quinta-feira, dezembro 16, 2010

Irlanda 

A propósito do bail out da banca irlandesa, eis a frase do dia a reter:  “Digamo-lo claramente. Deixar que países que se enriqueceram graças ao comércio intra-europeu absorvam em seguida a base fiscal dos seus vizinhos, isto não tem rigorosamente nada a ver com os princípios da economia de mercado ou com o liberalismo. Isto só tem um nome e chama-se: roubo. E ir emprestar dinheiro às pessoas que nos roubaram, sem nada exigir em troca para que isso não se reproduza, a isto chama-se estupidez”. Thomas Piketty

sexta-feira, dezembro 10, 2010


STRATFOR has followed the developing German foreign policy for the last couple years intently. Our thesis is that Germany is no longer shackled by Cold War institutions and particularly it is looking to evolve its relationship with NATO and the EU.
The 2008 financial crisis and the subsequent 2010 eurozone sovereign debt crisis have allowed Germany to exert more influence on EU affairs. In particular, Berlin has looked to reshape and reformulate European Union and the eurozone in its own image. We have also seen the German-Russian relationship grow and in particular this has given Berlin an impetus to evolve its relationship with its NATO member state allies. It has led the European efforts to counter Ukrainian and Georgian membership in NATO and it has also been relatively easy on Russia following the Russian intervention in Georgia in 2008.
At the heart of the German foreign policy evolution is really its relationship with the United States. In the past, Germany has been explained and described as a model U.S. ally. However the underpinning reason for this model ally has always been the Cold War. Germany had neither the option nor really the willingness to develop an opinion of its own in terms of foreign policy. It was the battlefield of the Cold War and the superpower conflict between the Soviet Union and the United States would have happened on German soil.
This situation is no longer the case. STRATFOR has in the past concentrated on two specific examples of developing rift between Germany and United States. The first has been German support, or rather lack thereof, toward sanctions against Iran and the second has been German resistance to U.S. efforts to counter the financial and economic crisis. The recently revealed WikiLeaks U.S. diplomatic cables illustrate just how it important both were to the German-American relationship. From the leaked cables we have learned that the Opel issue really was a central problem and the central rift between Berlin and Washington, to the extent that German Chancellor Angela Merkel was extremely angered by the lack of pressure from Washington on GM to sell Opel at the time.
Meanwhile German support on Iran wavers throughout the released cables. In fact, the German diplomats and politicians often stressed the disproportionate negative economic impact the sanctions would have on German trade with Iran. From the released cables we see that the U.S. diplomats had some serious misgivings about the incoming German foreign minister, Guido Westerwelle, while at the same time U.S. diplomats do not seem to be willing to treat Germany as a great power but rather continue to treat it as a subservient Cold War ally. Of course the leaked diplomatic cables are only a very small selection of the total correspondence between the U.S. diplomats in Europe and Washington.
Nonetheless they do highlight in a few interesting cables the growing sense of unease between Berlin and Washington. This issue has been at the forefront of STRATFOR’s European forecast for many years. It may be the most significant and yet this least understood geopolitical issue of the moment.


Republished  duly authorized by www.stratfor.com

Wikileaks – the morning after 


A revelação dos telegramas de e  para as embaixadas dos EUA, documentos classificados, alguns altamente reservados, constitui obviamente um grande “furo” jornalístico. O maior “furo” de que há memória, uma vez que toda a documentação é publicamente divulgada e aparece nua e crua, não necessitando sequer de grande tratamento. Todavia, trata-se de um produto roubado, por conseguinte,  suscitam-se, a justo título, questões deontológicas aos grandes órgãos de informação ditos de referência e, além disso, representativos das principais línguas ocidentais como “Le Monde”, The Guardian”, “The New York Times”, “Der Spiegel” e “El Pais”. Antes de se tornar público, o produto foi pago e bem pago e nenhum dos órgãos de informação revelou quanto pagou por ele. Aqui estamos perante um segredo jornalístico que ninguém ousa revelar. Aliás, se atentarmos no desfasamento entre as revelações públicas, através da net, e nas divulgações naqueles media, estes antecedem sempre o que veio a ser difundido urbi et orbe depois. Bastava que o “Guardian” ou o “Le Monde”, por exemplo nos explicassem. Mas, não, remetem-se a um prudentíssmo silêncio. Os dados do problema são estes:  estamos a aproveitar-nos de um produto roubado, que sabemos que é roubado e que por isso mesmo pagámos um bom preço por ele, mas vamos lucrar muito com isto, porque o filão é inesgotável.
            Como é que surge o problema? Surge na sequência do 11 de Setembro e da necessidade absoluta em coordenar o fluxo de informação das múltiplas agências  de informação dos EUA que funcionavam em compartimentos estanques e que, objectivamente, impediram a prevenção dos atentados. Tenha-se em atenção a incomunicabilidade existente entre o FBI, a CIA, a NSA, a intel militar norte-americana e  o  Departamento de Estado, aliás relevada a justo título pela comissão de inquérito ao 11 de Setembro. Porém, o  estabelecimento de um sistema de vasos comunicantes torna-o  vulnerável, como os factos acabam de demonstrar de modo eloquente. Logo, vamos assistir, no imediato a novas medidas de segurança em termos das comunicações e, concomitantemente, a uma restrição do fluxo  dos dados disponíveis e do acesso individual aos mesmos.
            Não obstante o que precede, registe-se que a maior parte dos dados de intel são públicos, ou seja 90% ou circulam na net ou são divulgados pelas agências noticiosas, jornais, revistas, tv e rádio. As chamadas OSINT (Open Sources of Intelligence) são hoje uma realidade. Os 10% (ou menos) que faltam e a análise de informação (ou seja, a combinação das Opens sources com as secluded sources e a visão própria que se pode ter sobre a matéria, em função dos interesses nacionais e da politica prosseguida pelos Estados) é que constituem, realmente, o pequeno reduto de intelligence relevante com  real valor acrescentado.
            Noutra tónica, a defesa da liberdade de expressão não pode pôr em causa interesses estratégicos vitais dos estados e suscitar problemas e “irritantes” nas relações multi e bilaterais, cuja gravidade dispensa quaisquer comentários adicionais. Acresce que as “fugas” através do Wikileaks têm implicações sérias em termos de intelligence sharing. Como é que iremos lidar com os EUA, em matérias sensíveis sabendo que as paredes são de vidro e as portas estão escancaradas?
Por outro lado, poderá a liberdade de expressão ser irrestrita? Por outro ainda, como conciliar a liberdade de expressão com o comércio de produtos roubados , como é o caso?
            Nota final: há dias, a prestação televisiva do embaixador Tanger Correia, na SIC Notícias defendendo a liberdade de informação sem quaisquer baias, mesmo a mais reservada, no estilo confessionário aberto e com altifalante acoplado,  talvez não seja a solução mais adequada. A propósito, ele é embaixador exactamente onde?
  

