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quarta-feira, julho 20, 2011


Diplomacia económica à moda lusitana


Segundo a edição on-line do Expresso vai ser criado um novo grupo de trabalho (mais um) para “repensar a diplomacia económica”. Em suma, nesta matéria, nem Portas, nem Passos Coelho, parecem ter grandes ideias, nem sequer foram buscar inspiração ao inefável Martin Cross, que há uns anos, numa manhã de Outono, pensava ter descoberto a pólvora, perante o bruto Povão embasbacado. O certo é que o novo Poder quer a diplomacia económica, a todo o vapor e sob a dependência directa do PM, com ideias novas e com uma articulação própria PM-Ministério da Economia (AICEP?)-Ministério dos Estrangeiros (DGATE?), porém ainda a definir (veja-se o que aqui já dissemos a este respeito).  Tudo bem, mas o certo é que falta alguma inspiração para tocar a música  - até porque também falta a partitura e o improviso já deu o que tinha a dar  – e, claro, o  tempo, entretanto, vai correndo célere.



Pergunta-se o que é que faz o representante de Angola no Millenium-BCP, o embaixador jubilado António Monteiro, no meio de tudo isto.
O grupo tem 45 dias para apresentar um relatório e depois virá, seguramente, outro grupo para propor medidas concretas exequíveis. E depois tem de se passar à implementação no terreno. E depois falta nomear alguém para o AICEP- E depois...
 Bom, assunto a seguir. Eu diria mesmo mais: atentamente.

Aqui vai, com a devida vénia, a transcrição da notícia do “Expresso”:

Braga de Macedo repensa diplomacia económica
Passos Coelho quer um novo modelo para a diplomacia económica. Braga de Macedo, Campos e Cunha e António Monteiro têm 45 dias para dizer como.

Braga de Macedo vai liderar equipa de seis pessoas

Jorge Braga de Macedo foi o escolhido pelo primeiro-ministro para coordenar um grupo de trabalho encarregado de repensar a diplomacia económica. Os ex-ministros Campos e Cunha e António Monteiro também aceitaram integrar a equipa, que terá seis pessoas.
Pedro Passos Coelho quer um novo modelo de interligação entre os vários serviços ligados à captação de investimento estrangeiro. O primeiro-ministro chamou a si a tutela directa do AICEP (a Agência do Estado criada para o efeito), até aqui repartida entre a Economia e os Negócios Estrangeiros.
O grupo presidido por Braga de Macedo (ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva) tem 45 dias para fazer um relatório sobre o assunto.  

quarta-feira, julho 13, 2011


Necessidades: Estamos mais uma vez numa de evolução na continuidade?


Há dias publicámos um post com a transcrição integral das orientações em termos de  política externa, tal como constam do programa do Governo.
Teresa de Sousa no “Público” (edição de 28 de Junho) glosava o tema considerando tratar-se de “continuidade”. O documento refere que “a política externa assente em opções europeias, atlânticas e lusófonas... reúnem largo consenso e têm merecido acordo político consistente”. Todavia, como a Oeste não há nada de novo, reza o documento que tem de se “procurar ir “além dos consensos tradicionais”, apostando numa “fortíssima diplomacia económica”. Ora isto, não acrescenta rigorosamente coisa alguma, limitando-se a enfatizar, apenas, uma das vertentes da política externa – tão cara ao inefável Martino Della Croce que pensava, in illo tempore, ter inventado a pólvora, quando ela já existia desde há muito -, não nos dizendo, porém, como se pensa alcançar tal desiderato e com que meios. Mas isto sossega os bons espíritos e, aparentemente, é isso que importa.
Assim Teresa de Sousa rematava o artigo referenciado com a seguinte frase: “Por enquanto, pois, quase nada de novo nas Necessidades. E ainda bem.” No fundo o que a autora quer dizer é que em matéria tão sensível como é o caso da politica externa, o melhor é não mexer muito na panela para não estragar a sopa, para mais no quadro da conjuntura que estamos a viver. Talvez...Who knows?
A nosso ver, estas asserções acabam por ser no essencial verdadeiras e, com algum pesar nosso, não se vislumbram, à partida, grandes diferenças entre a politica externa do PS e a do PSD/CDS. Subsistem, porém, alguns matizes entre uma e outra, nalguns casos, são alterações ligeiríssimas, quase indetectáveis.
Em termos de objectivos estratégicos o que nos diz o programa do Governo é que são no essencial 5, a saber:
a)    “Uma política europeia competente e credível”
b)   “importância do relacionamento com os países de expressão portuguesa,”
c)    “lealdade à aliança atlântica”;
d)    “Ter em especial atenção o exercício do mandato no Conselho de Segurança das Nações Unidas”;
e)    “Acompanhar de forma empenhada as mudanças no Magrebe, o processo de paz do Médio Oriente.
f)    – “Revalorizar as comunidades de portugueses, residentes no estrangeiro...

