Mostrar mensagens com a etiqueta agências de rating. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta agências de rating. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, julho 13, 2011


O que são agências de rating?


As agências de rating (notação) avaliam países, instituições, empresas, etc. e atribuem notas de risco sobre a capacidade de pagarem as respectivas dívidas. Ou seja, trata-se de uma avaliação de risco: atribuem uma classificação ponderada para determinar de uma forma aproximativa, mas baseada em dados e factos devidamente analisados, se um país ou empresa está em boas ou más condições para pagar o dinheiro pedido na data acordada.
Estes são os princípios téoricos, passemos a um exemplo prático, bem elucidativo

O QUE SÃO AGÊNCIAS DE RATING?

Todos os dias o Miguel, filho do dono da mercearia, rouba pastilhas elásticas ao pai para as vender aos colegas na escola.
Os colegas, cujos pais só lhes dão dinheiro para uma pastilha, não resistem e começam a consumir em média cinco pastilhas diárias, pagando uma e ficando a dever quatro.
Até que um dia, quando já todos devem bastante dinheiro ao Miguel, ele conversa com o Cabeças - alcunha do matulão da escola, um tipo que já chumbou quatro vezes - e nomeia-o como a sua agência de rating.
Basicamente, cada vez que um miúdo quer ficar a dever mais uma pastilha ao Miguel, é o Cabeças que dá o aval, classificando a capacidade financeira de cada um dos putos com "A+", "A", "A-", "B"...e por aí fora.
A Ritinha, que já está com uma dívida muito grande e com um peso na consciência ainda maior, acaba por confessar aos pais que tem consumido mais pastilhas do que devia.
Os pais, percebendo que a Ritinha está endividada, estabelecem um plano de ajuda para que ela possa saldar a sua dívida, aumentando-lhe a semanada mas obrigando-a a prometer que não irá gastar mais enquanto não pagar a dívida contraída.
O Cabeças quando descobre isto, desce imediatamente o rating da Ritinha junto do Miguel que, por sua vez, passa a vender-lhe cada pastilha pelo dobro do preço. A Ritinha, já viciada em pastilhas, prolonga o pagamento da sua dívida, dividindo o Miguel o lucro daí obtido com o Cabeças que, sendo o mais forte, é respeitado por todos.


Algumas Notas Sobre as Agências de Rating (para quem não tenha visto o "Inside job")