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Frase do dia com comentário




"O Socialismo é a filosofia do fracasso, a crença da ignorância e a prédica da inveja, e a virtude inerente é a distribuição igualitária da miséria" 
                                             Sir Winston Churchill

OK. O socialismo pode morrer nas profundezas do inferno, o estado social não.
Quem quiser que discorde, não paga mais por isso.
Quo vadis, Portugal? E já agora Europa (já não sei que parte é esta, mas não faz mal...há tantas) 





Da crise e sempre da crise – Diz a imprensa do dia: “A proposta ítalo-luxemburguesa para a emissão de uma dívida europeia conjunta por países da zona Euro foi novamente rejeitada pelo governo alemão.” Assim funciona a solidariedade europeia. Meus amigos, isto de “união”, nem sequer vale como símbolo: só tem o nome e palavras leva-as o vento. Em suma, a Alemanha e um grupo de escolhidos mandam à fava um conjunto heterogéneo de países ditos periféricos que onde estão bem é na pocilga (ptqtp+ab;  a primeira parte não necessita de tradução, a segunda reza: mais à burra). O núcleo duro de meninos bens comportados, que não gastaram a mais, que se portaram sempre bem, merecem, os outros não. Não é o contribuinte alemão que vai pagar por essa gente suja e desgrenhada, que não tem disciplina, não trabalha e vive de mão estendida. Já chega! Ponto final
Ah, na década de 80 era fácil, cómodo e interessante dar dinheiro a esses “untermenschen” meridionais que acabariam por comprar mais BMW’s e máquinas Bosch alemãs. Tás a topar? Porreiro, pá!  Depois há o retorno com dividendos, pois então. O pior é quando o dinheiro começa outra vez a fluir no ciclo inverso isto é do centro para a periferia, mas agora sem compensação.   Nem mais um tuste para essa cabrada! Eh, pá mas os gajos estão a viver a crédito e depois não compram Mercedes e bolas de Berlim. Pois, pois, eu quero é que esses gajos se lixem, senão quem bate a porta sou eu e mando isto tudo àquela parte. Eu vou pagar a pensão aos 50 anos dos gregos? As dívidas dos portugueses? A crise da banca irlandesa? O preço absurdo dos imóveis espanhóis? Eu dou-lhes o arroz! Vou mas é olhar para as economias emergentes. Até têm um  nome mais bonito: não são PIGS, mas BRIC’s (tijolos – e, como sabes, com tijolos constrói-se o nosso prédio). Na Rússia, na China, na Índia e no Brasil é que é bom. É o que está a dar. Eh, pá mas pertencemos à mesma família, à mesma união e o que é que quer dizer união? Deixa-te de tretas que eu tenho mais que fazer que estar pr’aqui a discutir semântica contigo. Eh, pá, mas tu, arvorado agora em chefe da família europeia, nem conseguiste unificar decentemente o teu próprio pais, não é verdade? Vê lá tu que até levantaste um imposto de solidariedade, no tempo do Kohl, para se pagar a reunificação que os teus anafados patrícios do lado de cá, não queriam compensar. Muitos perguntaram, então: solidariedade? O que é isso? Ora se não o conseguiste fazer na tua própria casa, que imbecilidade foi a nossa em pensar que serias capaz de o fazer na famelga europeia, cada vez mais vasta, como, aliás, tu querias (lá vendias umas coisas para o Leste...). Foi ou não como tu pediste?
            Não, isto não é um contrato que não funciona e que vai ser denunciado unilateralmente. Isto não é um casamento a que se põe termo porque queremos ter as mãos livres para outras uniões. Mais. Não nos sentimos encornados, nem  estamos tristes por isso ou sequer com a hipótese de um dia o virmos a ser. Atemo-nos a um compromisso solene e por demais importante na História da Europa. A  Alemanha, que de um modo irracional e maléfico nos envolveu na pior guerra da história da humanidade,  ainda não pagou tudo o que nos deve. Pensem nisto. É bom que as coisas sejam ditas, de uma vez por todas,  para que não subsistam dúvidas.
            Se querem sair do euro que o digam claramente, se querem acabar com a União Europeia que o assumam, se querem voltar aos desvarios do passado que o digam, aqui e agora. Vamos lá ver se nos entendemos:  temos de tomar medidas e com urgência, por conseguinte deixem-se de merdas.
            No fundo a pergunta impõe-se: Quo vadis, Europa? Com os bifes a quererem sair de qualquer maneira e com hiper-abundância de argumentos (deles, entenda-se), com os franciús sem rumo, comandados por essa aventesma sem ideias, nem carisma, chamado Sarkozy , com os italianos na cóboiada e no bródio tão ao gosto de  Berlusconi. Os outros...Bom, os outros ou estão em crise, ou não existem ou são irrelevantes. A Europa necessita de liderança e com esta gente não vamos a parte alguma. Esta é que é a verdadeira crise, o resto é conversa.  
    Em suma: todas as crises são iguais só que nuns casos são mais crises do que noutros.

