quarta-feira, fevereiro 09, 2011


Crise na Costa do Marfim – Painel de Chefes de Estado




(transcrição com a devida vénia do semanário  “Angolense”, de 5 de Fevereiro)

Após acesas discussões, e por entre um lobby intenso das duas «fac­ções» e dos países seus apoiantes, o Conselho de Paz e Segurança da UA decidiu estabe­lecer um painel especial de Che­fes de Estado que deverão «num prazo de não mais de 30 dias» encontrar uma solução de cum­primento obrigatório para todos os ivoirienses.
O Conselho – composto por Jonathan Goodluck (Nigéria), Ro­bert Mugabe (Zimbabwe), Jacob Zuma (África do Sul) e Hihike­punye Pohamba (Namíbia), sendo os últimos quatro aliados do Pre­sidente dos Santos – decidiu que o painel deverá ter um represen­tante de cada uma das 5 regiões do continente (Magrebe, África Ocidental, África Oriental e Áfri­ca Austral) e apoiada por uma equipa de peritos, que envidará todos os esforços diplomáticos e políticos no sentido de encontrar «uma solução negociada e pacífi­ca que ponha em primeiro lugar os interesses do povo ivoiriense».
Caso para dizer que dos três eixos propostos por Angola, dois já foram alcançados: O descarta­mento do uso da força e «a solu­ção africana para um problema africano». O que não está claro é como fica a situação da Presi­dência da República: «Presidente Constitucional» Gbagbo ou «Pre­sidente Eleito» Ouattara? Eis a questão.
Dúvidas e incertezas
A União Africana indicou cin­co Chefes de Estado para consti­tuir o painel encarregado de en­contrar uma solução para a crise política na Costa do Marfim num prazo de não mais de um mês.
Os líderes do Burkina Faso (CEDEAO), Tchad (África Cen­tral), Mauritânia (Magrebe), África do Sul (SADC) e Tanzânia (Àfrica Oriental) farão parte do painel, juntando-se a Bingo wa Mutharika e Jonathan Goodluck.
Espera-se que o painel defina uma resolução de cumprimento obrigatório para ambas as partes do conflito ivoiriense, o Presiden­te em funções Laurent Gbagbo e o Alassane Ouattara, reconheci­do pela comunidade internacio­nal, incluindo as Nações Unidas, como o vencedor das últimas elei­ções presidenciais realizadas em Novembro de 2010.
Conforme noticiava a Voz da América em Dakar, a 31 de Ja­neiro de 2010, observadores no entanto já expressam dúvidas quanto à consecução desse desi­derato, seja quanto à efectividade do cumprimento obrigatório, seja no prazo indicado. O único con­senso entre os membros do painel parece ser o que o Presidente Ab­del Aziz resumiu dizendo que «a única maneira de encontrar uma solução africana para um proble­ma africano é através da aplicação da sabedoria, cultura e valores africanos».
Quanto ao resto, segundo as mesmas fontes, as divergências persistem. Enquanto o Presidente Jonathan da Nigéria e Presidente em exercício da CEDEAO conti­nua defendendo a posição do uso da força para apear Gbagbo do poder, Jacob Zuma da África do Sul, em representação da SADC, defende que os mediadores da União Africana «deverão ter em linha de conta as preocupações de Gbagbo em relação à eventuais fraudes efectuadas no processo de votação». Observadores acre­ditam que a posição de Zuma foi concertada com o Presidente dos Santos de Angola, a primeira e até agora única voz que se posicionou explicitamente a favor de Gbagbo.
Este manifestou através de um porta-voz que acolhia favoravel­mente a criação do painel, e con­vidava-o desde já a deslocar-se à Costa do Marfim para promover as negociações com Alassane Ouattara. Porém o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Algid Djedje foi avisando que o seu go­verno «não aceitará as suas cons­tatações a não ser que estejam de acordo com a constituição ivoi­riense», numa clara indicação que rejeitará qualquer conclusão que indique que Gbagbo perdeu as eleições de Novembro, já que foi declarado vencedor pelo Conse­lho Constitucional.
Angola - Isabel dos Santos persegue jornalista - por Gisela Amaral




Terça, 08 Fevereiro 2011 18:24



Lobito - A filha primogénita   do Presidente José Eduardo dos Santos, Isabel, tem estado a perseguir, em tribunal o jornalista português Nuno Pinto, a quem acusa de a ter ofendido, desonrado o seu bom nome (Dos Santos) e invadido a intimidade da sua vida privada. 
O jornalista, num artigo escrito a 19 de Julho de 2007, em colaboração com Ricardo Marques e Helena Cristina Coelho, indicava que o casamento de Isabel dos Santos, com o congolês-norueguês Sindika Dokolo, teve três mil convidados e dois aviões foram alugados para transportar os convidados do exterior. Mais, os jornalistas mencionaram que, no frescor da sua juventude, Isabel dos Santos levava uma vida boémia, de farras e citam um caso em que, a jovem, no Brasil teve de ser apoiada pelo protocolo após ter ingerido meia garrafa de whisky. Estas são as ofensas.

Quando do seu casamento, a imprensa independente angolana, nomeadamente o Agora, Folha 8 e o Angolense, escreveram sobre os aviões alugados que transportaram os convidados do casal, a partir de França e Portugal. Na altura, os jornais também fizeram referências ao facto dos convidados terem  vindo a Angola sem vistos, e terem passado a imigração sem quaisquer problemas. Os excessos do casamento, que se calculava a um custo total de quatro milhões de dólares, foram amplamente divulgados em Angola, sem que para tal a Isabel dos Santos tivesse coragem de se sentir ofendida e processar a imprensa angolana. Os pasquins, como chama o seu pai.

