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quarta-feira, julho 27, 2011


Diplomacia económica às “portas”



Depois de Angola e Moçambique, Paulo Portas deslocou-se, agora, em visita oficial ao Brasil para defender a sua “grande causa”: a diplomacia económica. Haveria que despertar os brasileiros para a fase que se vai seguir em terras lusitanas: as privatizações. A este respeito, assim reza o blog da embaixada de Portugal em Brasília: “ O governo português decidiu antecipar o programa de privatizações e está convocando as empresas brasileiras, privadas e estatais, a participarem dos primeiros leilões que serão realizados ‘ainda no terceiro trimestre’ deste ano.” Well, my friends, best o’luck because you’re gonna need it. Aliás, todos esperamos que resulte mesmo para bem dos lusitanos e do nosso querido país. O único problema  remanescente é que temos medo de nos enganarmos e continuamos a ter dúvidas
Como construir a diplomacia económica, que para P. Portas deve primar pela  “excelência”, no quadro de crise e de cortes orçamentais que Portugal atravessa?  O MNE responde :  “Optimizar e maximizar. Articular a rede comercial com a diplomática”. A esta precisão e concisão do Ministro, contrapomos uma pergunta ainda mais precisa e concisa: Como?
Sim, como? É a pergunta que se impõe.
Efectivamente, estas frases feitas ditas com grande solenidade, sabedoria e circunspecção valem o que valem. Braga de Macedo e a sua equipa ainda não chegaram a quaisquer conclusões e o douto relatório que vão produzir vai demorar ainda mês e meio até ver a luz do dia.
Outra pergunta que se impõe: o CDS-PP e o PSD, mas, principalmente, o primeiro, - até porque Paulo Portas desde há muito que ambicionava ser Ministro dos Estrangeiros - têm seguramente ideias concretas sobre o assunto, ou seja sobre a diplomacia económica, ou limitam-se às ideias vagas e às frases feitas e estão á espera que alguém  tenha capacidade para inventar a roda?
Pergunta-se: haverá algum gabinete de estudos no CDS-PP ou no PSD que se dedique a estes temas? É que não basta querer ser Ministro, é preciso saber governar. Não existindo uma tal estrutura a nível partidário, será que no MNE, à semelhança dos seus congéneres estrangeiros, não se podia já ter criado um gabinete de estudos e prospecção, aproveitando diplomatas no activo e na disponibilidade, funcionários do AICEP e do Ministério da Economia e eventualmente de outros ministérios, para se dedicarem, entre outros temas, à diplomacia económica, em todas as suas vertentes?
É que talvez se poupasse algum dinheiro ao Estado e se ganhasse alguma eficácia com esta solução, dispensando-se  a escolha de um trio mediático que vai, como é habitual nestas lides, parir um rato e proferir para os basbaques aulas magistrais de cátedra, cuja inutilidade é mais do que manifesta.
Para já, a diplomacia económica carece de uma definição pacífica e comummente aceite. As orientações, o modus faciendi, o modus operandi, a articulação, os meios disponíveis e uma infinidade de outros temas têm de ser analisados, dissecados, delineados e assentes.    
O governo vive ainda em estado de graça, que é, pela sua própria natureza, efémero, por conseguinte tem de agir rapidamente para que não entremos num Estado sem graça.  

quarta-feira, julho 20, 2011


Diplomacia económica à moda lusitana


Segundo a edição on-line do Expresso vai ser criado um novo grupo de trabalho (mais um) para “repensar a diplomacia económica”. Em suma, nesta matéria, nem Portas, nem Passos Coelho, parecem ter grandes ideias, nem sequer foram buscar inspiração ao inefável Martin Cross, que há uns anos, numa manhã de Outono, pensava ter descoberto a pólvora, perante o bruto Povão embasbacado. O certo é que o novo Poder quer a diplomacia económica, a todo o vapor e sob a dependência directa do PM, com ideias novas e com uma articulação própria PM-Ministério da Economia (AICEP?)-Ministério dos Estrangeiros (DGATE?), porém ainda a definir (veja-se o que aqui já dissemos a este respeito).  Tudo bem, mas o certo é que falta alguma inspiração para tocar a música  - até porque também falta a partitura e o improviso já deu o que tinha a dar  – e, claro, o  tempo, entretanto, vai correndo célere.