Anda meio País perplexo perante o mais que esperado corte brutal do «rating» de Portugal pelas ditas «agências de rating», «inexplicável», «injusto», «murro no estômago», «logo agora que estávamos a fazer tudo o que eles nos diziam para fazermos», são alguns dos comentários mais ouvidos. Mas estes economistas são ingénuos? Não têm cultura histórica? Acreditam cegamente no que certos sectores lhes dizem, não questionando a boa ou má fé desses mesmos sectores? Parece que assim é.
 Desde há muito que se previa isto. Aliás, tudo apontava para tal. Desde a delapidação do erário público pelo poder político da última legislatura, à sabotagem planeada da imagem empresarial e turística do País (crimes contra cidadãos ingleses no Algarve, por ex.), às «medidas de austeridade» impostas à presente legislatura por uma «troika» que, tal como as agências, apenas são agentes de quem está por detrás disto tudo.
 E quem é?
 Simples: certos grupos bancários mundiais (Goldman & Sachs, J.P. Morgan, Chase Manhattan, Loeb & Khün, Frères Lazare, Banco Rothshild e até o já «comido» Lehman Brothers), representando outras tantas dinastias bancárias e o célebre «Comité dos 300», grupo que reúne as cerca de 300 maiores fortunas do mundo, ao pé das quais Bill Gates faz figura de moço de recados.
 A coisa já vem de longe (pelo menos da segunda metade do Séc. XIX) e já Fernando Pessoa falava neles («Os 300 e outros ensaios», edição póstuma).
 Quais os objectivos?
 Também é simples. Após um processo de fusão e aquisição de empresas em cadeia, formando grandes corporações globais, passaram à fusão e aquisição de estados soberanos - ou seja, países.
 Os métodos são precisamente os mesmos: provocar dificuldades financeiras, mercê de infiltrados (os políticos «eleitos»), destruir economias familiares, locais, regionais e depois, usando as mesmas agências de rating empregues para as fusões e aquisições de empresas pelas grandes «corporations», num esquema extorsionário que faria empalidecer Al Capone.
 E o mais grave é que a maior parte de políticos (não os infiltrados), economistas e juristas são completamente iludidos ao ponto de não verem - ou não quererem ver - o que lhes está à frente dos olhos. Daí o espanto.
 Começa um ou outro responsável a acordar, como o director da Agência das Nações Unidas para o Comércio Mundial e o Desenvolvimento (UNCTAD), Heiner Flassbeck, que hoje pediu a extinção das ditas agências de rating.
 Estas já têm um rol de crimes que lhes são imputados, desde chantagem, extorsão, intrusão nos assuntos internos de estados soberanos, etc. Mas parece que ninguém lhes toca, por causa dos interesses instalados.
 E isto nada tem a ver com os EUA ou com a UE, com o dólar ou com o euro, pois estas agências - independentemente de onde estão sediadas - há muito que são apátridas, tal como os bancos que nelas mandam.
 De momento mantêm um rating Aaa aos E.U.A. apesar do estado calamitoso da sua economia (pior do que o da Grécia) para que estes não desencadeiem uma investigação às suas actividades.
 Logo que os ditos bancos ganhem o suficiente com a especulação proporcionada com a subida do dólar e a queda do euro, inverterão o jogo para que a especulação continue.
 Tudo isto nada tem a ver com política (esta tornou-se «acessória», mero instrumento dos interesses económicos desses grupos).
 Se isto não é «conspiração», não sei o que será!
 Tem de se compreender a jogada global destes profissionais do racketeering para se compreender o que se passa.
 Vejamos então um pouco do historial das três maiores agências de rating:
 Moody's
Comecemos pela Moody's. Em português, quer dizer «caprichosa», «instável», «temperamental», nome do fundador, mas bastante sugestivo (negativamente), ligado aos «Robber Barons» que fizeram fortuna com os caminhos de ferro nos EUA. Vejamos o que diz a Wikipedia: 
History
Moody's was founded in 1909 by John Moody, beginning with Analyses of Railroad Investments, "a book about railroad securities, using letter grades to assess their risk."[1] Moody's Investors Service was incorporated on July 1, 1914, and soon extended coverage to US municipal bonds. By 1924, Moody's ratings covered nearly 100 percent of the US bond market.[3]
In the 1970s, Moody's expanded into commercial debt, and also began the practice, along with other ratings agencies, of charging bond issuers for ratings as well as charging investors.[3]
 The number of countries covered by Moody's has risen from 3 in 1975, to 33 in 1990, to over 100 by 2000.[4] Announcements by Moody's of possible or actual downgrades of a country's bond rating can have a major political and economic impact, as for example in Canada in 1995.[4] 
Criticism
Credit rating agencies such as Moody's have been subject to criticism in the wake of large losses in the asset-backed security collateralized debt obligation (ABS CDO) market that occurred despite being assigned top ratings by the credit rating agencies.
 For instance, losses on $340.7 million worth of ABS collateralized debt obligations (CDO) issued by Credit Suisse Group added up to about $125 million, despite being rated Aaa by Moody's.[5]
See also: Credit rating agency#Criticism [edit]
Power and influence
Moody's has been accused of "blackmail". In one example the German insurer Hannover Re was offered a "free rating" by Moody's. The insurer refused. Moody's continued with the "free ratings", but over time lowered its rating of the company. Still refusing Moody's services, Moody's lowered Hannover's debt to junk, and the company in a few hours lost $175 million in market value.[6] "As the housing market collapsed in late 2007, Moody's Investors Service, whose investment ratings were widely trusted, responded by purging analysts and executives who warned of trouble and promoting those who helped Wall Street plunge the country into its worst financial crisis since the Great Depression. A McClatchy investigation has found that Moody's punished executives who questioned why the company was risking its reputation by putting its profits ahead of providing trustworthy ratings for investment offerings."[7] Só pergunto porque é que ainda dão crédito a estes escroques...
 