Vejamos:
-       Os objectivos a), b) e c) são os tradicionais – e consensuais - da política externa portuguesa que se repetem num leit motiv enfadonho de há mais de três décadas a esta parte. Trata-se do famoso triângulo Europa – CPLP – EUA/Aliança Atlântica. Em regra tudo o que não se inscreve no triângulo ou é inexistente ou é, na prática, irrelevante.
-       O mandato do Conselho de Segurança é meramente conjuntural e termina dentro de um ano. Acaba quando deve acabar. End of story!
-       O interesse pelo Magrebe e Médio Oriente que não é de agora, já tinha sido esboçado pelo Governo de Sócrates e pretende constituir uma tentativa (ou antes pretende dar alguma consistência a uma tentativa) de transformar o triângulo em quadrilátero, porém sem uma orientação estratégica definida e sem uma análise ponderada da situação. Aliás, ao tempo de Sócrates, algumas aproximações ao Magrebe/Médio Oriente foram totalmente desajeitadas ou inoportunas, como é bem patente no caso da Líbia. A maioria dos avanços tentados foram tíbios e mal concebidos.
-       As referências às comunidades portuguesas no exterior, quer na sua versão tradicional de “emigras” ou na modernaça de “expats”, são as mesmas de sempre. Rien à signaler!
-       Todavia, contrariamente ao que pensávamos, não se vislumbram no documento quaisquer menções de um relacionamento estratégico com os BRIC’s ou com qualquer um deles em particular ou com as novas economias emergentes, nem tão-pouco com a América Latina (esta continua a ser um feudo de Castela, valha-nos o Tratado de Tordesilhas). Apesar de se aludir no texto ao “reforço da diplomacia económica”, não se percebe exactamente como é que isso se fará e quando se fará. Para já sabe-se que o AICEP ficará na dependência do Primeiro-Ministro e a diplomacia económica sob a sua alçada. Neste capítulo, algumas perguntas se impõem: (i) Como é que o AICEP se vai articular com o MNE designadamente com a DGATE (Direcção-geral dos Assuntos Técnicos e Económicos) e com as embaixadas e missões? (ii) Quem será o Secretário de Estado nas Necessidades encarregado de fazer o interface GabPM-MNE-DGATE-AICEP-Ministério de Economia e de orientar estrategicamente este sector? (iii) Quem será o futuro presidente do AICEP para substituir o troca-tintas Basílio Horta? Todas estas perguntas permanecem, por ora, sem resposta.
-       Dizia Giscard d’Estaing que o fundamental na arte da governação é saber escolher pessoas para os lugares certos, no momento adequado. E esta tarefa cabe, iniludivelmente, ao novo Ministro e ao seu staff mais próximo. Já aqui nos referimos à urgente necessidade de isso ser feito com toda a possível brevidade. Trata-se de uma meia-dúzia de pessoas, mas têm de ser mudadas: umas já e outras a prazo. Não é só o caso referenciado do AICEP, mas, principalmente, do Secretário-geral, Director político, REPER Delegação junto da NATO e alguns (não muitos) postos de embaixador de primeiro plano 
Bem feitas as contas, assim  escreve Teresa de Sousa: “ A “inovação” não é assim tão grande. Depois de concluir com êxito a negociação do Tratado de Lisboa durante a presidência portuguesa da União (segundo semestre de 2007), Luís Amado anunciou a mesma viragem nos esforços diplomáticos do país [no reforço da diplomacia económica, entenda-se]. A crise económica e financeira apenas a tornou mais urgente.

segunda-feira, junho 27, 2011


Alterações no MNE?



Recomendo, mais uma vez, a leitura do blogue Albino Zeferino, cujo último post (REVOLUÇÃO NO MNE) contem alguns comentários e reflexões relativas ao assunto em epígrafe que suscitaram a nossa atenção.
Até que ponto é que as mudanças, que parecem estar a ser introduzidas nas Necessidades por Paulo Portas constituem ou não uma revolução  é por ora matéria especulativa. Mas, muito provavelmente, o novo titular vai bulir com a rotina e com o corporativismo da “Casa”, a que o cinzentão Amado e os socialistas que por lá passaram sempre se curvaram, com mesuras e os habituais discursos redondos, ou, no mínimo, deixaram correr o marfim.
O novel titular de facto quer marcar bem que quem “manda é ele e que não vai precisar da máquina para nada a não ser para protocoladas e liturgias diplomáticas” – 100% de acordo. Se assim for, bravo – não podemos deixar de aplaudir. Por outro lado, o líder do CDS tem de se desembaraçar rapidamente da corja de socialistas e maçons que por lá andam e que se eternizam nos grandes postos e esta é, de facto, uma questão de fundo, da maior relevância. Desfazer o que levou décadas aos xuxas e demais compagnons de route a concretizar não será, porém, tarefa fácil, antes pelo contrário.
Divergimos de Zeferino num ponto relevante, a que já nos referimos em correspondência anterior: não podemos dar de barato que, como orientação estratégica, Paulo Portas vá privilegiar a Europa e o comércio externo, pelo menos na forma que alguns concebem uma e outro. Afigura-se-nos que, por um lado, é demasiado cedo para se avançar por este tipo de previsões (o que não quer dizer que sejam desprovidas de lógica e de coerência) – o Ministro ainda não se pronunciou clara e publicamente nesse sentido, ou, se se quiser, em qualquer sentido -  e, além disso, o PM e o PSD têm, como é óbvio, uma palavra a dizer em matéria de prioridades de politica externa. Mais. Também não pensamos que se vá assistir a uma subalternização da política relativa às comunidades portuguesas no estrangeiro e, igualmente, na que toca à cooperação com África, o que toca particularmente ao partido maioritário e ao seu líder.
É muito provável, isso sim, que Portas venha a dar uma importância acrescida às relações com os BRICs, com a América Latina e com o mundo árabe, no sentido da diversificação,  para não se manter esta subordinação absurda aos interesses da “velha Europa” e da Senhora Merkel, cujos resultados nefastos estão à vista. Para mal dos nossos pecados, 80% do nosso comércio externo é com a chamada Europa comunitária. Chegou a altura, embora tardia, de mudar de agulha e esta é uma necessidade imperativa. Todavia, noutros capítulos deverão manter-se as orientações tradicionais.
Crucial é o Ministro e os Secretários de Estado verem-se livres da escumalha roso-maçónica e oportunista que prepondera nos corredores das Necessidades e nos postos e missões no estrangeiro, sobretudo os da linha Revlon e os de primeiro plano, em termos politico-económicos, entenda-se.
Voltando à gestão da Casa e da rede diplomática, antes do mais, o CDS tem uma fraca implantação no MNE, como refere a justo título Zeferino. O PS pelo contrário dispõe de uma ampla margem de apoio e de um bem dimensionado terreno de manobra  – Zeferino menciona que contou  “16 embaixadores amigalhaços de Soares ao mesmo tempo em Embaixadas”, pois, meus caros leitores, eu já contei bastante mais.
O que é que Portas pode e deve fazer?
A)   Antes do mais – trata-se  da questão que supera todas as outras -, mudar a Cova da Moura e a Reper, colocando nesses lugares  gente da sua confiança, isto não só a nível da respectiva chefia politica, portanto do  Secretário de Estado, tendo já sido indigitado Miguel Morais Leitão, mas do próprio Director-geral, que tem de sair. Depois terá de retirar o homem da REPER, ou seja o ex-Secretário de Estado socialista, Manuel Lobo Antunes (foi Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Defesa e depois S.E. dos Assuntos Europeus – querem mais?), que só ocupou o lugar por mérito da sua fidelidade rosa. Há quem insinue que, há uns anos atrás, M. Lobo Antunes esteve na origem do escândalo que obrigou Martin de la Croix a demitir-se. Dizem...não tenho, nem ninguém tem provas...mas lá dizer, dizem.
B)    Em seguida (2ª grande prioridade) tem de correr com o Secretário-geral, Vasco Valente e com o Director-geral Político. São lugares de confiança política absoluta do Ministro: o Secretário-geral é o gestor da “Casa”, detendo um poder desorbitado dentro do MNE e o Director Politico é o responsável pela implementação da politica externa. O primeiro navega, como se sabe, em águas socialistas; o segundo afirma ser neutro, mas anda por lá perto.
C)  Nos postos é que se esperam grandes modificações, umas no imediato e outras a médio e longo prazos. Quase todos os postos da linha Revlon ou de primeira grandeza para a politica externa lusitana e estão ocupados por gente da era amado-socrática. Ora vejamos, em breve síntese:
-       ONU, Nova Iorque – ocupada por um assumido militante de esquerda que só recebeu amplas benesses dos diferentes poderes socialistas (designadamente de Sampaio, Gama e Amado,  e que até o idiota do António Monteiro curvou  a  espinha), mas, como afirma a justo título Zeferino, presumivelmente só depois de Portugal deixar o Conselho de Segurança, pois haveria inconvenientes se isso fosse feito de imediato.
-       Delegação junto da NATO – é chefiada por um ex-Secretário de Estado da Defesa do executivo socialista. Apesar do lugar estar preenchido há pouco tempo, a cabeça tem de rolar.
-       Representação junto da UNESCO -  socialista de cartão: tem de saltar.
-       Paris e Roma – ex-Secretários de Estado de Governos socialistas. Estão ambos em fim de carreira, provavelmente por aí ficarão até ao fim. É pena!
-       Luanda – posto muito importante para os interesses portugueses e agora mais do que nunca. Quem lá está, está de facto por lá há muito tempo. Trata-se do ex-Chefe de Gabinete de Jaime Gama. É um dos postos porque Paulo Portas tem de começar, sem quaisquer problemas e sem rebates de consciência.
-       Nos feudos do Barroso (Londres, Washington, Berlim) é melhor por ora não mexer. Aliás, Berlim vaga já em Fevereiro próximo.
-        Existem postos menos importantes (ou se se quiser de segunda grandeza) ocupados por socialistas (bolas! São mais que às mães), como, entre, outros, Viena, Atenas e Nova Deli. O louco de Viena devia ir para casa tratar-se, questão que se arrasta há anos. Por outro lado, se Portas quer dar um novo impulso ao relacionamento com os BRICs devia mudar o embaixador na Índia, ex-assessor de Sócrates. Antecipamos, o argumento: não se pode fazer tudo, nem estamos em época de caça às bruxas, mas esta gentalha tem de pagar, ou a justiça já passou a ver alguma coisa?

