en bonos del Tesoro estadounidense, ha aprovechado el aviso de la agencia para devolverle las críticas.

Standard & Poor's ha puesto la calificación de EE UU, actualmente en el máximo o triple A que equivale a una matrícula de honor, bajo perspectiva negativa ante los problemas para llegar a un acuerdo antes de 2012 sobre cómo atajar los problemas presupuestarios a medio y largo plazo del país. "Si no se consigue un acuerdo y una adecuada aplicación para esa fecha, el perfil fiscal de Estados Unidos sería más débil que la valoración de una triple A", explicó ayer la agencia.

Antes de la intervención de Barack Obama, el secretario del Tesoro, Timothy Geithner, ha vuelto a mostrar hoy su rechazo a la decisión de S&P: "Estoy en desacuerdo", ha afirmado en una entrevista a la CNBC. En contra de la decisión de la agencia y en defensa de la actuación de Washinton, Geithner ha argumentado que la economía está mejorando y que están sustancialmente mejor que otros grandes países.

En cuanto a la pugna política, ha defendido en referencia a la posibilidad de un acuerdo que "si se escucha con atención a las dos partes, ambas entienden que hay que hacerlo y hacerlo juntos". "El presidente y el Congreso entienden que hay que emprender reformas para reducir los déficit a largo plazo, y que hay hacerlo de manera que no afecte a la fortaleza de la economía ni al ciudadano", ha añadido. "Podemos estar en desacuerdo en cómo hacerlo, sí podemos fijarnos objetivos comunes de reducción del déficit y ahorros", ha destacado.

domingo, junho 27, 2010

Apocalipse no Golfo? – Com algumas reticências quanto ao teor das informações infra e fundadas reservas quanto às respectivas fontes, a seguir se reproduz o teor de algumas notícias que estão a circular com insistência em certos meios e que causam naturais apreensões, senão, mesmo, alarme.

Será uma explosão nuclear a solução para estancar a fuga de petróleo no Golfo do México?





Deliberadamente os nossos meios de comunicação não relatam o que se está realmente a passar e que é bem mais perigoso do que tem sido até agora divulgado  ou então estão a ser objecto de censura externa.

 Da Rússia, a jornalista Sorcha Faal informa-nos que circula no Kremlin um relatório preocupante destinado ao Primeiro-ministro Putin da parte de Anatoly Sagalevich do Instituto Shirshov de Oceanologia da Federação Russa advertindo que o fundo marinho do Golfo do México já se encontra “irreparavelmente” fracturado e que o nosso planeta deve mentalizar-se e preparar-se  para um desastre ecológico desmedido “para além de toda e qualquer compreensão”, salvo se se tomarem medidas extraordinárias” para deter o fluxo maciço de petróleo bruto para o undécimo maior corpo de água do mundo (o Golfo do México).

O mais importante ao analisar-se a advertência de Sagalevich é que ele e os seus colegas científicos da Academia Russa de Ciências são os únicos seres humanos que estiveram no local do derrame de petróleo no Golfo, após terem sido chamados ao local do desastre por parte da companhia petrolífera britânica  BP, depois do afundamento da plataforma “Deepwater Horizon”, em 22 de Abril.

O pedido que a BP fez a Sagalevich, pouco depois desta catástrofe se ter iniciado deve-se ao facto dele deter o recorde mundial de imersão em água doce  e a sua experiência com os veículos de Submergência Profunda da Rússia, o MIR 1 e o MIR 2 que possuem a capacidade para transportar as respectivas tripulações a uma profundidade de 6.000 metros.

Segundo o relatório de Sagalevich, o derrame de petróleo para o Golfo do México não está apenas a escoar-se pelo poço de 22 polegadas que os EUA mostram através das suas cadeias de televisão, mas  pelo menos de 18 outros poços sobre o “fundo  marinho fracturado” sendo o maior de 11 quilómetros, donde se afundou o “Deepwater Horizon” e está vomitando para as águas do Golfo cerca de 10 milhões de litros de petróleo/dia.

É interessante salientar que este relatório de Sagalevich, assinalando que ele próprio e outros científicos russos, foram solicitados pelos EUA para subscreverem documentos, em que se comprometiam, sob compromisso de honra,  a não relatarem as suas pesquisas e descobertas a qualquer meio de comunicação social, quer norte-americano, quer de qualquer outro pais e tiveram de o fazer para operar de forma legal em águas territoriais dos Estados Unidos.

