Subsídios de representação
O MNE não devia ser como é uma coutada de um número restritíssimo de senhores. No caso dos abonos de representação, congeminados numa fase inicial, como uma distribuição mais equitativa do "bolo", de acordo com as condições de vida de cada local de afectação e da posição hierárquica de cada funcionário, foram rapidamente desvirtuados por todos os malfeitores e mafiosos que passaram pelo 4º andar e que obtiveram o aval para as suas actividades menos transparentes e - porque não dizê-lo - criminosas por parte do Poder político. Até porque alguns estavam interessados em postos financeiramente apetecíveis, contando sempre "with a little help from my friends". E mais não digo... Será compreensível que um diplomata em Madrid ganhe em subsídio de representação entre 13 a 14.000 Euros e quem esteja na Índia se fique pelos 7/8.000? Será que o custo de vida comparado entre esses dois países nos leva a essas disparidades ou é obra desse grupo de bandoleiros de meia-tijela? Nunca se quis pensar a sério num sistema equilibrado e justo das representações. Foi um fartar vilanagem para alguns e os outros que vão para.... Os ministros nunca se preocuparam a sério com esta questão que é verdadeiramente central, mas que lhes passou ao largo.
Depois há que ver se o sistema é de facto equitativo.
Em seguida, há que saber-se porque querem os diplomatas isenção do pagamento de IRS e de descontos para a CGA relativos ao valor da representação? Não será estupidez, que se esconde por detrás de uma chico-espertice de resultados duvidosos? Se descontarem uma boa maquia para a SS, também auferirão, mais tarde, uma choruda aposentação? Por outro, será justo não se pagarem impostos sobre essas quantias astronómicas a que o comum dos cidadãos não tem acesso - uma representação mensal em Madrid, por exemplo, equivale a várias vezes uma pensão anual de mera subsistência, ao dobro do salário mínimo anual e, pelo menos, a um salário médio anual?
Será justo? Está correcto?
Quem é que desvirtuou tudo isto?
Não se aperta o cinto diplomático ou apertar é só para o povão?
Faça-se justiça.
Relações e ralações externas mais fofoca q.b., ou em versão inglesa: "Something is rotten in the kingdom of Denmark" e em versão francesa: "Du tout et de tout - Récits de Belzébuth à son petit-fils"
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quinta-feira, dezembro 23, 2010
quarta-feira, maio 05, 2010
Salários mensais - Note bem são salários mensais!!!
-Mata da Costa: Presidente dos CTT, 200.200 Euros -Carlos Tavares: CMVM, 245.552 Euros -Antonio Oliveira Fonseca: Metro do Porto, 96.507 Euros -Guilhermino Rodrigues: ANA, 133.000 Euros -Fernanda Meneses: STCP, 58.859 Euros -José Manuel Rodrigues: Carris 58.865 Euros -Joaquim Reis: Metro de Lisboa, 66.536 Euros -Vítor Constâncio: Banco de Portugal, 249.448 Euros (este é que pode pagar mais IRS) -Luís Pardal: Refer, 66.536 Euros -Amado da Silva: Anacom, Autoridade Reguladora da Comunicação Social, ex-chefe de gabinete de Sócrates, 224.000 Euros -Faria de Oliveira: CGD, 371.000 Euros -Pedro Serra: AdP, 126.686 Euros -José Plácido Reis: Parpública, 134.197 Euros -Cardoso dos Reis: CP, 69.110 Euros -Vítor Santos: ERSE, Entidade Reguladora da Energia, 233.857 Euros -Fernando Nogueira: ISP, Instituto dos Seguros de Portugal, 247.938 euros (este não é o ex-PSD que se encontra em Angola !! ) -Guilherme Costa: RTP, 250.040 Euros -Afonso Camões: Lusa, 89.299 Euros -Fernando Pinto: TAP, 420.000 Euros -Henrique Granadeiro: PT, 365.000 Euros E ainda faltam as Estradas de Portugal, EDP, Brisa, Petrogal, todas as outras Observatórios e reguladoras ... Vilanagem É um fartar enfim! E pedem contenção!! Imaginem o que é pagar um Subsídio de férias ou de Natal a estes senhores:''Tome lá meu caro amigo 350.000 € para passar férias ou fazer compras de Natal''. E pagar-lhes esta reforma ... É no mínimo imoral e no máximo corrupção à sombra da lei ... Até porque estes cargos não são para técnicos, Mas são de nomeação política .. É isto que lhes retira toda e qualquer credibilidade junto do povo e dos quadros técnicos. |
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terça-feira, abril 27, 2010
Lei 2105 - Crise? Qual crise? É fartar vilanagem - Do "Açoriano Oriental", com a devida vénia, transcrevemos o seguinte artigo de opinião:
A Lei 2105
VENDE-SE CONSELHO DE MINISTROS PELO PREÇO DA DÍVIDA PORTUGUESA!
ASSUNTO SÉRIO E URGENTE POR MOTIVOS OBVIOS!
A Lei 2105
Artigos de Opinião | 2010-04-06 12:48
Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês.