         Outras questões merecem atenção mais detalhada (designadamente a integração ou não do AICEP e quem será a personagem para ocupar o lugar do “vira-casacas” – mais um, entre muitos - , Basílio Horta), o que faremos proximamente.

sexta-feira, junho 24, 2011

Embaixada de Portugal em Copenhaga - “Something is rotten in the state of Denmark!, William Shakespeare "Hamlet." Act I, Scene 4.


De acordo com um post divulgado há já algum tempo no facebook “Podemos observar que há um descontentamento geral em relação ao funcionamento da embaixada/ consulado de Portugal em Copenhaga.” De facto, é, pelo menos,  interessante verificar o vendaval de críticas sobre o funcionamento da embaixada de Portugal em Copenhaga e em especial sobre as atitudes do respectivo embaixador, João Pedro Silveira de Carvalho. No ano passado, excluiu deliberadamente as crianças portuguesas ou luso-descendentes da festa nacional, alegando que a festa era dele e paga do seu próprio bolso.
Com efeito, segundo um outro post, esta incompreensível exclusão das crianças e menores da festa nacional não só esteve na origem de decepção, mas também de mágoa dos portugueses: “Sinto-me decepcionada com a decisão que o Senhor Embaixador tomou de excluir as crianças e jovens abaixo dos 21 anos. Parece que uns são mais portugueses do que outros. Na minha opinião a sua atitude é condescendente, recorrendo a um certo abuso do seu estatuto e função diplomática não deixando espaço para discussão e uma eventual revisão da sua decisão. Atitude contrária aos valores da democracia e igualdade social valores altamente estimados na sociedade e cultura dinamarquesa que o Senhor Embaixador igualmente deveria acomodar no seu encontro e tratamento dos residentes portugueses. Indigna-me o facto de não haver espaço para as nossas crianças no nosso território português e existir espaço para elas na Dinamarca…
As queixas superam os elogios, que também os há, mas são escassos e pouco significativos: “Eu cheguei há pouco tempo á Dinamarca, mas as queixas aqui deixadas em relação á embaixada portuguesa não me surpreendem. Para mudar a embaixada é preciso mudar o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o que é o mesmo que dizer, mudar a atitude diplomática portuguesa e a cultura prevalecente em Portugal. 

Vivi em vários países (Europa e Norte de África) e esta situação repetiu-se em todos. As embaixadas são microcosmos da sociedade portuguesa de compadrios, influências, incompetência e desinteresse.


O governo português peca na promoção da cultura portuguesa em países lusófonos, quanto mais num país escandinavo!”
Todavia, o curioso da história da recepção do dia de Portugal  é que este ano não houve nada para ninguém, dando o embaixador praticamente a entender – o que não é verdade, tenha-se em atenção o que o próprio disse antes – que não haveria recepção devido a restrições orçamentais, subentendendo-se, pois, que a celebração seria custeada pelo Estado português. Que eu saiba cada chefe de missão ou de posto costuma pagá-la do seu bolso...é para isso que serve o chamado subsídio de representação que os diplomatas recebem todos os meses.
Mas leia-se o comunicado oficial de S.Exa o embaixador que vale a pena: 

"Recepção pelo dia nacional


Por imperativo das restrições orçamentais decretadas pelo Governo Português, não se realizará este ano a recepção comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas na Residência do Embaixador de Portugal, no dia 10 de Junho de 2011.

Copenhaga, 05 de Junho de 2011"

Mas que vergonha, estas figuras de sendeiro, meu Deus!
O que é que o cós tem a ver com as calças?