Standard & Poor's (S&P)
 Passemos à Standard & Poor. Outro nome significativo, que dá a ideia de «Padrão de Pobreza», e não o contrário. É claro que o nome deriva de um dos fundadores da companhia, Henry Varnum Poor, ligado aos Robber Barons dos caminhos de ferro, no rescaldo da Guerra da Secessão, e do Standard Statistics Bureau, mas não deixa de ser curioso. A sua história e actuação (Wikipedia) é semelhante à da Moody's: 
Standard & Poor's (S&P) is a United States-based financial services company. It is a division of The McGraw-Hill Companies that publishes financial research and analysis on stocks and bonds. It is well known for the stock market indices, the US-based S&P 500, the Australian S&P/ASX 200, the Canadian S&P/TSX, the Italian S&P/MIB and India's S&P CNX Nifty. It is one of the Big Three (credit rating agencies) (Standard & Poor's, Moody's Investor Service and Fitch Ratings).[2] 
Corporate history
Standard & Poor's traces its history back to 1860, with the publication by Henry Varnum Poor of History of Railroads and Canals in the United States. This book was an attempt to compile comprehensive information about the financial and operational state of U.S. railroad companies. Henry Varnum went on to establish H.V. and H.W. Poor Co with his son, Henry William, and published updated versions of this book on an annual basis.[citation needed]
In 1906 Luther Lee Blake founded the Standard Statistics Bureau, with the view to providing financial information on non-railroad companies. Instead of an annually published book Standard Statistics would use 5" x 7" cards, allowing for more frequent updates.[citation needed]
In 1941, Poor and Standard Statistics merged to become Standard & Poor's Corp. Then in 1966 S&P was acquired by The McGraw-Hill Companies, and now encompasses the Financial Services division.[3] 
Criticism
See also: Credit rating agency#Criticism
 Credit rating agencies such as Standard & Poor's have been subject to criticism in the wake of large losses beginning in 2007 in the collateralized debt obligation (CDO) market that occurred despite being assigned top ratings by the CRAs.Credit ratings of AAA (the highest rating available) were given to large portions of even the riskiest pools of loans. Investors, trusting the low risk profile that AAA implies, loaded up on these CDOs that later became unsellable. Those that could be sold often took staggering losses. For instance, losses on $340.7 million worth of CDOs issued by Credit Suisse Group added up to about $125 million, despite being rated AAA by Standard & Poor's.[6]
Despite common perception, Standard & Poor's didn't rate the two major Icelandic banks, Kaupthing and Landsbanki.[citation needed]
Companies pay Standard & Poor's to rate their debt issues. As a result, some critics have contended that Standard & Poor's is beholden to these issuers and that its ratings are not as objective as they should be.

See also: 2010 European sovereign debt crisis
In April 2009 Standard & Poor's called for "new faces" in the Irish Government, which was seen as interfering in the democratic process. In a subsequent statement they said they were "misunderstood".[7] [edit]
Antitrust Review
In November 2009, ten months after launching an investigation, the European Commission formally charged Standard & Poor’s with abusing its position as the sole provider of international securities identification codes for U.S. securities by requiring European financial firms and data vendors to pay licensing fees for their use.
 “This behavior amounts to unfair pricing,” the European Commission said in its statement of objections which lays the groundwork for an adverse finding against S&P. “The (numbers) are indispensable for a number of operations that financial institutions carry out – for instance, reporting to authorities or clearing and settlement – and cannot be substituted.”[8]
S&P has run the CUSIP Service Bureau, the only ISIN issuer in the US, on behalf of the American Bankers Association. In its formal statement of objections, the European Commission alleges "that S&P is abusing this monopoly position by enforcing the payment of licence fees for the use of US Isins by (a) banks and other financial services providers in the EEA and (b) information service providers in the EEA." It claims that comparable agencies elsewhere in the world either do not charge fees at all, or do so on the basis of distribution cost, rather than usage.[9] 

Fitch Group
Vejamos agora a Fitch. Tal como as precedentes, tem um nome curioso, no mínimo, já que «fitch» é um furão, uma espécie de doninha...
 Fundada no início do Séc. XX, destaca-se um pouco das suas outras congéneres, e tem fortes ligações europeias, especialmente a Paris e Londres. Mas a sua actuação recente é muito semelhante, servindo também de alavanca da banca globalista para o «takeover» das nações, como se estas fossem empresas. Vejamos o que diz a Wikipedia: 
The Fitch Group is a majority-owned subsidiary of Fimalac, S.A., headquartered in Paris, France. Fitch Ratings, Fitch Solutions and Algorithmics, are part of the Fitch Group.
Dual-headquartered in New York and London with 50 offices worldwide, Fitch Ratings positions itself as a global rating agency dedicated to providing value beyond the rating through independent and prospective credit opinions, research and data.
 Fitch Ratings was one of the three Nationally Recognized Statistical Rating Organizations (NRSRO) designated by the U.S. Securities and Exchange Commission in 1975, together with Moody's and Standard & Poor's. It is one of the "Big Three credit rating agencies"(Standard & Poor's, Moody's Investor Service and Fitch Ratings). [1]
The firm was founded by John Knowles Fitch on December 24, 1913 in New York City as the Fitch Publishing Company.
 It merged with London-based IBCA Limited in December 1997.
 In 2000 Fitch acquired both Chicago-based Duff & Phelps Credit Rating Co. (April) and Thomson Financial BankWatch (December).
 Fitch Ratings is the smallest of the "big three" NRSROs, covering a more limited share of the market than S&P and Moody's, though it has grown with acquisitions and frequently positions itself as a "tie-breaker" when the other two agencies have ratings similar, but not equal, in scale.
Stephen W. Joynt is chief executive officer. 
Criticism
See also: Credit rating agency#Criticism
Credit rating agencies such as Fitch Ratings have been subject to criticism in the wake of large losses in the collateralized debt obligation (CDO) market that occurred despite being assigned top ratings by the CRAs.
 For instance, losses on $340.7 million worth of collateralized debt obligations (CDO) issued by Credit Suisse Group added up to about $125 million, despite being rated AAA by Fitch.[2]
 However, differently from the other agencies, Fitch has been warning the market on the constant proportion debt obligations (CPDO) with an early and pre-crisis report highlighting the dangers of CPDO's.[3]