Não obstante, Sagalevich diz que ele e outros científicos foram dando actualizações quase hora a hora ao governo norte-americano bem como aos funcionários da BP sobre o que estavam a observar no fundo marinho, incluindo ao Senador Bill Nelson, do estado da Florida, que, na posse dessas informações, terá  referido à estação  noticiosa MSNBC “Andrea estamos vendo algo totalmente novo agora mesmo, ou seja, existem já notícias de que o petróleo está a escoar-se para cima  desde o fundo marinho… o que indicaria, se é que isto está  absolutamente certo, que a coberta do poço se encontra de facto perfurada debaixo do fundo marinho. Assim, como sabes, os problemas poderiam ser muito maiores do que os que, até agora, pensávamos estar a enfrentar”.

Ainda que não estejam directamente referenciadas no relatório de Sagalevich, as descobertas dos científicos russos sobre o verdadeiro estado do desastre petrolífero do Golfo do México estão, para além de qualquer dúvida, a ser comunicadas ao seu amigo de longa data Matthew Simmons que foi o assessor principal do ex-Presidente George W. Bush, a quem os relatos dos media norte-americanos assinalam abertamente: “Matthew Simmons está a fazer finca pé tentando maximizar a sua história asseverando que há outro derrame  gigantesco no Golfo do México bombeando quantidades monstruosas de petróleo naquelas águas”. Em “Fast Money” da CNBC, o referenciado disse que ficaria  surpreendido se a BP pudesse aguentar até ao final do Verão, afirmando que o desastre é da total  responsabilidade daquela empresa.

Como pessoa proeminente na indústria petrolífera e um dos  mais destacados peritos do mundo nesta matéria, Simmons sublinha  que os Estados Unidos têm uma única opção” deixar secar o poço - o que levaria cerca de 30 anos e arruinaria o oceano Atlântico - ou detoná-lo nuclearmente”.

O governo de Barack Obama, por outro lado, indicou que a opção nuclear não está  sobre a mesa para pôr fim a esta catástrofe, o que conflitua com a opinião dos peritos russos e norte-americanos que advogam esta medida antes que tudo esteja perdido e, como informa o diário Britânico, The Telegraph:

“A antiga União Soviética utilizou armas nucleares em cinco ocasiões distintas entre 1966 e 1981 para apagar com êxito poços de gás e de petróleo na superfície (terá havido uma só tentativa que falhou). Tudo isto foi documentado por um relatório do Departamento de Energia dos Estados Unidos sobre os usos pacíficos da URSS das explosões nucleares.”

Aparentemente, a Rússia está agora a  pressionar os Estados Unidos para que façam o mesmo.

O Komsomoloskaya Pravda, o diário russo de maior tiragem, assegura que, ainda que se baseie na experiência soviética, existe uma possibilidade em cinco de que o poço possa não selar , trata-se de  “uma aposta que os norte-americanos terão que arriscar”.

Diz-se que a URSS desenvolveu dispositivos nucleares especiais para fechar os poços de gás pondo em prática a teoria de que a explosão de uma detonação nuclear taparia qualquer poço num raio de 25 a 30 metros, dependendo da potência do dispositivo. As explosões maciças podem utilizar-se para fazer colapsar um poço com  fugas, tapando, ou pelo menos contendo substancialmente o fluxo de petróleo.

“A detonação nuclear do fundo marinho está a começar a ser encarada como factível e apropriada” é o que diz o engenheiro Mecânico  da Universidade do Texas, Michael E. Webber enquanto que o investigador visitante sobre política nuclear e ex-oficial naval Christopher Brownfield escreveu no Daily Beast: “Já teríamos demolido este poço com explosivos há mais de um mês. E, no entanto, vemos com um insuportável espanto que a BP vai desonestamente  usando e descartando plano após plano para recuperar o seu petróleo e resguardar a sua propriedade”.

Quanto à razão do governo Obama para negar-se sequer a ponderar a detonação deste poço por meios nucleares, Sagalevich refere no seu relatório que a “preocupação principal” dos Estados Unidos não é a catástrofe ambiental que está na origem deste desastre, mas antes o impacto que a utilização de uma  arma nuclear para estancar  o derrame teria sobre a contínua produção de petróleo do Golfo do México e que num mundo sequioso de energia continua a ser a única região produtora de petróleo do planeta com capacidade para aumentar a respectiva produção.

Acresce que para além da  catástrofe ambiental que ocorre actualmente no Golfo do México, a situação poderia piorar pois novas informações dos Estados Unidos confirmam as sombrias previsões dos científicos russos relativos aos venenos de dispersão de petróleo que está usando a BP e que estão a ser recolhidos até ás nuvens e caindo como chuva tóxica  matando todas as plantas vivas com as quais entra em contacto.

Ignoramos qual será o resultado final desta catástrofe, resta-nos sublinhar o que parece óbvio, ou seja a opção com que se confrontam hoje os EUA e deter este desastre por qualquer meio ou pagá-lo muito mais caro, depois.

Perante tudo isto, valerá o petróleo barato o preço da destruição do nosso próprio planeta? A BP certamente pensa nestes termos, esperamos que Obama pense de modo diferente.