Sobre a vida boémia e de bebedeiras de Isabel dos Santos, a sociedade angolana pouco se importa, mas é verdade. No casamento do General João de Matos com a ex-miss Angola Emília Guardado, no Mussulo, Isabel dos Santos “varreu” duas garrafas de champanhe Cristal, calculadas cada uma ao preço de dois mil dólares. É o seu lado Azeri. Nada de mal. O pai não bebe.

O problema é o argumento invocado por Isabel dos Santos para atormentar os jornalistas portugueses, algo que em Angola remete aos subordinados do seu pai. A Sra. Isabel dos Santos alega que é uma pessoa altamente profissional e competente, mui respeitada e acarinhada em todo o mundo pelo seu “perfil educado e refinado”. Assim, Isabel dos Santos sente-se exposta, como figura pública, que frequenta os mais altos círculos empresariais portugueses e angolanos.

Por todas essas injustiças, a Princesa, como também é conhecida, pede um indemnização de 25 mil euros pelo “sofrimento” por que está a passar, para entregá-los a Cruz Vermelha de Angola, como boa samaritana que é.

Isabel dos Santos, tem sido presidente da Cruz Vermelha de Angola, há muitos anos. Os funcionários da CVA praticamente desconhecem que a filha do presidente os tem dirigido, no papel. Nunca a viram nas instalações da CVA, cujo estado de degradação é bastante visível. Não se conhecem actos de caridade de Isabel dos Santos para com os angolanos, para além das suas monumentais farras no Miami Beach, seu restaurante.

O que Isabel não menciona no caso, é que a sua riqueza não ofende a socidade angolana. Esta é feita à custa da pilhagem do país por parte do seu pai e a quadrilha que o cerca, levando a morte milhares de angolanos privados de serviços de saúde básicos, alimentação básica, etc.

A questão que se coloca aos leitores do Club– K, ora consagrados como jurados, é a seguinte. Apresentados os argumentos qual é o veredicto popular à queixa apresentada por Isabel dos Santos?

* Gisela  Amaral 

terça-feira, fevereiro 08, 2011


Malawi - Proibido peidar! Farting strictly forbidden!



Malaui Criminaliza Flatulência em Público

O Parlamento do estado africano do Malaui tem agendada para debate a partir da próxima segunda-feira a criminalização de manifestações públicas de flatulência.

O ministro da Justiça e Assuntos Constitucionais, George Chaponda, deu um claro sinal de que leva a questão muito a sério ao afirmar, citado pela agência sul-africana SAPA, que "o governo tem a obrigação de garantir a decência pública e de introduzir ordem no país".

Chaponda considerou que o mau hábito de libertar gases intestinais em público é uma consequência directa da democracia, sendo, em sua opinião, necessário que as pessoas aprendam a "controlar a natureza".

"Este hábito não existia nos tempos da ditadura porque os cidadãos temiam as consequências, mas desde que o país abraçou a democracia multipartidária há 16 anos as pessoas começaram a sentir que podem libertar gases em qualquer lado", referiu o ministro da Justiça, que propôs a criminalização.

O Partido Democrático Progressista, ao qual pertence o ministro, parece levar o assunto tão a sério como o próprio Chaponda e está disposto a usar a sua maioria parlamentar para aprovar uma nova lei que torne ilegal a flatulência.

Uma lei dos tempos da ditadura já ilegaliza aquele acto mas as autoridades não a fazem cumprir.

A legislação, ainda em vigor, estabelece que "qualquer pessoa que vicie a atmosfera em qualquer lugar e com isso torne nocivo o ar para as pessoas em geral que transitam ou trabalhem na vizinhança ou na via pública será considerada culpada de delito de menor gravidade".

Apesar da sua firmeza, o ministro da Justiça já assegurou que a nova lei, a ser passada, manterá o estatuto de "menor gravidade" para o crime de flatulência pública.

O Malaui é uma sociedade conservadora, que ao longo dos anos proibiu uma série de comportamentos considerados aceitáveis na maior parte dos países africanos, como o uso de calças e mini-saias pelas mulheres e homens de cabelos longos.

Para o leitor atento, brevíssimos comentários de carácter científico: Se o homem se peida em média 14 vezes ao dia, o cheiro depende da ingestão de determinados alimentos e de certas bebidas, variando em função do maior ou menor conteúdo de enxofre e de gás sulfídrico, de uns e de outras. Uma dieta rica em enxofre produz mais bactérias no intestino e é certo e sabido que os peidos vão cheirar mal. Alguns peidos são audíveis e outros não, tudo depende da vibração da abertura anal,  da velocidade de expulsão do gás e da abertura ou contracção dos músculos do esfíncter anal. 

Cuidado, se for ao Malaui, não esqueça que lá não se pode peidar alegre e descontraidamente e mesmo arrotar é suspeito!   

sexta-feira, fevereiro 04, 2011


Cairo – Os meus parabéns a Aristides Gonçalves.