China: agências de rating encobrem insolvência dos EUA 

We are at war! It certainly looks like it!! Afinal sempre estamos em guerra !
 Só que esta agora, por enquanto, ainda não tem baixas e não fez mortos, mas temo pelas consequências futuras, em especial pela sorte dos meus familiars em Portugal e na Europa. 
Não sou profeta, nem propenso aos demaus agoiros, mas tenho todos os meus sentidos em alerta. 
Espero, muito sinceramente, estar enganado sobre quem vai perder !!! A situação é demasiado grave para comentários de circunstância! Facts are facts, comments are free!

China: agências de rating encobrem insolvência dos EUA




A agência de rating chinesa Dagong acusa as rivais norte-americanas (Standard&Poor’s, Moody’s e Fitch) de estarem a cometer o mesmo erro que levou à crise financeira mundial, em 2008, ao se recusarem a fazer um downgrade no rating dos EUA apesar do «estado de insolvência e das crescentes dificuldades do país em pagar a dívida» da maior economia mundial. 

Em declarações à Imprensa, Chen Jialin, director-adjunto do departamento internacional da Dagong, refere que as três maiores agências mundiais de notação de crédito apenas lançaram os avisos recentes sobre a elevada dívida dos EUA devido «à pressão da opinião pública» e não por sua vontade. 

A Standard&Poor’s colocou o rating dos EUA em ‘vigilância negativa’ – o primeiro passo para uma eventual descida da notação – no mês passado, surpreendendo os investidores internacionais. Os EUA ainda mantêm a classificação máxima – AAA – junto da S&P, Moody’s e Fitch, o que indica que o país tem uma hipótese quase nula de entrar em incumprimento junto dos credores.


Mau exemplo

Porém, a folha financeira dos EUA está longe de ser exemplar. O Estado tem um défice orçamental superior a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e uma dívida pública que ronda 100% do PIB, que cresce abaixo de 2%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o secretário do Tesouro, Timothy Geithner reiteraram esta semana que, se o tecto da dívida nos EUA não for aumentado pelo Congresso – de maioria republicana –, o país corre o risco de entrar em incumprimento em Agosto. 

Numa primeira fase, a Dagong fez um downgrade do rating dos EUA, do nível máximo, AAA, para AA, devido à inexistência de uma «solução credível» para a resolução do défice orçamental no longo prazo, que estava a levar o país para um «crise da dívida», adianta o responsável. 

A decisão da Fed, o banco central norte-americano, de injectar mais de 600 mil milhões de dólares na economia através da emissão de moeda, em Novembro de 2010, reflectiu o «colapso do estado de solvência dos EUA e a deterioração da capacidade de pagar as suas dívidas», salienta a agência chinesa. Este evento levou a Dagong a fazer um novo corte na notação dos EUA, para A+. Jialin lembra que nem a deterioração económica dos EUA levou as três agências norte-americanas a alterarem a classificação, acrescentando que «o silêncio tornou-se a opção unânime entre elas». 

«O rating da dívida pública norte-americana é o segundo teste para as três maiores agências. No primeiro, os seus erros morais e de actuação provocaram a crise de crédito global», diz Chen Jialin.


terça-feira, julho 12, 2011

Portugal e as agências de “rating” – artigo de opinião do NY Times


Trata-se de um artigo já datado (12 de Abril deste ano), publicado no NY Times, sob o título original Portugal’s unnecessary bail-out. Como me acabam de enviar a tradução e dado o seu interesse, sem prejuízo de alguma (inevitável) desactualização, segue para vossa informação [para quem já o tiver lido, passe adiante]:



Opinião no NY Times: «Agências de rating armadilharam Portugal»


Opinião publicada no New York Times por Robert M. Fishman, professor de Sociologia da Universidade de Notre Dame. Caso português é aviso para muitos outros países. 