Pergunta-se o que é que faz o representante de Angola no Millenium-BCP, o embaixador jubilado António Monteiro, no meio de tudo isto.
O grupo tem 45 dias para apresentar um relatório e depois virá, seguramente, outro grupo para propor medidas concretas exequíveis. E depois tem de se passar à implementação no terreno. E depois falta nomear alguém para o AICEP- E depois...
 Bom, assunto a seguir. Eu diria mesmo mais: atentamente.

Aqui vai, com a devida vénia, a transcrição da notícia do “Expresso”:

Braga de Macedo repensa diplomacia económica
Passos Coelho quer um novo modelo para a diplomacia económica. Braga de Macedo, Campos e Cunha e António Monteiro têm 45 dias para dizer como.

Braga de Macedo vai liderar equipa de seis pessoas

Jorge Braga de Macedo foi o escolhido pelo primeiro-ministro para coordenar um grupo de trabalho encarregado de repensar a diplomacia económica. Os ex-ministros Campos e Cunha e António Monteiro também aceitaram integrar a equipa, que terá seis pessoas.
Pedro Passos Coelho quer um novo modelo de interligação entre os vários serviços ligados à captação de investimento estrangeiro. O primeiro-ministro chamou a si a tutela directa do AICEP (a Agência do Estado criada para o efeito), até aqui repartida entre a Economia e os Negócios Estrangeiros.
O grupo presidido por Braga de Macedo (ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva) tem 45 dias para fazer um relatório sobre o assunto.  

domingo, julho 17, 2011


Crime económico e sicários económicos



Sem prejuízo da polémica que gira em seu redor e de ter sido frontalmente contrariado pelo Departamento de Estado, pelos media (designadamente pelo “Washington Post”) e por alguns académicos, John Perkins, autor do livro “Confessions of an Ecomic Hit Man” (2006), denuncia as acções secretas levadas a cabo pelos EUA para destabilizar governos e países, através dos sicários económicos cuja missão consiste em burlar uns e outros de biliões de dólares a favor de “corporatocracia” norte-americana, com o aval da Casa Branca e a mando directo da NSA (National Security Agency).
Será este um bom exemplo de diplomacia económica?

Vejam o vídeo adjunto 

As alegadas práticas corruptas da Mota -Engil no Malawi


Lindo, lindo! A ser verdade o que se segue, o que tem a dizer sobre o assunto a empresa onde pontifica o ex-governante socialista Jorge Coelho? É que também existem rabos de palha em Angola que a seu tempo divulgaremos.

Temos aqui um excelente exemplo de diplomacia económica tão ao gosto do Martinho com a Cruz às Costas. Será assim que as coisas devem ser feitas?

Ora bem, do  NYASA TIMES jornal on-line do Malawi, divulgamos na íntegra um artigo publicado em 23 de Junho ultimo.