Não há dúvida que tem feito um trabalho excelente, no meio daquela bagunçada. O Zé Tuga tem sempre que se queixar, mas desta vez se o faz não tem razão nenhuma.
Pena, foi que essa emissora ranhosa, de quinta ordem que dá pelo nome de TVI, num destes dias, deu em primeira mão que não se conseguia falar para a nossa embaixada no Cairo e que respondia de lá uma gravação em árabe, não sendo, por conseguinte, verdade a afirmação, feita pelo embaixador Aristides Vieira Gonçalves, que a missão estava a laborar a 100% ,24 horas sobre 24.
Se a TVI ou alguém por ela soubesse árabe (eu até sei um bocadinho, porque por lá andei durante uns anos) , constataria que a gravação, da telefónica egípcia, muito simplesmente referia que os circuitos estavam saturados e que as comunicações estavam temporariamente interrompidas, pedindo para se ligar mais tarde. É natural que, naquele caos, os circuitos através da linha fixa terrestre estivessem saturados! Em seguida, não contente com isso, a TVI transmite uma gravação em inglês a dizer a mesmíssima coisa. A incompetência é, pois, total e recomenda-se... Mas será muito difícil assumir as besteiras, as idiotices, as acusações gratuitas e, sobretudo, a inépcia, e pedir desculpa?  Transmitam telenovelas que é o que sabem fazer.
Quem tem manda a ti sapateiro tocar tão mal rabecão...
Não defendo Aristides que ele não precisa de advogado, mas são coisas que não se fazem.

Tunísia e a nossa embaixada entre palmeiras


Isto de se viver à distância da nossa “ditosa Pátria minha amada” tem destas coisas. Somos forçados a fazer marcha atrás nas críticas feitas à embaixadora  em Tunes. Todavia, somos forçados a fazer outras que têm por alvo outros destinatários, porque, à boa maneira lusitana, desta feita, a culpa não pode, nem deve morrer solteira. Aparentemente, a embaixadora,  dra. Rita Ferro, não estava lá porque tinha sido autorizada a deslocar-se à pátria para tratamento oftalmológico urgente (aparentemente, tratava-se de um deslocamento de retina, a necessitar de operação urgente). Por conseguinte, a sua ausência de Tunes está plenamente justificada e já não está qui quem falou. Todavia, que eu saiba, existe normalmente um número dois em cada missão diplomática que assume imediatamente o comando das tropas como encarregado de negócios, não é verdade? Então porque não actuou no momento certo e da forma adequada. Dizem-me ...dizem-me...dizem-me que esse número dois, que não sei quem é tem medo da própria sombra e é totalmente incompetente. Então, como é? Os interesses de Portugal estão entregues a gente desse jaez? Como é que esse senhor passou no concurso? Como é que está em posto se não é capaz de agir na altura própria? Quem é que o mandou para lá? E porque carga de água lá continua?
Mas dizem-me, mais, muito mais. Parece que o Secretário-Geral, Vasco Valente, autorizou Rita Ferro a vir para Lisboa, atento o circunstancialismo descrito, mas não informou em conformidade e em tempo oportuno S. Exa. Ministro e este inadvertidamente meteu o pé na poça. Falta grave! Merecia até outro qualificativo! Mas que raio de Secretário-geral é este que num caso destes escamoteia informação ao “Poupas”? Além do mais toda a gente sabe das dissensões deste último com o nosso Primeiro, em que por tudo e por nada diz e logo a seguir desdiz.
O MNE, como habitualmente, fica muito mal na fotografia e ...a “carreira” ainda pior.

terça-feira, fevereiro 01, 2011


Egipto: pirâmides sem sombra


Para os EUA, para o Ocidente em geral e, principalmente, para Israel, o status quo vigente até há umas semanas atrás é sempre preferível a este estado de agitação e de instabilidade permanentes sem rumo determinado. O problema principal consiste, pois, na imprevisibilidade, uma vez que pode – e naturalmente vai – emergir uma situação complexa e desconhecida. De momento os acontecimentos que se sucedem em catadupa parecem conduzir a uma conjuntura caracterizada pela  fluidez.
Com efeito, no Egipto, o regime sempre foi militar. Nasser, Sadat e Mubarak vieram todos eles das fileiras. Qualquer deles esteve no poder porque a classe castrense egípcia assim entendeu que devia ser. As mudanças introduzidas por Mubarak, vão no sentido de dar ainda mais força às Forças Armadas: os novos Vice-presidente e PM são militares.
Mas quais são ou podem ser os cenários futuros?
Antes do mais, o regime pode reinventar-se a si próprio. Retira algumas cartas do baralho e prossegue com outras cartas o mesmo jogo, introduzindo algumas alterações cosméticas, podendo-o fazer com Mubarak ou, em alternativa, com uma outra figura militar. Num segundo cenário, realizam-se eleições com resultados inconclusivos forçando a uma coligação que, muito presumivelmente, só será possível com a  Irmandade Muçulmana, a principal (senão, mesmo, a única) força política organizada do pais. Aí, o Egipto entra por uma via de radicalização acelerada e tudo pode acontecer. Uma aliança com o mundo islâmico anti-ocidental e anti-Israel é perfeitamente possível. Esta radicalização do Egipto, dada a sua dimensão regional, conduzirá a uma radicalização de todo o mundo islâmico ( e neste caso, o afastamento da Turquia do campo ocidental, já visível e a sua aproximação ao Egipto é uma mera hipótese, porém, plausível e preocupante). Num terceiro cenário, a criação de um estado laico, reclamada por algumas elites, é, por ora, altamente improvável, porque depararia com a oposição firme da rua.
Assim, o triângulo Egipto-Turquia-Irão, em que cada um dos vértices apresenta características próprias  que as distinguem dos demais poderá conduzir, mas não necessariamente , a uma onda de radicalismo. Nesta matéria, quaisquer previsões são prematuras.
Independentemente da solução encontrada o Egipto vai-se afirmar face aos EUA e a Israel e esse é um dado praticamente adquirido, o que não quer dizer que irá denunciar os acordos de Camp David (1978).
Alguns apontamentos
É estranho que a U.E. venha, agora, reclamar, “eleições livres e justas” no Egipto, ao fim destes anos todos. Então porque não as reclamou antes? Não reclamou antes porque a situação então vigente era confortável e não convinha levantar ondas. O Egipto não era um regime opressivo e que não respeitava os direitos humanos? Opressivo, opressivo, havia bem pior...E os princípios? Bom... os princípios são isso mesmo. Variam consoante a latitude... Não vale a pena falar mais no assunto.
E El Baradei e o seu papel no meio de tudo isto? No fundo, é uma espécie de Gorbachov egípcio, conhecido e estimado além fronteiras e ignorado ou odiado intra-muros. Não terá grande relevância no processo interno do país sem respaldo militar consistente, sendo duvidoso que o consiga obter.
A fúria do regime (e dos militares) contra os media internacionais, como fautores de todos os problemas que o Egipto padece é um péssimo sinal. Daí o encerrar-se a Internet e a rede móvel, como se fosse possível isolar um país de 80 milhões de habitantes do mundo exterior, ao abrigo de alegados vírus perigosos que andam por aí à solta e que são a razão de todos os males. Registe-se que se é  o regime que manda  encerrar, os  militares mantém a interdição. Está tudo dito.    