A culpa do pedido de ajuda financeiro feito por Portugal é das agências de rating e da falta de regulação sobre a forma como as mesmas avaliam a fiabilidade da economia dos países. A opinião é de Robert M. Fishman, professor de Sociologia da Universidade de Notre Dame, de Indiana, Estados Unidos, e escritor galardoado - venceu a Menção Honrosa para Melhor Livro de Políticas Sociólogas em 2005, pelo seu livro Democracy's Voices.
 Por Robert M. Fishman, professor de Sociologia da Universidade de Notre Dame
O desnecessário resgate de Portugal

«O pedido de ajuda de Portugal para as suas dívidas junto do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia na última semana deve servir de aviso para todas as democracias. As crises que começaram com os resgates da Grécia e Irlanda no ano passado tiveram uma feia reviravolta. Contudo, este terceiro pedido de resgate não é realmente sobre dívida. Portugal teve uma forte performance económica nos anos 90 e estava a conseguir a sua recuperação da recessão global melhor do que muitos outros países na Europa, mas viu-se sob injusta e arbitrária pressão dos corretores, especuladores e analistas de rating de crédito que, por visão curta ou razões ideológicas, conseguiram forma de afastar uma administração democraticamente eleita e potencialmente amarrar as mãos da próxima.

Se deixadas sem regulação, estas forças de mercado ameaçam eclipsar a capacidade dos governos democráticos — talvez até da América — para fazerem as suas próprias escolhas sobre impostos e despesas.

As dificuldades de Portugal eram alegadamente semelhantes às da Grécia e Irlanda: para os três países, a adopção do Euro há uma década significou que tiveram de ceder o controlo das suas políticas monetárias, e um repentino incremento dos níveis de risco que regulam os mercados de obrigações atribuíram às suas dívidas soberanas foi o gatilho imediato para os pedidos de resgate.

Mas na Grécia e Irlanda o veredicto dos mercados reflectiu profundos e facilmente identificáveis problemas económicos. A crise portuguesa é bastante diferente; não houve uma genuína crise subjacente. 




As instituições e políticas económicas em Portugal que alguns analistas financeiros vêem como potencialmente desesperadas tinham alcançado notável sucesso antes desta nação ibérica de dez milhões ser sujeita às sucessivas ondas de ataque dos mercados de obrigações.

O contágio dos mercados e redução de notação, que começaram quando a magnitude das dificuldades da Grécia emergiu no início de 2010, transformaram-se numa profecia que se cumpriu a si própria: ao aumentar os custos da dívida portuguesa para níveis insustentáveis, as agências de rating forçaram Portugal a procurar o resgate. O resgate deu poder aos ‘salvadores’ de Portugal a pressionarem por impopulares políticas de austeridade que afectaram empréstimos de estudantes, pensões de reforma, subsídios sociais e salários públicos de todos os tipos.

A crise não é culpa do que Portugal fez. A sua dívida acumulada está bem abaixo do nível de nações como a Itália que não foi sujeita a tão devastadoras avaliações. O seu défice orçamental é mais baixo do que muitos outros países europeus e estava a diminuir rapidamente graças aos esforços governamentais.

E quanto às perspectivas de crescimento do país, que os analistas convencionalmente assumem serem sombrias? No primeiro quarto de 2010, antes dos mercados empurrarem as taxas de juro nas obrigações portuguesas para os limites, o país tinha uma das melhores taxas de recuperação económica na União Europeia. Numa série de reformas — encomendas industriais, inovação empresarial, realização educacional, e crescimento das exportações — Portugal igualou ou mesmo ultrapassou os seus vizinhos do Sul e até da Europa Ocidental.

Por que razão, então, foi tão desclassificada a dívida portuguesa e a sua economia empurrada para o limite? Há duas possíveis explicações. Uma é o cepticismo ideológico em torno do seu modelo económico misto, que suportava empréstimos às pequenas empresas, em conjunto com algumas grandes companhias públicas e um robusto estado-providência. Os mercados fundamentalistas detestam intervenções de estilo keynesiano em áreas da política interna portuguesa — que evitavam uma bolha e preservavam a disponibilização de rendas urbanas baixas — quanto a assistência aos pobres.