terça-feira, novembro 30, 2010

Wikileaks - Eis o escândalo em todo seu esplendor 


A fuga de informação é imoral, atenta contra os interesses do Estado, é ilegal, enfim, é tudo o que quiserem, porque o meu reservatório de adjectivos está a  chegar ao fim ...Revela, porém, a crise de confiança que vai da economia à alta política. Essa é que é a questão de fundo. Não se percebe  como é que órgãos de informação respeitáveis como  The Guardian, The New York Times, Der Spiegel, Le Monde  e El Pais desrespeitaram desta forma abjecta o código de ética. Vendem poucos jornais? O sistema é fraco e o dinheiro pode muito. Pois, pois, muito "cacau" do bom circulou para que a "fuga"se tornasse realidade. Já se sabe que esta teve origem em Washington e não nas embaixadas. Os servidores da Wikileaks estão sediados na Suécia. Que faz, fez ou fará Estocolmo? Porque é os EUA não puseram, de imediato,  uns hackers a rebentar com os "furos"? Na internet tudo é permitido, desde a pedofiilia às fugas de informação classificada, designadamente aos segredos de Estado? Haverá limites à liberdade de expressão? As perguntas estão aí, as respostas não. A procissão ainda vai no adro.    
Um cartão de Boas Festas da U.E. 
Mantemos essa estúpida mania de mandar cartões de Boas Festas a toda a gente. Este, porém, reflecte bem o espírito da época, não a natalícia, mas a que vivemos. Está-se tudo a cagar e há quem cague de muito alto. Não são PIGS ou PIIGS, são passarinhos e passarões. Pata que os pôs!

sábado, novembro 27, 2010

Reino Unido fora da UE! Já!



O "Daily Expres" continua com a sua cruzada. Leiam, leiam, para não alegarem ignorância sobre o assunto. Ah, e já agora, leiam também as cartas dos leitores, que esclarecem de uma forma ainda mais clara o conteúdo dos artigos e a mente dos ilhéus.
Quando eu era miúdo existia uma musiquinha com a seguinte letra:

If you wanna go
It's alright
If you wanna go
Go now, or else, you gonna stay all night.

Cumpra-se como nele se contém!

Leiam esta pérola:


Esta foi a primeira página de ontem (dia 26), a de hoje, cuja transcrição segue é igualmente interessante:


IT'S SO EASY TO GET US OUT OF EUROPE, JUST A CASE OF SAYING: WE QUIT


Pressure is mounting for Britain to break free from Brussels.

Saturday November 27,2010
By Daily Express Reporter

BRITAIN could quit the European Union virtually overnight to herald a new era of independence and freedom, campaigners declared yesterday.
Supporters of the fast-growing Daily Express crusade for an exit from EU control insisted that a simple parliamentary vote at Westminster would be enough to end nearly four decades of Brussels meddling.

They poured scorn on Britain is now so tied in, departure is impossible. Tory MP Douglas Carswell said: “It would be relatively straightforward. The idea it would be a hugely complex process is just not true.”

New rules attempting to stop nations quitting the EU were introduced three years ago under the controversial Lisbon Treaty. A new two-year departure process was introduced in a bid to discourage any bolt for the exit door as support for the union sank across Europe.

But leading British Euro-sceptics told the Daily Express that a straight decision by MPs and peers to scrap the legislation that established the country’s membership in the first place would be enough to set us free.

Parliament could repeal the 1972 European Communities Act and then defy any attempt by Eurocrats to block the walkout. Mr Carswell said: “There has been lots of secondary legislation passed over the years but that would be swept away by getting rid of the original act.”

Repealing the 1972 Act, introduced under former Tory prime minister Edward Heath, would require a series of votes in the Commons and the Lords, and the Royal Assent.

 But once the parliamentary procedure was complete, EU bosses could do little to stand in Britain’s way. Britain could then negotiate new relations with countries in Europe and around the rest of the world.
Mr Carswell said: “My view is that we should have a bilateral agreement with the EU to ensure freedom of movement of goods and services. “We could also establish new free trade agreements with other nations.”

Under Britain’s unwritten constitution there is no legal requirement for a referendum. But many campaigners believe a nationwide poll would help overcome an inevitable rearguard action by Euro supporters.

Mr Carswell added: “The Foreign Office would be bound to be against,as would much of the judiciary and many corporate interests. A referendum would make it much easier to overcome those vested interests.”