segunda-feira, janeiro 31, 2011

 Aposentados de ouro puro na Comissão Europeia






Recebi por e-mail um texto que divulgo sem comentários e que considero relevante para todos, como segue:


"PARA NOS ASSUSTAREM E NOS MANTEREM CALADOS E QUIETOS, FAZEM CONSTAR QUE SE A U.E. SE DESAGREGAR, A EUROPA VIRARÁ UM CAOS! A  SALVAÇÃO DOS EUROPEUS É , NO ENTANTO, VOLTAR COM TUDO AO ANTIGO, ELIMINAR ESTES POLÍTICOS CORRUPTOS, CONTROLAR AS FRONTEIRAS E CADA PAÍS REORGANIZAR UMA POLÍTICA REALÍSTICA QUE PRIVILEGIE A PRODUÇÃO INDUSTRIAL, A AGRICULTURA E O COMÉRCIO EXTERNO, DE FORMA A CRIAR EMPREGOS E PODER ECONÓMICO !SE NÃO SE FIZER ISTO, BYE-BYE EUROPA!!!


Já reparou? Os políticos europeus estão a lutar como loucos para entrar na administração da UE !
E por quê?

Leia  o que segue, pense bem e converse com os amigos.
Envie isto para os europeus que conheça!
Simplesmente, escandaloso!

Foi aprovada a aposentadoria aos 50 anos com 9.000 euros por mês para os funcionários da EU!!!. Este ano, 340 agentes partem para a reforma antecipada aos 50 anos com uma pensão de 9.000 euros por mês.

Sim, leu correctamente!

Para facilitar a integração de novos funcionários dos novos Estados-Membros da UE (Polónia, Malta, países da Europa Oriental ...), os funcionários dos países membros antigos (Bélgica, França, Alemanha ..) receberão da Europa uma prenda de ouro para se aposentar.

Porquê e quem paga isto?

Você e eu estamos a trabalhar ou trabalhámos para uma pensão de miséria, enquanto que aqueles que votam as leis se atribuem presentes de ouro.
A diferença tornou-se muito grande entre o povo e os "Deuses do Olimpo!"

Devemos reagir por todos os meios começando por divulgar  esta mensagem para todos os europeus.
É uma verdadeira Mafia a destes Altos Funcionários da União Europeia ....

Os tecnocratas europeus usufruem de verdadeiras reformas de nababos ...
Mesmo os deputados nacionais que, no entanto, beneficiam do "Rolls" dos regimes especiais, não recebem um terço daquilo que eles embolsam.
Vejamos! Giovanni Buttarelli, que ocupa o cargo de Supervisor Adjunto da Protecção de Dados, adquire depois de apenas 1 ano e 11 meses de serviço (em Novembro 2010), uma reforma de 1 515 € / mês. O equivalente daquilo que recebe em média, um assalariado francês do sector privado após uma carreira completa (40 anos)..
O seu colega, Peter Hustinx acaba de ver o seu contrato de cinco anos renovado.  Após 10 anos, ele terá direito a cerca de € 9 000 de pensão por mês.

É simples, ninguém lhes pede contas e eles decidiram aproveitar ao máximo. É como se para a sua reforma, lhes fosse passado um cheque em branco.