A falta de perspectiva histórica é outra explicação. O nível de vida dos portugueses cresceu muito nos 25 anos que se seguiram à revolução democrática de Abril de 1974. Nos anos 90 a produtividade laboral cresceu rapidamente, as empresas privadas aprofundaram o investimento com a ajuda do governo, e partidos tanto de centro-direita como de centro-esquerda apoiaram o aumento da despesa social. Por altura do fim do século o país tinha uma das taxas de desemprego mais baixas da Europa.

Em abono da verdade refira-se que o optimismo dos anos 90 deu origem a desequilíbrios financeiros e a gastos excessivos; os cépticos quanto à saúde da economia portuguesa apontam para a sua relativa estagnação entre 2000 e 2006. Apesar disso, no início da crise financeira global em 2007, a economia estava de novo a crescer e o desemprego a descer. A recessão acabou com essa recuperação, mas o crescimento retomou no segundo quarto de 2009, mais cedo do que noutros países.

Não se podem culpar as políticas domésticas. O primeiro-ministro José Sócrates e o governo socialista mexeram-se para cortar no défice enquanto promoviam a competitividade e controlavam a despesa pública; a oposição insistia que podia fazer melhor e forçou José Sócrates a apresentar a sua demissão este mês, preparando o palco para novas eleições em Junho. Isto é normal em política, não um sinal de confusão ou incompetência como alguns críticos de Portugal apontaram.

Podia a Europa ter evitado este resgate? O Banco Central Europeu podia ter comprado de forma agressiva as obrigações de Portugal e protegido o país do pânico mais recente. Regulação da União Europeia e dos Estados Unidos sobre o processo utilizado pelas agências de rating para avaliar a fiabilidade de crédito da dívida de um país é essencial. Distorcendo as percepções dos mercados sobre a estabilidade portuguesa, as agências de rating — cujo papel no fomento da crise hipotecária nos Estados Unidos está amplamente documentado — armadilharam tanto a sua recuperação económica como a sua liberdade política.

No destino de Portugal reside um claro aviso para os outros países, incluindo os Estados Unidos. A revolução portuguesa de 1974 inaugurou uma onda de democratização que varreu o globo. É bem possível que 2011 possa marcar o começo de uma onda de invasão da democracia por mercados desregulados, com Espanha, Itália ou Bélgica como próximas vítimas potenciais.

Os americanos não iriam seguramente gostar muito que instituições internacionais tentassem dizer a Nova Iorque, ou a outra qualquer cidade americana, para abandonar as suas leis de controlo de rendas. Mas é este precisamente o tipo de interferência que agora está a ocorrer  em Portugal — tal como aconteceu na Grécia ou na Irlanda, apesar desses países terem maiores responsabilidades no seu destino. Apenas governos eleitos e os respectivos líderes podem assegurar que esta crise não acaba por minar os processos democráticos. Até agora parecem ter deixado tudo nas mãos da imprevisibilidade dos mercados de obrigações e das agências de rating.»

