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domingo, julho 10, 2011


António Monteiro, embaixador jubilado, o Sudão do Sul e o Millenium BCP


O embaixador António Monteiro, que foi vice-presidente da Missão de Observação da ONU durante o referendo sobre a independência, representou Portugal, este fim-de-semana, nas cerimónias oficiais da independência do Sudão do Sul. Monteiro descreveu o ambiente que se viveu em Juba, tendo sublinhado a importância do discurso feito pelo presidente do novo país, Salva Kiir, “um discurso muito lúcido”. Chamou a atenção para as dificuldades que se perfilam no futuro imediato e sublinhou o facto de “a independência não resolver os problemas e que há limitações de meios, que há expectativas que poderão não ser preenchidas”.

Registe-se que António Monteiro, acompanhou a consulta militar na qualidade de enviado do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, tendo então frisado que a independência será um «processo complicado», que exigirá aos sudaneses a «continuação de um clima de diálogo» e «obrigará a comunidade internacional a estar envolvida».
Neste processo, o embaixador chamou a atenção para «temas delicados», como a «delimitação de fronteiras, as questões de cidadania e a partilha de recursos».
Estas são as notícias factuais tais como reproduzidas nos media e adaptadas neste post, mas há mais factos. Vejamos.

O embaixador António Monteiro, administrador por parte de Angola no Millenium-BCP – um banco classificado como “RUR-down” (ou seja, ratings under review, outlook negative, leia-se quase à beira de insolvência) - é, desde Abril, presidente do Conselho Geral e de Supervisão (CGS) daquela instituição bancária.
Nada temos contra esta multiplicidade de cargos de António Monteiro que saltita do Millenium para o Sudão do Sul, para Angola (onde tem, desde sempre, vários interesses) para missões da ONU. Só que de acordo com o artigo 6º do Estatuto da Carreira Diplomática (Dec.-Lei 40-A/98 de 27 Fevereiro) e atento o princípio da exclusividade,  um funcionário na disponibilidade ou jubilado não pode exercer funções executivas num banco (como é o caso) e é pelos menos duvidoso que possa exercer funções diplomáticas a cargo da ONU, que naturalmente envolvem também uma remuneração.
Tem de se acabar com estas situações de favor e com estes estatutos de privilégio que violam claramente a legislação em vigor.

quinta-feira, junho 30, 2011

Escravatura no Sudão




A escravatura prossegue em África (designadamente, na Mauritânia e no Sudão) e igualmente noutros pontos do globo (Arábia Saudita, por exemplo). Estamos a falar de situações de escravatura reais e objectivas e não de escravatura encapotada que existe em vários pontos do nosso planeta, numa escala muito maior.
Os tímidos protestos ocidentais dificilmente chegam a Cartum e outras capitais africanas. Nobody really cares! A maior parte são oriundos de ONG’s e, de quando em quando, lá aparecem umas denúncias desgarradas de países europeus
O Governo islamista do Sudão do Norte, liderado por Omar al-Bashir (acusado pelo TPI de crimes contra a humanidade, crimes de guerra, violações graves dos direitos humanos e  genocídio),  detém um recorde da racismo desmesurado e violento contra a população não-islamizada do seu território. Uma das formas de perseguição consiste na escravização dos não-crentes, que continua igualmente a ser uma prática corrente em muitas partes do continente africano. Cerca de 35.000 africanos continuam a ser sujeitos à prática ignóbil da escravatura no Norte do Sudão.
Hoje em dia, a população Nuba, um povo autóctone da região, confronta-se com uma campanha de genocídio às mãos dos líderes extremistas do Norte. Muitos observadores temem que esta violência pode reacender a guerra civil de 22 anos, em que cerca de 2 milhões de pessoas foram mortas e dezenas de milhares forma levadas para o Norte como escravos.
Os relatos sobre a escravatura no Sudão podem ser consultados aqui  (Freeing the  black Jihad slaves).
O vídeo infra apesar de conter apenas fotografias  e áudio ilustra bem o que se refere.