Mota -Engil Malawi corrupt practices exposed
Mota-Engil (mw) a  leading engineering company has been involved in questionable and unethical practices in its dealings with some suppliers who among them are some government officials including deputy minister of Information Tarcizio Gowelo and wife  to the Roads Authority chief executive a Mrs. Kondwani Kulemeka.
Mota-Engil has also managed to get government crazy with lots of gifts to the government machinery including President Bingu wa Mutharika resulting in grabbing almost all construction projects.
Gowelo: Implicated
The company has further flexed the muscles of the powerful Road Traffic Directorate to issue certificate of fitness for its vehicles without inspection by giving money to some officials at the directorate.
For example, evidence shows some Mota have been involved in altering invoices of clients to include VAT despite such companies not being qualified for that tax.
“A supplier by the name of Ku+Ku, a company belonging to a Mrs. Kulemeka, wife of Roads Authority chief executive officer Paul Kulemeka, issued the invoice: Date:19/01/2009 REF :133 COST: MK 7,286,400” reads one document.
“Upon receipt of the above invoice, the Portuguese in the administration department by the name of Victor Andrade, altered the invoice so as to include vat charge as  Date: 19/01/2009 REF:133 COST:MK7,286,400 VAT:MK1,202,256.”
The total figure reached MK8, 488,656 and the K1, 202,256 was a cooked figure to act as a kickback.
A source at Mota-Engil said while doing that Victor Andrade knew for sure that the company, ku+ku, was not supposed to charge vat since it had not been registered for vat by then.
The source said the reason behind the change of the invoice was of course to please the supplier so that upon withholding tax deduction, the supplier would not suffer much reduction in the net pay bearing in mind that she would not have to remit the Vat. So the Vat was used to cushion the withholding tax effect.
As per normal practice, each Vat return is supposed to have four largest invoices for that particular month listed at the back of the return so as to help Malawi Revenue Authority in their audit duties.
But Andrade was discovered. It did not go down well with him when the then senior accountant, Happy Mughogho discovered that Andrade had included the supplier -ku+ku as one of the largest for the month and that it was a special case.
Through Malawi Revenue Authority routine audits, Mrs Kulemeka was called to Mota-Engil offices to explain why she had not remitted the vat she was purportedly supposed to pay.
Mrs Kulemeka was left at the mercy of MRA officials by Andrade –the mastermind of the altered invoice.
Mota Engil effectively created a deductable tax asset of the equivalent amount in a dubious manner. Thus Mota Engil acquired a dubious tax asset. Effectively both Mota Engil and ku+ku benefitted.
Records also show that deputy minister of Information and Civic Education Tarcizio Gowelo is implicated in Mota dealings.
“A payment was to be paid and as per the normal practice, all suppliers without withholding tax exemption certificates were supposed to be deducted withholding tax. However, the financial controller, Francisco Couto demanded that Hon Gowelo should not suffer the deduction even when he had no such certificate.”
The payment was done on cheque number-9626 dated 7th April, 2010.
The then senior accountant, Happy Mughohgo again queried his bosses about such unethical practices.
Former  managing director, Texeira and the finance team led by a Rui Caetano told Mughogho to shut up and warned him to stop acting as if he was working for MRA.—(Reporting by Judith Moya, Nyasa Times)

quarta-feira, julho 13, 2011


Necessidades: Estamos mais uma vez numa de evolução na continuidade?


Há dias publicámos um post com a transcrição integral das orientações em termos de  política externa, tal como constam do programa do Governo.
Teresa de Sousa no “Público” (edição de 28 de Junho) glosava o tema considerando tratar-se de “continuidade”. O documento refere que “a política externa assente em opções europeias, atlânticas e lusófonas... reúnem largo consenso e têm merecido acordo político consistente”. Todavia, como a Oeste não há nada de novo, reza o documento que tem de se “procurar ir “além dos consensos tradicionais”, apostando numa “fortíssima diplomacia económica”. Ora isto, não acrescenta rigorosamente coisa alguma, limitando-se a enfatizar, apenas, uma das vertentes da política externa – tão cara ao inefável Martino Della Croce que pensava, in illo tempore, ter inventado a pólvora, quando ela já existia desde há muito -, não nos dizendo, porém, como se pensa alcançar tal desiderato e com que meios. Mas isto sossega os bons espíritos e, aparentemente, é isso que importa.
Assim Teresa de Sousa rematava o artigo referenciado com a seguinte frase: “Por enquanto, pois, quase nada de novo nas Necessidades. E ainda bem.” No fundo o que a autora quer dizer é que em matéria tão sensível como é o caso da politica externa, o melhor é não mexer muito na panela para não estragar a sopa, para mais no quadro da conjuntura que estamos a viver. Talvez...Who knows?
A nosso ver, estas asserções acabam por ser no essencial verdadeiras e, com algum pesar nosso, não se vislumbram, à partida, grandes diferenças entre a politica externa do PS e a do PSD/CDS. Subsistem, porém, alguns matizes entre uma e outra, nalguns casos, são alterações ligeiríssimas, quase indetectáveis.
Em termos de objectivos estratégicos o que nos diz o programa do Governo é que são no essencial 5, a saber:
a)    “Uma política europeia competente e credível”
b)   “importância do relacionamento com os países de expressão portuguesa,”
c)    “lealdade à aliança atlântica”;
d)    “Ter em especial atenção o exercício do mandato no Conselho de Segurança das Nações Unidas”;
e)    “Acompanhar de forma empenhada as mudanças no Magrebe, o processo de paz do Médio Oriente.
f)    – “Revalorizar as comunidades de portugueses, residentes no estrangeiro...

