Pois, eis-me de volta à Pátria lusitana para cumprir uma velha promessa, mais do que isso, um dever. Bem sei que se trata de um convite...digamos...desportivo...mas, mesmo assim, e vindo de quem vem, não podia, por forma alguma, faltar a esta prova no próximo domingo
Relações e ralações externas mais fofoca q.b., ou em versão inglesa: "Something is rotten in the kingdom of Denmark" e em versão francesa: "Du tout et de tout - Récits de Belzébuth à son petit-fils"
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sexta-feira, junho 03, 2011
segunda-feira, maio 30, 2011
Teste para as eleições
Para a solução do problema que toda a gente tem em mente, ou seja "em quem vamos votar?", proponho-vos um pequeno teste:
Responda sinceramente
1. Está de acordo ou aceita como inevitável o MOU troika-Portugal ou recusa o dito acordo liminarmente?
2. Se recusa, vota BE ou CDU, pode mesmo ser em estilo moeda ao ar. Vamos lá por partes: mais "prá frentex", bloco; mais conservador, estilo classe operária da Baixa da Banheira, então vota PC e fellow travellers.
No fundo, votar Bloco ou CDU é relativamente inconsequente, porque nem um nem outro têm qualquer hipótese de chegar ao Poder. Todavia, se se pretende dar alguma expressão a vozes de discordância no Parlamento, com repercussão (limitada) nos media é um caminho a escolher..
A meu ver, se quer dar um murro na mesa e mandar tudo às urtigas, na lógica do quanto pior melhor, as opções são estas e neste caso será até preferível votar no Bloco de Esquerda. Não se perde nada com o quiosque e marca-se uma posição clara.
3. Se, de algum modo aceita o MOU da troika - independentemente das razões que o levam a isso: então tem 3 opções: ou o Sócrates y sus muchachos ou o Pedrinho de Massamá ou o Paulinho das feiras. As diferenças ideológicas entre eles são praticamente nulas. Existem diferenças de estilos e de personalidades. That's all folks! What did you expect?
4. Se opta pelo Sócrates e xuxas, está a premiar o verdadeiro fautor da crise – embora, não seja o único - e, além disso, a incompetência, a corrupção, a aldrabice e blá-blá-blá-blá e ainda blá, ou seja está a beneficiar o infractor, que nunca se sentará, como devia, no banco dos réus. Creio bem que seria a última das hipóteses, neste segundo leque de alternativas. De qualquer forma, existe, mesmo assim, uma ténue hipótese de ganhar e, nesse caso, teria de governar em coligação. Todavia, se isso vier a acontecer - cruzes, canhoto! -, Sócrates seria forçado a passar a bola para outro comparsa dentro do partido, porque PSD e CDS decididamente não alinham com ele. Logo, as coisas começariam mal, muito mal, mesmo, e o país correria o risco sério de se tornar ingovernável. Votar Sócrates é o pior de todos os cenários concebíveis!.
5. Se escolhe o Pedrinho de Massamá, está a dar um tiro no desconhecido, senão um tiro no pé, o que, em ambos os casos de figura, pode ser perigoso. O homem não tem grandes ideias quanto à governação do país, jamais se refere ao MOU da troika – ou seja, ao verdadeiro programa de governo (Tem medo, respeita algum tabu ou não o quer aplicar? Decida-se lá uma vez por todas. Vamos!), não é credível, não inspira confiança, não tem experiência, nem estofo, nem, quiçá, equipa para lidar com os problemas da magnitude que se põem a Portugal nos próximos tempos. Acresce que tem todo o baronato novo e velho contra. Até pode ganhar o pleito, mas só poderá governar em coligação, a pé-coxinho e sem alma.
6. Resta o Paulinho. Não abono muito em favor do candidato, sobretudo pelo seu perfil moral e pela sua trajectória política. Não me esqueço quando era director do falecido “Independente” e deitava abaixo o Cavaco, sem qualquer sentido, semana sim, semana sim, para permitir a entrada triunfal do Guterres. Pois, então! Não está acima de qualquer suspeita. Não, senhor, não está! Tem, porém, experiência governativa e algumas figuras de certa valia no seu grupo. Possui também algumas ideias (sobretudo na área social, agrícola, de segurança, etc.), o que, obviamente, não chega para conquistar S. Bento e as respectivas subidas nas sondagens demonstram de modo inequívoco que as suas perspectivas eleitorais são por ora mais do que insuficientes para o alcandorar a esse grande voo. Ah, mas pode, porém, ser o "pivot" da situação pós-eleitoral e terá que dispor de algum peso para o efeito. Vai ser o factor decisivo e muito provavelmente irá para o Poder, ou, antes, irá partilhá-lo com alguém, numa segunda posição com algum músculo e voz grossa. Por conseguinte, trata-se de uma hipótese a ponderar, com muitas, mas, mesmo, muitas reservas, bem entendido.
7. Votar em branco, nulo ou nos partidos de cácaracá é um voto totalmente inútil e para tal não é preciso ir às urnas. Não tem qualquer influência no resultado final, a não ser que alimente convicções estilo José Saramago, seja amigo dos animais, da extrema-direita skin ou dos madeirenses frustrados e queira actuar em solidariedade com estas nobres ideias. O país, porem, não vai nessas cantigas e a opção por essa bambochata não serve rigorosamente para coisa alguma, a não ser para folclore.
8. Resumindo e concluindo, na lógica do vai ou racha:
- Se vai, então voto útil no Portas.
- Se racha (que não é para já, entenda-se), voto útil no BE.
