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quinta-feira, outubro 21, 2010


Guiné-Bissau - PAIGC



Guiné-Bissau: PAIGC em pé de guerra com Malam em silêncio
Luanda - Grupo de históricos do PAIGC acusa o presidente do partido Carlos Gomes Júnior de implementar o divisionismo, afastando-se do legado político de Amílcar Cabral.
Depois de um período de relativa acalmia, as hostes políticas na Guiné-Bissau voltam e entrar em ebulição com o Primeiro-Ministro no centro dos ataques. As críticas a Cadogo, que não são novas, oriundas de um núcleo de personalidades próximas da Presidência demonstram que os resultados do Congresso de Gabú, quando Carlos Gomes Júnior ganhou a Malam Bacai a liderança do PAIGC, ainda estão por digerir. 

O grupo, liderado por Roberto Ferreira Cacheu, Daniel Gomes, Marciano Silva Barbeiro e Manecas Santos, criticou em carta aberta dirigida a Carlos Gomes Júnior, presidente do PAIGC, a “incapacidade da actual cúpula directiva do Partido para garantir a unidade e a coesão interna”. O também Primeiro Ministro da Guiné-Bissau é ainda acusado de ter “enveredado pela via da violência, dos assassinatos políticos e espancamentos de figuras pública” e “instituir a eliminação física dos adversários como método de governação”, estratégia que colocou o PAIGC num “estado de terror interno”.

Na carta aberta, o grupo anuncia a intenção de convocar uma reunião extraordinária do bureau político do PAIGC para analisar a situação política da Guiné-Bissau e obter “explicações do presidente do partido sobre a governação e os crimes não esclarecidos e cometidos em 2009”.

O grupo contestatário a Carlos Gomes Júnior relaciona ainda os assassinatos de 2009, que vitimaram Hélder Proença e Baciro Dabó, com uma tentativa de Carlos Gomes Júnior de“decapitar e destruir a campanha eleitoral [presidenciais de 2009] do Camarada Malam Bacai Sanhá”.

Apesar da referência ao Presidente da República Malam Bacai Sanhá, principal opositor interno de Carlos Gomes Júnior no panorama político guineense, o grupo rejeita que esta carta aberta se trate de um “ajuste de contas dentro do partido, mas sim um diagnóstico das graves situações e atropelos da actual situação no PAIGC”. 

Desde a publicação no blog Ditadura do Consenso de uma carta alegadamente escrita pelo Procurador Geral da República e dirigida ao Presidente Malam Bacai Sanhá, na qual Carlos Gomes Júnior era apontado como o mandante dos assassinatos de 2009, que a tensão política em Bissau se tem vindo a agudizar. Roberto Cacheu e Daniel Gomes, que agora lideram a contestação no PAIGC, têm também conduzido o grupo de familiares das vítimas dos assassinatos de 2009, exigindo a publicação dos processos de investigação actualmente no Ministério Público. O Procurador Amine Saad, tem-se remetido ao silêncio sobre este caso, estando actualmente nas Canárias numa viagem particular. 

Durante a última semana, o grupo de familiares das vítimas liderado por Cacheu e Gomes manteve encontros com outros elementos da ala do PAIGC adversária de Carlos Gomes Júnior, bem como com elementos do PRS e do PRID. Dessas reuniões, realizadas sob sigilo máximo no Hotel Malaika, propriedade de Braima Camará, deputado do PAIGC e considerado o Delfim do Presidente Malam Bacai, terão saído as orientações para a actual estratégia de ataque a Carlos Gomes Júnior, de colagem da imagem do Primeiro Ministro às mortes de 2009. 

Os ataques reflectem aquilo que há muito é voz corrente em Bissau. Desde a vitória sobre Malam Bacai Sanhá no Congresso de Gabú em 2008 que Carlos Gomes Júnior mantém o controlo do aparelho partidário e recolhe o apoio dos guineenses, como foi patente nas movimentações de 01 de Abril quando a população de Bissau saiu para a rua a protestar contra a detenção do Primeiro Ministro pelos militares revoltosos. Para os estrategas adversários de Carlos Gomes Júnior, o ajuste de contas interno terá de ser feito sob uma capa de legalidade, usando o argumento judicial para obtenção de ganhos políticos máximos, sem comprometer os resultados do partido nos próximos actos eleitorais, quer legislativos, quer presidenciais.

Malam Bacai, defensor confesso do modelo governativo de carácter presidencial e que há alguns meses chegou mesmo a afirmar aos órgãos de comunicação social “os sinais de envolvimento de políticos guineenses nas mortes de 2009”, tem mantido um silêncio “ensurdecedor” face à tensão no PAIGC e a um processo político que lhe permitirá, caso seja bem sucedido, reequilibrar a balança de poder guineense do pós Congresso de Gabú.



Rodrigo Nunes - Portuguese News Network

quinta-feira, julho 22, 2010

Guiné-Bissau: Assassinato de Nino Vieira, pseudo-golpe de estado, narco-tráfico e o habitual molho de bróculos 


Nota: reproduzimos, com a devida vénia, a foto do capitão Intchama tal como publicada no blogue "Didinho".