João Pedro Silveira de Carvalho, mais conhecido nas Necessidades pela alcunha do “Pirilau”, já tinha feito das suas no Canadá, onde esteve antes, não sendo particularmente estimado pela comunidade portuguesa local . Silveira de Carvalho foi um antigo protégé do famigerado Martin of the Cross, tendo sido promovido à má fila, sem qualquer critério ou mérito discerníveis, à frente de 40 e tal colegas.
Quem quiser consultar as páginas do facebook com as referências a este assunto ou à comunidade lusa na Dinamarca, pode fazê-lo, aqui (http://www.facebook.com/topic.php?uid=58022141136&topic=15165#topic_top) e também aqui (http://www.facebook.com/pages/Portugueses-na-Dinamarca/168690956522537?sk=wall)

quinta-feira, junho 23, 2011

A estória de António C., segundo a revista “Sábado”



É um segredo de Polichinelo a identidade de um misterioso embaixador português (?!) colocado, há uns anos atrás,  num país de Leste. Também não o vamos identificar completamente, mas apenas dar mais umas dicas e  uns comentários sobre o assunto.
Tudo o que vem na “Sábado” é, segundo as minhas fontes, verdadeiro, mas incompleto. Faltam elementos relativos a determinados anos que constam do processo e que a reportagem da revista é a esse respeito omissa. 
Para alem da suspensão o  diplomata, que aguardava colocação no estrangeiro, foi, após as averiguações preliminares, posto na prateleira, tendo jurado vingar-se dos seus acusadores. Terá dito que uma vez  ascendendo o CDS (ou se se quiser a “Direita”) ao Poder voltaria à tona de água e seria limpo de toda e qualquer mácula, sendo-lhe dado um posto de eleição. E, claro está, vingar-se-ia então dos seus acusadores. Meus amigos, vendo o peixe pelo preço que o comprei.
A publicação do artigo da “Sábado”, neste preciso momento e atenta a conjuntura vigente no país, visa, objectivamente, impedir que o processo inverta o rumo normal a que está destinado e “entalar” Paulo Portas, que não poderá alegar desconhecimento do assunto, nem passar uma esponja sobre o mesmo, nem tão-pouco assobiar para o lado. Tem de actuar.
Esta manobra foi urdida por quem está nas Necessidades e sabe bem da poda, quem sabe se com “a little help from highly placed friends” ou pelo menos de um (sim, esse!).
Uma vez que o processo se encontra sub judice, seria prematuro e, além do mais, ilegítimo concluir-se pela culpabilidade do visado. Aliás, o MNE invariavelmente perde quase todas os pleitos em que é parte. Não seria este que iria ganhar. Assim, pretende apenas conquistar pontos na comunicação social e na opinião pública, antecipando-se a qualquer veredicto do tribunal, em regra aleatório.
Esta é uma visão realista do caso. 

segunda-feira, junho 20, 2011

Carta aberta ao futuro Ministro dos Negócios Estrangeiros – mais alguns comentários

Em relação ao post com o mesmo título, do blogue Albino Zeferino, permito-me tecer mais uns comentários adicionais. 
A asserção inicial é absolutamente justa e bem reveladora do verdadeiro estado de espírito da “Casa”: o objectivo essencial é, como sempre foi, meter o "ministro no bolso". Certíssimo! Aliás, isso vem, não só na esteira do período dito revolucionário, mas igualmente na tradição dos “conselheiros” da conhecida série da BBC  “Yes, Minister”. Mais. Quando os Ministros aterram no Largo do Rilvas ficam deslumbrados com o barulho das luzes, com as passadeiras vermelhas, com as estonteantes reuniões de Londres para Bruxelas, de Bruxelas para Nova Iorque de Nova Iorque para Nairobi, onde abordam um tutti-frutti de assuntos, que, como é óbvio, não dominam e falam com gente importantérrima que vêem nas páginas da "Hola". Durante 6 meses, não sabem onde estão, que língua é que vão falar, nem sequer se  lembram do nome da avozinha materna. Depois, tal como os jogadores de “bridge”, passada a fase inicial, acham que sabem tudo e que não precisam de nada, nem de ninguém. É claro que metem a pata na poça e aí saltam as acacianas figuras e os corteggiani, vil razza dannata  e... what did you expect?...estão feitos ao bife, mas tudo nos conformes e de acordo com as previsões.
Toda esta corte da cor, ou que muito camaleonicamente transita para a cor do momento, acaba por beneficiar de todas as benesses que o poder politico pode facultar, designadamente em termos de carreira: o Ministro garante-lhe os bons postos no estrangeiro, sobretudo da linha Revlon, e as promoções no momento certo e se possível adiantadas.
As críticas a Freitas do Amaral, apesar de correctas e adequadas, são, na minha modesta opinião, demasiado palacianas e brandas. O autor podia e, a  meu ver, devia ter ido bem mais longe, porque não se podem, por forma alguma, caucionar os vira-casacas e os troca-tintas que se entretém, nas horas vagas, a escrevinhar livrinhos onde até apresentam relatórios médicos para justificar o injustificável (refiro-me, bem entendido, à maravilhosa obra “Quinze meses no Ministério dos Negócios Estrangeiros”, Lisboa, 2006, que toda a gente deve ter na estante da sala, em lugar bem visível!).
  O futuro Ministro terá de se precaver das  muitas ciladas e armadilhas a que terá de fazer face e às constantes fugas de informação para o exterior, essencialmente para o tramar. Ana Gomes deu-lhe já uma amostra do que se pode fazer. Mas há mais. Acho que se devia afirmar aos quatro ventos - o que não é mais que uma verdade de La Palice - que o Ministério está cheio de socialistas e dos seus "fellow travellers" e que ninguém, mas ninguém, se pode fiar neles. O Ministro terá de ser muito criterioso e selectivo nas pessoas que escolhe e com quem se aconselha.
Finalmente, é linearmente claro que a minha opinião quanto  ao mito da integração  do AICEP no MNE, porque de um mito se trata, se mantém. Por aí não se vai a parte alguma, nem o novo Ministro da Economia estará, seguramente, disposto a ceder o que quer que seja.
Falta, porém, um ponto importante a Albino Zeferino: o novel Ministro não tem a menor ideia do modo como administrar a Casa e aí põe-se à mercê dos abutres. Esta questão é de primordial relevância. O MNE tem uma gestão muito complexa, porquanto administra uma estrutura em Lisboa, relativamente pequena e não muito diversa da de outros departamentos do Estado e, concomitantemente, gere uma rede muito vasta de postos e missões no exterior, com problemas intrincadíssimos a resolver, desde diferentes taxas de câmbio, em função das moedas locais, à justeza dos subsídios de representação e de residência dos funcionários diplomáticos, técnicos e administrativos, às contratações de pessoal local, à administração de um vasto património imobiliário, com características sui generis à disparidade das diferentes legislações nos países onde funcionam representações da República portuguesa e, finalmente, a gerência de um corpo indisciplinado, rebelde e, amiúde, complicado, preso a reivindicações de carácter corporativo e cujo sentido de Estado é amiúde duvidoso (nem sempre, como é evidente), ou seja a chamada “carreira”. Por estas razões, a gestão administrativa interna tem de passar por um membro do Governo devidamente credenciado (um Secretário de Estado, da confiança pessoal do Ministro, com amplas competências delegadas), acabando-se de vez com a administração pouco transparente, quando não atrabiliária e prepotente, do Secretário-geral, em isolado ou em co-gestão com o Director-geral do Departamento da Administração.