But Edward Spalton, vice-chairman of the Campaign for an Independent Britain, feared any referendum could be manipulated by opponents. Until Lisbon in 2007 there was no official procedure for withdrawal. In a rare example, the Danish territory Greenland quit the EU in 1985 by simply declaring its intention to go.

Mr Spalton said: “There is now a procedure for leaving but it is designed to be so humiliating and disadvantageous few countries would choose it.”

quinta-feira, novembro 25, 2010

RU fora da U.E.?





Pois se querem sair que saiam. A porta esteve sempre aberta. Fazem tanta falta como a viola num enterro. Vale a pena ler esta pérola da arrogância típica dos bifes, publicada hoje pelo "Daily Express".  Trata-se, como o próprio jornal afirma, de uma cruzada. Razão tinha De Gaulle em nunca os ter deixado entrar. Agora, temos de os deixar sair. Vão depressa e não batam com a porta, mas só um pequeno favor:  nunca mais peçam para entrar! Há parágrafos mais abaixo que são autênticos hinos à insularidade bacoca desta gentinha. Leiam, leiam, que não perdem tempo. Como é que construíram  o império? Incrível, mas verdadeiro.
Detenham-se no quarto parágrafo antes do final, em que o articulista se refere à excepcionalidade da Grã-Bretanha. Tamanha vaidade nunca pensei que existisse. É extraordinário!



UK NEWS
GET BRITAIN OUT OF EUROPE

Those on board the European gravy train have mounted one power grab after another
Thursday November 25,2010
By The Daily Express

THE Daily Express today becomes the first national newspaper to call for Britain to leave the European Union.

From this day forth our energies will be directed to furthering the cause of those who believe Britain is Better Off Out.
The famous and symbolic Crusader who adorns our masthead will become the figurehead of the struggle to repatriate British sovereignty from a political project that has comprehensively failed.
After far too many years as the victims of Brussels larceny, bullying, over-regulation and all-round interference, the time has come for the British people to win back their country and restore legitimacy and accountability to their political process.
Following the debacle of the Lisbon Treaty – disgracefully imposed upon the public without the referendum they were promised by the three main political parties – many had expected matters European to take a lower profile in British politics.
But the opposite has been true as those on board the European gravy train have mounted one power grab after another.
At a time of austerity throughout Europe they have expanded their bloated budgets, pushing Britain’s disproportionate contributions even higher.
And despite not being part of the failing eurozone, British taxpayers have learned that under Brussels rules agreed to by Labour after it had lost the election they are liable to help bail out economies wrecked by the single currency.
A payment of up to £10billion for Ireland is apparently just the start, with speculators now starting to target the embattled economy of Portugal
Despite unemployment across Europe averaging more than 10 per cent, Brussels continues to propose new job-destroying regulations and conspire to turn the whole EU into a zone of high taxation.
It is also seeking to take an ever more dominant role in border control issues, leaving its member states powerless to control migrant flows not only from other EU countries but from Asia and Africa too.
The European Court of Human Rights has continued to trample on British justice, preventing the deportation of terror suspects and demanding that convicted prisoners are given the vote.
Withdrawal from the EU should be accompanied by a withdrawal from the jurisdiction of this alien, pan-European tribunal so that matters of British justice are decided once again in British courts.
Ever since the British people were bounced into ratifying membership of the Common Market in 1975, after the political class had taken us in with no direct mandate, that institution has been stealing our rights to self-determination, remodelling itself in turn as the European Economic Community, the European Community and lately as the European Union.
Upon a wafer-thin permission for economic cooperation has been built a blueprint for the United States of Europe.
Almost nothing the EU has proposed or enacted has benefited Britain – our trawler fleet has been devastated by the Common Fisheries Policy while our taxpayers have found themselves massively subsidising inefficient French and Polish farmers under the Common Agricultural Policy.
The European Exchange Rate Mechanism – the forerunner to the single currency – caused a deep recession in Britain that was only ended by the removal of Sterling from its deadening grip.
This newspaper has always been hostile to the dilution of national sovereignty that EU membership entailed, but it has also always acknowledged that economic arguments were key. So long as there was a case to be made that leaving the EU would risk jobs and investment in Britain there was a powerful brake on thoughts of leaving altogether.
But since the ERM disaster 20 years ago that economic case has utterly collapsed.
We were told that staying out of the eurozone would be a financial disaster yet it is now clear beyond doubt that the opposite was true.
Joining it would have been catastrophic, removing Britain’s ability to vary its interest and exchange rates to suit economic circumstances and plunging us into a depression. The past two decades of European integration have turned mainland Europe’s economies from some of the world’s industrial powerhouses into also-rans, stuck in the global slow lane.
Only Germany has prospered in the euro – thanks to the single currency locking its neighbours into exchange rates at which they are unable to compete.
And now the price of belonging to the EU, in terms of surrendered sovereignty, is to be further raised with countries like Ireland effectively having their public spending and borrowing decisions made by the European Central Bank in Frankfurt rather than by their electorates.
While the EU has spread economic sclerosis through its member states the two richest countries in Europe have remained outside: Norway and Switzerland have stayed as the lynch-pins of the European Free Trade Area – able to import from and export to the EU freely without being subjected to its federalist ambitions.
Were Britain to break free of Brussels there is no doubt that such a happy status would be open to us.
A s a heavy net importer from the EU we are simply too important a market for the EU nations to risk cutting their ties with us.
Taking Britain out of the EU should not be seen as a move to “Little Englandism”. On the contrary, ours is a great trading nation with markets all over the world.
The time has come to develop our neglected trading links with the new global powerhouses such as China and India.
The creation of the EU is explained by the perfectly understandable desire to avoid further conflict on a continent that had been the scene of two world wars.
But Britain is a land apart: A precious stone set in the silver sea, as Shakespeare so evocatively put it; a realm with a glorious island story stretching back a thousand years, with links to every continent and a language taken up throughout the world.
Our political class bought into the European experiment after losing confidence in our nation and accepting the inevitability of decline.
They viewed Europe as a life raft and clambered on board. The British people never took that view.
Now it is Europe that is in decline and Britain that is being held back. It is time to break free.