Além disso, muitos outros tecnocratas gozam desse privilégio:
1. Roger Grass, Secretário do Tribunal Europeu de Justiça, receberá € 12 500 por mês de pensão.
2. Pernilla Lindh, o juiz do Tribunal de Primeira Instância, € 12 900 por mês.
3. Damaso Ruiz-Jarabo Colomer, advogado-geral, 14 000 € / mês.
Consulte a lista em:
http://www.kdo-mailing.com/redirect.asp?numlien=1276&numnews=1356&numabonneXSSCleaned=62286

Para eles, é o jackpot. No cargo desde meados dos anos 1990, têm a certeza de validar uma carreira completa e, portanto, de obter o máximo: 70% do último salário. É difícil de acreditar ... Não só as suas pensões atingem os limites, mas basta-lhes apenas 15 anos e meio para validar uma carreira completa, enquanto para você, como para mim, é preciso matar-se com trabalho durante 40 anos, e em breve 41 anos.
Confrontados com o colapso dos nossos sistemas de pensões, os tecnocratas de Bruxelas recomendam o alongamento das carreiras: 37,5 anos, 40 anos, 41 anos (em 2012), 42 anos  (em 2020), etc. Mas para eles, não há problema, a taxa plena é 15,5 anos... De quem estamos falando?
Originalmente, estas reformas de nababos eram reservadas para os membros da Comissão Europeia e, ao longo dos anos, têm também sido concedida a outros funcionários. Agora eles já são um exército inteiro a beneficiar delas:: juízes, magistrados, secretários, supervisores, mediadores, etc.

Mas o pior ainda, neste caso, é que eles nem sequer descontam para a sua grande reforma. Nem um cêntimo de euro, tudo é à custa do contribuinte ...
Nós, contribuímos toda a nossa vida e, ao menor atraso no pagamento, é a sanção: avisos, multas, etc.
Sem a mínima piedade. Eles, isentaram-se totalmente disso. Parece que se está a delirar!

Esteja ciente, que até mesmo os juízes do Tribunal de Contas Europeu que, portanto, é suposto « verificarem se as despesas da UE são legais, feitas pelo menor custo e para o fim a que são destinadas », beneficiam do sistema e não pagam as quotas.
E que dizer de todos os tecnocratas que não perdem nenhuma oportunidade de armarem em «gendarmes de Bruxelas» e continuam a dar lições de ortodoxia fiscal, quando têm ambas as mãos, até os cotovelos, no pote da compota?
Numa altura em que o futuro das nossas pensões está seriamente comprometido pela violência da crise económica e da brutalidade do choque demográfico, os funcionários europeus beneficiam, à nossa custa, da pensão de 12 500 a 14 000 € / mês após somente 15 anos de carreira, mesmo sem pagarem quotizações... É uma pura provocação!

O objectivo é alertar todos os cidadãos dos Estados-Membros da União Europeia. Juntos, podemos criar uma verdadeira onda de pressão.

Não há dúvida de que os tecnocratas europeus continuam a gozar à nossa custa e com total impunidade, essas pensões. Nós temos que levá-los a colocar os pés na terra.

«Sauvegarde Retraites» realizou um estudo rigoroso e muito documentado que prova por  "A + B" a dimensão do escândalo. Já foi aproveitado pelos media.

http://www.lepoint.fr/actualites-economie/2009-05-19/revelations-les-retraites-en-or-des-hauts-fonctionnaires-europeens/916/0/344867 "

