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segunda-feira, abril 04, 2011

“SIM, CHORO POR TI, ARGENTINA” DE MÁRIO VARGAS LLOSA


TRATA-SE DE UM EXCELENTE ARTIGO DO CONSAGRADÍSSIMO PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA QUE DESCREVE MUITO BEM O LONGO PROCESSO DE DECADÊNCIA DO GRANDE PAÍS SUL-AMERICANO. CURIOSAMENTE, A CLASSE DIRIGENTE ARGENTINA - UMA VEZ QUE TERIA DE SER A PRIMEIRA INTERESSADA EM RESOLVER A QUESTÃO - NÃO CONSIDERA ESTE ASSUNTO COMO TEMA RELEVANTE PARA O DEBATE INTERNO. MAIS. ESSE DEBATE REDUZ-SE, NO FUNDO, A QUESTÕES MERAMENTE PESSOAIS E QUASE NÃO TOCA EM PROBLEMAS POLÍTICOS, SOCIAIS OU ECONÓMICOS, O QUE TALVEZ SEJA UM OUTRO SUB-PRODUTO DA DECADÊNCIA.

ALGUNS PENSAM QUE É TRISTE, MAS A REALIDADE É ASSIM MESMO E NÃO SE PODE ESCAMOTEAR.

 "SI, LLORO POR TI ARGENTINA"
de Mario Vargas Llosa.

Argentina, un país que era democrático cuando tres cuartas partes de Europa no lo eran, un país que era uno de los más prósperos de la Tierra cuando América Latina era un continente de hambrientos, de atrasados.

El primer país del mundo que acabó con el analfabetismo no fué Estados Unidos, no fué Francia, fué la Argentina con un sistema educativo que era un ejemplo para todo el mundo. Ese país que era un país de vanguardia.
¿Como puede ser que séa el país empobrecido, caótico, subdesarrollado que es hoy? ¿Qué pasó? ¿Alguien lo invadió? ¿Estuvieron enfrascados en alguna guerra terrilble?.

Nó, los argentinos se hicieron eso ellos mismos. Los argentinos eligieron a lo largo de medio siglo las peores opciones.

Eso es. El peronismo es elegir el error, es el partido de los resentidos más aberrantes, llenos de odio, de rencores viscerales, fascistas, enfermos de rabia inexplicable hacia todo lo bueno que sea diferente a su manera radical y fanática de ver las cosas, son por lo general incultos, ignorantes, mediocres de mediocres!. El peronismo es perseverar en el error a pesar de manera masoquista, enfermiza, en las catástrofes que se le han ido sucediendo en la historia moderna del país.

¿Como se entiende eso? Un país con gentes cultas, absolutamente privilegiado, una minoría de habitantes en un enorme territorio que concentra todos los recursos naturales. ¿Por qué no son el primer país de la Tierra? ¿Por qué no tienen el mismo nivel de vida que Suecia, que Suiza?

Porque los argentinos no han querido. Han querido en cambio ser pobres. Seguir a "caudillos" de pacotilla, "salvadores" de porquería, locos, desquiciados por su mismo odio a todo lo que sea diferente a su locura. Han querido vivir bajo dictaduras, han querido vivir dentro del mercantilismo mas espantoso. Hay en esto una responsabilidad del pueblo argentino.

Para mí es espantoso lo que ha ocurrido en Argentina. La primera vez que fui allí quedé maravillado. Un país de clases medias, donde no había pobres en el sentido latinoamericano de la pobreza. ¿Cómo pudo llegar a la presidencia una pareja tan diabólica, manipuladora, populistas en grado extremo, corruptos de calle como los Kirchner gobernando ese país?. Al menos ya uno no está!. Esperemos que la que queda no pueda seguir hundiendo a ese otrora gran país argentino!.

Sin embargo, a juzgar por sus diabólicas relaciones estrechísimas con el desquiciado, paria, bestia troglodita, de la extinta y queridísima República de Venezuela, todo parece indicar que ahora "Cristinita" se apegará aún más a ese escoria, aprendíz de dictadorzuelo, quien ya bastante le ha financiado su mandato a costa del noble pero incomprensiblemente inerte pueblo Venezolano. ¡Qué degradación política, qué degradación intelectual!
Argentina y Venezuela, dos países extraordinarios vueltos pedazos por una sarta de demoniacos desquiciados!!!
Por eso me pregunto ¿Cómo es eso posible?