Vejamos:
-       Os objectivos a), b) e c) são os tradicionais – e consensuais - da política externa portuguesa que se repetem num leit motiv enfadonho de há mais de três décadas a esta parte. Trata-se do famoso triângulo Europa – CPLP – EUA/Aliança Atlântica. Em regra tudo o que não se inscreve no triângulo ou é inexistente ou é, na prática, irrelevante.
-       O mandato do Conselho de Segurança é meramente conjuntural e termina dentro de um ano. Acaba quando deve acabar. End of story!
-       O interesse pelo Magrebe e Médio Oriente que não é de agora, já tinha sido esboçado pelo Governo de Sócrates e pretende constituir uma tentativa (ou antes pretende dar alguma consistência a uma tentativa) de transformar o triângulo em quadrilátero, porém sem uma orientação estratégica definida e sem uma análise ponderada da situação. Aliás, ao tempo de Sócrates, algumas aproximações ao Magrebe/Médio Oriente foram totalmente desajeitadas ou inoportunas, como é bem patente no caso da Líbia. A maioria dos avanços tentados foram tíbios e mal concebidos.
-       As referências às comunidades portuguesas no exterior, quer na sua versão tradicional de “emigras” ou na modernaça de “expats”, são as mesmas de sempre. Rien à signaler!
-       Todavia, contrariamente ao que pensávamos, não se vislumbram no documento quaisquer menções de um relacionamento estratégico com os BRIC’s ou com qualquer um deles em particular ou com as novas economias emergentes, nem tão-pouco com a América Latina (esta continua a ser um feudo de Castela, valha-nos o Tratado de Tordesilhas). Apesar de se aludir no texto ao “reforço da diplomacia económica”, não se percebe exactamente como é que isso se fará e quando se fará. Para já sabe-se que o AICEP ficará na dependência do Primeiro-Ministro e a diplomacia económica sob a sua alçada. Neste capítulo, algumas perguntas se impõem: (i) Como é que o AICEP se vai articular com o MNE designadamente com a DGATE (Direcção-geral dos Assuntos Técnicos e Económicos) e com as embaixadas e missões? (ii) Quem será o Secretário de Estado nas Necessidades encarregado de fazer o interface GabPM-MNE-DGATE-AICEP-Ministério de Economia e de orientar estrategicamente este sector? (iii) Quem será o futuro presidente do AICEP para substituir o troca-tintas Basílio Horta? Todas estas perguntas permanecem, por ora, sem resposta.
-       Dizia Giscard d’Estaing que o fundamental na arte da governação é saber escolher pessoas para os lugares certos, no momento adequado. E esta tarefa cabe, iniludivelmente, ao novo Ministro e ao seu staff mais próximo. Já aqui nos referimos à urgente necessidade de isso ser feito com toda a possível brevidade. Trata-se de uma meia-dúzia de pessoas, mas têm de ser mudadas: umas já e outras a prazo. Não é só o caso referenciado do AICEP, mas, principalmente, do Secretário-geral, Director político, REPER Delegação junto da NATO e alguns (não muitos) postos de embaixador de primeiro plano 
Bem feitas as contas, assim  escreve Teresa de Sousa: “ A “inovação” não é assim tão grande. Depois de concluir com êxito a negociação do Tratado de Lisboa durante a presidência portuguesa da União (segundo semestre de 2007), Luís Amado anunciou a mesma viragem nos esforços diplomáticos do país [no reforço da diplomacia económica, entenda-se]. A crise económica e financeira apenas a tornou mais urgente.

domingo, julho 10, 2011


Programa de Governo – Política Externa


PVI.
A seguir se transcreve na íntegra o capítulo do programa de Governo relativo à política externa, que iremos comentar em futuros posts:

POLÍTICA EXTERNA, DESENVOLVIMENTO E DEFESA NACIONAL

Negócios Estrangeiros
Portugal tem uma diplomacia competente e segura, com provas dadas nos organismos internacionais, sendo a política externa assente em opções europeias, atlânticas e lusófonas que reúnem largo consenso e têm merecido acordo político consistente.

Sucede que, na situação em que Portugal se encontra, é preciso ir além dos consensos tradicionais; devemos ter a coragem de inovar, procurar consenso e adoptar uma nova prioridade estratégica nacional: uma fortíssima diplomacia económica, desafio inexorável e inadiável para a recuperação da nossa credibilidade externa, para a atracção de investimento e para a promoção das empresas, produtos e marcas portuguesas no exterior. A promoção da diplomacia económica deve estar no centro de uma profissão altamente qualificada no Estado e do Estado. Nos termos anteriormente previstos, os instrumentos existentes na rede do Ministério dos Negócios Estrangeiros serão envolvidos no novo modelo de promoção e atracção do investimento e da internacionalização da economia portuguesa.
A política externa deve orientar-se para a recuperação da reputação financeira, do prestígio internacional e para o fomento da actividade económica com o exterior, potenciando as nossas exportações, apoiando a internacionalização das nossas empresas e a captação de mais investimento directo estrangeiro.