Bom, em próximos "posts" e mediante a evolução da situação voltaremos ao(s) assunto(s).
.

domingo, junho 19, 2011

Carta aberta ao futuro Ministro dos Negócios Estrangeiros




Com a devida vénia, transcrevemos na íntegra, do blogue albino zeferino
o texto abaixo reproduzido. Muito tiros acertam na "mouche", porém nem todos. Registam-se, por exemplo, as referências a Freitas do Amaral, esse sublime troca-tintas da política lusa. Por outro lado e contrariamente ao que defende o autor, o MNE jamais irá integrar o AICEP nas suas estruturas. Jámé! Mé! Mé! Veja-se a confusão incomensurável suscitada com a criação da Direcção Geral dos Assuntos Técnicos e Económicos, onde cabe tudo e mais alguma coisa e os resultados são nulos, para mais com a condução atrabiliária que tem tido. Segue, pois:

CARTA ABERTA AO FUTURO MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS

   Senhor Ministro
 
                 Excelência
 
 
          Seja quem fôr V.Exª. encontrará aqui preciosos conselhos para exercer convenientemente a espinhosa missão que lhe irá ser confiada. O Ministério (vulgarmente conhecido pela Casa) é uma amágama de interesses mais ou menos ocultos que apenas uma coisa têm em comum: meter o ministro no bolso. Esta mania vem-lhes da época revolucionária quando os ilustres antecessores de V.Exª. pouca ou nenhuma ideia tinham do que estavam a fazer e se entregavam despudorada e escandalosamente para os braços dos destemidos diplomatas que, cansados de tanta perseguição fascista, se degladiavam para obter as boas graças (diziam eles entre si "passar-lhe a capa") do ministro de turno (fosse ele quem fosse). Com o andar dos tempos e graças à vertiginosa sucessão de ministros que se foi verificando, o pessoal em serviço no Ministério deixou de assentar exclusivamente nos briosos diplomatas para ser enriquecido por inteligentes e habilitados assessores técnicos que sucessivamente foram engrossando os quadros do pessoal do Ministério (que por essa razão deixou aos poucos e poucos de ser familiarmente tratado por Secretaria de Estado para recordar os heróicos tempos de D.Luis da Cunha quando só os diplomatas pontificavam). Terá assim V.Ex.ª à sua disposição uma pleiade de corajosos e desempoeirados funcionários capazes de dar a vida por V.Ex.ª ou pelos seus projectos a troco de uma qualquer intimidade que V.Ex.ª resolva conceder-lhes a troco de jurada fidelidade e confessada devoção.
          Constou-me que, na tentativa de acompanhar o comboio da recuperação económica, V.Ex.ª teria em mente juntar ao seu ministério o famoso AICEP (antigo ICEP)  selecto organismo que medra em redor dos sucessivos Ministros da Economia como feudo privado para as suas incursões externas e que até hoje nenhum MNE conseguiu subtrair ao colega da Economia. Deixe-me felicitar V.Ex.ª pela corajosa e destemida resolução (para cuja concretização lhe desejo as maiores felicidades) na certeza de que irá assim contribuir para uma substancial melhoria da eficácia governativa com uma redução de custos ao Estado exangue e uma inteligente racionalização dos excepcionais meios humanos postos à sua disposição. Saiba V. Ex.ª que existe (desde a famosa reestruturação feita pelo ilustre administrativista Prof. Freitas do Amaral quando exerceu as funções agora felizmente cometidas a V.Ex.ª) no ministério uma direcção-geral (cuja designação me escapa agora) mas que tem por função articular com o AICEP a politica económica externa do Estado. Diziam as más línguas (que abundam invejosamente no ministério) que a criação de tal organismo se deveu à critica constante das oposições (sempre prontas a denegrir nas acertadas opções governativas) de que a politica económica externa escapava ao MNE. Amaral resolveu de uma penada este intrincado problema lançando à cara estupefacta da opoisição nada mais nem nada menos do que uma direcção-geral sem conteudo mas cheia de divisões (da diplomacia económica, das activadades económicas externas, das organizações económicas internacionais, etc. etc.) que entregou a uma amiga do peito, ilustre diplomata experiente e competente, que aguarda despacho de V.Ex.ª para ser colocada como embaixadora num cómodo país europeu onde tenciona acabar a sua carreira para o ano que vem.
          A genial decisão de V.Ex.ª de chamar a si a gestão do AICEP (agora livre da antiga presidencia que lhe coartava a competencia e lhe sugava os meios) vai certamente conferir uma nova e alargada dimensão ao ministério dos Negócios Estrangeiros que ansiosamente espera pela chegada de V. Ex.ª cansado das atribulações e das contradições dos socialistas que só desacreditaram Portugal na esfera extarna.
          Com os melhores cumprimentos e a Bem da Nação
 
