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domingo, dezembro 26, 2010

Guiné-Bissau: Acordo secreto permite a libertação de Zamora

Segundo a PNN (Portuguese News Network), a libertação de Zamora Induta, confirmada na véspera de Natal, acontece três meses depois do Tribunal Militar de Bissau ter decidido pela ilegalidade da detenção do ex-CEMGFA. Zamora, detido desde as movimentações militares de 01 de Abril, prepara agora em liberdade a sua defesa das acusações feitas pelo líder dos revoltosos de Abril, António Indjai, que o implicam nos casos das mortes de 2009.
Na altura da decisão do Tribunal Militar, as chefias militares e o próprio Presidente Malam Bacai Sanhá terão recuado uma vez que consideraram não estarem reunidas as condições de segurança que permitissem a libertação de Zamora Induta. No entanto, durante a noite de 24, a residência de Zamora Induta manteve-se sem qualquer aparato de segurança policial correndo em Bissau rumores de que esta libertação «era uma armadilha».

Para além das conhecidas dissenções, aliás, públicas, entre o Primeiro-Ministro Carlos Domingos Gomes e o Presidente da República Malan Bacai Sanhá e da ascensão ao mando das FA's de conhecidos traficantes de droga com são os casos de Bubo Na Tchuto  e de António Indjai, em que o segundo libertou o primeiro que se encontrava preso, a libertação, agora, da José Zamora Induta, detido há largos meses sem mandato nem processo judicial instaurado vem lançar mais uma confusão no conturbado panorama  da Guiné-Bissau. Zamora foi um dos últimos chefes militares do conflito armado de 1998-99, ainda vivos e no activo  e, além disso, é oficialmente, CEMGFA, porque nunca foi demitido das suas funções.
Tudo leva a crer que terá havido um acordo secreto entre Malan Bacai Sanhá e o PM para que o Chefe de Estado mantenha algum controlo sobre a segurança interna (Ministério do Interior) a troco da libertação de Zamora Induta, uma questão vital para os interesses do Presidente da República. 

Isto é feito porque Zamora  não disporia de qualquer poder efectivo sobre as Foças Armadas efectivamente controladas por Bubo Na Tchuto e por António Indjai. Logo a sua libertação não iria provocar qualquer manobra de desestabilização que pusesse em perigo  o status quo existente. Consequentemente, o narco-tráfico pode continuar para benefício da economia guineense e de uns tantos em Bissau. Valha-nos, Deus!

Malan libertou ainda mais uns tantos militares envolvidos nos atentados de 2009, entre eles Manuel Mina. Trata-se pois de um acordo político para conseguir a paz no país e para que os negócios se processem sem problemas de maior. 

Amílcar Cabral deve dar voltas na tumba. 

sexta-feira, maio 07, 2010

Guiné-Bissau – pré-aviso de nova guerra civil? - Bissau recebeu a 5 de Maio os CEMGFA da CEDEAO. Visita que teve lugar quando está iminente a nomeação de um  novo Chefe de Estado Maior General, na sequência do “golpe de estado” perpetrado por António Injai e Bubo Na Tchuto, que depõs Zamora Induta desse cargo e que se encontra presentemente detido, sob custódia militar, a aguardar julgamento, no termo de um “processo” ainda em fase de organização pela Procuradoria-Geral da República que, inevitavelmente, conduzirá ao seu afastamento formal  de CEMGFA. Trata-se, porém, de um mero pro forma uma vez que, no caso em apreço, os "jogos já estão feitos"
Assim, quer Indjai, quer Bubo Na Tchuto, pretendem recolher apoios com vista à respectiva nomeação para o lugar deixado “vago” por Zamora Induta, um dos raros sobreviventes do conflito civil de 98-99. Ambos se reclamam da herança de Tagmé Na Waie. Se Indjai recolhe apoios certos em Mansoa, Bubo Na Tchuto “pesca” um pouco por todo o país.
Na Presidência guineense - em que a posição de fraqueza de Malan Bacai Sanhá é cada vez mais evidente -, são tidos como cada vez mais sérios os rumores que apontam para que Bubo Na Tchuto esteja a movimentar armamento para zonas sob controlo dos seus fiéis. É preciso não esquecer que Na Tchuto é, hoje, um dos poucos militares com um passado de luta anti-colonial - Estes rumores, em conjunto com as notícias que indicam a re-constituição de unidades militares privadas estão a lançar o alarme entre a elite política guineense já de si em alerta face à atitude conivente que as autoridade militares encaram as movimentações por toda a Guiné do ex- Chefe de Estado Maior da Armada.

quinta-feira, abril 01, 2010

Guiné-Bissau : Golpe, pseudo-golpe ou lá o que é - O Primeiro-Ministro Carlos Gomes Júnior e o CEMGFA, José Zamora Induta, foram hoje  detidos e feitos reféns por militares armados. O ex-Chefe de Estado Maior da Armada, Bubo Na Tchuto, refugiado nas instalações da ONU em Bissau e acusado no passado de tentativas de golpe de estado, regressa ao Poder. António Indjai, vice-CEMGFA passa de imediato a CEMGFA. Está-se perante uma alteração da ordem constitucional da Guiné-Bissau (mais uma) pelos militares, todavia todos se apressam a dizer que "não houve golpe de estado". Então houve o quê? O Presidente da República, Malan Bacai Sanhá,  minimiza o assunto e diz que houve "alguma confusão entre militares" Há ameaças por parte do recém-libertado Bubo Na Tchuto, diante dos mídia, de recurso à força e de se poderem vir a perpetrar "barbaridades", contra a população civil que veio para as ruas defender a ordem constitucional.  O Primeiro-Ministro  está sob"controlo dos militares". O que é tudo isto senão um golpe de estado? Ou é mais um acto, cena ou sub-cena,  da tragicomédia absurda, recheada  de episódios gravíssimos,  em que se transformou a Guiné-Bissau, de há uma dúzia de anos a esta parte, ou, se se quiser, desde sempre.
O Governo português pela boca do Ministro Silva Pereira, mostrou-se "preocupado". Na verdade, só se deve mostrar preocupado pela sorte dos portugueses que estupidamente ali se encontram, não sabe muito bem a fazer o quê e para quê. Porém, pela habitual instabilidade da Guiné-Bissau não se deve mostrar preocupado. Faz parte da rotina e da paisagem: sempre foi assim e há-de continuar a sê-lo. Trata-se de um problema a ser resolvido pelos guineenses. Não temos nada a ver com o assunto, nem nos devemos preocupar muito como isso. A quem é que realmente interessa a Guiné-Bissau?
Luis Amado, com o seu ar enjoado, veio à televisão fazer mais um discurso redondo, em que nada disse, nems se esperava que dissesse, nem jamais vai dizer. A CPLP está preocupada. Preocupada com quê?
Vamos  ser claros. Sabe-se perfeitamente que tudo isto gira à volta do narco-tráfico em que estão envovidos António Indjai, Bubo Na Tchuto e outros militares. A plataforma para o trânsito da cocaína constitui a grande fonte de riqueza da paupérrima Guiné-Bissau. O resto é conversa fiada. À mistura, temos o factor étnica: a maioria do oficialato é balanta e próximo do "louco" Koumba Yalá. Logo, aqui estão os ingredientes que explicam tudo: militares revoltados, balantas na sua esmagadora maioria, envolvidos no narco-tráfico. Any more questions, please?