Objectivos estratégicos
Esta visão do que deve ser o Ministério dos Negócios Estrangeiros não dispensa outras competências que tradicionalmente lhe estão atribuídas, e que neste cenário de dificuldades ganham uma nova importância:

- Uma política europeia competente e credível, que na situação nacional actual e num cenário de desafios comuns e de soberania partilhada, é o espaço de acção essencial;
- Redobrar a importância do relacionamento com os países de expressão portuguesa, tendo sempre presente a relevância da língua que nos une, que no quadro da CPLP se revela estratégica e economicamente relevante;
- Afirmar a nossa lealdade à aliança atlântica, no compromisso pela segurança e estabilidade internacional, assim como a defesa perante as novas ameaças;
- Ter em especial atenção o exercício do mandato no Conselho de Segurança das Nações Unidas, reforçando a imagem do País como um Estado empenhado na paz e na resolução dos conflitos internacionais;
- Acompanhar de forma empenhada as mudanças no Magrebe, o processo de paz do Médio Oriente e o esforço de diálogo e cooperação na região do mediterrâneo;
- Revalorizar as comunidades de portugueses, residentes no estrangeiro, tanto as tradicionais como as mais recentes, que representam um valor estratégico da maior importância para Portugal, nas componentes financeira, económica, cultural, social e política.

Medidas

Reforçar a Diplomacia Económica
Nesse sentido, um dos principais eixos de acção da política externa portuguesa deve ser a criação de condições favoráveis para o crescimento e desenvolvimento económico do País, ligando o mais estreitamente possível a política externa com a política interna, especialmente no que diz respeito aos objectivos de internacionalização da economia, promoção das exportações e da “Marca Portugal” e captação de investimento estrangeiro.
Nesse sentido, queremos:
- Reafectar recursos para os países com maior potencial de incremento das exportações e atracção de investimento directo estrangeiro;
- Contribuir para reforçar a internacionalização e a competitividade das empresas, assegurando uma acção coordenada com as estruturas empresariais privadas nos mercados externos; desburocratizar a vida das empresas que actuam no exterior e dos investidores estrangeiros em Portugal;
-Intervir no sentido de eliminar os casos de dupla tributação que ainda se verificam.
- Estimular as grandes empresas portuguesas no sentido de envolverem PME portuguesas -na sua internacionalização;
-Apoiar a formação de consórcios de empresas e de redes integradas de cadeia de valor;
- Relançar a “Marca Portugal” enquanto símbolo de qualidade, das empresas, marcas e produtos portugueses no estrangeiro;
- Fomentar e reforçar as parcerias entre empresários portugueses residentes e não residentes, nomeadamente na reforma do programa Netinvest; e também o
investimento dos não residentes no país;
- Promover a acção de câmaras de comércio portuguesas e outras estruturas empresariais nos países de residência e a sua articulação nacional.

Evoluir nas Relações Bilaterais e Multilaterais
Para reforçar a afirmação de Portugal no contexto europeu e no relacionamento da Europa com os seus espaços de cooperação natural, o Governo irá:
- Defender e restabelecer a credibilidade e a reputação de Portugal no quadro europeu;
- Assegurar a participação de Portugal na linha da frente da construção europeia e procurar que os princípios da coesão e da solidariedade entre Estados-membros sejam espelhados nas políticas comunitárias;
- Contribuir para a implementação da Estratégia Europa 2020 e o aprofundamento da integração nas áreas do mercado interno, com destaque para o mercado da energia;
- Promover um maior envolvimento de Portugal no combate ao crime transnacional;
- Assumir o nosso país como pivô de alianças privilegiadas com países e comunidades regionais com forte presença da língua portuguesa;
- Ter um papel mais interventivo na Política Marítima Europeia.
- Apoiar as políticas europeias de boa vizinhança e gestão dos fluxos migratórios.
- Desenvolver uma política de recrutamento diplomático e apoio activo a candidaturas a postos internacionais relevantes para o interesse nacional e o prestígio de Portugal no Mundo.
A Comunidade de Países de Língua Portuguesa funda-se no património comum, particularmente na afinidade linguística e cultural. Portugal deve investir na consolidação e aprofundamento da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, aprofundando as relações comerciais, de serviços e de investimentos tendentes à construção de um grande espaço económico.
Como língua global, o português tem potencialidades em cada um dos outros membros da CPLP, na respectiva região e nas organizações internacionais. Neste âmbito, o Governo irá executar as seguintes medidas:
- Dar prioridade às relações bilaterais e multilaterais no espaço lusófono, bem como nos países na sua vizinhança;
- Melhorar a coordenação e eficácia da ajuda externa ao desenvolvimento,
reformando e projectando o IPAD;
- Promover uma política de cooperação estruturante nos países língua oficial portuguesa, que deve incluir o desenvolvimento empresarial e um maior
envolvimento das Organizações Não Governamentais.