                       ALBINO ZEFERINO  (correspondente diplomático)  em  14/6/2011  

quinta-feira, maio 05, 2011


Da suspensão do movimento diplomático



A suspensão do movimento diplomático normal trata-se de um acto atrabiliário e profundamente errado (para não o qualificar de outra forma) do Mal Amado, uma vez que se insere na gestão dos assuntos correntes e em nada ultrapassa as competências de um governo demissionário. O preenchimento dos 18 postos vagos para as categorias de Conselheiro e de Secretário de Embaixada não deixa de ser um acto de mera rotina, sem qualquer significado político (se fossem chefias de missão, outro galo, certamente, cantaria, mas, no caso vertente, francamente,...). Envolve despesas, é certo, mas gastos já previstos e perfeitamente enquadráveis no orçamento corrente. Nada do que se podia propor envolve encargos extraordinários ou incomportáveis no âmbito das rubricas orçamentais do MNE. Por conseguinte, a decisão do Ministro é intencional, na esteira da estratégia do quanto pior melhor e eu-de-certeza-não-estarei-cá-para-ver-o-que-se-segue. Com efeito, o “Cabeleira ao Vento” sabia que devia proceder a um movimento diplomático normal, mesmo que fosse minimalista – e a proposta do Secretário-Geral era um minimum minimorum. Não o fez porque não quis. Ponto final.
Abrir a embaixada no Abu Dhabi, numa altura destas, é que nos parece uma péssima medida, com reflexos orçamentais pesados, que a ninguém interessa e que não resolve nenhum problema da nossa política externa. Além do mais, dá um sinal errado para o exterior e sobretudo para opinião pública lusitana, de que, apesar da austeridade reinante, afinal sempre há dinheiro para algumas coisas. Mas o Ministro é que decide as prioridades e quando se devem ou não deitar foguetes.
Mas há mais. Dos 18 postos a preencher (ou seja, 15 embaixadas, a saber: Abuja, Belgrado, Bissau, Cairo, Camberra, Caracas, Estocolmo, Havana, Jacarta, Kinshasa, Maputo, Nairobi, Teerão, Tripoli e Washington, mais 3 consulados gerais, Caracas, Sydney e  Zurique), maioria situam-se em países do Terceiro Mundo (são os chamados postos “C”), cujo preenchimento é imperativo para o bom funcionamento da máquina e para os interesses de Portugal no mundo.  Por outro lado, esses postos, de grande desgaste físico e psicológico, implicam uma rotação regular, perfeitamente justificável, que não se compadece com as mudanças de humor do patrão.
Finalmente, este último não sabe que há prazos e regras processuais a cumprir ou ainda não aprendeu nada com os vários estágios que teve, ao longo dos anos, nas Necessidades?
Como nota de roda-pé, é deveras interessante este sacudir a água do capote e passar a bola para o próximo governo. Fica-lhe bem...

terça-feira, março 15, 2011

Diplomatas e equiparados (2º da série)

É interessante o despacho do Professor Diogo Freitas do Amaral (o modestíssimoo autor de "15 meses ao serviço do Ministério dos Negócios Estrangeiros" - Meu Deus! O que seria se ainda lá estivesse!), tal como transcrito no livro de Luís Mascarenhas Gaivão ("Um Adido Cultural no Luxemburgo"):


“...decidi hoje a extinção da comissão de serviço de V. Exa. como Conselheiro Cultural nessa Embaixada. [...] a decisão acima referida de extinção da sua comissão de serviço foi tomada sem necessidade da formalidade da "audiência prévia ao interessado” por ter sido declarada “urgente” [...].”

MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS

É má língua dizer que o Diogo é o vira-casacas do regime ou o expoente máximo do  cataventismo político. Vocês é que têm inveja. Olhem bem para o currículo deste senhor, sim, um verdadeiro senhor da vida lusitana. 



sábado, março 12, 2011


Diplomatas e equiparados



Do recente livro de Luís Mascarenhas Gaivão (“Um Adido Cultural no Luxemburgo”), que mão amiga acaba de mo fazer chegar, transcrevo, sem comentários, as seguintes passagens:

“Amigos, inimigos e amigos da onça
Ninguém tem apenas amigos, ninguém cultiva só inimigos, mas quando se é “equiparado a diplomata” – versão soft do conceito depreciativo, vulgarmente conhecido por DDM,  diplomata de merda -  que grande número dos diplomatas “genuínos” e encartados por autenticidade comprovada, made in Ministério dos Negócios Estrangeiros, alimentam em relação aos conselheiros e adidos das embaixadas,  há que proceder-se e tomarem-se atitudes revestidas do mais elegante trato, da mais apolínea educação, da mais requintada fineza, sempre e constantemente utilizando pinças de apurada diplomacia.
Estes procedimentos são obrigatórios para aqueles DDM serem minimamente tolerados no meio.
 Um verdadeiro e puro “equiparado a diplomata” deve chamar a si todos os requisitos supramencionados, procedendo em conformidade com os tão esmerados e elevados padrões de relacionamento da escola de educação e bom gosto, tendo o cuidado de nunca deixar em mãos alheias créditos pessoais porventura já alcançados junta das figuras e figurões do MNE.
O esquecimento desta obrigatoriedade de comportamentos que inclui o prestar vassalagem à fina-flor da diplomacia, as visitas ao MNE para se deixar ver e conhecer, o espírito serviçal (oposto ao espírito de serviço, pois este não interessa a quase ninguém) aos políticos, tudo isso entra em linha de conta  para que alguma tolerância seja displicentemente dispensada e ele lá possa continuar em funções.”

Luís Mascarenhas Gaivão “Um Adido no Luxemburgo”, Ed. Autor e Guerra e Paz, Editores, S.A., Lisboa, 2011.


sexta-feira, fevereiro 04, 2011


Tunísia e a nossa embaixada entre palmeiras


Isto de se viver à distância da nossa “ditosa Pátria minha amada” tem destas coisas. Somos forçados a fazer marcha atrás nas críticas feitas à embaixadora  em Tunes. Todavia, somos forçados a fazer outras que têm por alvo outros destinatários, porque, à boa maneira lusitana, desta feita, a culpa não pode, nem deve morrer solteira. Aparentemente, a embaixadora,  dra. Rita Ferro, não estava lá porque tinha sido autorizada a deslocar-se à pátria para tratamento oftalmológico urgente (aparentemente, tratava-se de um deslocamento de retina, a necessitar de operação urgente). Por conseguinte, a sua ausência de Tunes está plenamente justificada e já não está qui quem falou. Todavia, que eu saiba, existe normalmente um número dois em cada missão diplomática que assume imediatamente o comando das tropas como encarregado de negócios, não é verdade? Então porque não actuou no momento certo e da forma adequada. Dizem-me ...dizem-me...dizem-me que esse número dois, que não sei quem é tem medo da própria sombra e é totalmente incompetente. Então, como é? Os interesses de Portugal estão entregues a gente desse jaez? Como é que esse senhor passou no concurso? Como é que está em posto se não é capaz de agir na altura própria? Quem é que o mandou para lá? E porque carga de água lá continua?
Mas dizem-me, mais, muito mais. Parece que o Secretário-Geral, Vasco Valente, autorizou Rita Ferro a vir para Lisboa, atento o circunstancialismo descrito, mas não informou em conformidade e em tempo oportuno S. Exa. Ministro e este inadvertidamente meteu o pé na poça. Falta grave! Merecia até outro qualificativo! Mas que raio de Secretário-geral é este que num caso destes escamoteia informação ao “Poupas”? Além do mais toda a gente sabe das dissensões deste último com o nosso Primeiro, em que por tudo e por nada diz e logo a seguir desdiz.
O MNE, como habitualmente, fica muito mal na fotografia e ...a “carreira” ainda pior.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Pipiroom, sus muchachos y sus chavalitas
Margarida vai à fonte? 