terça-feira, novembro 23, 2010

A bóia de salvação da Irlanda 
The Irish bail-out 





The EU and the IMF have come to an agreement with Ireland to provide Dublin with between €80 and €90 billion worth of loans. The bailout will be conditioned on Ireland pushing through a budget deficit reduction plan that will seek to bring the budget deficit under 3% of GDP as mandated by the Eurozone fiscal rules.
The terms of the bailout deal are still being revealed but what seems to be clear at this point is that the Irish low corporate tax rate will remain the same. At 12.5% the Irish corporate tax rate is one of the lowest in Europe and has really been the point of contention between Ireland and its larger EU member states. Countries like France have for long time focused on the Irish corporate tax rate in the argued that it gives Dublin an unfair competitive advantage over continental economies and that Ireland has been able to attract investors into Ireland with it’s low corporate rate. However behind this criticism is also a perception in Paris but also in Berlin that the low corporate tax rate has allowed Ireland to also be independent and to be independent-minded, however Dublin is fully funded until mid-2011 and therefore it felt that it was able to protect its corporate tax rate in the negotiations for the bailout right now, it felt it had an upper hand so to say.
What has happened now is that Germany seems to have withdrawn the corporate tax rate as one of the conditions for the bailout and has therefore allowed Ireland to keep it for the time being. Germany and France will take a wait-and-see approach with Ireland on this thorny issue and will wait for Ireland to slip up on the terms of its bailout bringing up the corporate tax rate perhaps at some later point in the future.
For Germany the bailout is another opportunity. First it allows Berlin to illustrates to the markets the effectiveness of the European Financial Stability Fund the EFSF which has about €440 billion plus the IMF money that brings it up to €750 billion. Now the fund was specifically designed to bail out Ireland, Portugal and Spain if the need arose. Now Ireland is falling down which means that Portugal could very will be next but the Portuguese needs would not be anymore to those of Ireland and Greece. And therefore the FSF has more than enough to handle both Ireland and Portugal however if Madrid also taps the EFSF the euro zone and Berlin may soon find themselves without any more ammunition in their clip to deal with further crises.
Ultimately Germany does not feel that the current crisis is one of existential nature. On one hand the uncertainty about the Eurozone and its’ markets means that the Euro is trading lower which helps German exports immensely. Furthermore Germany is using the opportunity of the crisis to redesign the European Union and its institutions and especially Eurozone fiscal rules and enforcement mechanisms of those rules. The real test for Eurozone therefore is not the panic level in Madrid or Lisbon or Dublin rather to what extent are the policymakers in Berlin concerned.
This report  is republished in this blog duly authorized by www.Stratfor.com


Uma alta figura de Estado enigmática 


 Quem é esta senhora que aparece na fotografia a saudar o Presidente norte-americano? Trata-se certamente de uma personalidade muito importante no nosso país e com um cargo de relevo.
O embaixador José Bouza Serrano, Chefe de Protocolo do Estado, que tão bem segurou o guarda-chuva para que Obama não se molhasse, molhando porém o bigode, pode, certamente, esclarecer o assunto. Será funcionária dele? É que nunca a vimos antes. O que é que a senhora faz exactamente?
Constou-me que seria  familiar de Luis Amado. Será verdade? Sério?

Quo vadis Portugal? (parte V de muitas e  tantas partes que já lhes perdi a conta)