Valorizar as Comunidades Portuguesas
É necessário dar um novo impulso à ligação efectiva entre Portugal e os cidadãos residentes no estrangeiro, apostando simultaneamente no valor estratégico das comunidades portuguesas no estrangeiro. Neste âmbito, o Governo irá:
- Eleger o ensino do português como âncora da política da diáspora;
- Desburocratizar os procedimentos administrativos e simplificar os actos consulares e melhorar a ligação directa, rápida e fácil aos serviços centrais do Estado;
- Promover a constituição de uma rede de políticos de origem portuguesa no estrangeiro;
- Reconhecer o papel do Conselho das Comunidades Portuguesas enquanto órgão consultivo do Governo para as políticas de emigração e comunidades portuguesas.

quinta-feira, junho 30, 2011

Hugo Chávez estava em Portugal, em Outubro de 2010,  para dar "as duas mãos" a José Sócrates. What did really happen?


Em relação ao post imediatamente anterior, em Outubro de 2010, Hugo Chávez, desembarcava no Porto, para uma visita a Portugal, a convite de J. Sócrates, num périplo que incluía alguns países bizarros como o Irão, a Bielo-rússia Rússia, Ucrânia e a Síria, num pacote tutti-frutti que dava um pouco para todos os gostos.
Hugo Chávez, não revelando quem lhe encomendou o sermão e tratando com algum paternalismo o país anfitrião, explicava, no Porto, estar em Portugal para ajudar o primeiro-ministro "num momento difícil,” ou seja, vinha dar "as duas mãos" a José Sócrates.
O relacionamento bilateral Portugal-Venezuela ia de vento em popa. Creio que foram 6 as visitas bilaterais ao longo do mandato socrático, colocando em termos de contactos bilaterais, a Venezuela em paridade coma Espanha e suplantando o Brasil. Os acordos e protocolos bilaterais foram assinados às dezenas, sem falar nas múltiplas declarações de intenções. Portugal e a Venezuela eram grandes amigos e estabeleciam “sólidas” parcerias de mútuo e inegável (?) interesse.
Na Invicta, logo à chegada, o chefe de Estado venezuelano adiantou que ia procurar reforçar a cooperação com Portugal, garantindo que "a Venezuela vai enviar mais petróleo" e reafirmou o seu propósito de criar uma Marinha. "Até agora, não tínhamos nem um barco de papel", referiu.
Sócrates sublinhou, então, à  chegada aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, a importância dos contratos que seriam assinados, na ocasião, entre Portugal e a Venezuela.
"São da maior importância para o país e para os estaleiros navais de Viana do Castelo", disse José Sócrates, considerando este um "grande dia para a cooperação entre Portugal e a Venezuela", referindo-se aos acordos nas áreas da construção naval e ao fornecimento de 1,5 milhões de computadores "Magalhães" que seriam subscritos no decurso da visita.
Os números hiperbólicos, como sempre, do comércio externo (Sócrates y sus muchachos encarregavam-se de os empolar) faziam sonhar toda a gente – só que bem exprimidinhos não davam para nada, mas enfim...

Chávez, mostrou-se "muito interessado" na compra aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo do navio “Atlântida”, que tinha sido encomendado pelo governo regional dos Açores e posteriormente rejeitado, porque não andava à velocidade que César queria (a César sempre o que é de César).
"Disseram-me que é um barco bom, bonito e barato. Estamos muito interessados", disse Chávez.