A inefável Margarida andava permanentemente insatisfeita. Queria um postão mas não lho davam, queria sair do ambiente opressivo  e malsão dos claustros, mas não conseguia, queria, sobretudo, ver-se livre de Nunos e quejandos que a ultrapassavam e se lhe impunham em cada curva do caminho, mas...em vão. Vai daí e pede ao Bem-Amado (ou Mal-Amado, depende da perspectiva) para sair, rapidamente e em força, para posto da sua preferência. Tinha na mira Berlim onde fazem umas bolas afamadas. Enfim, pediu um posto de ouro e o homem de longos cabelos prateados a ondear ao vento, procurou no pequeno deserto de ideias que  se esconde na sua caixa ucraniana  e disse: “Pois, não há nada para ninguém. Postos tenho-os de cobre, bronze, latão ou estanho, mas como  não quer...Olhe, os tempos estão maus, já nem sequer tenho nada em prata, excepto a cabeleira. Quanto ao ouro, é só para compinchas. Sim, sim, eu conheço bem as suas simpatias e a sua militância xuxa, mas o balcão para si fechou e outros valores mais altos se alevantam.” Perturbada com tamanha tirada intelectual, Margarida, só não meteu o rabo entre as pernas, porque a celulite, acumulada ao longo dos anos, não a deixava. Cabisbaixa já não vai à fonte, vai para casa. End of story! 

quinta-feira, janeiro 06, 2011

O sexto posto

 Em esclarecimentos prestados à Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros, em Dezembro último, L. Amado, entre outras coisas, afirmou que, quando das nomeações e transferências para postos no estrangeiro, caso subsistam postos vagos, após as deliberações em Conselho Diplomático, os diplomatas, sem prejuízo de lhes ser assistido o direito estatutário de poderem indicar 5 postos da sua preferência serão obrigados, “por imperativos do serviço público” e na prossecução dos “interesses do Estado”, a aceitar um sexto posto.
Geralmente, os diplomatas recusavam-se a preencher certos postos mais espinhosos, por alegadas razões pessoais ou de ordem familiar. Nos termos da próxima legislação sobre a matéria, ainda na forja, esses constrangimentos particulares não poderão ser invocados, nem, em princípio, serão atendíveis, devendo os funcionários seguir ao seu destino, tal como superiormente determinado.
Numa primeira leitura, a medida afigura-se correcta, devendo, no entanto, ser especificadas as razões possíveis – porque as há - para o não preenchimento do posto, questão que deve ser devidamente ponderada pelo legislador. Se assim não for, a nomeação compulsiva para um determinado posto tido por menos agradável soa a castigo ou pode ser considerada discriminatória.
 Os postos de mais difícil adimplência são alguns dos chamados postos C, em regra situados em países do Terceiro Mundo, politicamente instáveis, em guerra (externa ou interna),  ou em estado de acentuada conflitualidade social, ou que podem envolver riscos graves de vida ou de saúde pública ou, ainda, que representem um grande desfasamento sócio-cultural. Tais são os casos de Bissau, Dili, Islamabade, Abuja, Riade e Argel, entre outros.  
O grande problema, ainda por resolver – e o Ministro terá de pensar duas vezes sobre o assunto – consiste em tornar atractivos esses postos C ou que sejam o mais interessantes possível. Não é concebível que, por desvirtuamento deliberado do sistema inicial de representações,  Madrid brilhe, em todo o seu esplendor, com  indizíveis encantos – a começar pelo chorudo subsídio  de representação - e Bissau se saliente pela pobreza franciscana do mesmo, contrariando todas as tabelas conhecidas de custos de vida comparados.
Os postos mais difíceis têm de ter compensações, não só financeiras (para todos os efeitos, são hardship posts, na gíria anglo-saxónica), mas de outra ordem, a saber:
-       seguro de vida (nos postos de risco) para o funcionário e respectivo agregado familiar
-       seguro de saúde integral para o funcionário e respectivo agregado familiar
-       compensação de mais 100% de tempo para efeitos de aposentação, no caso de países em guerra e de mais 30% para os restantes postos C
-       R&R (rest and relaxation), período de descanso e relaxamento de 4 em 4 meses, equivalente a 1 semana.
-       2 viagens de ida e volta a Portugal para o funcionário e respectivo agregado familiar
-       período suplementar de férias (este último já assegurado pelo actual estatuto)
-       garantia absoluta de uma comissão de serviço, preferencialmente de dois anos ,e jamais  superior a 3
-       garantia de colocação em posto A ou B, entre 5 à escolha, após a comissão (já assegurada pelo actual estatuto)
-       O funcionário colocado em posto C de particular dificuldade beneficiará de pontuação extra, a determinar, para efeitos de promoção.
Estas sugestões só serão viáveis, bem entendido, na condição prévia de uma revisão total do sistema de subsídios de representação.
É que Senhor Ministro o que propõe só faz sentido desde que se apliquem medidas eficazes de acompanhamento, caso contrário é mais um acto avulso de abuso do poder, a que já nos habituámos.
Perguntamos: os “coagidos” a ir para postos complicados, vão, como é costume, no MNE, de “castigo” ou, desta vez, “há moralidade e comem todos”? Não me diga que vai beneficiar os suspeitos do costume

terça-feira, janeiro 04, 2011

Seminário Diplomático -

Dias 3 e 4 (portanto, hoje) teve lugar o habitual seminário diplomático. Lá esteve o nosso  homem do farto  cabelo sal e pimenta. Almoço do nosso PM. Nada de novo na frente ocidental. More of the same. Que tédio!