De/acerca da grande crise de globalização do capitalismo 2/2 (Europa e Portugal)
            Para além de ter deixado de ser um centro decisório do poder financeiro e de ter posto fim (ou quase) ao “sonho europeu” (portanto, ao Estado social), a Europa deixou-se dominar pelo ideário dominante alemão em matéria económico-financeira que aliado ao neo-liberalismo introduziu um conjunto de elementos novos e perniciosos com os quais os europeus têm hoje de viver.
            A crise que enfrentamos desde 2007-2008 (com efeito, podemos situá-la antes do meltdown, em que este é apenas uma consequência do que estava já a ser cozinhado a lume brando) é, sem dúvida alguma, uma crise mundial derivada da globalização do capitalismo. Todavia, como já o referimos em post anterior, a crise traduziu-se para a Europa no fim do modelo social, que, a bem dizer, constituiu uma excepção invulgar, uma verdadeira raridade, em toda a História da Humanidade. Registe-se que o modelo foi engendrado num momento anterior, mas depois verdadeiramente criado e aperfeiçoado no decurso das trente glorieuses, ou seja, o Estado Social só foi possível, com base num crescimento consistente da economia a 5% ao ano, como ocorreu no decurso desse período. Esse crescimento, indispensável para a vida do projecto europeu, é posto em causa, essencialmente, pela globalização. A Europa não cresce, ou quando  cresce fá-lo de forma timorata, o resto do mundo (leia-se as grandes e médias economias emergentes) sim. Logo, a Europa tem de se adaptar porque os dados da equação são irreversíveis. Outros factores entrariam em linha de conta, como o demográfico, os fluxos migratórios, a própria cultura, etc.
            A globalização é sempre apresentada acrítica e acefalamente como um bem, muito embora ninguém saiba explicar porquê ou a explicação é claramente insuficiente. Raros põem em causa o fenómeno da globalização. E quem o faz é acusado de conservadorismo, de proteccionismo e de outros “ismos”, menos simpáticos. O que interessa é comércio e mais comércio, fronteiras abertas, sem entraves alfandegários ou de qualquer outra natureza. Isso é que é bom. O desenvolvimento assenta, no essencial, nisto. “Free trade” era - e é - a palavra de ordem, poucos falavam em “fair trade”. O Bangla Desh, por exemplo, precisava de se desenvolver, pouco importava que as criancinhas andassem a dar pontapés nas máquinas 18 horas por dia, que não se respeitassem os direitos humanos, as regras da OIT, as questões basilares de higiene e de saúde pública ou qualquer regra minimalista de protecção social. Free trade? Free trade, my eye! O sentimento geral – que ainda hoje predomina – e que era a chave do progresso da humanidade resumia-se numa só palavra utilizável em todos os contextos imaginávdeis:  desregulamentação. Quem advertia para os riscos de tudo isto era de imediato acusado de “profeta da desgraça” e de “reaccionário” (no sentido que deram ao termo).
            Entretanto, a Europa cria mais um mito que não  resolve nada, nem prova coisa alguma: o Euro. Trata-se de uma moeda baseada no marco alemão e que segue exactamente os mesmos critérios. Logo, a Europa tinha de submeter-se ao diktat germânico, até porque sem a Alemanha não haveria Euro (verdade de La Palice). Todos teriam de seguir os chamados critérios de convergência, através dos Pactos de Estabilidade e Crescimento. Tudo isto cozinhado em Berlim ou em Frankfurt, sem quaisquer temperos de fora, porque podiam ser gastronomicamente incorrectos. Seria o Euro necessário? Mais um mito. Era necessário, ninguém sabia explicar porquê, esgrimindo-se apenas o estafado argumento da unidade e coesão europeias, de utilização, no contexto em apreço, mais do que duvidosa. Misturavam-se alhos com bugalhos. Mas era assim e ninguém contestava. 
            Com a adopção do Euro, voluntariamente, vários países europeus abandonavam uma parcela importante da sua soberania para a entregarem de mão beijada à Alemanha.
            Esta sentiu-se, muito naturalmente, dona e senhora da situação, mas debatendo-se, porém, com dois problemas graves e interligados: (i) uma questão de constitucionalidade (o Tribunal Constitucional germânico levantou, como se sabe fundadas dúvidas quanto à ratificação do Tratado de Lisboa e a uma maior integração europeia, mais o TL traçaria, no fundo, a fronteira em matéria de união europeia, não se podendo avançar nem mais um milímetro) e (ii) uma opinião pública hostil, porque a Alemanha não está para pagar com os seus impostos o alegado regabofe dos outros.
Entretanto, por efeito da crise, por pura irresponsabilidade ou por ambos os factores, alguns governos deixaram derrapar as respectivas contas  públicas atingindo patamares insustentáveis. Resumindo telegraficamente: a Grécia por aldrabice na contabilidade e por endividamento excessivo; a Irlanda por disfunções graves e sistémicas da banca, aliadas a uma “bolha” imobiliária de grandes proporções; a Espanha, por desemprego galopante, crescimento anémico e também “bolha” imobiliária e Portugal por endividamento público incontrolado, crescimento mais do que anémico e todos os outros factores conhecidos que de uma maneira ou de outra acabam por pesar na balança.
Para os investidores e para as agências de “rating”, apesar das diferenças, todos os PIGS estão mal. É igual ao litro. Logo, muito democraticamente tratam-se todos, mais ou menos,  por igual, o que é uma simplificação abusiva e injusta, mas não se pode fugir a isto.
Depois a Alemanha quis assustar o pagode, dizendo que os investidores tinham de ser responsabilizados e tinham de pagar a crise. A ideia, por ora, não vingou, mas fará  o seu caminho, até porque Merkel falou para o eleitorado alemão e não para a plateia mundial.
A machadada final ao Euro não será dada por nenhum dos leitõezinhos, obrigados a sair da pocilga, mas pela própria Alemanha que presumivelmente vai decidir ela própria, a prazo, abandonar o barco. Em termos estratégicos, para Berlim fará mas sentido uma aliança mais a Leste do que esta para o Ocidente e para o Sul.
A ver vamos.
Para Portugal, teríamos ficado melhor fora do Euro? Talvez. Pelo menos podíamos manipular a moeda e ser mais competitivos. Mas na História os “ses” não têm lugar. As coisas são como são, não há volta a dar-lhe.
Muitos temas ficaram por tratar e mais ainda por esclarecer.     
Voltaremos ao assunto. 


segunda-feira, novembro 22, 2010

 Representação externa de Portugal - A pedido de vários interessados que me fizeram chegar e-mails sobre o assunto, apesar de eu considerar que as fotos de tanto circularem na net já estão um pouco gastas, o assunto, na prática ultrapassado e além disso tudo isto é bater desalmadamente no ceguinho, ei-las antecedidas pelos seguintes comentários (de que eu não sou o autor):

Portugal no seu melhor!
O personagem que dorme profundamente, durante uma cerimónia oficial, é o excelentíssimo Embaixador de Portugal em Timor, Luis Barreira de Sousa. Quem aproveita a ocasião para tirar uma fotografia, é o Presidente da República Ramos-Horta.
Uma verdadeira pérola, esta série de duas fotografias. A não perder!
 