9. É claro que, como já o disse, inúmeras vezes, não me sinto identificado com o sistema - que não é credível, nem representativo - e entendo, com todas as minhas forças, que o regime tem de mudar, mas, por ora, não estão reunidas as condições para tal. Logo há que dar tempo ao tempo e aguardar que o próximo governo atire a Tugalândia para a inevitável e inescapável insolvência (com ou sem MOU) ou para o fundo do caixote de lixo da História e depois construiremos alguma coisa. Do caos há-de um dia nascer a luz. É de novo o Big bang!
sexta-feira, maio 27, 2011
Em quem votar? 1/2
Os portugueses estão perante eleições decisivas em que, a bem dizer, não dispõem de grandes opções:
- de um lado, têm um trio com um programa comum – O chamado Memorando de Entendimento com a troika (Portugal: Memorandum of Understanding on Specific Economic Policy Conditionality de 3 de Maio de 2011)
- e do outro 2 partidos ditos de esquerda, com programas e ideias inexequíveis que se opõem ao trio, global e individualmente, ou seja de per si.
As diferenças entre os três partidos do trio com o dito programa comum (os programas próprios de cada um não interessam a ninguém e não são verdadeiros programas – são apenas folhas de papel, para uma leitura em diagonal, desatenta e bocejante) são apenas detectáveis em função das personalidades que dirigem e integram os diferentes partidos, de estilos e de alguns pormenores e matizes de governação futura. Portanto, na da de verdadeiramente relevante.
O Memorando traça um programa para os próximos anos que o trio assume e a que não pode fugir. Quanto ao mais, nenhum dos elementos do trio tem ideias e muito menos quaisquer luzes para o médio e longo prazos. É deixar correr o marfim. Ponto final.
Quanto às duas pequenas forças de oposição (comunistas e bloquistas) podem dizer o que lhes vier à cabeça, pois, com mais demagogia ou menos demagogia, mais protesto ou menos protesto, jamais se sentarão na cadeira do poder e sabem-no. Quem quiser jogar no desconhecido, emitir um voto de contestação ou de sanção, ou pura e simplesmente desperdiçar o seu voto pode votar no bloco ou na CDU. Se votar nas pequenas formações partidárias, nulo ou em branco é quase a mesma coisa. A diferença – pequena diferença - é que no bloco ou na CDU terá representantes na Assembleia, nos outros, nem isso. Logo, não servem rigorosamente para nada.
Votar no PS – e aparentemente 30 e não sei quantos por cento parece que tencionam votar neles (!) – é avalizar 15 anos quase contínuos de desgovernação – apenas interrompidos por 2 anos e meio de executivos PSD – e ipso facto passar a Sócrates y a sus muchachos um atestado de satisfação, contentamento e de esperança. Para trás ficam os optimismos bacocos, as mentiras, as trafulhices, a corrupção, o nepotismo e a má fé e... não vos vou maçar com mais palavreado. Nas suas várias metamorfoses, José Sócrates passou de Dr. Pangloss, a Pinóquio para terminar no XVII Congresso do PS em digno émulo de Kim Il Sung (com 95% de votos favoráveis). Como dizia, António Barreto “José Sócrates tem de ser punido. Tem de ser severamente punido”. Logo, em princípio e em condições normais, não deveria beneficiar de um terço das intenções de voto, mas de 5 ou 8%, quando muito. Infelizmente, não é isso que sucede.
Votar no PSD? Trata-se de um partido de senhores feudais e de grandes interesses, amiúde divergentes. O actual líder para além de inexperiente – muito embora e contrariamente ao que se pensa, isto é capaz de não ser muito importante: quantos políticos de sucesso há por esse mundo fora, sem terem tido experiência prévia? – tem, porém, uma tendência natural para a asneira, para a falta de senso, apesar da pretensa postura de “homem de estado, ponderado e tranquilo”. Não consegue transmitir uma imagem de confiança e de credibilidade o que é extremamente grave para as suas pretensões à liderança do partido e do país, impedindo-o, em termos objectivos, de chegar aonde quer. Depois, preconiza a liberalização irrestrita, o que se afigura muito perigoso e pode pôr em causa, irremediavelmente, o Estado Social.
A terceira opção consiste no CDS de Paulo Portas. As designações e a própria tradição portuguesa que o “arruma” num desvão de escada qualquer da chamada “direita” são enganosas. Trata-se de um partido com bem mais preocupações sociais que o PSD e com algumas (poucas) ideias para certos sectores específicos (agricultura, pensões dos antigos combatentes, por exemplo). Paulo Portas é um político bem estruturado, com a cabeça arrumada, mas perigoso e mauzinho. Quando era director do “Independente”, semana após semana, a long, long time ago in a galaxy, far, far away, entreteve-se a atacar Cavaco Silva até que o deitou abaixo with a little help from his friends . Ou seja, fez bem o trabalho de sapa e facilitou, então, a vida ao PS. Ninguém se lembra? Mas será, mesmo, que ninguém se lembra?
Escolher um dos três terá que ser na lógica da opção pelo mal menor: o PS de Sócrates seria hipótese a excluir à partida (não se pode beneficiar o infractor e premiar o aldrabão), Coelho não me parece uma opção válida, nem me inspira qualquer confiança (além disso, não tem capacidade para segurar os “barões)”, Portas, muito embora ponha em causa o seu carácter, seria, talvez, um caso a ponderar e apenas isso. Não me perguntem mais nada. Todavia, jamais será Primeiro-Ministro por razões óbvias.
Olhem, que venha o diabo e escolha!
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