Mario Vargas Llosa
(Madrid , España)

Nota final: Mário Vargas Llosa quando escreve, não escreve por escrever, nem escreve bonito numa espécie de onanismo intelectual, escreve bem e tem, de facto, coisas para dizer. 
Leiam a última obra-prima de MVL "El sueño del celta", cuja tradução creio que já  está disponível em versão portuguesa e que ilustra bem o que refiro.  

segunda-feira, abril 05, 2010

América Latina e Portugal - existe uma estratégia lusa de relações externas para a Ibero-américa?  (1/3) - A propósito do que aqui escrevemos sobre a política externa de Washington em relação aos seus vizinhos do sul, vamos ao longo dos dias que se seguem esmiuçar um pouco a questão que levantámos e começamos com os factos:
- Portugal dispõe exactamente de 9 embaixadas na Ibero-américa: Bogotá, Brasília, Buenos Aires, Caracas, Havana, Lima, México, Montevideu e Santiago do Chile.
- Estas missões cobrem 32 estados da América do Sul, Central e Caraíbas, em que os respectivos  Chefes de Missão são, via de regra, acreditados de uma forma bizarra a saber:

  • Caracas, o embaixador Caetano da Silva tem a seu cargo 10 países, a maioria caribenhos (Venezuela, Antigua e Barbuda, Barbados, Grenada, Guiana, São Cristóvão e Nevis, São Vicente e Grenadinas, Suriname, Trindade e Tobago e Jamaica
  • Buenos Aires - o embaixador Ferreira Marques tem sob a sua alçada apenas a Argentina e o Paraguai.
  • Cidade do México - o embaixador Falcão Machado, para além do México (o 2º país e a 2ª economia da América Latina)  partilha com o seu colega de Bogotá quase toda a América Central, cabendo-lhe em sorte: Belize, Salvador, Honduras, Guatemala e Nicarágua e ainda tem tempo para a República Dominicana.
  • Bogotá - Augusto Peixoto, residente na Colômbia, tem ainda 2 países da América central (Panamá e Costa Rica), mais o Equador e duas ilhas das Caraíbas Dominica e Santa Lucia.
  • Havana, onde pontifica Luis Barreiros, para além de Cuba é também acreditado no Haiti.
  • Lima, que tem como chefe de missão Bessa Lopes, encarrega-se do Peru e da Bolívia
  • Santiago do Chile - Paes Moreira  tem a seu cargo Chile. Ponto final.
  • Montevideu, o mesmo sucede com Luísa Bastos de Almeida que se fica pelo Uruguai
  • Brasília,também aqui, João Salgueiro, não tem mais cartas no baralho, para além do imenso Brasil.
Como vemos, a América Central é partilhada entre Bogotá e a Cidade do México e as Caraíbas servem um pouco para todos os estados ribeirinhos onde temos embaixadores residentes. Se a lógica, da cobertura em quadrícula na América Central e Caraíbas nos escapa, na América do Sul a confusão é maior não se atinando com o acerto ou desacerto das acreditações: a uns não lhes cabe nada na rifa (Uruguai, Chile e Brasil - aqui até se compreende por todas as razões e mais alguma) para os demais há apenas a acreditação num dos países limítrofes.
Noutros tempos - há mais de 3 décadas -  tivemos embaixadas em São José da Costa Rica e em La Paz (Bolívia). Em relação à América Central, o mínimo que se pode dizer é que estamos perante uma cobertura extremamente deficiente e mal articulada. Quanto aos demais países, a América do Sul mereceria mais uma embaixada, pelo menos em Asunción, tendo em conta os vastíssimos interesses e investimentos sobretudo no sector agro-pecuário do Banco Espírito Santo no Paraguai ou talvez no Equador, um país que começa a emergir. Nas Caraíbas, o nosso interesse é naturalmente reduzido.
De registar que o Brasil - a potência sub-regional por excelência tem embaixadas (entenda-se full-fledged embassies)  em todos - sublinhamos todos - os países das Américas e Caraíbas. 
A Espanha tem, muito naturalmente, em todos os países de língua espanhola, sem excepção e mais uns tantos, aqui e além
Voltaremos ao assunto em próximos capítulos.