Sua Excelência tinha dormido mal,ou pouco,na noite anterior e,além do mais estava muito calor e a cerimónia foi depois do almoço.Que mania de ironizar...

















Não digam mal que o homem está prestes a ser promovido.

sábado, novembro 20, 2010

Finalement, il s'en va! Finalmente, dá de frosques!Finally, he has been kicked in the ass! - Tudo leva a crer que essa criatura de 5ª ordem que dá pelo nome de Luis Amado vai abandonar o Governo, o que já se esperava desde há muito e que corresponde também, como se sabe, aos seus desejos mais íntimos- e que já referimos oportunamente neste blogue.
Trata-se de um homem bem parecido, escultor nas horas vagas, de discurso redondo e vazio de ideias, não se lhe vislumbrando, em qualquer momento,  iniciativa ou ideia digna de mérito, rodeado pelos mesmos cortesãos e lambe-cús de sempre, que ao sair do cinzentismo que o caracteriza (não é só do cabelo "sal e pimenta", mas é um atributo intrínseco e arreigado da sua personalidade), teve a infelicidade de se pronunciar a sério sobre o futuro desta merda de país, preconizando, mais uma vez,  o "bloco central". Oh! Descoberta das descobertas! Permitam-me um pequeno comentário: o mínimo que se pode dizer é que Amado não prima muito pela originalidade. O centrão? Com franqueza!
Ah, mas falou sem o carimbo do chefe. Atão, não se pede autorização? Isto agora é assim? Por conseguinte, lixou-se e bem. É claro que o "ingenheiro" só o vai pôr na alheta daqui a algum tempo, para que não digam que segue a reboque dos acontecimentos. Deixem-no ir já, por favor. Que vá e para bem longe! E já agora que leve os seus amigalhaços com ele.
Na minha opinião e de muito boa gente, Amado sempre foi de uma mediocridade baça, mas abrangente,  Nunca valeu, nem vale, dois caracóis. É o paradigma reiterado do "Rei vai nú", o que na área da política externa nem sequer é muito importante, porque os congéneres na estranja abundam e as "máquinas" encarregam-se de lhes fazer o trabalhinho de casa. Mas quem é o que poderá substituir? Quem quer sentar-se no cadeirão das Necessidades, quando se avizinham, a trote acelerado senão a galope, eleições gerais que o PS vai inevitavelmente perder? Há quem se babe pelo Poder, por efémero que seja, mas agora...? Haja senso! O mínimo de bom senso!
Uma perguntinha final: meus senhores, não haverá ninguém no PS que saiba alguma coisa de política externa e de diplomacia? É que até hoje não se viu quem quer que seja.
Amado dá de frosques? Não serei eu que o impedirá.
Instantâneos fora das Necessidades ou a necessidade urgente de dormir - Parece que o nosso distinto embaixador naquelas terras distantes lá para as bandas da Insulíndia, adormeceu numa cerimónia informal (passe a contradição) ao ar livre em Timor-Leste. Como aquilo é muito longe, tem a importância que tem e ele possivelmente estava super-convencido que ninguém dava por nada, vai daí e  bate uma sorna, ou como se diz no Brasil, cochila, no meio daquele piquenique ao ar livre, na orla da selva timorense. Alguém saca uma bela foto do espécime e da presidencial comitiva e depois o próprio PR local tira outra bela foto ao embaixadorzeco. Como já deram a volta ao mundo, não vou publicar as ditas fotos, excepto se mas pedirem. Recebi por esta via 7 (sete!!!) mails com a reportagem fotográfica do acontecimento que correm pela "Net" a uma velocidade de muitas centenas de megas e com vários destinatários, cc's e bcc's. Mas o Amado que gosta destes dorminhocos ainda é capaz de passar este espécime, que tanto honra Portugal e os portugueses, ao patamar seguinte (se é que na actual conjuntura o pode fazer - duvidoso, meu caro Watson, duvidoso!)   ou então com um posto ou postão ao gosto do menino.  A ver vamos, do que Amado é capaz antes de bater a porta...
Quo vadis Portugal? (parte IV de muitas variadas, interessantes e conturbadas partes)