quinta-feira, julho 07, 2011


Moody’s corta “rating” de Portugal



São muitas as vozes indignadas contra a desclassificação de Portugal, dos seus bancos, das suas empresas, regiões e municípios. Somos agora lixo, lixo genuíno, lixo autêntico, lixo puro, mal cheiroso e poluente, sem apelo nem agravo. Nem Nossa Senhora de Fátima, os anjos, arcanjos, querubins e serafins nos podem valer. Neste embate de titãs entre a Europa e a América somos o chamado collateral damage, ou seja os danos fortuitos duma guerra que não é nossa, mas que passou a ser. Não se é soldado de infantaria na linha da frente ou peão no tabuleiro de xadrez por mero acaso. Estamos lá, porque assim o quisemos. Estamos lá porque nos pusemos a jeito. Estamos lá porque fomos desgovernados da maneira infame em que o fomos, pelos mesmos vigaristas de sempre. Mas, meus amigos, digam-me lá, a verdade verdadinha, não estávamos mesmo à espera disto?
Ou será que toda a gente pensava que com um novo Governo, com o chamado vasto consenso dos partidos democráticos, com o apoio generalizado do triste, pobre e macambúzio “bom Povo Português”, com promessas de meninos bem comportados, com um apertar de cinto ainda mais ajustado do que nos era pedido, nos íamos safar?
Há quem critique a inoportunidade do anúncio da Moody’s a que se seguirão inevitavelmente os das outras duas agências – a Standard and Poors e a Fitch – no mesmo sentido e que, por certo, não irão tardar. Haveria, dizem, que dar tempo ao tempo e esperar que as medidas tomadas por este Governo surtissem ou não efeito. Sim e depois, com certeza, podiam dizer de sua justiça... Diga-se, de passagem, que numa guerra, não se escolhe o timing que convém ao inimigo, mas o que convém aos nossos interesses. É uma verdade de La Palice.
No combate para a supremacia mundial, de que a batalha euro-dólar é apenas um episódio entre muitos, a  estratégia de Wall Street consistiu – e isto é bastante claro para toda a gente – em rebentar com a periferia da Europa, até porque existiam (e existem) manifestas vulnerabilidades nesses países ditos PIGS ou PIIGGS que facilitam a ofensiva.
E depois há um problema de timing a Europa tem de cair rapidamente antes dos EUA baquearem de vez, o que se prevê para o Outono, ou mesmo antes. Todos sabemos disso ou temos, pelo menos, consciência dessa forte possibilidade.
Para o efeito, os EUA têm um forte e indefectível aliado na Europa. You know what I am talking about. O cavalo de Tróia chama-se Reino Unido – um país que pouco ou nada produz e que vive, essencialmente, da especulação financeira da City de Londres – passem de largo os exageros, com as minhas reiteradas desculpas aos anglófilos! Todavia, estas previsões podem falhar ou poderão surgir factores supervenientes, que por ora não se podem ler nas cartas e que poderão alterar esta futurologia bloguista. Mas pelo andar da carruagem  creio que não estamos muito longe da verdade.
O krach de 1929  não foi um mero acidente de percurso, nem se circunscreveu a meia-dúzia de anos. Seguiu-se a Grande Depressão, a emergência dos totalitarismos na Europa e depois a II Guerra. A retoma plena, note-se bem, só se deu em 1954. Isto são factos históricos indesemntíveis.
O meltdown de 2008 que os EUA resolveram à sua maneira, injectando mais dinheiro no mercado (more, more and always more) salvando uns e não outros, não se descortinando critérios, nem se atinando com qualquer lógica de fundo, num universo de total desregramento, que é o que agrada à City e a Wall Street. Depois passámos à crise da dívida soberana.  Não ignoramos que exista, mas a verdadeira luta é outra, como sabemos. A procissão, porém, ainda vai no adro. E preparamo-nos para o estouro final: quem rebenta primeiro a Europa ou os EUA? E quando é que vêm os chineses ou os indianos apanhar os cacos?


Bom, mudemos de assunto, relativamente ao título deste “post”, impõe-se uma pergunta:
Que fazer?
Correm na net várias hipóteses. Para já circula um abaixo assinado relativamente às agências de “rating”, denunciando as suas práticas, a sua actuação e, sobretudo, a sua estratégia, nem sempre clara. Outra consiste em  tentar bloquear a página Web da Moody’s através de um ataque em ordem, programado para segunda-feira, à hora de abertura do New York Stock Exchange.
Recebi inúmera correspondência a este respeito, que vou partilhar com os meus leitores, sintetizando-a:-
-       Bandidos bandidos mesmo foram os sucessivos governos que puseram Portugal neste estado. Agora dão tiros no mensageiro...tão inocentes que nós somos.”
-       “This is just business. Estamos no meio duma guerra sem termos exército nem sequer armas para nos defendermos. Deus nos valha.”
-       A propósito do pretendido bloqueio informático à Moody’s: “E o que farão os alemães? Mandarão bombas para cima da Moody´s enquanto nós lhes entupimos os computadores?”
-       “Será que teremos direito à indignação? As agências de “rating”, sobretudo quando analisam países meridionais, têm de ter em atenção que aí predominam trapaceiros, vigaristas e irresponsáveis. Portugal e os portugueses deviam ter vivido dentro dos sãos princípios das suas possibilidades, nos parâmetros da filosofia do velho “Botas”, se o tivéssemos feito, isto não acontecia. Mas esses politico-politiqueiros, na sua contumaz aldrabice tentaram convencer-nos – e em parte conseguiram (pobre povo!) – de que entrar para Europa era chegar à terra prometida, onde corria o leite e o mel. Vivemos à grande e à francesa com dinheiro dos outros e, no fim, a Europa pagaria a conta. Ora, não existem almoços grátis e a factura temos mesmo de a pagar.”


.


sexta-feira, maio 14, 2010

Banca e respectiva promiscuidade com as agências de "rating"

Com a devida vénia, transcreve-se do NYT
News Alert: New York Said to Be Investigating Banks' Influence on
Ratings Agencies

Breaking News Alert
The New York Times
Thu, May 13, 2010 -- 12:00 AM ET
-----

New York Said to Be Investigating Banks' Influence on Ratings Agencies

The New York attorney general has started an investigation of
eight banks to determine whether they provided misleading
information to rating agencies in order to inflate the grades
of certain mortgage securities, according to two people with
knowledge of the investigation.