É muito interessante e suscita inúmeras interrogações a entrevista ao capitão Pansau Intchama que terminou, há dias, um curso para capitão na Escola Práctica de Infantaria em Mafra, ao abrigo dos acordos de cooperação técnico-militar Portugal-Guiné -Bissau e que fez declarações deveras surpreendentes ao blogue "Didinho" ( que podem consultar aqui http://www.didinho.org/OMEUENCONTROCOMOCAPITAOPANSAUINTCHAMA.htm)


Com efeito Pansau Intchama indicado pelo Procurador-Geral da República da Guiné-Bissau, Amine Saad  como testemunha-chave na investigação sobre o assassinato de «Nino» Vieira, quebrou o silêncio relativamente aos homicídios do ex-CEMGFA Tagmé Na Waie e do ex-Presidente da República. 
Evitou fazer grandes revelações - nunca se sabe o dia de amanhã -, mas reconheceu que esteve, juntamente com outros militares, na casa do ex-Presidente «Nino» na noite em que foi assassinado. «O nosso Comandante era o António Indjai. Um militar cumpre ordens do seu superior hierárquico...» limitou-se a dizer Intchama a Didinho.

 Segundo o militar guineense o assassinato do ex CEMGFA, Tagmé Na Waie, que precedeu em poucas horas a eliminação de «Nino», estaria relacionado «com o narcotráfico, com os aviões que até hoje estão no aeroporto de Bissalanca».

Entre outras coisas, Intchama revela  ter evitado que Isabel Vieira, a mulher de "Nino" fosse violada na noite do assalto à casa do presidente, quando este foi barbaramente assassinado à sua frente, a golpes de catana. 

Pansau Intchama terminou a 16 de Julho o Curso de Capitães na Escola Pratica de Infantaria (EPI) em Mafra no quadro da cooperação militar luso-guineense. Em Junho deste ano, o Procurador Geral da República Guineense, Amine Saad, declarou aos órgãos de comunicação a intenção de proceder à audição de Pansau Intchama, afirmando inclusivamente que as diligências feitas pelo Ministério Público guineense junto do seu congénere português não teriam tido sequência. Contactada então pelo Jornal Digital, a Procuradoria Geral da República Portuguesa negou ter recebido qualquer pedido para acareação do militar guineense.

«Sim, estou disposto a regressar e já agora, faço questão que saibas que, contrariamente ao que dizem na Guiné, não fugi e, se estou em Portugal, isso é do conhecimento das nossas autoridades, pois vim fazer especialização desde Janeiro» declarou Pansau Intchama ao jornalista Didinho, autor do blogue guineense Contributo. 

«Se dizem que sou criminoso, então que me enviem o bilhete de passagem para eu regressar e ser julgado pelos crimes que me acusam», insistiu Intchama.
A demissão e encarceramento do ex-CEMGFA Zamora Induta, as acusações sérias a Carlos Gomes Júnior e sobretudo ao Presidente Malan Bacai Sanhá não podem ser ignoradas, quem se interessa por estes assuntos não perderá certamente o seu tempo consultando o blogue "Didinho". A entrevista é composta por duas partes que devem ser lidas sequencialmente. 

quinta-feira, abril 01, 2010

Guiné-Bissau : Golpe, pseudo-golpe ou lá o que é - O Primeiro-Ministro Carlos Gomes Júnior e o CEMGFA, José Zamora Induta, foram hoje  detidos e feitos reféns por militares armados. O ex-Chefe de Estado Maior da Armada, Bubo Na Tchuto, refugiado nas instalações da ONU em Bissau e acusado no passado de tentativas de golpe de estado, regressa ao Poder. António Indjai, vice-CEMGFA passa de imediato a CEMGFA. Está-se perante uma alteração da ordem constitucional da Guiné-Bissau (mais uma) pelos militares, todavia todos se apressam a dizer que "não houve golpe de estado". Então houve o quê? O Presidente da República, Malan Bacai Sanhá,  minimiza o assunto e diz que houve "alguma confusão entre militares" Há ameaças por parte do recém-libertado Bubo Na Tchuto, diante dos mídia, de recurso à força e de se poderem vir a perpetrar "barbaridades", contra a população civil que veio para as ruas defender a ordem constitucional.  O Primeiro-Ministro  está sob"controlo dos militares". O que é tudo isto senão um golpe de estado? Ou é mais um acto, cena ou sub-cena,  da tragicomédia absurda, recheada  de episódios gravíssimos,  em que se transformou a Guiné-Bissau, de há uma dúzia de anos a esta parte, ou, se se quiser, desde sempre.
O Governo português pela boca do Ministro Silva Pereira, mostrou-se "preocupado". Na verdade, só se deve mostrar preocupado pela sorte dos portugueses que estupidamente ali se encontram, não sabe muito bem a fazer o quê e para quê. Porém, pela habitual instabilidade da Guiné-Bissau não se deve mostrar preocupado. Faz parte da rotina e da paisagem: sempre foi assim e há-de continuar a sê-lo. Trata-se de um problema a ser resolvido pelos guineenses. Não temos nada a ver com o assunto, nem nos devemos preocupar muito como isso. A quem é que realmente interessa a Guiné-Bissau?
Luis Amado, com o seu ar enjoado, veio à televisão fazer mais um discurso redondo, em que nada disse, nems se esperava que dissesse, nem jamais vai dizer. A CPLP está preocupada. Preocupada com quê?
Vamos  ser claros. Sabe-se perfeitamente que tudo isto gira à volta do narco-tráfico em que estão envovidos António Indjai, Bubo Na Tchuto e outros militares. A plataforma para o trânsito da cocaína constitui a grande fonte de riqueza da paupérrima Guiné-Bissau. O resto é conversa fiada. À mistura, temos o factor étnica: a maioria do oficialato é balanta e próximo do "louco" Koumba Yalá. Logo, aqui estão os ingredientes que explicam tudo: militares revoltados, balantas na sua esmagadora maioria, envolvidos no narco-tráfico. Any more questions, please?