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quinta-feira, março 24, 2011

God save Europe's gracious Queen! Viva a sereníssima  rainha da Europa!



Manifestando-se "grata" ao primeiro-ministro português pelo trabalho feito na consolidação das contas públicas, Angela Merkel  lamentou que as novas medidas de austeridade não tenham sido viabilizadas pelo Parlamento, criticando implicitamente os partidos da Oposição lusitana
Segundo os relatos dos media, a chanceler alemã em declarações à agência de informação financeira Bloomberg, disse estar "grata a Sócrates" por tomar a responsabilidade das contas públicas do seu país.  A líder alemã lembrou que as novas medidas tomadas pelo Governo português para reduzir o défice orçamental foram de "longo alcance" e apoiadas pelo Banco Central Europeu (BCE) e pela União Europeia.
Ora bem, o PEC 4 foi chumbado por 5 dos 6 partidos com assento parlamentar, que vão da direita à esquerda, com todos os matizes de permeio. Quem não percebeu isto, não percebeu mesmo nada e de democracia sabe ainda menos. Está-se perante uma rejeição quase unânime de uma austeridade imposta por erros deste governo e dos que o precederam e o Povão tem de pagar uma pesadíssima factura verdadeiramente insuportável e de injustiça flagrante. Mais. Temos diante de nós um Primeiro-Ministro que necessitava de apoios como do pão para boca  e que tudo fez para os não ter, ou seja e sejamos claros: consciente, deliberada e malevolamente Sócrates provocou a crise, para não ter que assumir as suas culpas nesta situação, que é em larga medida uma criação sua. Não se trata de uma birra ou de um amuo dos partidos da Oposição, mas de uma posição séria. É todo um país que quer mandar Sócrates e o seus grupo de cafagestes, como por aqui se diz, you know where.
É claro - e perdoe-se-me o aparte - temos de mudar de sistema. Temos de mudar tudo. Temos de ir para a rua e fazer a revolução, mas até lá - e ainda falta percorrer the extra mile - pelo menos temos que dar um chuto nesta cambada. É um primeiro passo, muito insuficiente, é certo, mas necessário.
Voltando à vaca fria:
A Europa é composta por 27 países  e que se saiba não é uma quinta alemã da Baviera ou do Bad-Wuertemberg. Os países da zona Euro não adoptaram o marco como sua moeda, muito embora o Euro, seja uma sua reencarnação, o último avatar germânico. Quem é Merkel para dar recadinhos na Tugalândia? Já sabemos que vivemos num regime de soberania limitada, mas isto vai muito claramente para além das marcas.
Para a chanceler, tudo estava a correr bem e Sócrates obedecia fielmente às suas ordens, complementando-as com o arranjinho estabelecido com a Comissão Europeia e com o Banco Central Europeu, portanto, eis senão quando  somos, subitamente, confrontados com uma atitude de total  irresponsabilidade por parte dos parlamentares lusos, uns rústicos e uns tótós.
Será que o embaixador alemão em Lisboa não informou Berlim do que se estava a passar? Então está aqui a fazer o quê?
É preciso que Merkel e outros se convençam que Sócrates não é o Conde D. Henrique, que Portugal não é o Condado Portucalense, ou um qualquer feudo no sudoeste da Europa e que não  deve vassalagem à Sacra-Imperatriz Romano-Germânica.     
Deixem-se de merdas!

quarta-feira, janeiro 19, 2011

A Alemanha e a Eurozona

Podemos discordar de algumas ideias constantes do texto, mas, no âmbito da crise que estamos a viver, os elementos de análise e reflexão abaixo transcritos são muito relevantes.

www.stratfor.com.gif

January 19, 2011 | 2132 GMT

Analyst Marko Papic examines German Chancellor Angela Merkel’s statements about Germany’s commitment to the eurozone, which come despite public discontent with Berlin’s bailout policies.
Editor’s NoteTranscripts are generated using speech-recognition technology. Therefore, STRATFOR cannot guarantee their complete accuracy.
German Chancellor Angela Merkel has come out in support of the eurozone in a major interview on Wednesday; however, support for eurozone bailouts remains very low amongst the German populace.
Chancellor Angela Merkel stressed on Wednesday that Germany would not return to the Deutchmark under her watch. She also made it clear that Germans support for eurozone was complete and that Berlin would do whatever it takes to continue to support the Kurds union. Merkel also dismissed the notion of a split between fiscally prudent Northern economies and peripheral economies in the south in the Mediterranean. She also rejected the notion that the eurozone would have to be restructured anytime soon.
Supporting peripheral European economies to bailouts is however extremely unpopular with the German populace. Survey showed that about 50% of German population would prefer a return to the Deautchmark from Germans perspective, Germany had undergone austerity measures of its own before a crisis even started back in early 2000s. There is therefore resentment towards the idea that Germany would now be supporting peripheral eurozone countries with bailouts in order to encourage them to enact austerity measures the Germans did on their own. There is no doubt that the eurozone is beneficial for Germany. About 43% of all Germany’s exports go to it’s Eurozone partners. It’s extremely beneficial to be able to tie down its eurozone neighbors into the single currency union, thus making it impossible for them to devalue their domestic currencies and gain a competitive advantage against Germany. Furthermore the current economic crisis is enhancing Germany’s political power because it has afforded Germany the opportunity to force its economic and fiscal reforms on the rest of its eurozone member states.
The problem however is that Angela Merkel cannot explain these benefits fully to her own population. If she went into the specifics of how exactly it is the Berlin has benefited from the crisis and has enhanced its political control of Europe, the eurozone neighbors would obviously hear that.  And this would create a political problem in the relationship Berlin has with the other eurozone member states. But at the same time, if she was to go into specifics of how exactly Germany will continue to support the eurozone beyond the rather vague rhetoric of Berlin doing whatever it takes, then she would have a problem with her own domestic constituents who don’t want to really see Berlin continuing to support the eurozone, especially not monetarily through the bailouts.
Unfortunately for Merkel and the German government, they don’t have much time to decide how to best speak to these multiple audiences. There are four state elections in Germany between Feb. 20 and March 27 and then three more later in 2011. Merkel’s essentially going to have to start campaigning for the state election races and really keep competing throughout 2011, which will only diminish the ability of Berlin to speak to multiple audiences.

This report is republished duly authorized by   www.stratfor.com