De/acerca da grande crise de globalização do capitalismo 1/2 

J. A. Saraiva não se refere ao meltdown (ou seja, à fusão) de 2008 provocada pela crise do subprime. Presumivelmente, subentende-a por ser tão evidente e notória. Mas convinha que a questão fosse minimamente explicada, quer em termos do que sucedeu imediatamente nos mercados – a “grande turbulência” - , quer, principalmente em termos de futuro, a médio e longo prazos.  Por outro lado, haveria que sopesar o respectivo impacto em Portugal. Um tema de grande relevância  que os analistas, especialmente os “caseiros”, nunca abordaram de uma forma séria e consequente.
Uma das  questões pertinentes que  se levantam é o de saber a duração da crise que, sem prejuízo das medidas tomadas acto contínuo pelos EUA, pela Europa e pelo resto do mundo, parece estar para ficar, ou antes que os seus efeitos são mais duradouros do que parecia à primeira vista. É preciso não  nos esquecermos que quando do “krach” de 1929, a recuperação total só se deu em 1954 (25 anos depois de ter eclodido e  9 anos após o termo da II Guerra Mundial).
No combate ao meltdown uns são salvos e outros não, sem se atinarem com as razões para uma tal discriminação. Não se podia acudir a todos os focos de incêndio? Com certeza que não. Mas porque deixaram afundar a Lehman Brothers? Por ser um banco de investimento? Porque vendia produtos  financeiros tóxicos? Então os outros não o faziam? Porque foram vendidos ao desbarato o Bear Stearns e o Merrill Lynch? Porque é que  bancos de investimento como o Goldman Sachs e o Morgan Stanley (friso bem de investimento) passaram a bancos comerciais? E Fannie Mae e Freddie Mac que não estouram com o rebentar da bolha imobiliária (bom, se estourassem, a América entraria em colapso) e são salvos in extremis pelo Governo Federal (até porque dependiam de Washington)?
Depois, bom, depois surge o magno problema da previsibilidade da crise ou sua imprevisibilidade, tanto faz. Esses sábios das agências de rating não previram nada, mesmo nada? Mas espantem-se, ó gentes,  continuavam, com ameaça de crise, com crise ou sem ela, a dar classificações de 3 AA a títulos de lixo, a produtos tóxicos e às instituições que os emitiam? Questionados diziam: “Bom, estávamos apenas a emitir uma opinião. Cada um é livre de a seguir ou não”. Por outras palavras, limpavam as mãos como Pôncio Pilatos. É bom ver o filme “Inside Job” de Charles Ferguson, soberbamente narrado por Matt Damon para nos darmos conta destas enormidades todas.
            Acresce que existem fortes indícios de que as agências de rating estavam conluiadas com algumas grandes instituições financeiras e que faziam as suas notações ao gosto do freguês para que este pudesse vender melhor o “lixo” acumulado (CDOs e CDSs). Fatos à medida do cliente, pois então.
O que se percebe no meio desta embrulhada monumental, virtualmente indecifrável é que, em suma, todos os esquemas mafiosos foram possíveis, todas as Donas Brancas emergiram do nada, a corrupção e o conluio promíscuo entre o grande capital, o governo e as universidades foi de tal forma escandaloso que ultrapassou em muito o conceito comum de obscenidade.
Mas, na ânsia de tudo, desregulamentar, de acabar com todas as barreiras legais, com toda e qualquer interferência estatal,  acabaram por deixar andar tudo á solta – a balda mais completa e desbragada - e o resultado viu-se. O Estado tinha e tem de intervir para pôr ordem na casa. Era e é essa a sua função: árbitro e polícia. Essa gente não é, nem nunca foi, de confiança e tem de ter a rédea curta. É público e notório   que muitos ganharam, individualmente (friso bem)  centenas de milhões com a crise, mas muitos mais ficaram na miséria. O Estado não pode nunca demitir-se das suas funções e assobiar para o lado como se nada fosse.
Podemos argumentar - e com razão - que o Estado não deve fazer voar aviões, andar os comboios ou administrar os hospitais, mas tem de deter sempre um poder interventório, através dos bancos centrais (para isso é que eles existem), na banca e actividades relacionadas. A legislação tem de se restringir ao indispensável, mas deve primar pela clareza, energia,  poder de decisão e  controlo efectivo das actividades bancárias.
O futebol, ou qualquer outro desporto de equipa, tem as suas regras, que até se podem alterar com o tempo e com a experiência adquirida,  os seus árbitros ou juízes da partida que as aplicam e as federações que tudo supervisionam. Que eu saiba, não se joga no tudo ao molhe e fé em Deus. Na banca, por maioria de razão – trata-se de uma actividade hiper-sensível e que afecta  toda a sociedade -, têm de se aplicar critérios em tudo semelhantes.
E o que é que o Estado tem de regulamentar?
(i)            o sistema bancário;
(ii)           os produtos de investimento propriamente ditos;
(iii)         as bonificações dos quadros dirigentes das instituições financeiras.
            É claro que a crise extravasou, disparou em todos os sentidos e tornou-se mundial. Por exemplo, quando a Lehman Brothers vai à falência, encerra os seus escritórios em todo o mundo (Londres, Madrid, Singapura, Hong Kong, etc.)  e arrasta a queda de n outras instituições, à escala planetária, porque vivemos numa economia globalizada. Logo, o meltdown de 2008 é justamente uma crise da economia capitalista globalizada e surge, essencialmente, pela ganância desmedida (que de tão evidente carece de demonstração) que aumentava em progressão geométrica e pela falta de regulamentação, já referenciada.
            Mas, sem embargo de todos os considerando que precedem,  a crise, principalmente para a Europa, tem duas consequências graves:
-       Em primeiro lugar, o nosso continente deixa definitivamente de  ser um centro decisório de poder financeiro, marginaliza-se, permitindo que outros (as economias emergentes, designadamente os BRICs) ocupem o seu lugar;
-       Em segundo lugar, põe, na prática, termo ao Estado Social que levou 30 e tal anos a construir e no qual baseou o “sonho (projecto) europeu”.
As coisas jamais voltarão a ser o que eram.
Voltaremos ao assunto.