domingo, janeiro 30, 2011


Egipto: Revolta à beira Nilo
January 29, 2011 | 2207 GMT

Egyptian President Hosni Mubarak remains the lifeblood of the demonstrators, who still number in the tens of thousands in downtown Cairo and in other major cities, albeit on a lesser scale. After being overwhelmed in the Jan. 28 Day of Rage protests, Egypt’s internal security forces — with the anti-riot paramilitaries of the Central Security Forces (CSF) at the forefront — were glaringly absent from the streets Jan. 29. They were replaced with rows of tanks and armored personnel carriers carrying regular army soldiers. Unlike their CSF counterparts, the demonstrators demanding Mubarak’s exit from the political scene largely welcomed the soldiers. Despite Mubarak’s refusal to step down Jan. 28, the public’s positive perception of the military, seen as the only real gateway to a post-Mubarak Egypt, remained. It is unclear how long this perception will hold, especially as Egyptians are growing frustrated with the rising level of insecurity in the country and the army’s limits in patrolling the streets.
There is more to these demonstrations than meets the eye. The media will focus on the concept of reformers staging a revolution in the name of democracy and human rights. These may well have brought numerous demonstrators into the streets, but revolutions, including this one, are made up of many more actors than the liberal voices on Facebook and Twitter.
After three decades of Mubarak rule, a window of opportunity has opened for various political forces — from the moderate to the extreme — that preferred to keep the spotlight on the liberal face of the demonstrations while they maneuver from behind. As the Iranian Revolution of 1979 taught, the ideology and composition of protesters can wind up having very little to do with the political forces that end up in power. Egypt’s Muslim Brotherhood (MB) understands well the concerns the United States, Israel and others share over a political vacuum in Cairo being filled by Islamists. The MB so far is proceeding cautiously, taking care to help sustain the demonstrations by relying on the MB’s well-established social services to provide food and aid to the protesters. It simultaneously is calling for elections that would politically enable the MB. With Egypt in a state of crisis and the armed forces stepping in to manage that crisis, however, elections are nowhere near assured. What is now in question is what groups like the Muslim Brotherhood and others are considering should they fear that their historic opportunity could be slipping.
One thing that has become clear in the past several hours is a trend that STRATFOR has been following for some time in Egypt, namely, the military’s growing clout in the political affairs of the state. Former air force chief and outgoing civil aviation minister Ahmed Shafiq, who worked under Mubarak’s command in the air force (the most privileged military branch in Egypt), has been appointed prime minister and tasked with forming the new government. Outgoing Intelligence Chief Omar Suleiman, who has long stood by Mubarak, is now vice president, a spot that has been vacant for the past 30 years. Meanwhile, Defense Minister Field Marshal Mohammed Hussein Tantawi (who oversees the Republican Guard) and Egypt’s chief of staff of the armed forces, Lt. Gen. Sami Annan — who returned to Cairo Jan. 29 after a week of intense discussions with senior U.S. officials — are likely managing the political process behind the scenes. More political shuffles are expected, and the military appears willing for now to give Mubarak the time to arrange his political exit. Until Mubarak finally does leave, the unrest in the streets is unlikely to subside, raising the question of just how much more delay from Mubarak the armed forces will tolerate.
The important thing to remember is that the Egyptian military, since the founding of the modern republic in 1952, has been the guarantor of regime stability. Over the past several decades, the military has allowed former military commanders to form civilian institutions to take the lead in matters of political governance but never has relinquished its rights to the state.
Now that the political structure of the state is crumbling, the army must directly shoulder the responsibility of security and contain the unrest on the streets. This will not be easy, especially given the historical animosity between the military and the police in Egypt. For now, the demonstrators view the military as an ally, and therefore (whether consciously or not) are facilitating a de facto military takeover of the state. But one misfire in the demonstrations, and a bloodbath in the streets could quickly foil the military’s plans and give way to a scenario that groups like the MB quickly could exploit. Here again, we question the military’s tolerance for Mubarak as long as he is the source fueling the demonstrations.
Considerable strain is building on the only force within the country that stands between order and chaos as radical forces rise. The standing theory is that the military, as the guarantor of the state, will manage the current crisis. But the military is not a monolithic entity. It cannot shake its history, and thus cannot dismiss the threat of a colonel’s coup in this shaky transition.
The current regime is a continuation of the political order, which was established when midranking officers and commanders under the leadership of Gamal Abdel Nasser, a mere colonel in the armed forces, overthrew the British-backed monarchy in 1952. Islamist sympathizers in the junior ranks of the military assassinated his successor, Anwar Sadat, in 1981, an event that led to Mubarak’s presidency.
The history of the modern Egyptian republic haunts Egypt’s generals today. Though long suppressed, an Islamist strand exists amongst the junior ranks of Egypt’s modern military. The Egyptian military is, after all, a subset of the wider society, where there is a significant cross- section that is religiously conservative and/or Islamist. These elements are not politically active, otherwise those at the top would have purged them.
But there remains a deep-seated fear among the military elite that the historic opening could well include a cabal of colonels looking to address a long-subdued grievance against the state, particularly its foreign policy vis-à-vis the United States and Israel. The midranking officers have the benefit of having the most direct interaction — and thus the strongest links — with their military subordinates, unlike the generals who command and observe from a politically dangerous distance. With enough support behind them, midranking officers could see their superiors as one and the same as Mubarak and his regime, and could use the current state of turmoil to steer Egypt’s future.
Signs of such a coup scenario have not yet surfaced. The army is still a disciplined institution with chain of command, and many likely fear the utter chaos that would ensue should the military establishment rupture. Still, those trying to manage the crisis from the top cannot forget that they are presiding over a country with a strong precedent of junior officers leading successful coups. That precedent becomes all the more worrying when the regime itself is in a state of collapse following three decades of iron-fisted rule.
The United States, Israel and others will thus be doing what they can behind the scenes to shape the new order in Cairo, but they face limitations in trying to preserve a regional stability that has existed since 1978. The fate of Egypt lies in the ability of the military to not only manage the streets and the politicians, but also itself.