O chefe de Estado da Venezuela admitiu, ainda, que poderia também comprar o navio “Anticiclone”, que tinha igualmente sido encomendado pelo Governo regional dos Açores.
Já em 2008, quando da visita de Sócrates a Caracas tinha sido também assinada uma resma de acordos bilaterais – creio que 9 - , com as referencias extrovertidas e apalhaçadas de Chávez no seu programa dominical “Alô Presidente”, dizendo mais ou menos isto: “Somos um mercado, compramos porque somos consumidores e oferecemos-lhe petróleo”. Tudo muito simples e lógico.
O presidente venezuelano sublinhou que os acordos assinados em 24 e 25 de Outubro de 2010 com Portugal,  eram legítimos, transparentes e beneficiavam todos.
«Ninguém pode dizer, repito, que estamos a oferecer nada, nem uma gota de petróleo. São acordos legítimos, transparentes e claros que beneficiam todos, mas há que explicar ao povo», disse Chávez.
«...Com Portugal, estamos a enviar petróleo, derivados de petróleo e faz-se um fundo com uma percentagem da factura petrolífera. Eles (Lisboa) pagam uma percentagem, a outra percentagem que é 20 por cento passa para o fundo através do qual vamos financiar muitas coisas», afirmou.
Como exemplo do financiamento através do fundo, Hugo Chávez, citou a compra de um grande ferry a Portugal. O chefe de Estado venezuelano explicou que a rota prevista para o novo ferry é do porto de La Guaira até às ilhas de Orchila, Los Roques e Margarita.
«Eu quero meter todos esses meninos pobres de La Guaira, as famílias mais pobres, no tremendo ferry, a classe média também. São 800 pessoas. Aí está um modelo do ferry que já pronto está a partir de Portugal, (será) uma linha de ferry, turismo popular, turismo venezuelano», frisou.
Feitas as contas. O primeiro-ministro, José Sócrates, e o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, assinaram em Viana do Castelo acordos nas áreas da construção naval e para o fornecimento de 1,5 milhões de computadores Magalhães. Portugal recuperaria também um anterior compromisso para que o Grupo Lena construísse na Venezuela 2500 vivendas pré-fabricadas, um negócio calculado em 682 milhões de euros, e, ainda, um acordo na área das energias renováveis.
Só na área da construção naval, a Venezuela assinou um conjunto de acordos com os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), sendo um dos mais emblemáticos o da adaptação do ferry “Atlântida” para o transporte de passageiros e viaturas - uma encomenda avaliada em 35 milhões de euros.
Ainda na área da construção naval, os ENVC vão receber da Venezuela a encomenda para a construção de dois navios de transporte de asfalto, no valor de 130 milhões de euros.
"Serão encomendas importantes para assegurar o futuro dos Estaleiros de Viana do Castelo", disse à agência Lusa uma fonte diplomática

Qual foi o resultado de tudo isto?
Os estaleiros navais de Viana do Castelo estão em risco de fechar as portas e cerca de 380 trabalhadores vão ser dispensados (leia-se, despedidos). Ninguém atende os telefones em Caracas. O contrato para o “Atlântida” nem sequer foi assinado e o navio continua à espera, na doca, a ganhar ferrugem.
E os computadores Magalhães da firma J.P. Sá Couto?
E as 2.500 vivendas pré-fabricadas?
E as energias alternativas?
E, por fim, os navios  de transporte de asfalto?
Isto da diplomacia económica tem muito que se lhe diga. Fazer negócios com gente pouco séria ou mafiosa dá nisto. É por estas e por outras que fazer negócios com Chávez ou com Khadafi não são propriamente recomendáveis, excepto para personagens bizarras como D. Martín de la Cruz (que por sua vontade ia à todas) e José Sócrates (que apesar das habituais aldrabices foi engrolado à grande e à francesa pelo ditador venzuelano). Será que, agora, nos deixam também fazer negociatas com o cartel de Medellín ou com o de Tijuana? É que é capaz de dar dinheiro?

quarta-feira, março 30, 2011

Um lusitano campeão mundial do salto à vara

Vejam este prodígio do atletismo indígena!
Deu o salto da Tugalândia até Moçambique....











Supomos que este assunto, pela sua relevância para a vida nacional, para a diplomacia económica, designadamente para as relações com o Brasil e com Moçambique e, last not least, para o círculo íntimo das amizades de Sócrates, agora que está  a fazer as malas para ir à vida, também terá sido abordado com Dilma Rousseff em tête-à-tête.