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Reestruturação da rede de embaixadas, missões e consulados 


 A generalidade das pessoas sabe que está em curso no MNE uma reestruturação da rede diplomática e consular, para que as Necessidades possam fazer face ao corte drástico de 8% do respectivo orçamento. Todos especulam sobre o sentido exacto dessa reformulação da dita rede, que incidirá, principalmente, numa redução da “network” europeia, compensando-a com abertura de alguns postos (muito poucos) no Médio Oriente e África,  mas, a meu ver, esquecem algumas questões essenciais.
Antes do mais, o MNE, atenta a dimensão e a importância do país que temos (que é este e não outro qualquer), deve pensar em termos estratégicos e de longo prazo e não apenas  em implementar medidas avulsas e em cima do joelho que  constituem  meros paliativos para um problema de fundo que não tem verdadeira solução  nesse âmbito, ou seja com medidas conjunturais com aplicação, no curto e médio prazos.
A redução dos postos diplomáticos na Europa, que, tudo leva a crer, incidirá  principalmente nos pequenos países da U.E., aliás já em curso, suscita-nos problemas de difícil superação. Será possível que na Europa a 27, vamos apenas ter representação diplomática em 20 ou 21 Estados-membros? Nos países bálticos, a Letónia já se encontra desactivada, seguir-se-ão a curto prazo a Lituânia e depois a Estónia. Numa segunda fase, seguem-se a Eslovénia, Chipre e Malta. Todas estas embaixadas foram abertas há muito poucos anos e quase todas tiveram apenas um único Chefe de Missão (excepto, Malta). A prazo, presumivelmente, seguir-se-á a Eslováquia e outras, quem sabe? A instalação de todos estes postos foi obviamente cara (abstenho-me de superlativos), a respectiva desinstalação será caríssima (indemnizações ao pessoal local, fecho de contratos de arrendamento de chancelarias e de residências e questões conexas) e processar-se-á ao longo do tempo, via de regra dilatado. Logo, a poupança não será imediata, só sendo sensível ao fim de dois ou três anos. Ora, se a situação do país não permite, na presente conjuntura, manter estes postos será que há poucos anos atrás permitia abri-los? Vivíamos então numa situação folgada?  Responda quem souber. Fechando os postos neste preciso momento quando é que veremos resultados reais, em 2012 ou 2013?
Perante o encerramento de embaixadas em países da Europa comunitária, por alegadas razões financeiras, é natural que sejamos pagos exactamente na mesma moeda, aplicando os nossos parceiros a regra da reciprocidade. Por conseguinte, ora agora fechas tu e a seguir fecho eu. A medida não é amistosa, longe disso.
Bom, mas o que é que isso nos importa? Muito. Em primeiro lugar, o voto da Letónia ou da Eslovénia no Conselho Europeu valem tanto como os de Portugal ou da Alemanha. Em segundo lugar, uma missão diplomática num outro país comunitário é uma “antena” dos nossos interesses nesse pais. Podemos, conhecendo a situação no terreno e auscultando os interlocutores certos, antecipar posições e prever cenários, em todos os sectores de governação (relações externas, economia e finanças, agricultura e pescas, telecomunicações, transportes, obras públicas, comércio externo, administração interna, defesa, saúde, justiça, cultura, trabalho, etc. ) cujos interesses para Portugal são manifestos e carecem de demonstração. Em terceiro lugar, estamos a fechar embaixadas em países europeus não só estados-membros da U.E., mas a maior parte deles, também estados-membros da NATO
Resumindo e concluindo, Portugal pode-se dar ao luxo de fechar essas missões perdendo informação, margem de manobra, capacidade de previsão, gerando anti-corpos, efectuando falsas poupanças, ou poupanças dilatadas no tempo, sem resultados visíveis?
E fechamos para quê? Para reabrir daqui a dois ou três anos?
Atentemos no que se passou quando do encerramento de algumas embaixadas em África: Windhoek (Namíbia), Abidjan (Costa do Marfim) e Lusaka (Zâmbia). Portugal, o país com sólidas raízes africanas, o grande organizador de cimeiras entre a Europa e a África, a referência em termos de cooperação para o desenvolvimento, blá-blá, mais blá-blá e ainda blá-blá. Saiu bastante oneroso o exercício, do qual não saímos prestigiados, perdendo alguns pontos na África Ocidental, Central e Austral, mas as poupanças foram epidérmicas, nem se notaram no cômputo geral,  ou seja não ganhámos quase nada com o quiosque.
Mas, agora há mais: fecha-se na Europa, aos bochechos, para se abrir nos Emiratos, possivelmente no Kuwait e, segundo me dizem, também na Namíbia (Então porque é que se encerrou há uns anos? Estamos a brincar, ou o que é isto? Abre-se, fecha-se, reabre-se para se voltar a fechar?).
Vejamos se há uma falsa poupança com o encerramento, criam-se novos encargos com uma abertura e uma reabertura. Em suma, não se poupa coisa alguma, ou muito pouco.
Como é que se podia poupar?
Da seguinte forma:
(a) Colocando encarregados de negócios com cartas de gabinete em todos os postos europeus que se pensou encerrar, ocupando aqueles as casas dos chefes de missão, não beneficiando, pois, do subsídio de residência;
(b) Optar durante todo o ano de 2011 pelas encarregaturas de negócios, em todos os casos de vacatura de postos;
(c)  Congelando, a título excepcional, todo e qualquer  movimento diplomático, excepto em casos de força maior devidamente justificados;
(d) Não reabrindo ou abrindo nenhum posto (para os Emiratos, por ora, bastará enviar um delegado do AICEP e, no Kuwait, a ser verdade que estão a pensar em abrir, adia-se para as calendas gregas).
(e) Não admitindo mais funcionários locais, em nenhuma circunstância e não substituindo os que entretanto forem atingindo a idade de aposentação.
(f)  Cortando cerce, em percentagem tida por adequada, todas as despesas do Orçamento de Funcionamento dos Postos
Estas medidas, acompanhadas eventualmente de outras,  resultariam numa poupança real e consistente.
É claro que temos o Ministério entregue a um mentecapto, com um quociente de inteligência rudimentar, cujo discurso redondo e oco não convence ninguém, nem a ele próprio (cada vez que fala ou nós, atentos, veneradores e obrigados abrimos a boca de enfado ou espantamo-nos, com as grossíssimas asneiras que dali ecoam, pondo tudo em reboliço, sem razão aparente –no fundo,  “much ado about nothing”).  Valha-nos Santa Engrácia!
Como é que esta aventesma, com tão poucos méritos, consegue subir tanto nas quotas de popularidade do povão? Mistérios insondáveis!