This report is republished authorized by www.stratfor.com

quinta-feira, janeiro 27, 2011

A política externa de Dilma Rousseff


Vou tentar ser tão objectivo quanto possível. 
A novel presidente do Brasil (e não presidenta - que eu saiba ela não é resistenta, nem antiga combatenta)  vai ter que delinear a sua política exterior dando seguimento às linhas traçadas por Lula. Aqui não vai certamente haver grande inovação, nem mudança detectável O Brasil incha o peito de ar porque já está no grupo dos grandes. Todavia, tem de saber entrar no jogo e isto não é futebol no Maracanã, nem tem Ronaldinho Gaúcho para marcar golos.
Já Celso Lafer no “Estadão” (“Estado de São Paulo” de 18 de Setembro de 2010) referia que “O Brasil não enfrenta problemas de segurança de envergadura, como países do Oriente Médio ou da Ásia, que estão mais próximos dos riscos da situação-limite paz/guerra. Por isso, pode considerar o desafio do desenvolvimento nacional, na sua abrangente sustentabilidade - econômica, social, política, ambiental, de inovação e conhecimento -, como sua grande necessidade interna. Cabe lidar bem com esse desafio, que significa ampliar o poder de controle da sociedade brasileira sobre o seu próprio destino, numa era de globalização, na qual o mundo se internaliza na vida dos países, inclusive no capítulo dos riscos (por exemplo, tráfico de drogas, crises econômicas, mudanças climáticas).” Contudo, para alcançar o desejado objectivo do desenvolvimento (apesar dos índices e do crescimento verificado, o Brasil ainda possui muitas características terceiro-mundistas) a classe política e, neste caso, a Presidente têm de compreender bem a extrema complexidade do mundo em que vivemos. Olhar para o umbigo, não basta. Lafer sublinha: “A minha crítica à diplomacia lulista é dupla. Entendo que, com consequências negativas para o País, não definiu apropriadamente as necessidades internas e não avaliou corretamente as possibilidades externas.” Dilma prosseguindo nesta esteira não irá longe e o Brasil poderá perder a oportunidade única que se lhe oferece. Presumivelmente, vamos ter com alguns matizes, uma diplomacia oca, que se vê ao espelho e que se sente encantada com o que vê, mas o que não verá, certamente, são resultados concretos.
Esta política, em larga medida, de sobre-estima e de vaidade partidariza a administração pública e coloca-a ao serviço da nova presidente, como já esteve ao serviço pessoal de Lula. A abertura indiscriminada e sem critério discernível de novas embaixadas e consulados, à laia de grande potência para nada serve, se não se processar em nome de uma politica e em prol de uma estratégia (O Brasil tem embaixadas em todos os países das Américas, sem excepção, incluindo as ilhas das Caraíbas que têm de ser descobertas no mapa-mundi com a ajuda de uma lupa).  O mesmo se aplica mutatis mutandis à abertura de vagas em profusão para ingresso na carreira diplomática.
No período de Lula da Silva, o  Brasil sobre-estimou-se nos casos do Irão e das Honduras, mas, em contrapartida,  sub-estimou-se nas questões ambientais (onde é líder), na defesa dos direitos humanos e,\ na falta de dinamização dada ao Mercosul.
Lafer conclui: “A diplomacia lulista, em razão dos equívocos acima apontados, vem descapitalizando de maneira crescente o soft power da credibilidade internacional do Brasil, comprometendo, desse modo, o próprio prestígio do País. Esta situação vem sendo agravada pelo empenho do presidente em construir amigas parcerias com regimes permeados pela iniquidade do arbítrio (por exemplo, o Irã de Ahmadinejad). A continuidade desta diplomacia é indesejável. Não contribuirá para a sustentabilidade da ação externa brasileira num cenário que se avizinha como mais complexo, seja no contexto das tensões da nossa vizinhança, seja no campo multilateral, seja no jogo das grandes potências, no qual despontam as novas parcerias da China e da Índia com os EUA.”
Mas será que a política externa de Dilma será, realmente, uma evolução na continuidade?
Para Bárbara Ladeia (Brasil Económico), para além do prestígio que o Brasil beneficia como potência emergente e a que, naturalmente, será dado seguimento, Dilma diverge de Lula em relação ao Irão, porque, em seu entender, devia condenar o regime de Teerão por violações dos direitos humanos. Mas será que, na mesma linha, vai condenar Chavez e outros ou a solidariedade revolucionária vai falar mais forte e não terá outro remédio senão calar a boquinha?  
Por outro lado, ao substituir Celso Amorim por António Patriota, Dilma vai procurar controlar ao milímetro a politica externa e o Itamaraty. Aí não sobram quaisquer dúvidas. 
Noutro âmbito a parceria Sul-Sul - e aqui vêm ao de cima os temas da agenda pessoal de Dilma - vai constituir uma das grandes prioridades deste governo.
Mais preocupante – neste particular, surgem diferenças em relação ao anterior mandatário – é a atitude proteccionista em matéria de comércio externo ao arrepio das tendências planetárias, que Dilma Rousseff vai querer defender. Com efeito, como noticia o “Portugal Digital”:   "Técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (do Brasil) examinam alternativas, como a imposição de barreiras tarifárias para conter importações consideradas prejudiciais para alguns setores da produção nacional. 

(...)O objetivo é recuperar a balança comercial positiva em relação a maior parte dos parceiros econômicos do Brasil.
(...)A lista de produtos sujeitos a essas restrições ainda não foi concluída, mas a ideia é priorizar as mercadorias que têm similares produzidos no Brasil ou que têm condições de serem fabricados no país".
Quais são os rumos possíveis da política exterior brasileira? Vejamos:
a)   O Brasil vai-se voltar para a Ásia, para além da China e Índia, também para a Indonésia, Malásia, Tailândia e Coreia.
b)   A América Latina, um Mercado em expansão e onde o Brasil dispõe de grandes trunfos – trata-se de uma orientação tradicional e que não diverge a seguida no passado próximo.
c)   África – uma actuação em vários azimutes dando, porém, prioridade às relações comerciais com a África do Sul, Angola e Nigéria.
d)   Europa já não figura na primeirissíma linha, mas  o relcionamento é, ainda, tido por relevante sobretudo em função da U.E. e dos principais países que a integram
e)   Meio-ambiente – trata-se de um sector fundamental, negligenciado por Lula e onde o Brasil pode e deve desempenhar um papel  de primeiro plano.
Os próximos encontros de A. Patriota em Davos com os seus homólogos da China, Índia, África do Sul, Austrália, Reino Unido, Suíça. Alemanha, União Europeia e EUA dão bem conta das orientações de Dilma em política externa.
A programada visita de Obama ao Brasil em Março, tal como anunciada no discurso do estado da União, “para forjar novas alianças para o progresso das Américas”, constitui uma aproximação aos EUA e culminará no branqueamento total de Dilma Rousseff. Assim são as coisas!
E as relações com Portugal e com a CPLP? Obviamente, secundárias, meu caro Watson, secundárias.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Pipiroom, sus muchachos y sus chavalitas
Margarida vai à fonte? 