Corria o ano de 1960 quando foi publicada no "Diário do Governo" de 6 de Junho a Lei 2105, com a assinatura de Américo Tomaz, Presidente da
República, e do Presidente do Conselho de Ministros, Oliveira Salazar.
Conforme nos descreve Pedro Jorge de Castro no seu livro "Salazar e os milionários", publicado pela Quetzal em 2009, essa lei destinou-se a
disciplinar e moralizar as remunerações recebidas pelos gestores do Estado, fosse em que tipo de estabelecimentos fosse. Eram abrangidos
os organismos estatais, as empresas concessionárias de serviços públicos onde o Estado tivesse participação accionista, ou ainda aquelas que usufruíssem de financiamentos públicos ou "que explorassem actividades em regime de exclusivo". Não escapava nada onde houvesse investimento do dinheiro dos contribuintes. E que dizia, em resumo, a
Lei 2105? Dizia que ninguém que ocupasse esses lugares de responsabilidade pública podia ganhar mais do que um Ministro. Claro que muitos empresários andaram logo a espiolhar as falhas e os
buraquinhos por onde a 2105 pudesse ser torneada, o que terão de certo modo conseguido devido à redacção do diploma, que permitia aos administradores, segundo transcreve o autor do livro, "receber ainda importâncias até ao limite estabelecido, se aos empregados e trabalhadores da empresa for atribuída participação nos lucros". A
publicação desta lei altamente moralizadora ocorreu no Estado Novo de Salazar, vai dentro de 2 meses fazer 50 anos. Catorze anos depois desta lei "fascista", em 13 de Setembro de 1974 (e seguindo sempre o que nos explica o livro de Pedro Castro), o Governo de Vasco Gonçalves, recém-saído do 25 de Abril, pegou na ambiguidade da Lei 2105 e, através do Decreto Lei 446/74, limitou os vencimentos dos
gestores públicos e semi-públicos ao salário máximo de 1,5 vezes o vencimento de um Secretário de Estado. Vendo bem, Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar, quando assinaram o 446/74, passaram
simplesmente os vencimentos dos gestores do Estado do dobro do que ganhava um Ministro para uma vez e meia do que ganhava um Secretário
de Estado. O Decreto- Lei justificava a correcção pelo facto da redacção pouco precisa da 2105 permitir "interpretações abusivas" permitindo "elevados vencimentos e não menos excessivas pensões de
reforma". Ao lermos esta legislação hoje, dá a impressão que se mudou, não de país, mas de planeta, porque isto era no tempo do "fascismo"
(Lei 2105) ou do "comunismo" (Dec. Lei 446/74). Agora, é tudo muito melhor, sobretudo para os reis da fartazana que são os gestores do Estado dos nossos dias. Não admira, porque mudando-se os tempos,
mudam-se as vontades, e onde o sector do Estado pesava 17% do PIB no auge da guerra colonial, com todas as suas brutais despesas, pesa agora 50%. E, como todos sabemos, é preciso gente muito competente e soberanamente bem paga para gerir os nossos dinheirinhos. Tão bem paga é essa gente que o homem que preside aos destinos da TAP, Fernando
Pinto, que é o campeão dos salários de empresas públicas em Portugal (se fosse no Brasil, de onde veio, o problema não era nosso) ganha a
monstruosidade de 420000 euros por mês, um "pouco" mais que Henrique Granadeiro, o presidente da PT, o qual aufere a módica quantia de 365000 mensais. Aliás, estes dois são apenas o topo de uma imensa corte de gente que come e dorme à sombra do orçamento e do sacrifício dos contribuintes, como se pode ver pela lista divulgada recentemente por um jornal semanário, onde vêm nomes sonantes da nossa praça, dignos representantes do despautério e da pouca vergonha a que chegou a vida pública portuguesa. Assim - e seguindo sempre a linha do que foi publicado - conhecem-se 14 gestores públicos que ganham mais de 100000 euros por mês, dos quais 10 vencem mais de 200000. O ex-governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, o mesmo que
estima à centésima o valor do défice português, embora nunca tenha acertado no seu valor real, ganhava 250000 euros/mês, antes de ir para
o exílio dourado de Vice-Presidente do Banco Central Europeu. Não averiguei quanto irá vencer pela Europa, mas quase aposto que não sera tanto como ganhava aqui na santa terra lusitana. Entretanto, para
poupar uns 400 milhões nas deficitárias contas do Estado, o governo não hesita em cortar benefícios fiscais a pessoas que ganham por mês um centésimo, ou mesmo 200 e 300 vezes menos que os homens (porque, curiosamente, são todos homens...) da lista dourada que o "Sol" deu à luz há pouco tempo. Curioso é também comparar este valores salariais
com os que vemos pagar a personalidades mundiais como o Presidente e o Vice-Presidente dos EUA, os Presidentes da França, da Rússia, e...de Portugal. Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês. Não é preciso muito, nem sequer é preciso ir tão longe como o DL 446 de Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar: basta ressuscitar a velhinha, mas pelos vistos revolucionária Lei 2105, assinada há 50 anos por Oliveira Salazar. Que tristeza!
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