The agencies themselves have been widely criticized for
overstating the quality of many mortgage securities that
ended up losing money once the housing market collapsed. The
inquiry by the attorney general of New York, Andrew M. Cuomo,
suggests that he thinks the agencies may have been duped by
one or more of the targets of his investigation.

Those targets are Goldman Sachs, Morgan Stanley, UBS,
Citigroup, Credit Suisse, Deutsche Bank, Crédit Agricole and
Merrill Lynch, which is now owned by Bank of America.

The companies that rated the mortgage deals are Standard &
Poor's, Fitch Ratings and Moody's Investors Service.
Investors used their ratings to decide whether to buy
mortgage securities.

Read More:
http://www.nytimes.com?emc=na

quarta-feira, maio 05, 2010

Acredite se quiser - O maravilhoso mundo novo! Ver para crer como S. Tomé! Como funcionam realmente as agências de #rating"
No further comments!

quarta-feira, abril 28, 2010

A crise sem saída possível (parte 2 de muitas e variadas partes) -  Que ninguém pense que estamos dominados pela monomania da perseguição ou por alguma paranóia emergente, com características anti-USA doentias e primárias. É certo e sabido que as 3 grandes  agências de “rating”, todas elas, sem excepção, americanas (Fitch ratings, Moodys e Standard and Poors), cuja competência e credibilidade são postas em causa, estão na razão directa da maior ou menor turbulência dos mercados. Credibilidade, dizíamos nós? Com efeito, será que previram a crise do sub-prime? A recessão? O descalabro económico-fiannceiro dos últimos anos? Só servem então para a especulação pura, ao serviço de interesses inconfessáveis, mas detectáveis.
Estas agências de “rating” ou de notação especulam livremente contra o Euro e contra a dívida soberana dos países mais débeis. É uma ordem de batalha perfeitamente clara, visando como objectivo final o fim da Eurolândia e o retorno a um status quo ex ante que é o que interessa a Washington, a Londres e, em suma aos BRICs e outros. Como sublinha George Friedman no seu livro  “Os próximos 100 anos  - uma previsão para o século XXI” (ed. Livros de Hoje das Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2010) entrámos na “era da América”, com o declínio inevitável da Europa e do sonho europeu (que nesta óptica não nos conduz a parte alguma).
Ainda, hoje, a porta-voz da Comissão Europeia, Chantal Hughes,  a propósito das notações de crédito da Grécia efectuadas pelas agências de “rating” sublinhou que estas se deviam pautar por um “comportamento responsável”:
“The commission has already taken action to put in place a regulatory framework on credit-rating agencies and we will continue to watch very closely the behavior of the financial markets during the crisis.”
O efeito bola de neve criado pelas agências, que atribuem níveis de risco desorbitados a determinados páises mais frágeis, conjugadas com a especulação bolsista dão o resultado que se sabe. Depois, por uma questão de facilidade, mete-se tudo dentro do mesmo saco, mas Portugal não é a Grécia, nem a Espanha é comparável à Irlanda. Existem não só diferenças de grau, mas, igualmente, de problemas específicos,  de comportamentos, de políticas, etc. 
Mas voltemos ao problema de fundo. A Europa a bem dizer não existe, porque a Alemanha não quer que exista e, como parece ter ficado bem demonstrado, no nosso escrito anterior, Berlim pensa apenas nos seus interesses e na recriação de um universo dominado pelo DM ou por um Euro que em tudo se lhe assemelhe. Contra factos, não há argumentos.
Leia-se o que a este respeito escreve Francisco Seixas da Costa no seu blogue “Duas ou três coisas”
“Neste quadro de dúvidas criadas sobre a solidariedade dentro do espaço da moeda única [elia-se solidariedade principalmente alemã], as agências de "rating" repercutem tal perplexidade, pelo que fazem um "upgrading" dos níveis de risco para os "produtos" financeiros ligados a esses países. A perversidade desse mecanismo está no facto de. ao tomarem tal ação, essas agências agravarem ainda mais a situação dos países, pela circunstância dessa sua opinião conduzir os mercados a cobrarem mais pelos empréstimos aos Estados cuja situação já era complexa.” (ler o texto completo em http://duas-ou-tres.blogspot.com/2010/04/portugal-e-crise.html).
Este assunto está muito longe de ter terminado.