A inefável Margarida andava permanentemente insatisfeita. Queria um postão mas não lho davam, queria sair do ambiente opressivo  e malsão dos claustros, mas não conseguia, queria, sobretudo, ver-se livre de Nunos e quejandos que a ultrapassavam e se lhe impunham em cada curva do caminho, mas...em vão. Vai daí e pede ao Bem-Amado (ou Mal-Amado, depende da perspectiva) para sair, rapidamente e em força, para posto da sua preferência. Tinha na mira Berlim onde fazem umas bolas afamadas. Enfim, pediu um posto de ouro e o homem de longos cabelos prateados a ondear ao vento, procurou no pequeno deserto de ideias que  se esconde na sua caixa ucraniana  e disse: “Pois, não há nada para ninguém. Postos tenho-os de cobre, bronze, latão ou estanho, mas como  não quer...Olhe, os tempos estão maus, já nem sequer tenho nada em prata, excepto a cabeleira. Quanto ao ouro, é só para compinchas. Sim, sim, eu conheço bem as suas simpatias e a sua militância xuxa, mas o balcão para si fechou e outros valores mais altos se alevantam.” Perturbada com tamanha tirada intelectual, Margarida, só não meteu o rabo entre as pernas, porque a celulite, acumulada ao longo dos anos, não a deixava. Cabisbaixa já não vai à fonte, vai para casa. End of story! 

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Amado (the loved one) e o PM 




Election in Portugal - part II - Why voters couldn't vote






Foi de facto uma vergonha e um escândalo, quando milhares de cidadãos foram objectivamente impedidos de votar. A lei pode prever prazos para os eleitores confirmarem a informação necessária a fim de exercerem o respectivo direito de voto. Daí as autoridades poderem sempre sacudir a água do capote. A culpa é sempre dos outros e nunca delas. Todavia, (i) nada justifica a quebra dos sistemas informáticos e (ii) ninguém se deu ao trabalho de vir aos media explicar como deviam proceder e com que antecedência o deviam fazer, (iii) nem os media, didacticamente, se propuseram esclarecer o que quer que fosse (i.e., a página do portal do eleitor na Internet é esta, o pedido de envio de SMS é feito através deste número, as informações obtém-se aqui, etc...). Ninguém nasce ensinado.

sábado, janeiro 22, 2011


Pré-crise, crise e pós-crise

A crise económica e financeira global com que o mundo se confronta de há dois anos a esta parte marca o fim da ordem planetária estabelecida desde 1945. Em 1989, o “pilar soviético” colapsou e agora assistimos à decomposição acelerada do “pilar occidental” com os Estados Unidos bem no núcleo central do processo de desintegração e a Europa já numa fase adiantada do mesmo, condenada que foi à marginalização e à irrelevância, há algum tempo, em grande parte por culpa própria e em parte também por culpa alheia.
Durante duas décadas vivemos o mito do alegado “fim da história”, em que os nossos ideário, cultura e civilização ocidentais seriam impostos à escala universal. Essa quimera, inventada por Francis Fukuyama, foi-nos extremamente prejudicial porque nos levou por caminhos ínvios e, sobretudo, à convicção de que essa fantasia era uma verdade absoluta e irrefutável. Com  efeito, seria quase impossível imaginar  um “mundo pós-crise” cujas tendências não fossem definidas em Washington ou em Wall Street,  que o adjectivo “anglo-americano” não fosse sinónimo de  “moderno” ou  que o dólar não fosse senhor e rei.
Tal como na Europa Oriental, antes de 1989 – a situação actual não difere  da verificada nessa altura e nesse espaço - , nem os nossos meios de comunicação social, nem os nosso líderes políticos foram capazes de nos “fazer imaginar o inimaginável”, porque estão demasiado concentrados no curto prazo, demasiado preocupados em fazer-nos “esquecer o inesquecível”, designadamente as consequências sócio-económicas da crise através do mundo e, antes do mais, dentro das nossas próprias fronteiras. Esta rejeição da futurologia, mesmo a mais evidente, esta falta de antecipação, esta incapacidade real de previsão da nossa débil liderança e das nossas elites decadentes e provincianas, impede-nos lamentavelmente de ver o que nos espera no horizonte não muito longínquo de 2020. A verdade é que ninguém se preocupou com o longo prazo, nem sequer com o médio.
         Que conflitos é que o “mundo pós-crise” nos reserva? Como é que nos devemos preparar para as turbulências monetárias e económicas dos próximos anos? Como é que podemos adaptar-nos à nova situação como europeus ou como norte-americanos? Antes do mais, como vamos interagir com os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) e as demais potências emergentes? Quais serão as novas regras do jogo? Que dificuldades e obstáculos se deparam a esses países na sua ascensão à primeira linha? Como é que os  nossos filhos e netos se vão posicionar para enfrentar os desafios do “mundo pós-crise”, como cidadãos e como profissionais?
Estas são algumas das muitas perguntas que podemos e devemos formular aos nossos dirigentes, intelligentsia e media porque requerem reflexão e, consequentemente, acção, quer a nível individual, quer colectivo. Porque a presente crise económico-financeira, política, cultural  e de valores morais, que estamos a viver, consiste não só no termo definitivo de um “mundo pré-crise”, mas, principalmente, o dealbar da construção de um “mundo pós-crise”, por conseguinte uma baliza histórica, que se situa, grosso modo, entre 2010 e 2014, para dar lugar a uma nova situação, a partir de 2015. Consequentemente, o período de transição em que nos encontramos corresponde a uma fase terminal, na perspectiva do advento da nova era que se lhe seguirá. Temos de ter pistas e orientações para seguir em frente e não podemos cometer demasiados erros, temos igualmente de enfrentar os desafios e de não desperdiçar as oportunidades que se nos apresentam.